A crítica e a indiferença.

Não devemos criticar só por criticar e, muito menos, engrossar, com críticas destrutivas, uma sociedade doente que se revê no mal e na negação.

Que devemos fazer então? Calarmo-nos perante a injustiça que nos rodeia? Optarmos por um silêncio culpado mas conveniente?

Deveremos ficar impassíveis sabendo que, segundo a Eurostadt, Portugal surge em 3º.lugar dos países da UE onde mais aumentou o número de crimes violentos e de roubos, na década de 1995 a 2005, e que a tendência se mantém?

Deveremos ficar impassíveis quando o relatório da Unicef sobre bem-estar infantil e juvenil nas economias mais avançadas do mundo, nos dá conta que as crianças portuguesas são das que mais sofrem acções de violência física ou psicológica? Que Portugal pertence ao grupo de países onde mais de 40% das crianças inquiridas afirmam terem sido vítimas de violência física, verbal ou psicológica por parte dos colegas, um tipo de agressão conhecida por bullying?

Deveremos ficar impassíveis perante o relatório de Desenvolvimento Humano de 2007 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) hoje publicado, em que Portugal cai uma posição no índice de desenvolvimento humano (IDH), situando-se na 29ª posição, atrás de países como a Eslovénia, Grécia ou Singapura?

Deveremos ficar impassíveis quando Portugal tem, em 2006, a 5ª.taxa mais elevada de desemprego da OCDE e, segundo dados do INE para o primeiro trimestre deste ano, o desemprego registou um aumento percentual de 0,7 pontos?

Deveremos ficar impassíveis quando, no ano passado, foram infectados por HIV seis portugueses por dia? Segundo o relatório anual da Onusida, foram contabilizados 2 162 novos casos em 2006, o que coloca o País em quarto lugar entre os Países da Europa Ocidental?

Deveremos ficar impassíveis quando há cerca de seiscentos mil doentes em lista de espera nos hospitais públicos (consultas+cirurgias) que representam mais de cinco por cento da população?

Deveremos ficar impassíveis quando em Portugal há dois milhões de pessoas que vivem com menos de 360 euros/mês e a desigualdade entre ricos e pobres é a maior da UE?

Deveremos ficar impassíveis quando, em Portugal, ocorrem, em média, 3 crimes por dia contra crianças e que vão dos maus-tratos a todo o tipo de violências?

Deveremos ficar impassíveis quando o número de crimes sexuais sobre crianças treplicou em Portugal nos últimos cinco anos e, só no ano passado, a polícia portuguesa registou 1300 novos casos?

Deveremos ficar impassíveis quando dados divulgados pelo Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) revelam que um em cada cinco alunos do ensino secundário já consumiu drogas e quase 90 por cento admite ter bebido álcool?

Deveremos ficar impassíveis quando Portugal se transformou num país de acolhimento de prostituição e porta de saída para outros países da Europa? Quando, segundo Inês Fontinha, se sabe que, neste momento, se faz recrutamento directo de mulheres que nunca recorreram à prostituição nas zonas pobres do País?

São estes os direitos humanos de um país desenvolvido do século XXI?

Há quem queira atribuir as culpas de muitas das situações, ou da sua manutenção ou agravamento, ao actual governo. Há quem endosse essas mesmas culpas aos antecessores. Há quem atribua a todos sem discriminação. Há quem vote rosa, laranja, vermelho ou azul. Há quem vote branco, nulo ou não vá votar. Porém estas situações existem agravam-se e nós vamos morrendo, sem darmos por isso, quando as confrontamos e as aceitamos como uma inevitabilidade.

É que ao nos demitirmos das nossas responsabilidades solidárias, já nos renegámos como pessoas. E quem consegue lidar com estas situações sem se indignar, nem procurar invertê-las, já não está vivo mesmo que não se aperceba.

71 comentarios:

Fernanda e Poemas disse...

Olá minha querida, queria pedir-te desculpa de no dia 25 não estar em Lisboa e portanto foi-me impossível fazer o post.
Quanto ao teu texto li-o e relio como é meu hábito.
Se me permites assino por baixo.
Agora queria pedir-te um favor se possível,
Criei um novo blogue de Sonetos, um tema difícil, mas eu gosto de desafios.
Se tiveres um tempinho passas por lá. Queria saber a tua opinião, pode ser ?

fernandasonetos.blogspot.com

Muito obrigada e muitos beijinhos.
Fernandinha

Peter disse...

Não sei se foi ontem se no dia anterior, que troquei e-mails expondo muitos dos problemas que apontas e com que eu, tu e tantos outros, muitíssimos outros, nos debatemos.
E a que resultado chegámos?
À quadratura do círculo!

"A culpa é muito, mas muito nossa. E a mentalidade é algo que dificilmente irá mudar."

ALEX disse...

Todos nós somos culpados do que se está a passar e que é muito preocupante se pensarmos que, no passado, se batia o pé por tudo e por nada e agora nos acomodamos.

missixty disse...

Porque o nick silêncio culpado? Está fácil de ver!As pessoas aqui escrevem muita coisa, dizem muita coisa, mas tudo a coberto do anonimato, eu acho que sou das poucas que o digo de cara à mostra...e mais, tenho uns grandes tomates porque sou funcionária do Estado e tenho a lei dos disponíveis à perna! Aliás já foi coagida pelo meu instituto para fechar o meu blog, porque uma colega foi fazer queixa de cenas que publiquei!
Não interessa só dizer, interessa fazer! Mas acredita que muitas das coisas, é mais culpa do próprio povo que própriamente do Estado!A mior parte dos portugueses são uma cambada de oportunistas e mais não digo....

Boris disse...

Que adultos estaremos a formar? É revoltante tudo isto mas há quem goste deste modelo de sociedade por achá-lo muito democrático.

Carol disse...

Lanças um conjunto de perguntas, muito pertinentes e posso-te dizer que este não é o rumo que quero para o meu país, nem para o mundo que me rodeia!
As culpas são invariavelmente lançadas ao Estado, mas, para mim, a culpa é de todos e de cada um de nós. Cada um de nós tem o direito, mas acima de tudo, o dever de denunciar, de se indignar e de exigir respostas para essas questões.

António de Almeida disse...

-São muitos os temas aqui abordados, e diferentes entre si, mas um traço comum a todos, não! não nos devemos conformar, mas também não devemos agir por reação, os problemas devem ser estudados, e sob observação permanente, não significa desculpas com estar á espera de resultados de estudos, significa sim, perceber as causas, legislar, punir severamente aquilo que há para punir. Uma sociedade deve ter um rumo de orientação, uma política normalmente traçada por um governo, e não a navegação á vista, que por cá é practicada.

antonio disse...

Silêncio, boa! Mas e qual a tua resposta?

Este governo está lá com o meu voto, não espero que façam milagres, mas gostaria de lhes escutar uma, uma só das tuas perguntas. Um, um só dos alertas que aqui deixaste.

Mas é o silêncio total... e isso nunca lhes perdoarei, votarei sempre mas seguramente não neste centrão falido e podre.

Sniqper ® disse...

Voltei a comentar, é um facto, se me permitirem, esperemos que sim. A pequena introdução que dá início ao meu comentário, considero que seja apropriada em relação ao vosso texto que está na caixa de comentários, que diz o seguinte: Neste estabelecimento cada cliente é livre de entrar, beber, dar duas de prosa e sair sem pagar. Mas, em querendo, a gerência agradece que deixe umas palavritas.Como tal, e acreditando no que li queria começar por agradecer a gentileza demonstrada pelo Sr. Quintarantino nos seus comentários ao Kolmi, no passado dia 25/11/2007 (há 32 anos, nesta data acabou o PREC, mas ainda anda por ai muita Otelaria), pelas suas tão nobres e distintas comparações, dignificando os textos do Kolmi como arautos da verdade e da liberdade, mais não são que a vanguarda de hordas de Putins e de Chavez's., ou ainda a não menos dignificante insinuação de mostrar o caminho de um qualquer Gulag, a outra que deixou, velada, é dirigida ao blogue Alma Nova, opiniões idênticas, são coincidências ou não, se lhe interessa eu respondo-lhe via e-mail.

Comentando o texto de hoje,
Todas esses dados atirados pela Comunicação Social, valem o que valem, nada. Geram confusão nas mentes com brincadeiras de números, que aplicados no seu contexto real, serão verdadeiros?
Por exemplo existe prostituição em Portugal? Está legislada ou regulamentada como profissão? Supostamente praticada em casas de alterne, as quais já foram alvo de fiscalização da ASAE, mas que eu tenha conhecimento não sei as normas e/ou licenças necessárias para abrir tal tipo de negócio, vocês sabem?
Denunciar é o início de tudo, a continuidade é fazer, ficar pela palavra ou pela escrita não chega, tomem como exemplo a atitude inglesa que se recusa sentar na mesma mesa com um ditador africano, afinal a União Europeia não luta contra a opressão em África?

Para terminar, minha cara missixty mostrar a cara é uma prova de coragem, sem dúvida e mais o prova quando reafirma sem medo que já foi coagida para fechar o seu blogue, é de facto uma grande verdade o que afirma, muitos são os covardes que por aqui andam, escondidos atrás de nicks, eu próprio uso o meu, faz muitos anos sniqper, mas também lhe posso dizer que quando necessário respondo a certas provocações com o meu e-mail, onde consta o meu nome, esse que nas páginas brancas da PT está claro e com morada e telefone, sem medo algum, termino e deixo o desafio...Queria ver os tomates de muita gente se tivessem que estar identificados para escrever num blogue, eu assino na primeira linha essa regra, sem medo.

Cumprimentos ao Notas, a quem o mantém activo, a quem o comenta, e até ao António que me faz tanta mossa como o Durão Barroso ser o possível Prémio Nobel da Paz, fiquem com a Paz que conseguirem ter e que a Luz vos ilumine.

Joshua disse...

Sabes, Silêncio, é precisamente por isso que a minha escrita me exige algum Kafka dentro.

Expor os factos não chega para despertar uma reacção solidária activa e generalizada, um protesto permanente e consciente com vista à alteração de paradigma?

Então vou escrever provocatoriamente, vou agudizar todos os acentos e agravar o que falta de circunflexo à nossa vida: é preciso gerar o desconforto e o «chega!» seja por que poemas for e por que outros textos for.

Vou levar o mergulho no rio congelado aos meus leitores. Não serve de nada uma escrita que não perturbe. Se é pelo bom astral que nos blogvisitam, prefiro resignar-me a ficar só num canto sem que ninguém me leia, me ame e valorize.

Não acredito nem pratico uma crítica destrutiva. A minha forma de escrever busca as hipérboles e as ironias, é um camelo por longos tempos sem beber a doce água da paz. Porque posso e porque consigo.

Lamento ser mal entendido. Mas estou-me a cagar para o bom tom e a decência de que parece tudo tem de se revestir.

Deixem-me ser excêntrico e estranho e amem-me assim ou então nem se incomodem a cumprimentar-me.

Quanto ao mais, fizeste uma síntese tão excelente que terei de linkar esta posta para que os efeitos em onda vão o mais longe possível.

Joshua disse...

«Estou-me a cagar» soa-me demasiado a Ferro Rodrigues e a António Costa. Faz de conta que eu disse alguma coisa bem semelhante, mas diferente.

Depois das pressões por Paulo Pedroso, dizer «estou-me a cagar» nunca mais será como dantes.

Metamorfose disse...

Criticar por criticar, toda a gente o sabe fazer, agora apresentar alternativas... trabalho feito é que é pior. O Português sempre gostou de criticar e pouco fazer, os números estão mal, a violência cresce é verdade, vamos responsabilizar o governo por isso? e onde estamos nós? que criamos os nossos filhos nesta sociedade de consumo, onde permitimos que a violência entre pelas nossas portas dentro diáriamente, onde muitas vezes escolhemos carreiras em prol dos nossos filhos que acabam por crescer em solidão, para tentarmos mudar o estado da humanidade, não é só em Portugal, devemos começar na nossa casa, na nossa rua, no nosso bairro, nas escolas dos nossos filhos, no emprego...
Beijo.

São disse...

Portugal já nem sequer é um país, é uma anedota de mau gosto!!
Bom dia!

Um Momento disse...

Penso eu que a "culpa" recai um pouco a cada um de nós.
Bom post
Beijo
(*)

GIL disse...

Tudo o que aqui é referenciado representa um conjunto de problemas que exigem soluções rápidas. O governo, governa mas não resolve tudo.Nenhum governo foi capaz de resolver os problemas aqui apontados. Qual é a solução? Uma alternativa anti-democrática? Cada um deve pensar nas alternativas e na forma como quer combater os problemas.

M.M.MENDONÇA disse...

O que é aqui apresentado faz parte de documentos oficiais donde temos que concluir que a realidade só pode ser pior e nunca melhor. Concordo inteiramente que se façam sobressair as situações para que as pessoas meditem sobre elas. Tal não pode ser entendido como um deitar abaixo mas sim como um reforço da cidadania e da vigilância que leva a pressionar o poder para a resolução destas situações.

C.Coelho disse...

É muito importante que se diga o que aqui é dito para que tenhamos bem presentes as situações que ocorrem e como ocorrem. Neste final do ano e de balanço tenho consultado documentos que mostram o que aqui está relatado mas que não comentam como se fosse uma coisa natural. Votei PS e voltarei a votar PS porque não vejo alternativas. É melhor o PSD? Ou então a democracia do Jerónimo de Sousa? Votar branco ou não votar é enterrar a cabeça na areia. Mas temos que exigir um Portugal mais justo e equilibrado, lá isso temos.

SILÊNCIO CULPADO disse...

MISSIXTY
O nick "silêncio culpado" foi escolhido com o fim de transmitir o conceito subjacente à linha editorial do blogue e que consiste em não ser conivente, através do silêncio, com situações injustas. Não tem como intuito desresponsabilizar ou esconder a autora das postagens. Aliás a minha identificação está correcta no IP, junto dos meus parceiros deste blogue, de outros blogues com os quais colaboro e, também, junto de visitantes que já o solicitaram para determinadas acções. Tão pouco me esconderei no anonimato se tiver que responder por alguma das afirmações que faço.
A Missixty gosta de mostrar o rosto mas eu não gosto de posar para a fotografia. São opções de sociedades livres e democráticas.

Tiago R Cardoso disse...

Todos podemos criticar por criticar, no entanto é a partir do pensamento e da critica que devemos passar a acção.

A cultura é criticar, muitas vezes, se não a maioria da vezes a critica destrutiva, onde as pessoas atacam mas soluções que apresentam são nenhumas.

É evidente que a culpa de muitas coisas são nossas, nossas porque não agimos, outra vezes agimos através, por exemplo do voto, acabando por ficar pior.

Da mesma forma que gritamos que temos direitos, temos também deveres, deveres de contribuir para uma sociedade melhor, dever de deixarmos de ser egoísta, dever de ajudar, em resumo o dever de sermos humanos e no pouco tempo que temos deixar a nossa boa marca neste mundo.

J disse...

Não foi o governo responsável causador da chegada aos 2 milhões de pobres?
A desorientação da camada juvenil!
A constante eliminação dos pobres moribundos!
Quem tornou esta terra fértil em pântano?
Não é sempre a mesma cambada de ploíticos a governar este lindo jardim à beira-mar plantado?
De quando em vez colocam na TV antigas caras de políticos com , M Soares,e outros, o que pretendem fazer com estas imagens?
Os politicos, não são sempre os mesmos?
Onde está a nova geração de politicos?
Sem mudança radical, dificilmente teremos outro Portugal.

Cumprimentos

contradicoes disse...

O tumor tem ramificações
já não é possível operar
o país não tem soluções
qualquer dia vai parar

Resta pois à blogosfera
continuar a referenciar
tudo quanto de mal impera
não se limitar balbuciar

Denunciar os erros cometidos
por quem tem gerido o País
pelos efeitos graves obtidos
corte-mos pois o mal pela raiz

Laurentina disse...

Vim c� dar o meu contributo a uma m�o cheia de quest�es que sufocam a nossa sociedade de hoje.
N�o estou nos melhores dias, apesar de n�o me considerar uma pessoa de baixar os bra�os, j� nem revolta consigo sentir, quando constato ser um fantoche nas m�os destes merdas...n�o h� nada a fazer.(digo eu agora)
Ano ap�s ano t�em vindo a retirar-me os beneficios fiscais, fazendo rolar numa autentica bola de neve a vida das pessoas .
Logo que entraram trataram de me retirar os bf dos anos de 2000, 01, e 02, como n�o tive 15000 euros para lhes dar tem sido uma bola de neve, porque para eles as pessoas deste pa�s traduzem-se um numeros e euros.

Ora queira Deus que um dia destes n�o lhes apare�a algu�m pela frente que os transforme numa massa disforme ou mesmo em cinza.
Talv�s fosse melhor come�arem a rezar muito

Hoje n�o d� para mais, fui

quintarantino disse...

Não, não devemos ficar impassíveis ante questões tão pertinentes, gravosas e vergonhosas como as dos crimes de natureza sexual, ofensas corporais ou de outra natureza contra crianças; não devemos ficar impassíveis contra o aumento exponencial dos sem-abrigo; não devemos ficar impassíveis contra a toxicodependência... a miséria, a fome, a pobreza, a corrupção...
Não entendo porque vêm aqui exigir que seja a autora do texto a apresentar todas as soluções ou sequer alguma; já agora, porque não foram elas apresentadas em vez de se questionar?

FERNANDA & SONETOS disse...

Olá amiga, mais uma vez voltei para reler o teu texto.
Queria dizer-te que se não faço comentários sobre os temas, é apenas pela simples razão, de que este não é o meu meio de escrita.
Gosto ou não gosto, estou de acordo ou não.
Assim, eu sou eu mesma, gosto muito do que escreves, e dos amigos do grupo.
Deixo-te umas simples palavras;

A AMIZADE ACREDITA EM TUDO:

Os amigos são pacientes e amáveis,
não são ciumentos nem gabarolas,
não são arrogantes nem grosseiros.

Os amigos não insistem em levar a sua avante, não se irritam, nem
se ofendem, não se alegram com o mal,
mas deleitam-se com o que está certo.

A amizade tudo suporta,
tudo acredita,
tudo espera,
tudo aguenta.
A VERDADEIRA AMIZADE NUNCA ACABA.

Muitos beijinhos
Fernandinha

JOY disse...

Calar ,Ignorar,nunca!Nós sociedade civil temos o direito de denunciar criticar o que achamos estar mal,por muito bom que um governo seja e este já deu mais do que mostras que não é ,não conseguirá resolver todos os problemas como é lógico temos também de assumir as nossas responsabilidades e não falo só do pagamento de impostos como é lógico porque nesse aspecto fazemos mais do que a nossa obrigação.Muitos dos problemas que aqui denuncias são reais e estão á vista de toda a gente outros vêm de trás de á alguns anos e são tranversais a todos os governos que nada fizeram para os resolver.Exige-se ao governo que tem utilizado toda a imaginação possivel para a redução do défice a mesma determinação para arranjar solução para estes problemas sob pena de cada vez nos afundarmos mais .

JOY

JOY disse...

Peço desculpa Já me esquecia o meu nome é CARLOS MAGALHÃES e vou continuar com o nick de JOY porque gosto,pronto já estou identificado.

Um abraço
JOY

quintarantino disse...

Boa... a mim também me conhece quem tem de conhecer!

Márcio disse...

Pois é… não devemos ficar indiferentes a tais coisas. Mas, apesar disto tudo, ainda vivemos num pequeno paraíso à beira mar implantado.
Portugal não é dos melhores países da Europa… mas ainda bem! Estamos cá escondidos, ninguém nos chateia (falo por exemplo dos ataques bombas em Espanha, Inglaterra, EUA; falo por exemplo dos rastos de destruição da França; falo por exemplo das catástrofes ambientais – e isso não tem dada a ver com nada – que existe por esses países fora…).
Quanto ao consumo de droga, isso é um falso moralismo… pouca é a percentagem de pessoas que nunca experimentou… e isso faz parte do crescimento de um jovem!
Contudo e no geral, parece estar a fazer de Portugal o pior país do mundo para se viver… e isso não corresponde minimamente à verdade!
E muitos dos problemas são do Homem e não dos partidos e governantes como alguns querem fazer transparecer. Há coisas que só se muda com o civismo e respeito um pelos outros… Nada tem a ver com a política.
Temos problemas, sim… alguns de certo modo graves para um país dito “desenvolvido do século XXI”, mas daí até chegar ao ponto que quer colocar Portugal vão umas centenas de milhares de léguas de distância.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Os dados aqui apresentados são dados oficiais do INE, UNICEF, PNUD, OCDE, EUROSTADT, ou seja, não são crítica nenhuma. São dados oficiais pura e simplesmente. O que se faz aqui é dar a conhecê-los para que o cidadão, ao tomar consciência deles, possa intervir dentro do seu campo de acção. Quem deve corrigir estas situações? O actual governo ou outro qualquer através de medidas de combate efectivo. Certamente que não será ao autor de um blogue ou de um post que caberá encontrar as soluções para governar o país. Isto apesar de eu ter conhecimento de alguns que têm participação activa, e obra feita, no combate à pobreza e à exclusão. Penso também que não será o facto de se escrever um post que funcionará como um estigma inibidor das práticas no terreno.

Menina do Rio disse...

Fica difícil pra mim, falar algo a respeito de Portugal, quando o Brasil ocupa o 63º lugar no ranking de IDH e continua sendo o país com maior desigualdade entre ricos e pobres; quando os 10% mais ricos possuem uma renda 50 vezes maior que os 10% mais pobres. Culpar quem, quando um país com 500 anos de história ainda escraviza mão de obras e onde milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Não somos diferentes de Portugal que nos colonizou com a sua escória, dizimou nativos, desembarcou um sem números de navios negreiros, levou todo o ouro e nos deixou como herança uma população de bastardos (não o sentido perjorativo) sem teto, já que as terras forma divididas entre os da corte e seus herdeiros que criaram latifúndios muitos dos quais são improdutivos. Não tenho palavras pra dizer de minha indignação pela inércia do meu povo que se acomodou. Quem culparei pela maldita dívida externa que suga todo nosso dinheiro, impossibilitando a viabilidade do crescimento econômico, pela falta de recusros nos sistemas de saúde e educação. Quem culparei pela violência incontida do tráfico que domina as cidades e as faz reféns? Impassividade, culpa, incompetência...São tantos distúrbios que viraram um cancro a corroer as nossas esperanças e expectativas. Ora eu grito, ora eu calo e nesse silêncio, quem são os culpados?

Silvia Madureira disse...

Os problemas (são problemas e grandes) aqui descritos são de extrema gravidade e a consequência mais grave penso que será a desertificação do país dentro de algum tempo pois a pobreza e as doenças eliminam um ser humano em muito pouco tempo e isto vai-se propagando.

Claro que me indigno, claro que me preocupo...mas sinto-me muito pequenina para poder fazer algo.
Quando temos um problema de difícil solução em Matemática precisamos da ajuda de muita gente e com nobres conhecimentos no assunto.

Este é um grande problema e eu visualizo-o da mesma forma.

Um abraço

NÓMADA disse...

Contra factos não há argumentos e os factos falam por si. Temos que nos indignar com eles deixando o comodismo, a indiferença e o individualismo de lado. Claro que não vamos culpar este governo atribuindo-lhe todas as responsabilidades do que aqui é demonstrado. Os governos que o antecederam também têm a sua quota-parte de responsabilidades. Agora temos que intervir no sentido das soluções. Isso temos.

avelaneiraflorida disse...

Aqui estou como prometido!
As questões e os números são pertinentes. A discussão em torno da validade ou não de quem os apresenta ter um nome oficial ou um nick é perfeitamente supérflua!
São os problemas que existem na nossa sociedade, e no mundo, cada um à sua escala!
Se antes de nós estas questõe não se puseram, existiram outras, porque também a conjuntura políto-sócio-económica e cultural era outra!
Procuramos culpados??? Somos todos nós que viramos costas á realidade que nos cerca! Que fingimos não ver! Que pela frente de quem nos interessa dizemos uma cois , para logo a seguir fazer outra.
Crescemos, muitos de nós com expectactivas que estão a sair goradas...Que Fazemos? Denunciamos? Acomodamo-nos????
E a passagem de testemunho para as novas gerações????
Fazemos o quê???? Deixamos-lhe em herança um planeta a apodrecer , uma Humanidade descrente e imune à Violência...
Não chega , como testamento????

Silêncio Culpado, por favor continua a levantar questões! AS RESPOSTAS NÃO ÉS TU QUE TENS DE AS DAR!!!! SOMOS TODOS NÓS!
SE AINDA TIVERMOS VONTADE PARA TAL!
BJKs!

Keops disse...

Perturbantes os dados. Tudo o que é negativo no País deverá impressionar todo o cidadão, assim como o que de bom temos. Cai-se contudo num fácil dizer mal, não crítica. Esta pressupõe o conhecimento e hipótese de resolução.
O produto final, estas “chagas” afectam-nos. Deveríamos expressar o nosso lamento de uma forma sonora! Não seremos contudo um por um, também culpados deste estado? Não é corolário da nossa demissão como cidadãos?
E porque essa demissão? Imediatismos, aliciamentos, perca de identidade, ausência de valores. Ninguém nem nenhum governo sanarão estas chagas se deixarmos andar. Expliquem-nos, formem-nos, envolvam-nos e a mudança operar-se-á.
Nestas questões não pode ser eles e nós.
Tem que ser NÓS, como dizes!
O problema é que como uma vez escrevi, muitas vezes andamos cá como condóminos de um condomínio chamado Portugal; pagamos as quotas, a Administração que resolva os problemas!

J disse...

Em resposta a:
"Quanto ao consumo de droga, isso é um falso moralismo… pouca é a percentagem de pessoas que nunca experimentou… e isso faz parte do crescimento de um jovem"

Penso referir-se naturalmente ao álcool, tabaco, medicamentos, governo e outras substâncias que interferem em...

Segundo este raciocínio, isto não anda, talvez por causa da elevada percentagem de drogados governantes.

Agora pense, (apenas um exemplo), Nas inúmeras famílias que o governo desmoronou, com o peso dos impostos, principalmente o PEC, aquelas que foram atiradas para a falência. Os seus filhos, muitos deles desorientados, para sobreviverem, optaram por seguir que caminhos? Talvez as drogas, como refúgio, a prostituição para o dinheiro fácil, o roubo e muito mais.
Pensem: Porquê o aumento das pragas que infestam a sociedade?!

Compadre Alentejano disse...

Gostei do teu post,parabéns.
Foi por o país apresentar estes dados de pobreza que criei o Papa Açordas.
O meu blog tem feito tudo para denunciar as injustiças que grassam na sociedade portuguesa.
Os governos sabem, mas fazem-se cegos. A miséria passa-lhes ao lado.
Enquanto houver pessoas como nós, há-de haver denúncia pública,por muito que nos queiram calar.
Um abraço
Compadre Alentejano

Rui Caetano disse...

Não é fácil agirmos de um modo efectivo. Tens razão no que afirmas,devemos reagir à nossa maneira sobre as questões do país, do mundo, da vida do nosso povo etc que nos afecta directa ou indirectamente.
O facto de reagirmos através de um simples blogue é um passo para a nossa cidadania. Poderá ser pouco, mas é a nossa forma de participarmos. Os governantes é que decidem o nosso futuro, mas também tenho consciência de que é mais fácil criticar do que resolver, sei que quando se chega aos lugares de decisão, as coisas complicam porque nada é tão fácil como parece de resolver.
existem milhares de variáveis, imensas situações a ter em conta e não basta a vontade de mudar isto ou aquilo, às vezes não é assim tão possível, embora, em muitas situações, bastase a boa vontade e o evitar o desperdício talvez fosse o suficiente para resolver certas situações complicadas.

Joshua disse...

Tiago, quando puderes e se quiseres, passa lá no meu chat. Fiquei curioso, embora não seja nada de especial.

MIMO-TE disse...

Obrigada por ouvires tão bem o meu silêncio! Fiquei comovida:)
Obrigada pelo convite, excelente texto! :)

=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=*=

Por motivos de ordem profissional, já vi, ouvi, presenciei mais do que devia... pode soar mal, mas é verdade. A politica é feita por homens, logo imperfeita. Desiludi-me muito com os vários partidos com quem trabalhei. Vários! Sei mais do que deveria saber e não vou entrar por ai... Tenho obviamente a minha tendência, mas não tenho ilusões. Por isso penso que a politica, ou o partido que governa tem culpa, tem meios, mas, nunca terá a salvação para todos estes "males". Penso que só com uma atitude honesta e activa de todos (pais, professores, politicos e de todos quantos trabalham na formação ou têm a responsabilidade de decidir)se poderá criar valores e fortalecer o individuo desde cedo. Claro que sem dinheiro, sem médicos, sem emprego, sem casa.... ninguém tem paz e fica vegetando esperando que algo aconteça. Mas a responsabilidade de tudo o que erradamente acontece é de todos nós. É minha se não sou tolerante com quem sofre, se não ajudo, se não sou exemplo, se tenho vergonha de amar, de dar, de falar, de olhar, de sentir. Para que algo mude, temos todos que acreditar e fazer. Que serve criticar se nada faço? Não critico, faço!
É díficil, eu sei. Mas temos que exigir, importunar, convencer. No fim, por vezes já sem ânimo, surgem resposta e vale a pena!!!

Tanto havia para dizer, mas até no silêncio por vezes tanto se pode fazer! Colocar um sorriso e lutar, este é o segredo....

Adorei, amiga és simplesmente fantástica, nestas alturas digo:

Que bom estar aqui!:)))

miminhos meus

NINHO DE CUCO disse...

Estes dados oficiais são os dados da nossa vergonha porque todos nós, de uma forma ou doutra, todos contribuímos para eles. Porém importa que todos olhemos bem para o resultado do nosso silêncio, das nossas opções, do nosso egoísmo e das nossa "comodidades". E vejamos como podemos, e devemos, intervir para que se tenha um país mais justo e mais afectivo. Mas como se pode querer mudar alguma coisa se há quem não consiga conviver com a realidade nem com as opiniões mesmo na blogosfera? É triste.

Blondewithaphd disse...

No, we shouldn't be indifferent! But we are most of the times. Unfortunately when the horror becomes common we also tend to become indifferent to it. It hurts to think, even more to act so people shut down. It's sad, but it's true.
A very incisive and disturbing post!

amigona avó e a neta princesa disse...

Como alguém já disse parabéns pelo texto amiga!Poder estar aqui no meu cantinho e ler o que não consigo ler nos jornais (que preferem falar de quem casou,quem matou e etc...)é um previlégio para mim que tive a sorte de te "conhecer"...
Depois acho que, às vezes, até incomoda um texto que pretende "abanar"! Mas não é por isso que não o devemos escrever! Por isso continua a deliciar-nos com a tua escrita...
Não nos devemos acomodar. Também não podemos ter a pretensão de que conseguiremos mudar o mundo de uma tirada só!Mas conseguiremos ir mudando o mundo e essa é a nossa responsabilidade! Mas quantos preferimos ir vegetando? Olhando para o lado fazendo de conta que não vemos?!
Os números são impressionantes...e não nos enganemos: MUITAS situações estão assim por NOSSA culpa!!! Porque nos acomodamos,porque olhamos para o lado, porque, às vezes, preferimos vegetar, porque nem sempre dizemos NÃO!!!! Se todos fizermos um bocadinho será mais fácil...e, se quisermos,podemos dar saltos gigantescos! Beijo...

Kalinka disse...

É IMPERDOÁVEL a minha ausência deste blog...
Não sei explicar o motivo, desânimo pela Vida, será? ando arredada dos blogs amigos...sem explicação plausível, peço desculpas.
Sei que se inicia em breve um mês que me deixa muito deprimida - Dezembro.
Não sei se leu as minhas desventuras pelo Egipto, tudo isto faz alhear-me do que é bom...acabo por ser eu quem mais perde, que fazer?

POR CÁ...cada dia que passa, as pessoas não têm tempo para NADA...no entanto, estamos a chegar a uma época do ano, a mais hipócrita do ano - parece que todos se vão lembrar de todos...rrssssssss, que raiva!!!

Eu nunca me esquecerei do País que me viu nascer:
"Cahora Bassa é nossa" foi a célebre frase que mais se ouviu ONTEM em Moçambique!!!

Beijitos.

Sniqper ® disse...

Boa reacção ao texto publicado, gostei. Afinal existe um reconhecimento geral de que todos somos culpados, sim senhor, bonito, gostei.
Mas quando será que essa força de admitir a culpa se transforma em energia de luta?
Por exemplo ao ler o comentário da mimo-te, fiquei a pensar que é uma pena que não possa ajudar o pessoal nessa luta, pegando na frase dela em que afirma que Por motivos de ordem profissional, já vi, ouvi, presenciei mais do que devia... pode soar mal, mas é verdade. A politica é feita por homens, logo imperfeita. Desiludi-me muito com os vários partidos com quem trabalhei. Vários! Sei mais do que deveria saber e não vou entrar por ai..., poderiamos todos, sem medo, tal como a missixty que já está a pagar a factura de revelar a sua identidade, então vamos lá mostrar a nossa coragem e subscrever um PROTESTO NACIONAL devidamente identificado com Nome e Bilhete de Identidade e enviar ao Governo a nossa voz de descontentamento, porque ficar por aqui a escrever eternamente ajuda, de facto, ou mesmo escrever o primeiro e último nome também ajuda imenso, mas não da forma e com a força que tal protesto teria, devidamente escrito, sem insultos, sim com o descontentamento e as soluções para criar um PORTUGAL IGUAL PARA TODOS OS PORTUGUESES, será assim tão complicado? Quem espera desespera e perde...

bluegift disse...

Enquanto a revolta nos alimentar, é preciso combater da forma que melhor sabemos e podemos. Mas, repito, que a revolta não nos cegue, não nos perca nas desgraças da vida, não nos acabe por vencer.

Há um problema grave de mentalidade e de hipocrisia, há governos bem mais interessados no clientismo que no desenvolvimento.

Aquilo que suporto cada vez menos é a crítica gratuita, por "dá cá aquela palha". Tudo vale desde que seja "deitar abaixo". Crítica quantas vezes ignorante, conveniente e injusta.

Há que criticar, sim, mas com um mínimo de equilíbrio, sem cair em alarmismos histéricos, disparando em todas as direcções ou na direcção mais fácil. Críticas, que só servem para descrédito internacional, para desanimar toda a gente, para deixar de acreditar cada vez mais este país. Sim a culpa é de TODOS!

Kalinka disse...

Fui convidada a vir dar a minha opinião neste post, cá estou.
Li e reli tudo e pego na última frase:
É que ao nos demitirmos das nossas responsabilidades solidárias, já nos renegámos como pessoas. E quem consegue lidar com estas situações sem se indignar, nem procurar invertê-las, já não está vivo mesmo que não se aperceba.

Peço desculpa de não concordar, estou viva e bem viva, quero lutar, mas...sozinha não posso mudar o Mundo. Nas minhas conversas com a psicoterapeuta falo disto tudo, revolto-me, digo-lhe como luto, ela sabe-o, mas a resposta dela é sempre a mesma:
deixe-se estar quieta, trate de si em 1º lugar, porque sozinha você não pode mudar o Mundo.

Henriqueseis disse...

Tens aqui um belo texto, a escrever assim arriscas-te a ser contratada para um qualquer semanário de renome.(se é que já não foste.)
Isto de tentar mudar algo, é muito complicado mas não pode servir de desculpa para não se passar á pratica .
Há cerca de uns anos, alistei-me num partido, para tentar mudar pequenas coisas lá na freguesia . Mas depressa me apercebi que tudo não passava de manobras para promover um recém licenciado a político . São estas pequenas coisas que nos fazem desacreditar na política, e vermos sem esperança os problemas que nos rodeiam .Continua a esctever assim.

http://novos-mitos-urbanos.blogspot.com

http://men-tira.blogspot.com

Sniqper ® disse...

Bem esta é imperdoável, não em relação ao comentário da Kalinka, mas sim ao conselho dessa psicoterapeuta, que lhe diz "deixe-se estar quieta, trate de si em 1º lugar, porque sozinha você não pode mudar o Mundo.", realmente é por essa GENTINHA QUE PRATICA E INCENTIVA O UMBIGUISMO que este mundo nunca irá estar melhor, visitem umm link que vos vou deixar http://195.23.47.186/epages/Store.storefront/Preview/?ObjectPath=/Shops/OperacaoNarizVermelho, e mais não digo...

Crítico disse...

Que post extraordinário Silêncio Culpado. Quantas verdades.
O nosso país é reflexo do que com ele fizeram os poderes políticos do passado e do agora. É resultado da passividade dos seus cidadãos. É resultado do novo riquismo. É resultado do crédito fácil. É resultado da cunha e dos favorecimentos. É resultado de um deixa andar, e quando se quiser meter travão poderá ser demasiado tarde, não se evitará o choque.
O nosso país, e o mundo em geral, assemelha-se, neste momento, a um automóvel que se lança desgovernado por uma ladeira, ao fundo o penhasco. É necessário travar a máquina enquanto é tempo, caso contrário a queda será inevitável.
Não raras vezes pergunto-me se ainda iremos a tempo.
Acredito que sim, caso contrário nem aqui viria fazer este comentário, nem teria um blog que tem como nome ALERTA.
A comunidade blog tem uma palavra a dizer. São milhões de pessoas que navegam na rede e que ao lerem blogs como este, como O Silêncio Culpado, como o Cegueira Lusa, entre tantos outros, podem ficar sensibilizadas e também contribuirem activamente na melhoria do estado das coisas.
Muito há a fazer. Aqui já se começou.

O pouco que cada um possa fazer é melhor do que não fazer nada.

A critica pela critica de nada vale, o que a fertiliza é a acção.

Obrigado e cumprimentos sinceros.

htsousa disse...

Estas chamadas de atenção são muito importantes. Os problemas são muitos, todos o sabemos.

O problemas é que não basta falar disto, nem divulgar o assunto. Todos concordam, mas é na prática que se vê o empenho das pessoas.

E aí continua a imperar o desinteresse e a falta de consciência cívica e social.

Abraço.

adrianeites disse...

os constantes relatórios externos em nada nos favorecem e revelam que este cantinho à beira mal que tem sol durante muitos meses por ano tem na verdade muitos podres!

Os politiqueiros e degradação provocada pela inércia destes têm contribuido para o estado das coisas....

boa semana

Sniqper ® disse...

FÓNIX QUE É DEMAIS, 14.000!!!

NuNo_R disse...

Muitas vezes se critica apenas, porque não podemos andar sempre a arrear porrada por aí fora...
é que existem muitos que a merecem.
e são aqueles que nos deviam representar e não o fazem, os que nos deviam defender e não o fazem, e por aí fora...
é que umas palmaditas dadas na hora certa nunca fizeram mal a ninguém...
mas como esses tais são demasiados "sensiveis" temos de continuar a criticá-los até que se cansem e nos ouçam de vez...

Sofia disse...

Pediste-me a minha opinião e vou-ta dar. Os problemas de que falas são reais. Como professora lido com muitos deles todos os dias. Não será saudável ficar impávido perante todos ou qualquer um destes problemas. Todos eles mexem connosco, com as regras da nossa sociedade, com os nossos valores e crenças. De qualquer das formas, parece-me que o problema é mais profundo, do que o de quem é a culpa... Do estado, de todos nós?... A mim parece-me que a culpa é de sermos humanos. Os humanos têm o grande defeito de serem humanos e portadores de defeitos... Claro, que os há com defeitos mais aceitáveis do que outros, mas a esmagadora maioria dos problemas em que falas são tão velhos quanto a nossa espécie e portanto transcendem a nossa sociedade. Muito poderá e deverá ser feito para alterar a situação, mas sem utopias. Penso que o melhor que cada um de nós poderá fazer, é agir todos os dias com consciência e respeito pelas pessoas que o rodeiam. Penso que devemos ajudar e orientar as pessoas com problemas que conhecemos. Repara, se todos o fizéssemos, todos os portugueses (e não só) teriam alguma ajuda. Sempre me pareceu uma hipocrisia dar a povos distantes, quando à nossa porta, as pessoas morrem de fome. Para além disso, penso que se deve motivar as pessoas ao voto, em especial, no que diz respeito às eleições locais - essas sim, poderão ser ganhas por pessoas que pretendem trabalhar em prol do bem de todos nós, da comunidade. Nas eleições a nível nacional, permite-me o cliché, mas eles querem é poleiro, e os que não o querem antes de serem eleitos, rapidamente acabam corrompidos pelo sistema. Ensina-nos a história que democracia na verdadeira acessão da palavra, só nas cidades-estado, porque eram pequenas... já me alonguei demais... facto pelo qual, peço desculpa. Fico grata por me teres chamado a participar na discussão, mas depois desta, acho que não vais voltar a chamar-me! Sorry! :(

SILÊNCIO CULPADO disse...

SOFIA
Adorei o teu comentário. Pena tenho que não tivesses continuado. É através da autenticidade que se conclui e se acrescentam saberes.
Obrigada

O Árabe disse...

Trágica a situação, Silêncio. E pior: aqui no Brasil, no além-mar, a coisa não é muito diferente. São a corrupção e o descaso que se espalham, enquanto o comodismo nos faz coniventes... :(

Palavras ao vento disse...

São em blogs como o teu... que se deve quebrar o silêncio!

Estamos a atravessar uma crise mundial... em que este pequeno rectângulo também está a sofrer as suas consequências!

Alertar através dos meios que nos é possível para este Grande Drama... que nos está a arrastar para o caos!

Junto a minha há tua voz.. dentro do que me é possível.

Beijo

Carreira disse...

Olá!
Cá estou!
Bem...que dizer? Tens razão nos pontos que abordas.
Mas lutar em algumas alturas contra as injustiças e os atropelos que se sucedem a um ritmo célere, por vezes, leva-nos ao cansaço.
Eu em alguns dias começo a baixar os braços perante o que observo, mas rapidamente os volto a içar e muscular.
Não desisto facilmente.
Ainda hoje, no meu trabalho, tive um dia de «cão», mas daqueles vadios. Contudo, entre o deve e o haver, considero que talvez tenha conseguido remover mais uma pedra, ainda que minuscula, da grande montanha de intolerância,insensatez, mesquinhez.
Mudar mentalidades é uma tarefa árdua. Portugal sofre desse grave problema. Há uma tendência das pessoas se colocarem em bicos de pés...mas na prática, agir, actuar, intervir para alterar o estado letárgico, no qual o país está aprisionado, está quieto!
Abraço

ALEX disse...

Óptimo debate e esclarecimento neste texto repleto de informação.Esta é uma realidade que tem que ser encarada com olhos de ver sem a preocupação de jogar à defesa com receio de beliscar este ou aquele partido.
Há comentários de grande entrega do que o comentador pensa sobre temas tão delicados, o que é muito bom e produtivo.
Parabéns.

7 Pecados Mortais disse...

Uma tema em grande, que dava direito mesmo a um "Pós e Contras". Sem dúvida que não poderemos ficar no "silêncio". Eu não tenho desistido, mas a batalha é longa e difícil. Cada vez mais, por egoísmo, as pessoas deixam-se arrastar pelo que lhes é imposto. Nos tempos do Governo de Cavaco, como já referi noutro post, o Povo fez o que fez em relação ao aumento das portagens na Ponte 25 de Abril (na minha opinião o País em geral, estava melhor do que o de hoje). Pergunto: Onde está esse Povo? Criticar por criticar é tão mau como aqueles que se entregam ao silêncio e ao egoísmo. As críticas devem ser argumentativas para se poder chegar à razão. Aqui, elas surgem muito bem, sustentadas por dados reais e não inventados pela a autora do texto. Para quem as desconhece está na hora de ler um pouco mais, é um conselho. Muito dos nossos problemas sociais, económicos, etc. vão ao encontro de uma mentalidade cada vez mais pobre e entregue à inércia. É mais fácil estar parado, sendo assim, em geral, todos param. Não podemos parar e matar a mentalidade, que se já não morreu, está prestes. Se morreu há que a "ressuscitar" para não nos tornarmos seres apáticos e desgovernados, desgovernados sim, pois é esse o caminho que estamos a tomar como pessoas, quer para nós mesmos quer para a sociedade. Em muitos destes temas aqui abordados a lei favorece ou prejudica os envolvidos. A lei não é perfeita e como tal tem falhas. Dessas falhas se aproveitam os defensores para ilibar, culpar os possíveis autores de crimes ou inocentes. Por vezes quase que nos desfocamos da virtualidade dos factos e é mais fácil vermos um pobre (inocente) preso, do que um rico (culpado). Há um autor de um filme em que diz: "As pessoas começam a perder a capacidade de ouvir e já não chega bater-lhes ao de leve nos ombros, é preciso dar-lhes com um martelo". É uma frase perigosa e tem de ser bem interpretada. Não sei se o País precisa de levar com o "martelo" para se endireitar, mas sei, que muitos não comeram ainda o pão que o diabo amassou. O povo anda cansado, mas se um dia resolveram acordar e manifestar o seu protesto, alguém há-de comer o pão bem amassado. Os dados como aqui já foram ditos são chocantes e alarmantes, todos temos culpa e não podemos ficar parados como referi. Há que denunciar os casos alarmantes. Já o temos vindo a fazer aqui na blogosfera. Já falamos no desemprego, na política em geral, na fome, na miséria, na violência emocional e sexual e outros. Estamos sempre a falar. E as acções? Sempre que nos preparamos para tal, cortam-nos as pernas. Dá-me a ideia que em geral há sempre uma corrupção activa de diversos meios, demasiados preocupados com o seu umbigo, que não nos permitem afirmar perante uma sociedade cruel. Estamos assim a caminhar para um País dividido, que num futuro não deixará de ser uma "Cuba", um "Brasil" ou uma "República Dominicana" da Europa. Num futuro passaremos a ser um País de Turismo e para o Turismo, como uma população extremamente pobre e com grandes índices de criminalidade. Aí sim estes dados deixam de ser um alarme e passam a ser uma contestação para todo o sempre. Para já denunciamos-os para que a realidade se altere, para que não venham a ser uma constante dos nossos dias, num País que é o nosso Portugal. Tenho a tristeza de ser infeliz numa sociedade que me impõem, cada vez mais triste. Vamos mudar as nossas mentalidades? Espero que sim e que todos os dias pensem nisso e que manifestam com actos aquilo que pensamos, se possível, um bocadinho todos os dias. É um passo para a mudança.

Rafeiro Perfumado disse...

Texto demasiado profundo para uma resposta num simples comentário. Aliás, aborda temas tão revoltantes que nem me apetece ironizar na resposta.

Claro que a solução não pode passar por ficarmos impassíveis, mas por vezes o desânimo toma conta de nós. Basta olharmos para as preocupações dos nossos sucessivos governos, que insistem em procurar o sucesso num qualquer TGV, Aeroporto ou outra obra faraónica, em vez de cuidarem do bem estar de quem os elege. Vemos mensalmente os nossos ordenados a serem "comidos" pelos impostos e perguntamos para onde eles vão, uma vez que pagamos saúde, transporte, ensino, comida, roupa e o raio que os parta.

Solução? Não conheço, mas dado o ciclo vicioso que está instalado, não penso que possa ser pacífica.

David disse...

Sinceramente não consigo perceber o que se passa com o nosso país. Não consigo perceber se a culpa são daqueles que nos governam ou se são daqueles que os elegem. Sinto-me inclinado a achar que ambos têm culpa no cartório. Sempre defendi que a sociedade civil portuguesa é inexistente, continuamos muito centrados no nosso umbigo e não vemos um palmo à frente do nariz. Por norma só nos revoltamos quando nos vão ao bolso, quanto ao resto... se não me assaltarem tudo bem. Bairros sociais? Se não for na minha vizinhança por mim tudo bem... e assim vamos andando. Não existem políticas estruturais que permitam atacar os problemas tão bem identificados no post e outros tantos que existem. Andamos muito preocupados com os aumentos salariais, com a progressão das carreiras, enfim com uma série de questões que tendo a sua importância como é óbvio não são os únicos problemas do país. E crucial que se adoptem medidas concretas para resolverem os problemas que o nosso país tem e no mínimo devemos votar no programa e não porque é este ou aquele, este ou aquele partido.

Dalaila disse...

Cada um no seu dia-a-dia, deve parar para pensar, se calhar n~~ao conseguimos muito, ou se calhar até nos enganamos...
~
Ajudar, ouvir, estar, partilhar, querer saber, abrigar, é uma das poucas coisas que cada um de nós pode fazer.

O Governo, olha sei lá.... já nem comento, e eu sou funcionária pública....

Girassol disse...

As perguntas aqui lançadas não poderiam ser mais pertinentes! Pelo menos abrem o debate, fazem-nos reflectir e assumir uma posição sobre diferentes assuntos que, mesmo indirectamente, afectam a vida de todos nós!!

Acho que vivemos todos de um modo profundamente egoísta que faz com que só nos mobilizemos pelos temas que nos tocam de perto!

Se não sou vítima de violência, para quê preocupar-me?
Se nunca fui assaltada, porque hei-de pensar no assunto?
Se tenho um emprego estável e bem remunerado, que me interessa que existam tantos desempregados?
Se tenho mais do que um carro na garagem, que culpa tenho eu que exista quem ande de autocarro?

Infelizmente, é esta a maneira de pensar de uma larga maioria de portugueses.
A culpa pode ser do Governo, ou de governos anteriores, mas também é de cada um de nós (minha inclusive, como é óbvio)!!
Culpa dos que não participam, dos que não opinam, dos que ignoram, dos que não votam...

Como disse Luther King
"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."

Paulo Vilmar disse...

Silêncio!
Penso que a questão não é o lugar no ranking, é o modo como lidamos com essas questões! Quando os políticos nos procuram (a pedir votos) nunca questionamos suas atuações! Cegos, sorrimos em jantares de apoios ou nos enclausuramos em nossas casinhas. A blogosfera nos leva a ver que o globalizado mundo não difere(muito) quando falamos de pessoas para pessoas! Os problemas são idênticos, as cobranças também, a indignação mais ainda, as indagações parecem saltar da boca a procura de respostas... No fim, varremos os problemas para baixo do tapete (meu ranking é melhor que o teu - não podemos fazer nada mesmo - a vida é assim - etc.) e os políticos continuam em suas teatralices brigas, atrás do PODER! Mas as crianças continuam lá, os crimes continuam acontecendo, as mulheres continuam sendo espancadas, os abaixo da pobreza continuam levando o resto do que nos sobra.
Aí, como aqui, a Grande Mídia está a serviço dos seus políticos de plantão, do seu departamento comercial, vendo a notícia/informação/opinião como uma mera mercadoria e não como um direito nosso! Escondem-se atrás de rankings fantasiosos, para manter sempre o "status quo". Por isso a denúncia só acontece quando é do interesse deste ou daquele. Nós leitores/espectadores vamos driblando estes interesses para arrancar alguma informação de cada notícia lida/vista.
Mas, temos nas mãos a grande arma para mudar este círculo vicioso de responsabilidades negadas! Este simples(grandioso no conteúdo) post, da Silêncio, em um único blog, gera mais de 60 coments e reforça a indignação, mas, traz em seu bojo, a própria solução!
Se um Grande Jornal inventa uma notícia ou partidariza ou omite, sempre vai ter alguém, em algum blog, que saberá a verdade e poderá fazê-la circular, até desmascarar a Grande Imprensa e o Poder político em sí, fazendo com que seus atos revertam, efetivamente em ações para o povo, o país, o mundo. Basta sabermos usar o poder que temos no recanto de nosso lar! Em frente ao teclado podemos fazer os políticos trabalharem, as instituições andarem e os resultados aparecerem!
Imagine a caixa postal de um político paroquiano, lotada de E-mails indignados, do mundo todo!
Os políticos e a Grande Imprensa(não estou generalizando) não sabem trabalhar com esta nova mídia. Tendem a usá-la como coisa menor! Os grande jornais e redes de TV, por não entenderam a Internet e principalmente por não compreenderem a blogosfera, imitam em seus espaços virtuais o que apresentam em seus veículos físicos.
A " pequena mídia" pode e deve fazer a diferença no mundo, nos próximos anos.
Acabei me alongando..., mas teria mais!
Beijos.

Cláudia Ribeiro disse...

Não tenho muito tempo, no entanto farei um breve comentário ao teu post.
É certo que Portugal, no que toca a indices relacionados com situações negativas se encontra sempre 'muito bem posicionado'.
No entanto, penso que isto já começa a tornar-se numa consistência histórica. Desde sempre que Portugal é atrasado em tudo. E não digo isto como forma de crítica. É verdade.

Quando a Europa já ia na segunda revoluação industrial, a Portugal chegava a primeira. Quando países como a França já haviam abandonado o Realismo na literatura é que este chegava a Portugal.
A explicação de que nos encontramos 'escondidos' no canto da Europa não chega. Temos que mudar. não queremos ser um país de terceiro mundo em plena Europa.

Pata Negra disse...

Existe luta para além da blogosfera? A resposta é sim! Existe luta para além dos partidos?
A resposta é sim!
Mas como dar voz a colectiva a essa luta se não for pelo voto, pela manifestação ou pela greve?
Vão-me dizer, ah isso não! É coisa do passado, de comunistas, de operários!
- Ah já sei, vamos a Fátima a pé!
Um abraço passível

Kalinka disse...

Eu também pergunto devemos ficar impassíveis, quando se lê estas notícias:
O Estado português exerceu o direito de compra do quadro do mestre italiano Giambattista Tiepolo que hoje foi à praça em Lisboa com uma base de licitação de 1,5 milhões de euros, o preço pelo qual Deposição de Cristo no Túmulo foi arrematado.

É extraordinário que se tenha gasto cerca de 2 milhões de euros para trazer da Rússia uma colecção de segunda categoria que se apresenta no decadente e arruinado Palácio da Ajuda.

E, com tantos gastos astronómicos CONTINUA-SE A PEDIR AO POVO QUE APERTE O CINTO...?
Continuam a DESPEDIR PESSOAS E A DEIXAR FAMÍLIAS NA MISÉRIA...???
e, ainda estão algumas pessoas muito incomodadas que haja greve da função PÚBLICA À 6ª FEIRA...isso faz mal a alguém? a não ser ao próprio funcionário que perde o ordenado desse dia, CARAMBA.
já chega de MINHOQUICES...

FERNANDA & SONETOS disse...

Olá amiga, passei para deixar-te um beijinho e desejos de bom fim de semana.
Fernandinha

NINHO DE CUCO disse...

Revendo os comentários que continuam a ser produzidos sobre este texto, verifico que para além da forte consciência cívica que demonstram, também deram origem a reclassificações de 360º nas posições assumidas. Não é assim Kalinka?

Nanny disse...

Claro que não podemos ficar passivos e impassíveis a estes factos e a estes números... mas não nos podemos esquecer que neste país muito não era dito e outro tanto não estava legislado.

O facto de agora veres esses números incríveis de violência sobre as crianças e os jovens significa que já se denuncia, que as pessoas já não calam aquilo que durante décadas toleraram como natural... o que, em última instância significa que estamos mais alerta... ainda não basta, eu sei!

Um beijo