Estupidez de luxo mata o ambiente com limpeza !

Os desastres ambientais relacionados com alterações climatéricas quadruplicaram nas últimas duas décadas, de acordo com um relatório publicado ontem pela "Oxfam", uma fundação de caridade internacional sediada no Reino Unido.

Não será preciso ser-se um especialista para se ver que as coisas estão mal e todos os dias as notícias continuam a ser preocupantes.

"O número de pessoas afectadas por catástrofes naturais cresceu cerca de 68 por cento, passando de uma média de 174 milhões, entre 1985 e 1994, para 254 milhões, entre 1995 e 2004 ", afirma-se naquele.

A este propósito recordo-me do debate sobre ambiente a que fui recentemente e onde se podia trocar ideias com um painel interessante de oradores.

Depois de muita discussão eis que alguém se levanta e afirma: "Estas alterações climáticas a que assistimos, não se devem exclusivamente ao homem, tratam-se de factores normais, originados pela alteração do eixo da Terra, situação que já aconteceu na historia do planeta, dando a origem a situações extremas de calor ou de frio, de chuva ou seca."

Muitos continuam achar a que é de isso que se trata, que o homem influencia pouco o ambiente.

Mas se assim é, que explicação plausível podem fornecer para o facto dessas alterações passadas terem acontecido em pequeníssimos movimentos de milhões de anos, enquanto aquelas a que assistimos ocorreram nos últimos cinquenta anos?

Sabiam que a "janela" que está aberta para mudar a situação é de 15 anos (e o cronómetro já está a contar), sendo depois impossível voltar atrás?

Entretanto surge também outro estudo onde se afirma que "o sector dos transportes liderou o ranking anual da «Euronatura» sobre responsabilidade climática das empresas em 2006".

A este propósito também me é possível adiantar um pequeno exemplo. Conheço uma empresa de transportes de passageiros, que tem por norma a aquisição de autocarros vindos de fora, chegam cá aos montes, são reparados, pintados, limpos e inspecção com eles, até aqui muito bem, mas sabem a data de alguns deles e que utilizam matriculas novas?

Mil, novecentos e noventa e dois, exactamente 15 anos, são colocados nas estradas viaturas para transporte de passageiros a circular com 15 anos.

Mas pior ainda é que largam tanto fumo que quem vai atrás não vê nada e pior não consegue respirar.

Bem, eu por acaso, apesar de estar no litoral, supostamente numa zona evoluída mas que continua atrasada, não tenho problema com os transportes públicos.

Sabem porquê?

Simplesmente porque os não tenho…

Sempre me fez confusão no Porto ver aqueles milhares de automóveis a entrar na cidade e a circularem dentro dela, ainda por cima alguns a largarem tanto fumo que parecem ter acabado de chegar da sucata.

Outros com grandes viaturas topo de gama, tipo jipes, a servirem de utilitários. E bem. É que todos sabemos que um jipe foi feito para circular dentro de uma cidade, gasta pouco e polui pouco…

Sempre achei que fosse por falta de alternativas, mas um dia destes resolvi dar uma volta no Metro; percorri algumas ruas e vi inúmeros autocarros a circular e tirei imediatamente uma conclusão: neste caso estava perante aquilo que é habitual em Portugal, o comodismo. Sabem o que é, não sabem?

É quando uma pessoa vai a qualquer lado e tenta entrar com o automóvel por lá dentro, só para não andar alguns metros…

Esta cultura da utilização da viatura própria, levando-a para todo o lado, a "poluição de luxo" resultante de um individuo comprar uma viatura de alta cilindrada (o que até não estará mal se ela tiver características ecológicas) ou por mandar vir uma lá de fora, mais barata mas muito mais poluidora, estão a transformar as nossas cidades em verdadeiro caos, a todos os níveis: qualidade do ar, problemas de circulação, desgaste nos cidadãos, stress e pior qualidade de vida.

Algumas perguntas para reflexão:

- Quando se acabará com o "comodismo" da viatura própria?

- Quando é que o cidadão que quer andar de transportes públicos, começa a exigir melhores e mais serviços?

- Para quando uma politica nacional realmente virada para o transporte público?

- Para quando começar a pensar que estamos a destruir a nossa própria qualidade de vida?

- Já agora, quem é que está disposto a deixar o automóvel em casa ?

27 comentarios:

avelaneiraflorida disse...

Caro Tiago,

uma série de interessantes perguntas que deviam ser respondidas por quem diz que nos "governa"!!!!!!

"BRIGADOS" por este post!

UMA BOA NOITE!!!

Um Momento disse...

Tiago...Parabéns!
Excelente post

Começo pelo fim a responder-te
Eu já deixo o meu automóvel em casa.
Cansei-me de tanta fila e espera no transito,de condutores que parece que andam na estrada a fazer rallye, de maus condutores,de ter que andar quase uma hora a procurar um lugar de estacionamento
De transportes públicos demoro quase 2horas a chegar ao local de trabalho,mas de automovel... acredites ou não, ás vezes demorava mais se por acaso saia de casa mais tarde 5 min...
E sim, o homem está a destruir o planeta,a nossa qualidade de vida , na medida em que apenas pensa no seu próprio humbigo, não olhando á sua volta para saber quais as consequências que isso poderão causar em termos ambientais( falo no geral... pois há raras excepções).
Comodistas quase todos o somos , eu assumo-me, mas faço por tentar redimir-me( sorrindo)
Agora ,melhores condições para os transportes públicos... o povo bem exige... mas parece que quem manda... anda surdo

PS:deixo um "Mimo"em forma de desafio a ti Tiago, ao Quint e á Silêncio Culpado
Acho que vão gostar:)))

Beijo de noite serena
(*)

Fragmentos Culturais disse...

Como sempre atento e directo nas apresentações dos factos e nas 'retumbantes' e pertinentes questões deixadas em aberto para reflexão!

Quanto a transportes 'poluidores' das grandes cidades, está tudo dito!

Falemos de transportes públicos, tirando o metropolitano, que ainda não cobre todas zonas citadinas, mas que funciona, os autocarros, impossível! Jamais chegaríamos a horas aos locais de trabalho!

Não estamos a falar de uma total e eficiente rede de transportes como têm algumas cidades europeias! Isso seria óptimo! E como disse, e muito bem, poupar-nos-ia o stresse diário!

Quanta às 'cilindradas' ou utilitários [ o problema é o mesmo]: pára-se frente à porta da tabacaria, do café, da frutaria, da padaria, do colégio das crianças, cortando o trânsito a qualquer pacato cidadão! São as 'coutadas'!

Ai, O'Neill, O'Neill!!

Sensibilizada pelo seu olhar sempre 'amigo' em 'fragmentos'!

SILÊNCIO CULPADO disse...

As políticas ambientais são as principais responsáveis pelas alterações climáticas se bem que, ao longo dos primórdios da história da humanidade, se tenham verificado catástrofes naturais desde as três invasões dos glaciares, em que a última deu origem à famosa história da arca de Noé. Sabe-se que o recurso a energias e materiais poluentes tem implicações profundas que não podem ser escamoteadas. Se o são é apenas porque interessa do ponto de vista do lucro manter certo tipo de opções que contribuem decididamente para uma catástrofe universal. Os transportes têm um peso decisivo nessa degradação mas não é fácil inverter a situação em 15 anos.

Márcio disse...

Não sei se foi essa intenção ou não, mas a verdade é que tocou em vários pontos importantes para discussão. O que daria certamente para várias conferências, e muito interessantes.
Não queria já ir para a parte final do texto e responder às perguntas, porque gostaria de tocar em alguns assuntos.

Em relação ao debate que presenteou, a afirmação talvez tenha algum sentido, e merece reflexão. O Homem não tem poder para tanta catástrofe… é um facto que o mundo está em evolução, mas chegar ao ponto de dar todas as culpas ao Homem!? Algo tem que estar errado nisto…

Quanto a empresa de transportes, eu também conheço… e aliás, se formos ver bem as coisas, tirando meia dúzia de autocarros para fazer grandes ligações (ex: Braga – Algarve; excursões), diria que a maior parte das empresas acontece esse tipo de situações. E já agora, não percebe o seu receio (desculpe, talvez a palavra não seja a mais correcta) em dizer o nome da empresa. Mas eu dou um exemplo… “Transcovizela”! (talvez o Quintarantino tenha mais conhecimento desta empresa)
A verdade é que as pessoas continuam a usar viatura própria, principalmente nas grandes metrópoles, porque não existe alternativas dignas de serem usadas. Os autocarros nas horas de ponta ficam cheios logo na primeira paragem, a segurança é o que se vê, a comodidade não existe simplesmente.

Quanto às perguntas, pensa que algumas já respondi… mas por exemplo, exigir melhores e mais serviços!? Como? Fazendo uma greve aos transportes públicos?!
Penso que com campanhas, como se fizeram por exemplo com uso preservativo, seria uma boa ideia para incentivar. Mas muita coisa ainda há a mudar nos transportes…

Carol disse...

Mais uma vez, um tema muito bem escolhido.
Tiago, deixa-me que te diga que o que se passa com essa empresa de que falas, acontece com todas. E sei bem do que falo pois o meu pai trabalhou nessa área durante algum tempo e, acredita, as barbaridades não se ficam por aí!
O facto de ser necessário deixar o carro em casa, a mim não se aplica simplesmente porque não tenho carro. Como tal, sou uma utilizadora diária de transportes públicos. Pago 28,40€ de passe mensal para perfazer a distância entre Ílhavo e Aveiro. Não acho que pague muito, mas se atentar na falta de segurança dos autocarros da empresa Transdev (desculpem a publicidade) já não posso dizer o mesmo. Isto já para não falar das vezes em que, por avaria ou por falta de vontade do motorista, o transporte não é efectuado. Ainda ontem, o autocarro das 9,30h não se efectuou. Conclusão, tive que gastar 4,95€ para ir de táxi... Da empresa, nem uma resposta às cartas de reclamação que vão sendo enviadas pelos clientes...
E, assim, mesmo com a subida de preços da gasolina e do gasóleo, mesmo com as alterações climáticas que estão aí, é difícil convencer as pessoas a deixar os carros em casa...
Agora, as perguntas que deixas no ar são do mais pertinente que há. Pena que o Engenheiro e a sua trupe não nos respondam...

bluegift disse...

Esqueces uma coisa importante, Tiago, é que nós nos hábitos somos todos ricos só na carteira é que falta sempre dinheiro... pudera.

Carol disse...

Esqueci-me de falar num outro aspecto desta empresa magnífica que garante as ligações entre Ílhavo e Aveiro. O último autocarro sai às 19,35h de Ílhavo... A partir dessa hora, o único transporte possível é a boleia de alguém ou o táxi...
Os senhores da Transdev desconhecem que há quem labute para lá dessa hora...

Daniel J Santos disse...

Um texto a levantar uma serie de questões pertinentes, a exigir um debate alargado sobre os assuntos, algo que tem vindo a ser feito por comentários anteriores.
Eu pessoalmente revejo-me, partilho a opinião e as questões colocadas.

Joshua disse...

Durante um ano lectivo inteiro, o anterior, pratiquei feliz e económico, o dia-a-dia mais ecológico da minha vida adulta.

Andava a pé e de metro todos os dias, limitando o uso do meu pobre automóvel ao mínimo. Senti-me feliz e independente. Era um contributo activo para salvaguardar de carbono o ar da minha cidade.

Infelizmente, o meu coração padeceu, morreu e foi sepultado por um dia-a-dia escolar muito sofredor, muito deprimente, que me deixava em baixo a maior parte do tempo.

Não se pode ter tudo. Nesse ano, não tive os cravos, mas não me faltou a coroa de espinhos e uma cruz a transportar.

quintarantino disse...

Um tema central com várias ramificações interessantes.
Para já, pego em duas apenas.
No que concerne aos transportes públicos sou adepto dos mesmos desde que nos ofereçam um serviço em qualidade, optimizado em relação às necessidades dos utentes e eficazes no cumprimento dos horários.
Durante anos fui utente da CP e posso garantir que era um meio de transporte que me era agradável e útil.
Quanto aos carros e suas cilindradas, há de facto, entre nós, a tendência para o caro, o vistoso.
Ao fim de dez anos decidi recentemente adquirir um novo carro. Algumas pessoas a primeira pergunta que me fizeram foi "quantos cavalos tem?". Não sei porquê.

Fa menor disse...

Meu amigo Tiago,
eu não posso deixar o automóvel em casa...
lol
e depois fazia o quê?!

Blondewithaphd disse...

A very pertinent and updated text for an apparently unsolvable problem. No answers for your questions. But until public transportation policies change in this country I don't see much possibility in people leaving their cars at home. Difficult, very difficult issue this one.

NINHO DE CUCO disse...

A Bluegift tem razão quando diz que nos hábitos somos ricos só na carteira somos pobres. Vejo pessoas cheias de dificuldades, que mal têm para comer,mas que para darem dois passos em percursos que se fazem perfeitamente a pé, lá levam o carro. É um estatuto, segundo elas. A utilização do transporte público também está relacionada a este imaginário. Mesmo em relações onde há bons transportes públicos, nomeadamente o comboio, como Sintra e Cascais, muitas pessoas optam pelo carro com maior incomodidade. Levam mais tempo, enervam-se nas filas de trânsito, têm dificuldades no estacionamento, gastam mais dinheiro mas continuam a insistir.É uma questão de cultura.

antonio disse...

Tiago, há cerca de dois anos conheci um investigador do ISEL que recolhia informação sobre catástrofes naturais.

Era suposto, registarem-se alterações, nas rajadas de vento, inundações, queda de raios, ou seja tudo factores de risco cujas consequências nefastas afectam as seguradoras. E foi por aí que começou.

Perante o panorama dantesco das galopantes alterações climáticas, seria de esperar um exponencial crescimento nas reclamações de danos junto às seguradoras. E nada! Tudo normal. Nem as seguradoras encaravam a hipótese de aumentar os prémios, porque todos os dados que disponham, como profissionais que têm que acautelar estas situações, indicavam que o clima estava perfeitamente estável (e não só em Portugal)!

bluegift disse...

Já agora, centrando-me mais nas mudanças climáticas, não nego a influência dos ciclos da Terra ou tempestades solares e o que mais ainda se descobrir.

O que eu não suporto é o ar poluído, os alimentos com sabor alterado devido ao excesso de químicos e alterações transgénicas, o barulho, os rios poluídos, a água dos canos saturada de químicos, as radiações nocivas de centrais atómicas e afins, a paisagem natural assassinada.

Não, não há desculpa possível para a má qualidade ambiental para onde a Humanidade caminha a passos largos. A culpa cabe tanto ao Homem quanto à Natureza.

António de Almeida disse...

-O tema é interessante, pertinente, mas... todos formamos opinião na matéria, somos, pelo menos eu até sou sensível a questões abientais, mas... chegada a hora da verdade, nunca fazemos tudo o que podemos, alguns por não saberem, outros por não quererem. Sempre que posso, ando a pé, até aqui, não há problema, metro, não sei o que isso é em Portugal, há pelo menos uns 5 anos, autocarros, no mínimo há 20. Em Portugal recuso-me, metro ainda vá que não vá, de C.Grande ou Entrecampos, á Baixa-Chiado, as novas linhas nem as conheço, desde logo, porque não estou para ser incomodado com as hordas de vândalos, que circulam nos transportes públicos, como a situação não se resolvo, resolvo-a eu á minha maneira, não utilizando. Quanto a outros hábitos, julgo que a informação, nomeadamente a publicidade institucional, tem um papel a desempenhar, não raras vezes me despertou a atenção, levando-me a alterar comportamentos, que practicava, apenas por nunca ter pensado no assunto. E confesso, até poderia andar de transportes públicos, se estes tivessem uma cobertura geográfica, horários e qualidade satisfatória. Mas aqui, será um dos papeis do estado, dos diversos estados, da UE, USA, Rússia, China, India ou Japão, dando sinais duma orientação estratégica, criando políticas fiscais que penalizem poluidores e beneficiem o ambiente. Falta é vontade, falta tudo!

NÓMADA disse...

As alterações na natureza são fruto da actividade humana se bem que a própria natureza tenha leis muitos próprias de resistência e de mudança. Não está em causa aqui a parte que o homem não domina mas sim aquela que, por dominar, pode alterar.

O Guardião disse...

O homem é o maior predador, não só pelas espécies que teima aniquilar, como nos recursos que vai esbanjando com um único fito comodidade e lucro.
A inversão dos nossos maus hábitos e a reconversão dos meios de produção não está para breve, porque o Deus lucro não o vei permitir e a política está a ele subordinada.
Cumps

Lampejo disse...

Tiago,

Natureza vs O homem individual!
A devastação desmedida é resultado do surgimento do
"homem individual", sem qualquer senso de coletividade e movido por um modelo orientado pelo consumo compulsivo na busca de preencher sua solidão existencial.

Com essa sua atitude, nem se lembra, que está cavando a ruína para todos, e a herança que vai deixar aos seus descendentes, se é que os vai ter! Será muito pesada!

Acredito Tiago que isso acontece porque não há leis duras e severas, para castigar estes casos.
:(

(a)braços e parabéns pela postagem!

C Valente disse...

Apontamentos muito interessantes
Saudações amigas

Keops disse...

Este é um tema pertinente, tantas, tantas mas tantas vezes abordado, em tudo quanto é sítio...
mas creio que é sempre à beira deste tema que o "Zequinha" diz - eles falam, falam mas não fazem nada!

Bruno Pinto disse...

Se fôr para a faculdade de carro demoro 15 minutos. Se optar pelos transportes públicos, tenho de apanhar dois autocarros, demorando sempre hora e meia ou mais, além de ser muito menos confortável. Não gosto de depender de transportes públicos, portanto, não obrigado! Isto não me impede de dar razão às questões pertinentes levantadas no post. O problema é que, no meu caso, não há como não utilizar o carro.

Como já aqui foi dito, parece-me também que este é um tema onde se fala muito mas faz pouco, salvo raras excepções, onde o nível de utilidade das duas opções será idêntico...

R@Ser disse...

Com o desmatamento estamos prestes a sofrer um retrocesso de desenvolvimento humano pela primeira vez em 30 anos, pois as emissões de dióxido de carbono e de outros gases na atmosfera colaboram para que o calor fique aprisionado perto da superfície, como numa estufa, o que leva ao aquecimento global, ocasionando o surgimento de mudanças climáticas perigosas para o ser humano, Essas mudanças no clima pode condenar milhões de pessoas à pobreza (parece até hilário isso, mas...), disse o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Desastres provocados pelo clima afetaram 262 milhões de pessoas, sendo que 98 por cento delas estavam no mundo em desenvolvimento.O mundo não pode esperar mais.

Bjos

Margarida Balseiro Lopes disse...

Em Portugal continua a faltar uma componente ambiental nos programas escolares. É gritante a falta de cultura ecológica que continua a subsistir no nosso país, sem que nada seja feito para erradicá-la. E porquê? Várias serão as razões que explicam estes fenómenos que perigosamente operam na nossa sociedade, mas destaco um: falta de civismo. Continuamos a poluir as cidades, de todas as formas e para todos os gostos. Urge tomar medidas, que devem necessariamente começar no banco das escolas.

www.psicolaranja.blogspot.com

Metamorfose disse...

Mais um excelente texto com temas que nos deviam levar à reflexão sobre a nossa postura neste espaço que nos acolhe e onde somos capazes de praticar os piores actos, muitas vezes de forma impensável. Eu pelo menos sou de uma geração onde nos ensinaram que tudo era possível, sentiamo-nos poderosos e senhores perante a natureza e isso teve consequências graves, agora é necessário mudar as mentalidades e isso está a acontecer, mas é um processo lento e 15 anos não chegam. Transportes, dizes e muito bem, não chegou a hora de deixar o carro em casa? Eu resido nos Açores e digo-te que deixaria de boa vontade o carro em casa, se tivesse transportes públicos em horários e com condições para os poder usar, o que não acontece, quando vou ao Porto e Lisboa nem consigo pensar em conduzir um carro, a loucura é tanta, aí sim, sempre de transportes públicos que até cobrem as minhas necessidades de visiante. Beijos.

Pata Negra disse...

Há uns tempos falava com um presidente da câmara alertando-o para a deficiente rede de tranportes públicos do conselho, ele contrapôs-me: sabe hoje em dia as pessoas vivem melhor e todas têm viatura própria, o concelho desenvolveu-se. Calei-me, claro!
Em Lisboa, lá onde estão os pensadores e arquitectos, criam-se parques subterrâneos, viadutos, circulares, toda a economia pública se dirige a servir o rei carro, mais uma ponte sobre o Tejo, mais isto e mais aquilo!
E eu aqui totalmente dependente do automóvel, não há por aqui serviço de transportes, bermas (não peço passeios!) para os peões, não há solução, vamos acabar torrados se não houver revolução!
Um abraço peão