Sócrates quer menos "queixinhas" a Norte... e nós que não nos quilhem!!!!

O Primeiro-Ministro, José Sócrates, terá lançado um aviso sério ao Norte quando asseverou que a região tem que "andar mais depressa" e aproveitar os fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para sair da rota de declínio económico em que se encontra.

De acordo com uma fonte anónima, citada pelo “Jornal de Notícias”, Sócrates quis dar um sinal da necessidade de união entre os actores da região.
"Aquilo que ficou claro foi que o Primeiro-Ministro entende que depende de nós, no Norte, tirar a região do estado em que se encontra", resumiu.

O Primeiro-Ministro lembrou que o queixume não chega para ultrapassar os problemas - é preciso juntar forças e "andar mais".

E tem toda a razão. Toda.
O problema é quando a prédica não bate com a prática e, lestos, surgem alguns a quererem amputar ou cortar as pernas a essas instituições e actores.

Por exemplo, a “Ryanair” queria realizar um investimento de 220 milhões de euros em Portugal mas tem-se deparado com dificuldades tais que já adiantou a possibilidade de se instalar em Espanha, Itália ou Polónia.

Esta companhia de aviação que opera a partir do Porto, com voos para treze destinos, queria instalar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro uma base de operações.

De acordo com dados vindos a público, essa base poderia criar 200 postos de trabalho, havendo estimativas que apontavam para um volume de 4.000.000 milhões de passageiros no sétimo ano e pedindo, por seu turno, que a ANA aceitasse uma redução no preço de 4,00€ por passageiro embarcado, o que corresponderia a 2,00€ por passageiro transportado.

Não devia ser assim grande o prejuízo que adviria para a ANA com a aceitação de tal pedido, já que é público também que as taxas praticadas por esta entidade em Pedras Rubras são superiores às praticadas em aeroportos como os de Valência, Bristol e Belfast.

Ora, demonstrando à saciedade que este assunto é de interesse geral para o Norte e até para o País, veja-se a unanimidade de posições.

O PSD apresentou um requerimento ao inenarrável Mário Lino para apurar qual a razão das negociações entre a “Ryanair” e a ANA não atarem, nem desatarem há quase um ano.

Murmura-se mesmo que tudo isto não passará de uma manobra de bastidores para tentar impedir a fixação de novas rotas e passageiros no Aeroporto Francisco Sá Carneiro e que bem necessários serão no novo aeroporto assim eles saibam onde o querem instalar.

O PS, por seu turno, também veio a terreiro apelar a que tudo seja feito para captar este investimento uma vez que “se devem aproveitar todas as oportunidades para fixar na Região Norte, e em particular na Área Metropolitana do Porto, todos os investimentos que grandes operadores privados tenham intenção de realizar”.

Mas a questão não se fica por aqui pois há tempos Teixeira dos Santos, certamente numa bravata da qual pensara não adviriam consequências, lamentava-se que não tivessem surgido interessados numa eventual concessão daquela infra-estrutura.

Ora, Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, queixa-se precisamente, e mais uma vez, que ninguém responde ao que já mandou perguntar.

“A ACP perguntou ao Governo quais as condições em que essa concessão poderá ocorrer, mas ainda não obtivemos resposta a esta questão”, afirmou.

Face a isto, o Primeiro-Ministro quer o quê?
Que o Norte se mobilize e se deixe de queixumes?

Eu, que não sei se alguém do gabinete do Primeiro-Ministro lê este blogue, vou contar um caso de lana caprina em matéria de investimento público mas que serve perfeitamente para ilustrar porque é que por aqui, às vezes, há quem acene com certos fantasmas.

Ainda António Guterres era Primeiro-Ministro de Portugal, no seu primeiro Governo, e uma determinada autarquia do Norte, por acaso socialista, encetou, entre várias, diligências para resolver o problema de dois quartéis da GNR.

Reunião para aqui, reunião para ali, ofício e telefonemas, vai Guterres a eleições, ganha novamente, vai Fernando Gomes para ministro da Administração Interna e lá se consegue assinar o almejado contrato-programa.

E isto depois da autarquia se ter visto na contingência de encontrar e disponibilizar dois terrenos e até custear estudos geotécnicos.

Cai Guterres no pântano, a nação no lodaçal, vem Durão, a autarquia, curiosamente, acompanha o ciclo político nacional e passa a PSD, e de quartéis… zero. Mas com verbas inscritas no PIDDAC.

Sai Barroso, entra Santana, e nada. Sai aquele, entra Sócrates e em 2007 um dos quartéis lá consegue avançar.
Por acaso, o outro podia ter avançado primeiro, não fosse o caso do vencedor do concurso público ter vista a obra ser-lhe consignada e abrir… falência. Boa análise da capacidade técnica e financeira até deve ter sido feita!

Isto para se edificar um mísero quartel da GNR. Imaginem agora como são outras coisas.

É por isso que no Norte há muito quem sinta uma revolta larvar contra determinadas atitudes que outros tomam.

Podemos não o ser agora, mas durante anos o motor da economia portuguesa esteve aqui.
Durante os anos de chumbo em Setúbal e outros locais do País, foi o Norte que contribuiu de forma activa e solidária para a criação de riqueza nacional.

O mínimo que se podia exigir era alguma solidariedade, mas essa também não se pede. Ganha-se.
Mas não será certamente com a grande maioria dos políticos de pacotilha que nos representam nas instâncias do poder.

28 comentarios:

Shark disse...

Estes dois exemplos são suficientemente elucidativos da divisão assimétrica do País entre uma região que sorve uma boa fatia do investimento público (o Vale do Tejo) e o resto do País.
Obviamente que onde existem pessoas, mais problemas há mas também não deixa de ser menos verdade que muitas das vezes os dinheiros públicos são dilapidados em coisas de somenos importância ou de mera fachada.
Não alinho pelo diapasão dos que exigem regiões, reclamam por tudo e por nada contra Lisboa, mas que às vezes é preciso dar uns gritos e uns murros.

POST SCRIPTUM - DEPOIS DA BERRARIA DE ONTEM, NÃO ACHAM QUE DEVIAM TER SIDO MAIS CAUTELOSOS NO TEMA QUE ESCOLHERAM?
Está bem que este é um blogue de reflexão e debate, mas aqui às tantas põem-se a jeito.

Um Momento disse...

Quint!
Bom texto
Sorvi cada letrinha até á última gota
Os meus sinceros Parabéns!

Quanto a comentar...há coisas que nem eu mesma consigo comentar...

PS: TEns uns "miminhos " no Momentos para Ti, com carinho

Beijo e um bom nicio de semana:))
(*)

Carol disse...

Mais um texto de grande qualidade e um tema que leva à reflexão e à discussão. Acho, no entanto, que todos concordarão que as assimetrias no nosso país, nomeadamente entre as regiões Norte e Sul, são gritantes. E, como sempre, quem se lixa é o mexilhão (leia-se Norte)...
Esta é, pelo menos, a minha convicção.
Quanto à escolha de temas e de percursos, conhecendo o Quin como tenho o prazer de conhecer, sei que nunca se deixarão influenciar.

António de Almeida disse...

-Já desconfiava, mas com o episódio Ryanair, começo a ter a certeza, de que a ligação TGV Porto-Vigo, apresenta como principal factor de interesse, a satisfação do lobbi da construção, e da venda do equipamente, pois caso existisse alguma estratégia de desenvolvimento, criando uma plataforma logistica na região, o investimento da Ryanair seria muito bem vindo, no entanto parece que a ANA, empresa pública, não confundir com função pública, que opera em regime de monopólio, apenas estará interessada em defender interesses da TAP, e obedecer politicamente a Mário Lino. Este seria um investimento, pela sua dimensão, interessante não apenas para a região norte, mas para o país, os investimentos mais pequenos que também aponta, não me posso em rigor pronunciar, mas sempre vou dizendo, que a lógica centralista, ocorre um pouco por todo o país, e não será por si só, resolvida pela regionalização, também posso pensar, que a criação de circulos uninominais, aproximam os políticos dos eleitores, e que onde muitos vêm um perigo, passarem os deputados a agir mais numa lógica de região do que de sede nacional partidária, a minha convicção, é que tal seria um benefício.

ALEX disse...

A Região Norte tem sido particularmente atingida pelo desemprego e pela desertificação. Texteis, calçados e outras indústrias não têm aguentado a concorrência internacional, sobretudo a chinesa, e têm fechado. Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a região mais rica e o Porto não pára de perder habitantes. Para haver uma maior equidade no desenvolvimento regional é preciso pôr mãos à obra e dar apoio a projectos que fixem as populações. Agora quando os interesses instalados não o permitem é que está o busilis.

Compadre Alentejano disse...

Para o governo Lisboa é Lisboa, e o resto é paisagem. Nós cá no Sul, abaixo de Lisboa, claro está, também temos os mesmos problemas, basta ver o que se está a passar com o Aeroporto de Beja,faz que anda mas não anda...
Bom post, parabéns.
Um abraço
Compadre Alentejano

Márcio disse...

E há ainda uma outra coisa que muita gente se está a esquecer… além de como referiu o Minho já foi a principal zona de fonte de riqueza nacional, esta região é a mais jovem do país! O futuro está aqui… é preciso apostar no norte… porque esta gente basta-lhes uma oportunidade para demonstrar o seu valor!

O Guardião disse...

Já nem acredito que a geografia seja o grande problema. O que eu acho é que o grande poder económico se concentrou perto da manjedoura, onde se lambuza todo, enquanto a grande maioria dos portugueses assiste. As assimetrias começam a ser tão gritantes que já nem os pequenos e médios empresários se sentem a salvo. Não admira que até dentro do partido do governo comecem a surgir vozes de alerta, tímidas claro.
Não é o país que está de tanga, é a grande maioria dos portugueses que está à beira de um ataque de nervos.
Cumps

quintarantino disse...

Shark, meu caro visitante, como vê a escolha do tema, para já, está a revelar-se acertada. Basta ver os comentários efectuados.

Tiago R Cardoso disse...

Muito interessante o Sr.Sócrates mandar o Norte correr quando lhes corta as pernas.

Enquanto assistimos a estas situações, que não são exclusivas do Norte, este país fora dos centros de decisão, onde está o poder, não anda.

Enquanto o nosso "líder" espiritual, o Sr. Sócrates, incentiva o Norte a andar e a evoluir com palavras, continuam os estudos para as obras de regime.

A autarquia de que falas demorou imenso a começar a construção dos quartéis, pois eu conheço uma que andou tão depressa na construção deles que quando foram experimentaras garagens, os jipes da GNR não cabiam, tudo porque o primeiro-ministro na altura tinha definido prazos e estava numa altura de grandes inaugurações.

Peter disse...

Meu caro

Aprecio imenso o seu blog, na medida em que me mantem informado sobre assuntos de natureza político/económica que desconheço.
É um blog que segue uma linha de rumo bem definida.
Como pessoa que viveu e participou directamente nesse período conturbado da vida portuguesa, permita-me destacar:

"Durante os anos de chumbo em Setúbal e outros locais do País, foi o Norte que contribuiu de forma activa e solidária para a criação de riqueza nacional."

O Norte em que o Pires Veloso enfrentou firmemente os desmandos do Corvacho. São pessoas que o meu amigo não deve conhecer, pois não são do seu meio e,muito possivelmnte, também já não são do seu tempo.

São disse...

Sócrates, o homem que aprecia o silêncio...
Boa semana!

GIL disse...

O governo está a procurar fazer o seu melhor para desenvolver o país e as regiões. O Norte foi muito afectado com a concorrência estrangeira e com a deslocação de muitas pessoas para a área metropolitana de Lisboa. Em todo o mundo as capitais são sempre grandes pólos de atracção onde se concentram a maioria das actividades.
Este texto está muito bem apresentado e contribui para um debate interessante.

Miss Vader disse...

Não percebi muito bem, mas só tenho de perguntar a quem escreveu o que é isto.
Mas eu acho que isto não vale nada, não tem jeito nenhum.

JOY disse...

Amigo Quint.

Por coincidência tinha feito um post acerca do assunto da Ryanair primeiro porque os assuntos aéronáuticos são assuntos que me são queridos , mas também pela incoerência do discursso do primeiro ministro feito á poucos dias acerca da captação de investimento estrangeiro para Portugal em que a bota não bate com a perdigota ou seja num dia diz uma coisa noutro dia as acções não condizem com o que diz .Lendo este excelente artigo, que deveria ser lido por alguém do governo para mostrar ao Sr.ministro que nós povo também vamos tendo informação e não compreendemos a falta de lógica em algumas decisões ,concerteza que sabemos que Mário Lino tem mais coisas com que se preocupar e também em relação a isto só deve ter dado uma vista de olhos ,só espero que quando quiser olhar com olhos de ver este investimento não está já a ser aplicado aqui ao lado em Espanha,Itália ou Polónia,com os nossos concorrentes a esfregaerem as mãos de contentamento.

JOY

Blondewithaphd disse...

One big "molho de bróculos" is what this whole business is! Fear of competition from foreign companies, hidden political agendas (those things we suspect but are never sure) and then the increasing and shameful fact that the country is empoverished. The North, the South, the interior, the suburban areas (and yes, even Lisboa and Vale do Tejo). And then here is business offered at our table and the government, that example of good management, throws it down the drain! Good move! Bet there's some Eastern European country learning from us "the best way not to sink a country".

Zé Povinho disse...

A verdade é que estamos lixados, de Norte a Sul deste Portugal. A comer, são sempre os mesmos, e a arcar com o resto temos a grande maioria que até tem sido muito bem comportadinha, até ver.
Abraço do Zé

alf disse...

Como se sabe, a generalidade dos políticos que ocupa as cadeiras do poder não é natural de Lisboa. A raiz do problema está na organização do pais, na falta de descentralização.

Descentralizar não é fácil - sem os devidos cuidados é um maná para os corruptos. Mas é indispensável para promover o desenvolvimento.

Portugal tem o dobro ou o triplo do numero de pessoas de muitos dos estados dos EUA. Não vos parece grande demais para ser uma região única?

antonio disse...

Quint, sou eu (afinal decidi não devolver o SLK). Mas o Alf roubou-me parte do meu argumento, é curioso como é preciso alguém do Norte, Sócrates, para reconhecer que é Lisboa quem sustenta o país! São as regiões insulares, Lisboa paga; é o interior desertificado, Lisboa paga; e agora o Norte!

Sócrates, o insuspeito, pois é autóctone da Covilhã, vem aqui dizer o óbvio: trabalhem um pouco mais meus senhores! Eu não diria de forma diferente.

(por respeito a todos os que leram e comentaram o meu texto, aqui publicado, vou manter-me igual a mim próprio (eu sei, existem coisas piores), isso tem o condão de nos aquecer a alma).

SILÊNCIO CULPADO disse...

Um país só se desenvolve combatendo as assimetrias regionais. Porém o que se verifica, e não só em Portugal, é que a pressão humana sobre as capitais não pára de aumentar e os governos assim preferem porquanto não têm que investir forte em infra-estruturas e equipamentos no interior.
Depois entra-se num circulo vicioso em que as mais oportunidades atraem mais gente e mais investimentos que, por sua vez, geram mais oportunidades.... O que José Sócrates disse sobre Lisboa e Vale do Tejo é a realidade e as pessoas que defendem que se deve descapitalizar o interior do país retirando infra-estruturas e equipamentos estão a contribuir para essas assimetrias.

NINHO DE CUCO disse...

Há sempre jogos de interesses que obstam a que certos projectos sigam o seu curso normal e dêem um contributo positivo. Acho que não faz muito sentido esta guerra Norte Sul que alguns sentem como discriminação. O problema do Norte, ou de outras regiões de Portugal que têm perdido habitantes e têm assistido a muitas empresas a fechar e poucas a abrir, não se resolve com a regionalização.Resolve-se com outras políticas de desenvolvimento que estão a ser encaradas mas não implementadas devido aos jogos do empurra e a um medir de forças ilegítimo. Há que pôr um ponto de ordem em certas situações.

quintarantino disse...

O problema tanto pode estar numa política deliberada de atrasar investimentos (o que é pouco plausível, mas pode muito bem acontecer), como numa guerrazinha de campanários onde se procura apenas protagonismo, de roubar ao vizinho o que ele almeja ou de ganhar dividendos graças a uma política de anunciar, adiar, dificultar para depois, muito mâgnimo, voltar a anunciar.
Vá-se lá saber.
A verdade é que com este post não se quis fomentar guerra ou guerrilha, cavar trincheiras ou sair delas... quis-se apenas... pelos vistos não se conseguiu de tão poucos os comentários.

Shark disse...

Bom, já vi por aqui um ou outro fogacho a apontar para as regiões ou a descentralização. Acho que nada disso seria mesmo preciso se houvesse boa vontade de parte da classe política em se recordar bem que está em Lisboa pelo tempo que lhe durar o reinado.

C Valente disse...

Já não sei o que dizer deste governo, como é habito o
Sem palavras
Saudações amigas

NÓMADA disse...

Acho interessante o conteúdo do artigo e a forma como está apresentado. Não tenho muito a acrescentar ao que já foi dito. Achei piada à parte que se refere a um concurso público que foi adjudicado a uma empresa falida. Amigo Quint, isso é frequente. Sabe por quê? Porque se vai ao mais baratinho sem se analisar o curricula das empresas. Ora as que estão em situação desesperada chegam a fazer preços de arrebenta para ganharem o concurso seja a que preço for. Depois, quase sempre, não conseguem concretizar os compromissos. Umas porque estoiraram logo e outras porque não têm condições. Relativamente à questão do Norte não vou dizer nada porque sou uma mulher do sul e porque Lisboa é a minha segunda pátria. Sempre posso puxar um pouco a brasa à minha sardinha, não?
Porém regionalizações "jamais" como dizia Mário Lino. A descentralização deverá fazer-se sim mas sem feudos.

Daniel J Santos disse...

Um excelente texto que me leva à regionalização, não uma descentralização mas sim um repensar das regiões.
Infelizmente temos um país a duas velocidades, os centros e o resto.

Fragmentos Culturais disse...

E ainda duvida que o Aeroporto Sá-Carneiro nunca singrará... apesar de estar mais perto das rotas europeias do que Lisboa?!?

Não duvide, 'Quintarantino', o Norte nunca poderá avançar... Está votado ao 'ostracismo cultural, político, social, económico por muito que se trabalhe!
Descentralização é só 'paisagem':(

Lisboa é outro mundo! Ou melhor é o 'reino' de Portugal!!

Sensibilizada pelo seu sempre atento olhar em 'fragmentos'!

Vizinha disse...

Para apelar ao voto percorre-se todo o país mas para tomar decisões que afectam também todo o país só se consultam alguns... só se beneficiam alguns... enfim.