Tempos de solidão. Natal? Talvez...

A solidão tornou-se mais funda quando as populações abandonaram as suas terras de vivência comunitária, e de boa vizinhança, para viverem e engrossarem os subúrbios das grandes cidades do litoral onde a pressão humana é cada vez mais plangente. E a estes desenraizados outros se juntaram, vindos de mais longe, falando outras línguas, tocando outros instrumentos.

Criaram-se espaços multiculturais onde a diferença é ser indiferente e onde as casas e as ruas têm outros nomes e falam de outras gentes.

Procura-se sobreviver na hostilidade da concorrência do trabalho. Procura-se fingir que se vive e que se tem uma capacidade económica que permite algumas folgas. E, até, mostrarmos que somos gente quando não amamos.

Porque dentro de cada um sobra o silencio. O silencio que se repercute pelos espaços onde as pessoas se empurram e não têm tempo para olhar. Porque cresce o egoísmo de quem sobrevive lutando, por vezes pisando, porque em tempo de violência morrem os valores atropelados.

A vida transforma-se nos símbolos com que nos afirmamos. Símbolos falsos com que nos hipotecamos e que nem sequer gostamos. Mas que são símbolos. E como tal são necessidades criadas, oferecidas, violentadas mas, mesmo assim, necessidades. Quem olha para alguém se em tudo se aparta daqueles com quem priva? Ninguém quer alguém só porque esse alguém está ali para ser procurado. Há sempre uma moeda de troca subjacente nas relações de afectos parciais.

É Natal mas quem lucra e quem vê que é Natal? Será o mendigo de si mesmo que procura o que ninguém dá, e vive a esmo, como se fosse um Carnaval e não Natal?

E crescem e multiplicam-se aqueles que procuram ser especiais na caridade mas que não são nada, na verdade, a não ser figuras de Carnavais. Seriam capazes de olhar os mendigos como iguais? Ou precisam que eles continuem a ser mendigos para que existam verdadeiros Natais?

Apaguem essas luzes gigantescas das Câmaras Municipais. O que os contribuintes querem é ter condições gerais em que não haja os aumentos brutais. Que nos resta afinal? Realidades virtuais num mundo onde todos se esquecem que somos iguais?

Vislumbro os bem vestidos, e bem falantes, tecendo sobre Associações, interpelando os que nada têm para que lhes dêem os míseros cêntimos que precisam para a ceia. Porque nas televisões ensinam que ser solidário é isso, incentivar os chavões e ir buscar feijões à feira, em grandes carrões. Alguém viu a dor de quem nada tem a passear na rua? E se por acaso a viu nua, se calhar até fugiu. Porque estes caridosos, de gabinetes gostosos, às vezes agoniam-se com os pedintes mal cheirosos.

Oh, ainda falta o discurso dos nossos governantes. O PR e o PM em sintonia falam para quem tem a barriga vazia! Falam para quem sofre, para quem está sozinho porque neste País sobra, em demasia, nas mesas dos banqueiros e noutras confrarias, o que falta a muitos portugueses. Aumentar os impostos a estes? Não!... Estes é que dão riqueza e civilização. E sobretudo fortaleza aos que lá estão!

Pobreza das pobrezas este hiato do Natal em que se procura, num maior Carnaval, dar voz à consciência brutal de uma inconsciência desigual. Deixemo-nos pois de hipocrisias. Quem está disponível não apenas para dar o que sobra que isso até faz bem? Disponível sim mas para a justiça num país com 2 milhões de pobres, meio milhão de desempregados e um milhão de contratos precários. Disponível para não ser sozinho, para calar o ego que se afirma, a cada instante, “eu bem dizia isto, eu já afirmava aquilo”, como se o nosso dizer fosse diferente, por mais iluminado, que o dos outros mortais.

Natal? Natais? Com que luzes acesas?

41 comentarios:

ANTONIO DELGADO disse...

A hipocrisia adornou Natal e a falsa Solidarieade comercializou-o: é apenas um espectáculo. Tal como as férias de Verao servem para gastar o 13º mês, o Natal serve para gastar o 14º, nos excedentes da produçao do ano que finda e que as industrias se querem desfazer.

UM ABRAÇO
aNTÓNIO dELGADO

Arcanjo disse...

Um bom Natal era se todos os nossos governantes fossem fazer o discurso deles no Pólo Norte...e por lá ficassem

ALEX disse...

Natal em que se gasta o que não se pode e há quem se suicide por se sentir sozinho. Muitas pessoas odeiam o Natal porque é uma quadra de despesas que a sociedade de consumo tornou obrigatórias e que a maioria dos orçamentos não comporta. A maioria das pessoas deixou de festejar o Natal com amor por causa do consumo que lhe está associado.

Sniqper ® disse...

Natal, A História...

Foi numa gruta despedida de tudo, fria, aquecida pelo bafo quente da respiração de um burro e de uma vaca, os eleitos para tal, que nasceu aquele que mandado por uma força superior vinha para modificar mentes e encaminhar gentes para a paz.
Gerado sem intervenção física, nasceu de uma virgem, tendo por pai um pobre carpinteiro, um representante da classe operária. Uma estrela anunciou o seu nascimento, traçando no céu um rasto de um brilho intenso, brilhante como um diamante, anunciando uma nova esperança, a salvação.
No mundo inteiro gentes de todas as classes começaram a sua marcha, o destino era ver o menino, uns montados, outros apeados, mas todos com um propósito único, oferecer o muito que tinha ou o pouco que lhes fazia falta para sobreviver, mas sem qualquer hesitação todos eles fizeram essa boa acção.
Passaram 2007 anos após o nascimento do menino, esse que depois de homem foi crucificado, pelos homens, acusado de manipulação de mentes ou talvez porque veio destabilizar o sistema vigente na altura, quem sabe. Desde esse dia a evolução humana é enorme, crianças nascem sem intervenção física, em gélidas provetas de vidro, pelo céu o brilho é o das bombas que anunciam a morte de milhares de inocentes, a destruição.
As multidões continuam a caminhar para ofertar, não a um menino, mas sim a vários meninos, todos eles os supostos salvadores do anunciado caos da humanidade. Transportados em jactos privados, carros de alta tecnologia ou com um simples bilhete, num qualquer transporte público decadente, mas todos eles crentes que a salvação ainda é possível, basta dar e esperar depois o troco do seu presente, porque quem dá recebe, será?
Afinal o Natal em 2007 anos é igual, que desilusão...

O Guardião disse...

Um bom artigo para nos fazer recordar que o homem que um dia saiu da selva, de árvores e de mato, para se dedicar à vida em sociedade, se esqueceu desse seu propósito transportando consigo alguns resquícios da lei dos mais fortes, ou da selva, que agora o tornaram a dominar, na ânsia vã de poder, riqueza, ou se calhar apenas a aparência de tudo isso.
Quando estou mais deprimido chego a pensar que em vez de evoluirmos, estamos a regredir na consciência social e noutros factores que antes nos distiguiam dos restantes animais, que chamamos de irracionais.
Cumps

bluegift disse...

Tudo se comercializou, o amor, o sexo, as crianças, tudo! O Natal não ficaria de fora. Dá vontade de fugir com a família e/ou amigos para uma casinha bem escondida no campo e aí, descansadamente, fazer um Natal mais autêntico. Acho que é mesmo a melhor opção. Ou então tentar alhear-se do histerismo reinante e olhar apenas o que é importante. Tarefa bem mais árdua, mas possível.

António de Almeida disse...

-Para alguns o Natal é trabalho, já passou, neste momento já estão a alinhavar campanhas para facturar no dia dos namorados e carnaval, alguns até já ponderam campanhas a realizar pela Páscoa. Quanto ao Natal de 2007, resta esperar, para medir os ganhos, os resultados da produtividade, de vez em quando, fecha-se tudo, o trabalho, o pensamento, vai-se de fim de semana, aqui ou ali, para tudo voltar ao normal 2 ou 3 dias depois, ah, e dia 24 de Dezembro, celebra-se o Natal, prepara-se a passagem de ano, e multiplicam-se as afirmações de que a partir de agora, para o ano, tudo será diferente, mas ficará tudo igual!

M.M.MENDONÇA disse...

Um excelente artigo para meditar. Este artigo devia ser distribuído nas ruas a cada uma das pessoas que passa e que anda numa azáfama para comercializar o Natal.O artigo devia também ser enviado ao nosso Presidente da República, professor Cavaco Silva e ao nosso Primeiro-ministro Engenheiro José Sócrates. E as crianças nas escolas deviam ser obrigadas a decorar este artigo.
Com tudo isto poderiamos nuns anos mais próximos ter Natal com espírito de familia e proximidade.

Keops disse...

Eu não conseguiria dizer tanto e tão bem! Há muitos anos que brado, há muitos anos que remo contra esta corrente fria, interesseira,calculista! No mínimo, o que posso dizer, é que a objectividade do meu comentário está distorcida por um nó na garganta, um turvar na vista.Esta forma de estar ainda me abate! Um abraço

Joshua disse...

Acordo às vezes com as minhas energias drenadas. Sei que, ao levantar-me, me dirijo para um trabalho precário, para um ambiente hostil e difícil, e sinto-me mal, sobretudo em certos dias em que a solidão tomou conta de mim pelo lado que não quero.

O desânimo e a sensação de exaustão vivem comigo. Por raras vezes sinto-me forte, combativo, vivo. Noutras sou um ser drenado que não se reconhece no mundo em que vive, rodeado de cretinos por todo o lado, de mentiras, de pressões e exigências intoleráveis.

São dias não. São cada vez mais os meus dias não. Acho que estou mesmo deprimido. A julgar pela minha pulsão monstruosa para a escrita, só posso estar exaurido e a buscar aí, nesse consolador labirinto interminável, uma saída possível e um aclarar de mim certo.

Sinto-me sempre na margem e sempre à parte. O fio de arame em que me equilibro oscila. Sei que terei de me deixar ir e cair finalmente. E sei também que será melhor assim.

Não sinto solidariedade. Não sinto humanidade. Este é um tempo de desalmados e de insensíveis. Tempo de silêncios mortais.

C.Coelho disse...

Um texto extraordinariamente bem escrito que faz o coração pular de revolta e de ansiedade.O mais triste que se conclui do que aqui está escrito, é a partipação das pessoas como carneiros num açoude. Vão para a morte sem quererem saber que vão só para irem. Gosto dos Natais na província, da missa do galo, dos fritos que se fazem e distribuem com amor. O desenvolvimento selvagem que empurra as pessoas dos deus lugares tira-nos esses sentimentos lindos e põe-nos no lixo.

antonio disse...

Eu gosto do Natal, das decorações e sobretudo das prendas. E não gostaria de ser vosso filho.

Joshua, o equilibrista é quem tenciona o arame sobre o qual vai actuar. Mais do que saber isto, é preciso acreditar nisso.

GIL disse...

O Natal enquanto tradição é algo de muito belo. Os presépios e o encantamento desses dias podem ser bonitos não pelos presentes que são produzidos pela sociedade de consumo, mas pela troca de afectos. Há prendas deliciosas que são feitas com amor. Concordo com o texto mesmo dizendo tudo isto. Há uma devassidão associada ao Natal que lhe retira toda a beleza e encantamento. As pessoas que estão sós sofrem muito mais na quadra natalícia quando todos se procuram e as ruas ficam desertas.Acho este texto de uma grande beleza literária seja qual for a opinião que se queira produzir sobre o assunto. O autor tem uma grande sensibilidade para ir ao âmago dos sentimentos. Contrariamente ao que diz o António eu gostava de ser filho duma pessoa assim até porque já não tenho pais.

Blondewithaphd disse...

I specially liked the Christmas/Carnival metaphor: powerful, paradoxical. As for the message itself, what can I say that has not been said?

quintarantino disse...

O Natal transformou-se, lenta e seguramente, no Natal de Mr. Scrooge. Ostentamos, mas nada ou pouco damos.
Temos, mas pouco ou nada partilhamos.
Talvez se caísse neve, pudesse ser diferente. Não sei.

Sniqper ® disse...

Óooo António...

Não seja assim, não diga coisas dessas, pense primeiro se alguém gostava de o ter como filho...

Depois de ler alguns textos seus, pela certa que você não seria a minha escolha para filho...

Para terminar, não entre nessa de andar no arame, não pelo problema de cair, sim como cai...

Imagine que em vez de cair no solo fica sentado no arame, com ele no meio das pernas como base, já imaginou?

C Valente disse...

Tem toda a razão, eu francamente não gosto do natal, porque é onde reina grande hipocrisia, nas empresas, e lembro-me andam uns a sacanear outros durante o ano, e depois beijinhos e abraços é Natal, depois para mim torna-se uma época triste.
O natal é para as crianças, e existem tantas que sofrem e não tem um simples rebuçado
Saudações amigas

Tiago R Cardoso disse...

Nós vivíamos em Travanca, Oliveira de Azeméis, éramos felizes, sim tínhamos muito dinheiro e o meu pai tinha um grande emprego em Aveiro, era chefe de escritório de uma empresa de azeites.
Após passar a onda do 25 de Abril, chegou a febre dos sindicatos, que ao longo dos anos veio a aumentando de tom.
Eis que por volta de 1980 chegou à empresa do meu pai, junto ao portão de uma das maiores do país em azeite apareceu o "Queremos tudo e mais alguma coisa", imaginem o que sucedeu...
Falência, uma empresa enorme desapareceu, toda a gente na rua sem nenhum direito a indemnização.
Subitamente ficamos descalços, sem onde recorrer, com um miserável subsidio de desemprego, que não dava para nada.
Eu miúdo não percebia nada, então foi me explicado tudo, tendo eu acabado por perceber um pouco.
Então eis que surge o Natal, mais uma vez a explicação de o "Pai Natal" ter problemas e esse ano não podia vir, que a única coisa que tinha podido trazer era um pouco, mas muito pouco, bocadito de comida.
Então eu passei a noite de natal a cantar umas musicas de Natal e a falar-mos sobre a festa.
No outro dia tive direito a um presente que me maravilhou e eu ainda hoje considero o maior de sempre, fomos para a cidade ver as iluminações de Natal, ver as arvores de Natal, com o estômago um pouco vazio, mas feliz de mão dada com os meus país e a minha irmã.
Podiam-me tirar tudo menos o meu sentimento e o fascínio daquelas milhares de luzes coloridas.

Boris disse...

Não tiro nem acrescento o que seja a este post belissímo de grande alcance e que muito me emociou.

Miss Vader disse...

Eu continuo a gostar muito do Natal. Mas se calhar é porque sou nova e todos me dão mimo. Não sei.

Márcio disse...

O Natal para mim já deixou de ter a beleza dos meus até 14/15 anos. A partir daí vi o que realmente se fazia dessa data que sendo eu, na altura, católico praticamente me metia muita confusão.
As pessoas hoje fazem dessa data, uma data de consumismo. Algumas até de crédito. Fico chocado quando leio notícias como instituições bancárias a oferecerem crédito especial de Natal, e as grandes superfícies oferecerem pagamentos desdobramos nas compras de Natal.
De tal forma, que aos meus 17/18 anos começou-me a meter um bocado de confusão estar a receber aquelas prendas. Hoje, continua a oferecer as minhas… não no Natal… apenas quando acho mais apropriado.

SILÊNCIO CULPADO disse...

É bom gostar do Natal. Eu exorto todos os visitantes a gostarem do Natal. Mas de um Natal rico em tradições, em partilhas de afectos e em prendas simbólicas. Um Natal com lenha verdadeira e em que as mesas estejam cheias de pitéus da nossa especialidade.Coisas feitas por nós com um toque da nossa personalidade. E há prendas encantadoras dessas que não se compram.Tenho amigas que me confeccionam botas de lã porque sabem que eu gosto de sentir os pés quentes.Então e especialidades culinárias da nossa autoria?Então e ervas aromáticas que me oferecem em vasinhos para eu plantar porque sabem que sou apreciadora?
Há alguma coisa que tenha mais valor? E sentarmo-nos à lareira (ou sem ser à lareira)à espera do Pai Natal que trará estas surpresas todas?
O que eu condeno no Natal, neste tipo de Natal, é que o consumo e a hipocrisia esvaziem o espírito do Natal. O que eu condeno no Natal é que o Natal não possa ser para todos e seja o luxo de alguns.
Mas nunca deixes de gostar do Natal, Miss Vader. Porque enquanto gostares do Natal tens a alma grande e as pessoas que amas perto de ti. Mas que esse sentimento que tenhas no Natal não o tenhas, como por encomenda, só nessa época do ano. Compreendes, Miss Vader?

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINTARANTINO
És dos meus mais queridos companheiros neste espaço da blogosfera e, por isso, quero comemorar o dia de hoje contigo, de uma forma especial.
Hoje é o dia do "Olá". O dia em que internacionalmente se comemora o world hello day, num grito universal de unidade em prol da paz e da justiça. Quando te digo olá eu quero dizer tudo. Mesmo tudo. Mas sobretudo quero caminhar contigo em busca de pessoas que queiram caminhar.
Olá!

Fernanda e Poemas disse...

Olá amiga SILÊNCIO CULPADO, Natal.......
Este devia ser um dia feliz como tantos outros, mas com sinceridade Digo-te;
Foi lindo enquanto criança na minha Ilha do Faial, enquanto nós pequeninos ( eu e o meu irmão ),
Esperávamos não o Pai Natal, mas sim o Menino Jesus.
Hoje por tradição ainda faço um presépio pequenino, para recordar quando era menina e estamos todos reunidos. Meus Avós, Pais e irmão.Hoje apena resta eu viva e só.....
por opção.
Amiga minha querida, adoro ler-te e aos nossos amigos, os belos textos sobre política que me fascínam e aqui venho sempre que me é possível. Adoro-vos a todos.
A ti queria agradecer o magnífico, texto de hoje e as grandes verdades que ele contém.
Muitos beijinhos,
Fernandinha

Compadre Alentejano disse...

Adorável texto, parabéns.
Lendo os comentários acima, fiquei deveras comovido com o Tiago R Cardoso. Também tive Natais parecidos com aquele que narra,para ele um grande abraço.
O Natal só devia ser possível com condições: haver paz, não haver fome, amizade entre os povos...
No tempo actual, não pode haver um verdadeiro Natal.
Um abraço
Compadre Alentejano

Alma Nova disse...

O Natal, mais do que um dia a assinalar, uma data obrigatória, onde reina a hipocrisia e toda a panóplia de interesses comerciais e políticos a que assistimos e que nos devassa os sentimentos, deveria ser Um Estado de Espírito...Sempre presente, comemorado a cada dia, todos os dias do ano. Só assim a palavra solidariedade é uma realidade e os fantasmas que apavoraram Scrooge poderão desaparecer das mentes.
Da classe política e seus lacaios nem falo, não são dignos sequer de ocupar o meu tempo...
Precisamos de Pessoas, não de cordeiros que a cada instante se deixam conduzir para o cadafalso pelo pastor que eles próprios escolheram...

quintarantino disse...

Silêncio Culpado, nós por cá andamos para dar esse grito de amizade e solidariedade todos os dias.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Pois andamos Quintarantino mas ainda não é suficiente. Esta consciência colectiva leva tempo a construir. Destrói-se rapidamente mas constroi-se com esforço pedra a pedra.

Tiago R Cardoso disse...

Silencio culpado, amiga,
Li agora o teu comentário lá no meu outro lado, é de facto um prazer para mim ter encontrado por estes lados pessoas extraordinárias.
Não ando muito bem, como já escrevi lá no teu blogue pessoal, mas são estes movimentos colectivos com o objectivo de melhorar alguma coisa nesta nossa sociedade, que me dão animo para continuar e acredite que está complicado, mas agradeço-te como agradeço ao nosso cineasta.

Zé Povinho disse...

O Natal quando pode ser festejado devidamente, o que nem sempre acontece especialmente por motivos laborais, ainda consegue ser uma festa da família. Adoro ver o olhar das crianças em busca do seu presente, a alegria delas, ainda que ignorando a dificuldade que por vezes temos em conciliar os rendimentos com os seus desejos e a adequação dos presentes à sua idade. Para os adultos recuso-me a comprar lembranças, preferindo o convívio e as conversas já que as oportunidades destas reuniões são cada vez mais escassas por um ou outro motivo.
Como gostava de o poder passar lá na terra dos meus pais, junto à lareira e longe dos grandes centros onde Natal é apenas mais um negócio.
Estou a divagar, dizendo o que gostava, vamos lá ver se isso acontece, em paz e harmonia, comigo e com todos, porque o merecemos depois de mais um ano de labuta.
Abraço do Zé

NINHO DE CUCO disse...

Já batemos tão no fundo que até o Natal nos levam para o transformar em coisa rentável.

Carol disse...

Não gosto do Natal, nunca gostei. Minto! Gostei quando as minhas sobrinhas eram pequeninas e ainda acreditavam no Pai Natal. Quando se deslumbravam com as luzes e a árvore de Natal. O Natal é, de facto, das crianças e é por isso que devíamos por de lado o espírito consumista, avontade de ostentar e não de partilhar!
Mas, quantos de nós conseguimos dar esse murro na mesa? Eu tento fazê-lo, mas confesso que, por vezes, acabo por sucumbir ao espírito consumista...

NÓMADA disse...

Pois é Carol a gente tem que começar a dar o murro de forma a fazer do Natal um Natal a sério. Ou seja, a continuidade de uma postura de todo o ano que, num dia determinado, se exprime numa festa familiar com muita tradição. E as pessoas têm que aprender a amar as coisas simples para poderem ser felizes. Se só se realizam com grandes prendas, como "os outros" têm, serão sempre frustradas, insatisfeitas e endividadas.

J disse...

Sempre muito interessantes estes temas apresentados.
Penso que o Natal não é apenas quando um homem quiser....
Natal é um só dia....o resto é carnaval.
As luzes....
são as mesmas que se colocam debaixo do alqueire.

que alegria o Natal dos pobres....
O dos ricos .....nem digo nada...

Revolto-me ao mesmo tempo, porque nada consigo fazer para mudar o Natal.

anamorgana disse...

UM BON ARTIGO, VOCE TEM RAZAO.
EU NAO GOSTO MESMO NADA DO NATAL, SE PUDECE DORMIA ATE O 7 DE JANEIRO.
anamorgana

C Valente disse...

Natal, natal, quanto vales
Saudações amigas

Francisco Castelo Branco disse...

Penso que o Natal é uma boa época e que deve ser aproveitado para estar com aqueles que mais gostamos

antonio disse...

Silêncio, ainda bem que gostas do Natal e nele tenhas encontrado uma forma genuína, de o viver.

Agora, alguns destes meninos, que não mercem prenda no sapatinho, seriam capazes de devolver um espelho por ter defeito. "Olhe, este espelho faz-me muito gordo, venho devolver."

Beti disse...

É importante saber isto!
:)
um beijo1

Pata Negra disse...

Estive para aqui ontem a fazer um comentário e afinal não foi gravado?
Silêncio, o meu Natal 2007 começou com este texto, ele é o meu Menino e estes bons comentários são como o presépio! Era mais ao menos assim que eu rezava ontem mas como bem sabes quem acredita, não consegue repetir as orações.
Ah! Lembro-me também que utilizei o termo "genial"!
Um abraço de menino

7 Pecados Mortais disse...

O natal é olhar falso que se pratica o ano inteiro. Todos esquecem por umas horas as desavenças para as retomar dias depois. Falsidade. Natal deve ser o ano inteiro, compreensão, atitude, solidariedade, amor etc. O Natal de nome é enfim, um enorme espectáculo comercial. A tradição já não era o que é...