Mal agradecidos e ingratos, nem um SAP merecemos...

Esta é a altura do ano em que se muitos fazem balanços e se preparam para encerrar o ano, outros aproveitam para se dedicarem a outro tipo de encerramentos.

Para uns, uma enorme irresponsabilidade; para um responsável do Ministério da Saúde uma enorme "descentralização"… mas tenho para mim que a afirmação resulta ou de indigestão de restos do jantar de Natal ou de vapores…

Isto porque o Ministério da Saúde avançou com o encerramento de vários Serviços de Atendimento Permanente (SAP) que funcionam 24 horas por dia.

Segundo o Ministério, esta sua nova política visa centralizar serviços de forma a torná-los mais eficientes, permitindo melhores meios e melhor assistência.

Para outros, contudo, significa ficarem a uma hora do serviço de urgência do hospital mais próximo.

Há uns meses atrás, o Ministério tinha decidido avançar para o encerramento mas suspendera a decisão até instalar nos locais meios de transporte modernos e eficazes para tratar das emergências, transportando os doentes até ao hospital mais perto.

Feita a devida colocação desses meios (e com festa a acompanhar), avançou-se com a data do encerramento, afixou-se e ponto final, assunto encerrado, ou se preferirem, serviço encerrado!

Não percebo é porque é que as populações estão em protesto, porque é que os presidentes de Câmara estão a protestar, porque é que todos os partidos locais reclamam?

Deviam era estar satisfeitos, os ingratos.

Então agora com ambulâncias novas não ficou tudo muito melhor?

Querem melhor do que ter um problema de saúde ou um acidente e terem de ir deitados numa moderna ambulância durante uma hora a caminho do hospital?

Querem melhor do que terem o filho num confortável veículo de socorro?
(Neste caso e menos mal, várias corporações de bombeiros viram o problema e começaram a formar os tripulantes das ambulâncias na assistência a partos…)

Em alternativa, querem melhor do que morrer numa ambulância nova e quentinha?

Tem gente que reclama por tudo e por nada…

É preciso agradecer esta iniciativa de centralizar meios.

Aliás, não é sabido de todos que um hospital que foi desenhado para um certo número de utentes tem sempre capacidade para levar com o dobro?

Estranha forma de gerir a Saúde esta; acredito que seria melhor atacar o desperdício aplicado noutros lados e investir forte na Saúde nem que fosse só para atender três doentes por noite, passando a mensagem de que ali não é um deserto antes um sítio onde as pessoas podem viver.

Mas isso digo eu, o não especialista, o tipo do senso comum.

Que País este onde se incentiva o encerramento e a desertificação, não apostando no País como um todo, achando que fazer uma descentralização centralizada é a melhor solução, onde basta sair de uma capital para se ver diferenças abismais, onde a politica é mudar tudo, tentando dar um toque pessoal nem que isso signifique tornar pior o que está mal.

Mesmo assim José Sócrates consegue-nos "deslumbrar" com uma descrição de um país evoluído onde só acontecem coisas boas, tentando mostrar que se espreitarmos para 2008 e 2009, veremos o paraíso…

Lá está, nós, povo, a escumalha da terra é que temos vistas curtas, não atingimos o pensamento do nosso "líder espiritual"…

30 comentarios:

Shark disse...

O Ministério da Saúde avançou com o encerramento de vários Serviços de Atendimento Permanente (SAP) que funcionam 24 horas por dia?
E há novidade?

Eles dizem que a política visa centralizar serviços de forma a torná-los mais eficientes, permitindo melhores meios e melhor assistência, eu digo que visa dar a aparência de poupar.

Ao menos conhecem as estradas do País sem ser pela mera consulta do mapa?

Francisco Castelo Branco disse...

Esta questão do fecho das Urgências é polémica.
Por um lado, temos que pensar nas populações. Por outro, ha que reflectir nos gastos do Serviço Publico. E se há uma relação Serviço\Cliente.
Mas uma coisa é certa.
O Ministro da Saude já deveria ter sido encerrado há bastante tempo.
Agora, encerrar centros de saúde e SAP´s nas regiões do interior do país e construir um novo hospital em Lisboa no valor de 400 milhoes de Euros............
Dá para pensar

Fragmentos Culturais disse...

Recuso-me a falar da saúde no nosso país... porque é lastimável, até nos grandes centros :((

E a falta de assistência médica e acessos da população do interior à mesma é 'fantasmagórica'... dir-se-ia um filme de terror!! Morrer mesmo, é o remédio :((

Um abraço

Já respondi ao seu comentário 'particular'!
Vejo que está muito atento :)

7 Pecados Mortais disse...

Quem quer ter saúde...que a compre!! É assim que está o nosso País! Há que fazer seguros de saúde! Pena é, daqueles que até para se deslocarem ao hospital têm condições monetárias precárias. Morrem pelo caminho...Haja paciência!

Joshua disse...

Sabes, Tiago, há dias a minha mãe, que é diabética, sentiu-se mal. O camelo do médico receitou-lhe um antidepressivo que a deixava doente de morrer.

Por duas vezes, a minha querida soçobrou. Veio ambulância. Depois seis a oito horas de espera no Santos Silva e o soro e a treta e mais nada.

Fartos disto, inscrevêmo-la numa clínica privada com algumas vantagens em euros e próxima de casa. Na última crise, pedido um médico, veio um Médico Cubano, um jovem da minha idade, sem pose, bem divertido, com uma voz rouca e um sotaque magnificamente hispânico. O jovem levou cinco euros, lembrou-lhe e recomendou-lhe o óbvio: as retinopatias diabéticas geram ansiedade e nervosismo e isto é um ciclo vicioso.

Seja como for, o que mais me marcou foi o homem a descrever o dia de exame de equivalência aqui em Portugal: à mesma hora, em Cuba, estava a mãe dele a participar num cerimónica Vodu para que o seu filhinho emigrado fosse bem sucedido. Ora essa cerimónia obrigava a pobre a estar dentro de um círculo de fogo e depois a matar uma galinha de uma maneira brutal qualquer. Foi a graça, a leveza, a falta de pose e de tretas o que nos cativou em este médico cubano. A sua história teve colorido e riso. Fez-nos bem.

O que o Ministério da Saúde está a fazer é o que tu sugeriste: o Ovo de Colombo da Governação Socretina ou Socratina é que se dêem incentivos fiscais e outros a que empresas se estabeleçam no interior, mas as empresas que teriam incentivos fiscais caso se estabelececem no interior não se estabelecerão no interior se o interior estiver ainda mais ultramontano e perigoso em matéria de serviços de saúde e de outros serviços.

Por outras palavras, rigidez e coragem decisória neste Ministério por questões de economia com estes Encerramentos pode fazer algum sentido orçamentalístico, mas jamais para quem lá vive para quem mais parece Condenação e Ostracismo em cima do ostracismo.

Mas este Ministério tem outras histórias de malfeitoria bem denunciadas em alguns blogues sobre o perfil provocatório e insultuoso de certas medidas. Tavez falemos disso mais adiante.

Abraço
(Estou perdoado?)

Kalinka disse...

Tiago

Votos de um Feliz Ano 2008, e que as forças que nos movem, sigam o caminho da paz, do amor e da realização das nossas vontades.

Obrigado pelo teu carinho ao longo do ano que em breve termina.
Conto sempre contigo.

Beijo de Esperança.

António de Almeida disse...

-Não me vou pronunciar sobre os casos concretos dos serviços que encerraram, pois conheço Régua, Vila Real e pouco mais, logo alguma análise de pormenor poderia sair errada, por lapso geográfico. Mas ouvi umas declarações, que o encerramento da maternidade em Chaves, obrigava a uma deslocação de 80 Kms, o que em estrada normal, equivale a 1H, é aceitável, mas existiam localidades a 50, 60 Kms de Chaves, que sendo deslocalizadas para Vila Real, ficam a 2H, começa a ser inadmissivel. Sou pela racionalização de meios, mas estes têm de ser acessiveis, sob pena de contribuirem para a desertificação, que se aposte em urgências centralizadas, ok, mas os SAP têm uma lógica de próximidade, a prestação dos primeiros socorros, descongestionando as urgências, sou um pouco céptico á eficácia do encerramento dos SAP, já aceito que estejam mais ou menos bem apetrechados consoante a frequência, mas pelo menos um médico, um enfermeiro e um auxiliar, serão suficientes para evitar, que alguém com uma simples fractura, não seja obrigado a percorrer 100 Kms, ocupe 3H uma ambulância equipada, para colocar gesso! Não sei se esta medida será racionalização, ou fundamentalismo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quando as políticas de saúde não conseguem melhorar, de forma aceitável, a capacidade de resposta para assistir aos seus doentes estamos perante um País que não vale a pena.

Carol disse...

Há, de facto, situações que não são compreensíveis. Mas posso dizer que há experiências bem sucedidas nalgumas propostas feitas pelo Ministério da Saúde. Em Aveiro, o centro de saúde não me conseguia garantir o mesmo médico de família por mais de dois meses. Entretanto, foi decidido que o SAP estaria encerrado a partir das 21h, salvo erro. Surgiu, então, uma Unidade de Saúde Familiar. Tenho, desde essa altura, o mesmo médico de família, um trintão brasileiro que tem tempo para me perguntar como vai o negócio e se as caloteiras já me pagaram; um médico que sabe o meu nome, sem precisar de consultar o dossier e que se lembra, perfeitamente, que devo fazer vigilância de seis em seis meses do meu peito e da tiróide... Um médico que me faz sentir à-vontade e que não me intimida.
Com este modelo, tenho sempre a possibilidade de ir à urgência que todos os médicos do serviço têm de assegurar (cada um deles tem obrigatoriamente 1h neste serviço, todos os dias) ou ao médico que está em exclusivo neste serviço. Claro está que a existência de um hospital na cidade também é uma garantia, mas um médico de família competente, presente e disponível pode, muitas vezes, evitar a ida às urgências de um hospital.

Eduardo P.L. disse...

Apresentado pelo Santilli, vim, vi, gostei. Agradeço o link e informo que estará pendurado no VARAL também!

Abraços

antonio disse...

A ingratitude é mesmo o nosso maior mal.

Compadre Alentejano disse...

Já gastei um monte de pilhas na lanterna, e ainda não tive a sorte de encontrar o país que o sr. Sócrates pinta, o Socratestão.
Conheço e bem, é um país cada vez pior, o interior desertificado, onde impera a lei de tudo fechar para poupar, sem querer saber das necessidades do zé pagante.
Porca miséria!
Um abraço.
Compadre Alentejano

Manuel Rocha disse...

Gosto da escrita do Tiago. É uma prosa sentida e despretensiosa que diz com desassombro o que lhe vai na alma.

Mas .

Estava a lê-lo e a reflectir sobre a natureza do gene que me obriga a colocar um pé atrás sempre que ouço discursos de grande consensualidade. Não sei. Mas julgo ter percebido ao longo da vida que os consensos tendem inexplicavelmente para funcionarem como menores denominadores comuns às certezas do tempo em que se estabelecem.

Explico-me.

Como sociedade reivindicamos o melhor de dois mundos, isto é, queremos a prosperidade e a liberdade do liberalismo capitalista com a justiça social e a moral de um humanismo socialista.

O capitalismo é por inerência vazio de moral. Quando faz concessões socializantes, fá-las por mera estratégia de gestão da sua imutável dinâmica. O socialismo, pelo contrário, porque é moral, conduz naturalmente a uma subordinação do individuo ao social mas que se tem revelado insustentável. Isto é: no capitalismo o mundo divide-se entre os que são ricos e os que não o sendo querem sê-lo; no socialismo esse paradigma não faz sentido e por isso a sua prática é sistemáticamente boicotada porque a verdade é que ninguém prescinde do american-dream.

Lamento se desaponto quem me imagina com um port-it socrático na testa, mas não sou servo de senhores. Dito isto, e independentemente de quem é governo, gostava apenas de perceber o que queremos como povo e o que estamos dispostos a fazer para o conseguir.

A desertificação do interior? Sim, claro, muito bem. Mas quem é que está disposto a voltar para lá ? E especifico este “lá” como aquele em que ainda há hospitais, escolas, piscinas, pavilhões desportivos, bons acessos, internet e tudo o mais excepto pessoas para os usar.Quem está ?

Complicado, não é ?

Blondewithaphd disse...

My, oh my, such irony...
Such a perfect, marvellous country and people complain about what?

NINHO DE CUCO disse...

Bom texto, Tiago
Continuemos pois a batalhar para que a conversa fiada dê lugar a soluções concretas. Todo o cidadão tem direito a cuidados de saúde adequados.

NÓMADA disse...

Bem visto Tiago
Realmente mestre Sócrates excedeu-se em previsões optimistas. Deixou o país de boca aberta porque as dificuldades estão a sentir-se.

JOY disse...

Boas amigos,

O dito especialista não tem de fazer uma hora deitado na dita ambulãncia , a esposa do especialista não vai ter a sorte e a esperiência fantástica de ter o seu filho dentro de uma dessas ambulãncias,provavélmente não irá falecer nenhum menbro da familia do especialista porque o SAP perto de casa estava encerrado.

Amigos Autores deste blog DESEJO-VOS UM FABULOSO 2008 COM MUITA SAÙDE

JOY

Márcio disse...

Há que tratar do mal feito para conseguirmos seguir em frente... Ninguém disse que este caminho ia ser fácil, aliás... JS alertou logo que o caminho ia ser duro... mas eu acredito que irá valer a pena!

aryanalee disse...

Olá Tiago
Não sei mesmo que dizer àcerca deste tema.Se por um lado considero que era urgente reestruturar os serviços de prestação de cuidados de saúde na sua globalidade, por outro penso que não deveria ter sido o fecho indescriminado dos SAP,s a melhor solução.
O tempo nos revelará as consequências destas medidas.
Desejo que em 2008 possamos continuar a vir aqui para ler e reflectir sobre temas tão actuais e oportunos, e que você expõe com tanta alma e sentir.
Muita saúde e felicidade para si e para os seus.
Um abraço

Peter disse...

Coincidência. Parece termos abordado o mesmo tema.
O "preço de um português" é assim muito inferior ao de um lobo, atendendo ao que o Governo gasta com um e com outro.

Abraço

Zé Povinho disse...

As poupanças anunciadas de 330 milhões em 2008 no Ministério da Saúde explicam o que Correia de Campos e José Sócrates andam a fazer. Os doentes que se lixem, os velhos idem, e se os partos derem para o torto nas ambulâncias também. Vejam só quanto se pode poupar também em subsídios de desemprego, em pensões e reforma, e em abonos de família.
Tudo se resume a números, as pessoas só contam a cada quatro anos, isto enquanto se achar necessário fazer eleições, porque também é capaz de ser um grande desperdício de dinheiros públicos.
São desta massa os nossos políticos, apesar do teor dos discursos e da publicidade que fazem a si próprios.
Abraço do Zé

lua prateada disse...

Minha lua desceu
Veio visitar seu povo
Ela veio desejar-te
Um Feliz ANO-NOVO!!!

A ti ela deseja
Saúde, paz e amor
Ao mundo...
Que cesse a dor!...

Beijinho prateado com carinho
SOL

quintarantino disse...

Li algures, não sei bem onde, que Correia de Campos lutava desesperadamente para salvar o Serviço Nacional de Saúde... ah, espera, era o Vasco Pulido Valente... ora bem, face ao que vejo, ou a análise estava mal feita ou o ministro luta mesmo muito mal!

Carreira disse...

Quem tem estas tomadas de posição certamente frequenta clínicas privadas de luxo.
Serviço Nacional de Saúde é para os outros, portanto contentem-se com o que há. O que havia já era pouco...agora...
Mal de quem necessita regularmente de cuidados de saúde.

Daniel J Santos disse...

De facto continua-se a querer fazer obra nem que seja estragando o que está mal, pintado no entanto quadros de belas cores.

Guilherme Santos disse...

Bom texto.

Com ironia se desmontou este ataque ao Portugal fora das cidades.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá Tiago, tenho uma prendinha para ti, no FOTOS-FERNANDA.
Muitos beijinhos,
Fernandinha

al cardoso disse...

Eu tambem sou desses ingratos ,que nao entendem os "iluminados" que nos (des)governam!!!

Metamorfose disse...

E depois não querem que o interior esteja a ficar desertificado, são estas as medidas de incentivo.
Tiago que o ano de 2008 seja o ano das realizações, tudo de bom para ti neste novo ano. Beijos

Fragmentos Culturais disse...

Tiago,

Não tenho palavras para agradecer a cuidadosa amizade que me tens dedicado desde que iniciei 'Fragmentos Culturais'!Tens sido o mais 'fiel' leitor!

Muito sensibilizada venho deixar meus votos!

Um Novo Ano pleno de serenidade e muita esperança!

**Bom Ano 2008**

Um beijo fraterno