PS Madeira e Alegre, hirtos e firmes? Pois sim...

Tenho notado ultimamente que, pelo menos nos blogues que leio, apareceu uma vontade de debater a sociedade e este mundo.

Comecei a sentir um espírito de luta e opinião cívica que, sinto-o, estava um pouco adormecida no nosso País e que muitos fazem de tudo para esmagar.

No entanto, também se nota noutros lados mais mediáticos o aparecimento de "críticos" da situação, assim como os chamados movimentos cívicos. Parece-me contudo que, e para meu desapontamento, tudo ou quase tudo não passa de "fogo de palha".

Numa altura em que o Estado ganha tiques de autoritarismo, tentando controlar tudo, surgiram algumas vozes discordantes, vozes, essas que se colocam acima dos partidos políticos e que, nalguns casos, se auto-proclamam a voz do povo.

Isto tudo vem a propósito das situações que surgiram ontem sobre a liberdade de decisões das pessoas que, em ambos os casos, ocupam lugares políticos, falo concretamente dos deputados eleitos pelo PS-Madeira e do Sr. Manuel Alegre.

Na primeira situação temos a disciplina partidária. Para quem não sabe trata-se de algo inventado pelas direcções dos partidos, onde se diz aos deputados que, quando chegar a altura das votações, eles estão lá para acenar conforme a direcção do partido mandar.

A propósito da disciplina partidária, penso que impõem umas perguntas:
Serão os partidos donos dos lugares dos deputados?
Serão os partidos donos da opinião dos deputados?
Mas, para alem de terem sido eleitos por um partido, não terão sido eleitos para defenderem as suas regiões?
Terão os partidos medo de opiniões diferentes?

A segunda situação refere-se a especificamente aos deputados que dizem sim ou não conforme lhe mandam, mas depois fazem as já famosas declarações de voto.

Será possível dar credibilidade a alguém que acena conforme o que lhe mandam e depois numa declaração de voto arrasa totalmente aquilo com que concordou?

Quando uma pessoa faz alguma coisa que vai inteiramente contra tudo aquilo em que acredita, considerando que o que vai ser aprovado é desastrosos para o País, que vai tornar Portugal ainda mais pobre, vai atacar os reformados, que vai penalizar os pobres e os desprotegidos, finalizando com a frase "De que serve termos um défice de 3 por cento se continuamos a ser o país mais pobre da Europa e o mais desigual a distribuir a sua riqueza?" - Manuel Alegre, fica como?

Ao dar a sua aprovação, tendo dito o que disse, nessa altura não perde perante o povo toda a voz critica que reclama, mostrando que afinal existem coisas mais importantes que ter uma coluna vertebral?

Está na altura dos cidadãos não se esquecerem destes pequenos grandes pormenores, de pararem de aplaudir e acenarem com a cabeça, de em troca de umas esferográficas, sacos de plástico e autocolantes, na altura de votarem sofrerem de amnésia!

40 comentarios:

C Valente disse...

Aqui temos um sinin, todos muito corajosos, mas na ocasião de mostrarem a diferença submetem-se depois há o teatro da declaração de voto, grande fantochada
Saudações amigas

quintarantino disse...

Oh, como eu admiro Manuel Alegre... o homem todo cheio de sinecuras, lá do alto da sua voz, ergue-se de vez e quando e vocifera que a mim ninguém me cala... logo se refastela no cadeirão ou pega na arma e vai aos tiros. Assim também eu.
Mas há muitos mais por aí... resmunga-se nas esquinas, aplaude-se nos salões.

O Guardião disse...

Os senhores deputados "da Nação", afinal comportam-se como "funcionários" dos partidos, votando a favor, em bora declarem que há coisas que lhes desagradam.
A disciplina de voto é uma aberração "no que se convenciona apelidar de democracia", porque os senhores deputados devem os seus lugares aos votos dos eleitores, e não aos partidos que deles se apropriam, indevidamente.
Uma Democracia não pode ser confundida com uma qualquer partidocracia, como está a acontecer, prevertendo o espírito que preside ao nosso sistema eleitoral, que aliás acaba por permitir estas ínvias preversões, ou entorses muito pouco democráticas.
As declarações de voto assim, são puro folclore feito para mascarar a submissão mesmo de quem se afirma contrariado.
Cumps

sniqper ® disse...

Pergunto Eu...
Por um acaso ELES cairam lá por acaso, ou foram lá colocados por muitos dos que reclamam todos os dias?
Ainda não chega de conversa? Continuem que ELES também, mas o giro da questão é que mesmo os que não os colocaram lá pagam na mesma, olha que lindo não é!?

António de Almeida disse...

-O PS Madeira, bem pode gritar aos 4 ventos, existir défice democrático na Madeira, que estas atitudes vêm demonstrar aos madeirenses, que estão mais interessados em cair nas boas graças do Largo do Rato, do que nos seus eleitores. Por estas e outras, continuo a defender circulos uninominais. Quanto a Manuel Alegre, a montanha pariu um rato, aquela declaração só tinha sentido, se o deputado tivesse optado pela abstenção, assim, serviu para aparecer no Telejornal, talvez com medo que o esquecessem.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Bem, isto é um espaço de debate que só terá valor se formos sinceros.Por isso vou contrariar o sentido do conteúdo do texto e das opiniões aqui expressas. Eu sou inteiramente a favor da disciplina partidária e considero que, cada deputado, deve lealdade ao seu partido. O partido tem uma ideologia, um programa, uma forma de actuar. Se em algo não se está de acordo deve-se lutar internamente para que, através da nossa opinião, se processe a mudança.Se não se consegue essa mudança nem aceitar as diferenças, deverá entregar-se o cartão do partido.
No caso presente, e quanto à votação do OE, concordo inteiramente com José Sócrates quando começou por impor disciplina partidária, na votação, aos 3 deputados do PS Madeira. Não aceito que deputados eleitos por um partido, que até é governo, votem contra, ou se abstenham, numa votação desta importância. É uma questão de ética e de princípios.E isto vale para tudo na vida. Com as pessoas com quem nos casámos, nas empresas onde fazemos parte dos quadros dirigentes, etc. Mesmo quando eu estava em plena desacordo, ao longo da minha vida, todos sabiam que podiam confiar em mim porque não traía o grupo a que estava ligada. Tive que bater com a porta várias vezes e passar pelas consequências desses actos, o que não é fácil. Mas mesmo afastada houve limites de lealdade que nunca quebrei.
Concordo com a disciplina de voto, acho que Manuel Alegre não podia, nem devia, pôr em causa a passagem do orçamento. Relativamente à declaração de voto acho que Manuel Alegre já demonstrou, publicamente, várias vezes, que não concorda com o actual executivo. Eu percebo que ele se sinta socialista e que não queira andar por aí como ovelha tresmalhada, mas acho que chegou a altura de ter que escolher. Continuar a votar e a fazer declarações de voto irá produzir-lhe um desgaste de imagem. E nós precisamos dele!

Tiago R Cardoso disse...

Contribuição para o debate:

Parece-me que debate interno no Ps já não se usa.

Ética e princípios, será manter os nossos não aprovando algo que vai contra o que acreditamos?

O Sr. Manuel Alegre não devia por em causa a passagem do orçamento ?
Concordo que se queira manter socialista, mas depois fazer uma declaração de voto onde arrasa tudo o que concordou, parece-me difícil de compreender.

Pode ser que faça falta mas que deixa as pessoa a pensar como é se pode acreditar em alguém que mostra falta de coerência entre o que faz e o que pensa.
Não se pode ser independente estando sempre dependente.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Um dos aspectos mais positivos que este blogue tem incentivado, é sem dúvida, o debate aberto e desassombrado que leva, por vezes, os comentaristas a trocarem entre si opiniões de forma frontal, e correcta, confrontando pontos de vista.
Acho que se está a dar um passo gigantesco no esclarecimento e na consciência cívica que se pretende relevar. Porque um blogue não é só postagens é também a forma como se comenta, como se visita e como nos relacionamos com os outros.
Posto isto passo ao Tiago.
Compreendo e aceito o teu ponto de vista. É absolutamente legítimo. Mas, em meu entender, há muito mais que isso.Há toda uma crise de valores que se manifesta a vários níveis e com a qual não podemos nem devemos conviver. A lealdade e a solidariedade para com os que partilham os mesmos grupos de interesses, e os mesmos ideais, não pode ser hipotecada seja em nome do que for. Porque, se formos por aí, mergulharemos, cada vez mais, num abismo do qual só ressurgiremos pela violência. Uma sociedade tem que se sustentar na base da ética e dos valores. Manuel Alegre, ou qualquer outro, tem que reivindicar dentro do partido a discussão aberta e frontal das linhas de orientação que estão em jogo.E, caso não o consiga, deverá entregar o cartão e criar outra força política que esteja mais identificada com os seus ideais.Agora enquanto PS deve disciplina partidária e acho que, nesse aspecto, MA até tem pisado demasiado o risco para continuar no partido.

quintarantino disse...

De regresso para dar mais um ou outro contributo à discussão:

O amigo Sniqper pergunta se, por acaso, os deputados caíram lá de páraquedas ou se lá foram colocados?
Aparentemente tem razão na forma, mas não na substância.
Quando vota,e ao fazê-lo em sistema de lista, elege grupos e não deputados nome a nome.
Segundo, com as histórias das substituições, suspensões, saídas e entradas, mais de metade dos que lá estão nem sequer são conhecidos dos eleitores dos círculos eleitorias onde foram eleitos.

A amiga Silêncio Culpado mostra-se a favor da disciplina partidária e ela, de facto, tem de existir.
O que eu não concebo são casos de pessoas como Manuel Alegre que, à segunda, porque lhes dá jeito, estão contra o PS, à terça, são socialistas porque é a vez deles presidir aos trabalhaod parlamentares, à quarta disponibilizam-se para ser candidatos a qualquer coisa e à quinta aparecem zangados como independentes.
A luta faz-se internamente, nos órgãos próprios embora possa admitir que para se chegar aos militantes se possam recorrer aos meios de Comunicação Social.
No caso do Orçamento de Estado +porque não optou Alegre por se substituir? E os deputados do PS eleitos na Madeira? Notem que eu digo eleitos na Madeira e não pela Madeira...
Li algures que o estatuto autonómico permitia e justificava a atitude. Permito-me discordar. Por razões constitucionais e éticas.
Quem não queria votar, sabia bem quando iam ser os trabalhos e pedia suspensão de mandato.
Agora comer e depois protestar que a comida estava estragada!!!!

O debate interno no PS, neste momento, é capaz de ser tanto como o é no PP e/ou no PSD. As coisas só aninam em alturas de eleições, Tiago.
Aliás, basta que se atente que no PSD se diz de Pacheco Pereira o que nem Maomé disse do toucinho.

adrianeites disse...

em sintonia Tiago... bom post...


Teóricamente a disciplina partidária não existiria num cenário completo de democracia.. teoricamente os membros de determinado partido convergiriam face á ideologia politica..

teoricamente claro.. na prática até faz sentido que exista.. mas as questões levantadas pelo quintarantino são perfeitas... mais... O deputado Alfa eleito por Braga como pode votar n'algo que vá contra o distrito de Braga???

hum...

NINHO DE CUCO disse...

Ao post e ao Quintarantino
O Tiago e o Quintarantino poderão ter razão no que se refere ao Manuel Alegre dever sair do partido face a tanta divergência. Mas também o Manuel Alegre poderá estar, com estas divergências públicas, a contribuir para que o PS se mantenha nos limites do razoável como partido de centro esquerda. Há vozes dissonantes de grande responsabilidade. Mário Soares também tem mandado recados ao actual executivo. Isto para não falar dos críticos dentro do PSD. É sinal de que temos partidos democráticos. Não pode ser tudo a dizer ámem. Também sou a favor da disciplina partidária. É uma questão de princípio. O que eu não concordo mesmo nada é com o que diz o Quintarantino relativamente a um deputado fazer-se substituir em votações quentes em que a disciplina é ir contra a sua posição pessoal. Isso seria uma cobardia sem nome. Nós nunca devemos esconder a cara em circunstância alguma.

Carol disse...

Hoje não me apetece escrever muito. Sorry...
Mas posso dizer que concordo em absoluto com o Quintarantino!
Bjs.

sniqper ® disse...

Espaço aberto, ainda bem...
Disciplina partidária, olha que falta faz, realmente. É muito mais importante ter ali os Meninos todos alinhados pelo mesmo apito dourado, prateado ou de plástico, isso não interessa nada, sim controlar, antes que algum tenha ideias diferentes, isso é perigoso, podemos voltar a ter uma revolução.
Proponho que se tal acontecer, seja com Rosas nos canos das armas, são lindas de ver mas dificeis de tocar, são os espinhos da beleza.
Quanto aos votos, Desafio a que neste espaço aberto digam quantos de vocês, que votam, alguma vez leram programa a programa apresentado pelos partidos antes de votarem.
Mas como sei que coragem é escassa em Portugal, que é bem mais fácil ignorar ou arranjar uma desculpa, eu ajudo, é simples.
Desde sempre uns votam porque estão filiados lá no clube, perdão partido, outros porque acham que o senhor até é possuidor de uma boa oralidade, outros porque o porte social é bonito e possuidor de boas maneiras, outros escolhem na altura, os restantes votam em branco ou ficam em casa.
Enfim, vamos é começar a pensar no dia 30 de Novembro, sexta-feira, olha que mau, podia ser quinta-feira se o dia 1 de Dezembro não tivesse por destino de calendário estar no dia de sábado, que raio de gajo inventou os calendários? Algum ditador que não deixava exercer o direito da greve, realmente.

Márcio disse...

Opiniões:
O aumento de opiniões mais activas sobre a sociedade nacional vem de forma natural. Os blogs vieram dar essa liberdade que antes era difícil de ter, devido aos poucos meios.
Deputados:
Penso que não é caso para esse tipo de perguntas… principalmente devido ao lugar que ocupam, e também para isso que existe a chamada “declaração de voto”. É importante para a estabilidade nacional que não hajam esse tipo de votos contra dentro dos elementos partidários no parlamento.
Manuel Alegre… acho que já está lá mais por causa da fama que ganhou… é um ocupa lugar… não tem razão para continuar no lugar que está.

quintarantino disse...

Sniqper, mas os partidos ultimamente apresentam programas?
Se sim, não sabia... mas olhe que eu, pelo menos, tenho o hábito de ler o que posso. E até tenho alguns guardados em casa. Por razões profissionais.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Eu leio os programas e interesso-me pelas discussões. Se assim não fosse talvez nem sequer me interessasse pelo debate activo de opiniões sobre temas da actualidade.

Fernanda e Poemas disse...

Lindo Tiago, grata pela tua visita, aqui ao cantinho desta tua amiga,
Fernandinha

Um Momento disse...

Leio, oiço,mas ando parquissima em palavras...
O cansaço aperta , a vontade de exercitar os neurónios também anda um pouco a vapor...
Contudo leio-vos e sinceramente , dou-vos os meus PARABéNS mais uma vez.
Este espaço é um espaço que já visito há algum tempo com bastante assiduidade embora nem sempre o tenha comentado, mas todos os dias o leio.
Grata por tão belos post's e assuntos aqui debatidos

Beijo
(*)

Francisco Castelo Branco disse...

Penso que como diz o povo "cada cabe�a sua senten�a".
Mas em politica h� que votar consoante a maioria. � o pre�o a pagar de uma democracia em que os "independentes" n�o se podem candidatar � AR.
Veremos por quanto tempo.....

Blondwithaphd disse...

In England each constituency elects a representative for Parliament, I think that's fair. Like this everybody knows who's voting for. And in federated states we vote for our region and then for a greater cause at the national level. Fair and square also. In Portugal we vote for a party in the hope it corresponds to our ideas and needs at the time. It's also fair. Democracies are quite plural around the world and that's good.
Now, what I think is not so fair is that when MPs are against party lines they are forced to shut. It's ridiculous, specially in a party in the liberal spectrum of politics. That's a fundamentalist position. Because you are an MP then it means you don't have the same rights of free speech as the rest of the population? If it is the case, it's also discrimination.
As far as the other issue. You know the god Janus? It's the one with two faces.

sniqper ® disse...

Pois...
Vamos ver o que dá o resto do dia, até agora o que esperava, pouco ou nada. Responderam os habituais, os que escrevem e comentam com consciência, o resto é o costume, marketing de comentários...
Toma lá o meu que eu espero pelo teu...

Volto mais tarde agora vou apanhar a nave, destino...
Suffragette City

NÓMADA disse...

Relativamente ao post apresentado posso dizer que sou cidadã activa, que leio os programas e estatutos dos partidos (é só ir à net) e que defendo a disciplina partidária no voto. Defendo também a legitimidade de Manuel Alegre para proceder como procedeu. Essa história de se defender que, quem não está de acordo, deve sair assim sem mais nem menos, não me parece aceitável. Nós temos que lutar dentro das nossas estruturas e é aí que temos que fazer ouvir as vozes e as discordâncias. Estando dentro do partido Manuel Alegre contribui mais para um PS à esquerda que entregando o cartão. Os partidos que se fomam por dissidência nunca vingam. Acaba tudo em nada.E depois digam-me uma coisa: criando clivagens dentro do PS com a formação de uma eventual força política quem é que beneficia? O PSD, naturalmente. Luís Filipe Menezes irá fazer melhor? Não me parece. Antes de destruirem ou combaterem algo pensem sempre aonde está a alternativa. Claro que o PCP diz que é ele a alternativa. Porque ao PCP não importa a política da terra queimada e quanto pior melhor para a tomada do poder.
Manuel Alegre está a fazer um grande trabalho pela democracia. Dá mais credibilidade ao PS tendo a sua voz dentro dele e, simultaneamente, não o atirando o PS ao chão, impede um governo laranja que pode não ser diferente nas políticas, e até mesmo que pudesse ser melhor, iria ganhar sem maioria absoluta e com uma aliança com o PP de Paulo Portas. Antes de pegarem na vassoura pensem bem.

Peter disse...

Excelente análise da nossa situação real, mas que teimamos em não querer ver, com medo e com receio de perder o emprego, ou sermos postos na prateleira.
Voltámos aos tempos do:
- "Política? Não percebo nada, nem quero perceber, a minha política é o trabalho"

Tens razão;

Acho que "está na altura"!

Alma Nova disse...

Caro Tiago
Não vou sequer comentar o teor do post. As cúpulas partidárias, seja do PS Madeira ou outro qualquer, para mim, não são mais do que grupos privilegiados que se alimentam dos que, consciente ou inconscientemente, lhes servem de alimento. O que lamento é que não se tome consciência de que toda e qualquer divisão entre os poucos portugueses que se mostram atentos e conscientes só serve os interesses desses mesmos grupos, e se permita que a união de esforços ainda seja afectada por "clubismos e partidarismos". São as clivagens políticas e a constante alternância de poder entre as mesmas forças, aliado ao facto da "culpa sempre morrer solteira" (nestes casos, as culpas são sempre dos anteriores), que têm transformado Portugal neste imenso deserto de valores e de dignidade em que já tão dificilmente se consegue sobreviver. Penso que está na hora de contrariar o eterno "Dividir para Reinar", que apenas nos transforma em terreno fértil onde os grandes lançam as suas sementes da discórdia e colhem os frutos da riqueza, deixando a "terra" cada vez mais pobre e árida. Afinal, Portugal é só um e é de todos nós.

mac disse...

"Mas para além de terem sido eleitos por 1 partido, não terão sido eleitos para defenderem as suas regiões?" E é aqui que reside o buisilis da questão...quando alguém é cabeça de lista por 1 distrito, deveria lá estar para representar os interesses desse distrito, mas não é isso que acontece. Até hoje, só me lembro de 1 deputado pôr os interesses da sua região à frente dos interesses do partido: Daniel Campelo.
É por isso que quando se diz que os deputados da A.R. estão a representar o povo, eu riu-me às bandeiras despregadas...Não me sinto minimamente representada por nenhum deputado...

C Valente disse...

Bom fim de semana,
Saudações amigas

Sniqper ® disse...

Na Realidade...
...e mantendo a minha linha, a frontalidade, começo a estar desiludido, mas...
Passem bem o fim de semana, e vão-se preparando para a luta e a respetiva compensação de mini-férias, assim om sol esteja como hoje e aposto, sem medo de perder que vai ser uma adesão massiva a caminho do Algarve!

JOY disse...

O Manuel Alegre por uma questão de coerência já devia ter abandonado o PS á muito tempo ,tem sido uma voz discordante no partido nos ultimos tempos a ponto de concorrer contra o candidato do partido na camara de Lisboa ,tem emitido várias declarações a criticar as decisões dos seus correlegionários e por sua vez tem sido desconciderado em várias ocasiões pelo PS,com esta ultima acção de ter feito uma declaração de voto a criticar o OE depois de ter votado favoravelmente ,para um homem que se diz lutador de causas ,não o consigo entender.

JOY

Sniqper ® disse...

Bem O Manel...
...anda entalado na garganta de muita gente, mas desde já ficam esclarecidos que a única simpatia que tenho é pelo Benfica, mas tenho imensas que detesto, mas a principal é simples...
...se não és a meu favor és contra mim..., será isto viver com direito de opinião, ou será que anda muita gente disfarçada neste Portugal?

quintarantino disse...

Ó Sniqper, deixa lá... ninguém é perfeito... em matéria de simpatias!
Mas lá que por aqui apreciamos o teu sentido crítico, isso é verdade...

Bruno Pinto disse...

E depois eles dizem que a classe política está a perder credibilidade junto da população. Pudera! A palavra 'coerência' é coisa que não conhecem.

Quanto à simpatia ali do amigo Sniqper, realmente ficava-lhe melhor o FC Porto... :)

SILÊNCIO CULPADO disse...

Perante uma grande sacanice que está a ser feita sobre alguns professores que não recebem vencimento,têm horários d e12 horas ou estão a recibos verdes sugere-se que todos os blogues publiquem a notícia que está no http://cegueiralusa.blogspot.com

Sniqper ® disse...

...Caro Quintarantino a minha emoção é tanta ao ler as tuas palavras, a tua sinceridade e apreço pelo meu sentido crítico, que sei que tenho e ainda muito mais do que imaginas, que não fazes nem uma ideia, acredita.
E, ainda bem que tal como tu, por questões profissionais eu guardo livros, tu no caso os programas partidários, no caso recorri ao Fernado Pessoa para conseguir agradecer de coração pleno as tuas palavras...
O génio, o crime e a loucura, provêm, por igual, de uma anormalidade; representam, de diferentes maneiras, uma inadaptabilidade ao meio.

quintarantino disse...

Caro Sniqper, deixo-lhe aqui umas singelas palavras de Robert Musil, retiradas da sua obra "Três Mulheres" e que ilustram um pouco o desiderato que procuramos aqui alcançar com cada um dos que nos visitam:

"E naquele momento, tudo o que até aí não soubera, lhe surgiu, rompera-se a venda da cegueira; durou um longo momento e , logo a seguir, mais uma coisa lhe ocorreu (...)".

Se quiser, procuramos ser hegelianos!

Sniqper ® disse...

Caro Quintarantino...
Por mim falar de Hegel ou do seu sistema filosófico é na boa...Mas acho que por cá em Portugal já temos filosfia de sobra, ou não?
Mas então vamos lá desenterrar o Georg Hegel, alemão, o que não me agrada muito e ainda mais a doutrina dele, mas tudo bem vamos nessa, para entrada proponho...
A necessidade, a natureza e a história não são mais do que instrumentos da revelação do Espírito...para prato principal direi...O homem não é mais do que a série dos seus actos, e claro como sobremesa nada melhor que O artista não precisa de filosofia e, se pensa como filósofo, entrega-se a um trabalho que está justamente em oposição à forma do saber próprio da arte....
Café a esta hora não é uma proposta negativa, pode provocar insónias, melhor ficar com um chá bem português de Fernando Pessoa...As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.
Gostei desta ceia!

Bruno Pinto disse...

Ya, agora vou para a noite!!!

Sniqper ® disse...

...E claro que hoje é sexta-feira, dia de família, terei de pedir desculpa mas vou para o seio da sagrada família, mas antes deixo este tributo a todos...

De um cantor que muito prezo pela sua criatividade e consciência actual, dei um toquezito pessoal numa canção dele, e cá vai então uma parceria Seu Jorge + Sniqper...

Sangue! Sangue!
Sangue!

Chatterton, suicidou
Kurt Cobain, suicidou
Getúlio Vargas, suicidou
Nietzsche, enlouqueceu
E eu!
Vou muito bem...

Chatterton, suicidou
Cléopatra, suicidou
Isocrates, suicidou
Goya, enlouqueceu
E eu!
Vou muito bem...

Chatterton, suicidou
Marc-Antoine, suicidou
Cléopatra, suicidou
Schumann, enlouqueceu
E eu!
Felizmente!
Vou muito bem...


E quem pensou, pensa ou iria pensar, olha teve azar, deu um tiro no pé!

João Rato disse...

Disciplina de voto: não há liberdade de voto: não há democracia: não há democracia na Assembleia da Repúplica: não há regime democrático: não são democratas os donos da democracia: não há donos da democracia!
Estes tipos pregam a democracia como os eunucos pregam o amor, não podem consumir o acto!

antonio disse...

Eu estou de acordo com a participação cívica da sociedade, mas oh, Tiago, o que é que queres dizer com vozes discordantes?

Depois de tudo o que Sócrates tem feito pelo país? Reacionários!

Peter disse...

"Mas, para além de terem sido eleitos (os deputados) por um Partido, não terão sido eleitos para defenderem as suas regiões?"

Deveria ser assim, devia ...