Greve à sexta ou fim de semana prolongado ?

Eu tinha pensado não escrever sobre política; tinha decidido deixar isso para o nosso editor de política, o Quintarantino, mas existem algumas situações que não sou capaz de deixar em claro.

Para começar, e abro já espaço à polémica, não gosto de sindicatos, quer dizer, não gosto do rumo que estão a tomar e muito menos da falta de independência perante os partidos políticos.

Hoje temos direito a uma greve geral da Função Pública, que decorrerá entre as 00:00 e as 24:00; foi convocada pela Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) e Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.

Até aqui muito bem, todos temos o direito a protestar, direito à greve e principalmente defender os nossos interesses, sejam a que nível for, sendo que neste caso são de natureza laboral.

Embora não pertencendo à dita função pública, gosto de seguir e interesso-me bastante por estas questões.

Ao contrário de outros que entram em entusiasmos e quando são
chamados a realmente pensar, simplesmente desaparecem.

Um dia normal de greve nacional já se torna absolutamente previsível.

Temos os sindicalistas a levantar cedo, ocuparem as suas posições junto dos diversos sectores públicos, transportes fechados, manifestações e os famosos piquetes de greve.

Para quem não sabe, o piquete de greve é um conjunto de indivíduos que monta guarda aos sectores em greve, segundo eles com o objectivo de assegurar que a greve decorre de forma ordeira.

Evidentemente que se podem fazer outras leituras como será certamente o caso de quem quiser trabalhar e der de caras com os grevistas de certeza que tira outra leituras.

Outro aspecto interessante e a que vamos ter novamente direito é, com toda a certeza, a luta dos números. De um lado, os sindicatos, do outro o Governo, evidentemente cada um com a sua leitura e números diferentes conforme melhor lhes interessar.

Numa espécie de estágio para a grande greve de hoje surgiram personalidades de diferentes sectores a aproveitar-se da situação, alguns tentado já condicionar os resultados e outros tentando já agarrar a liderança.

"Havia necessidade de fazer em 2005 o que, em linguagem coloquial, designei com a palavra maldades mas para corrigir o défice de 6,83 por cento herdado do Governo PSD/CDS-PP", afirmou Augusto Santos Silva, logo acrescentado que "foi isso que terminou este ano. Com o Orçamento de Estado para 2008, os funcionários públicos não vão perder poder de compra. Em 2007 e 2008, estamos a prestar justiça aos funcionários públicos".

Ouvindo isto, fiquei-me cá a pensar: "Queres ver que agora o Sr. Ministro resolveu contar anedotas no Parlamento?"

De seguida o Bloco de Esquerda tratou logo de agarrar a capa de herói dos fracos e oprimidos: "Há um manifesto embuste: as maldades continuam e continuarão a ser feitas, as maldades estão para o Tribunal Constitucional, as maldades continuam a ser aplicadas mas não há nenhum sinal de correcção".

Surpreendente a resposta por parte do PS, na voz da deputada socialista, Maria José Gamboa, que saudou os trabalhadores da Administração Pública e acusou o BE de tentar manipular o significado desta greve.

"A greve dos trabalhadores da Administração Pública é um sinal claro e evidente da liberdade que todos os trabalhadores da Administração Pública têm de manifestar a sua indignação e o direito de prosseguirem a luta pelo seu caminho e interesses", afirmou.

Tive que ler varias vezes para ver se estava a ler bem, mas ainda estou aqui às voltas sobre como terá a senhora deputada chegado a tal evidencia?

Ter-se-á esquecido que a indignação é exactamente contra o governo PS e as suas propostas laborais?

Afinal quem é que está a esvaziar a greve e as reivindicações?

Cozinhados autárquicos do PS e PSD ajudam "tiranetes" locais?

O namoro (mais um) ameaça acabar em “marriage”!
Falo do acordo para a revisão da lei eleitoral autárquica que o PS e o PSD preparam e que será uma enorme machadada na democracia a nível local.

Alberto Martins (PS) e Pedro Santana Lopes (PSD), com cedências de parte a parte, traçaram o rumo.

O PS, por exemplo, deixa cair a muito despropositada ideia de executivos municipais monobloco, isto é, quem ganhasse iria designar todos os vereadores.
O recuo passa a uma solução mitigada onde o partido vencedor (nem que seja por um só voto) fica com 50% dos vereadores mais 1 (garantindo assim a maioria absoluta) e os partidos da oposição (mesmo que maioritários) ficam confinados aos restantes eleitos que serão distribuídos pelo tradicional método de Hondt.

Acho mal. Prefiro o modelo actual (com os seus defeitos) onde cada candidatura elege vereadores em função de um resultado alcançado nas urnas.

Na proposta inicial do PS, e recorrendo ao exemplo de Lisboa, António Costa iria açambarcar todos os lugares de vereação, mesmos sendo minoritário.
Agora, na proposta almejada e considerando a lei em vigor, teria sempre 8+1 cabendo os restantes 8 vereadores aos partidos da oposição.

Se actualmente, e apesar do Estatuto do Direito de Oposição, o papel dos vereadores sem pelouros é quase meramente simbólico na maior parte das autarquias, pergunta-se o que é que estarão eles a fazer num órgão colegial onde basta mandar contar “espingardas”?

Por seu turno, o PSD cedeu na posição que se prendia com o desejo das vereações poderem ser constituídas por membros saídos de entre os eleitos ao órgão deliberativo (Assembleia Municipal) ou de fora.
Esta proposta, a ter sido aceite, seria novo ludibriar e embuste aos eleitores.

No fundo, estar-se-ia a abrir portas a que se pudesse apresentar ao eleitorado um conjunto de putativos vereadores e, ganhas as eleições, irem-se buscar os amigalhaços que, por este ou aquele motivo, não se dignaram submeter a sufrágio.

Com o novo figurino que se almeja, o presidente eleito (que será sempre o cidadão da lista mais votada) escolhe os vereadores a partir da lista à Assembleia Municipal e pode substitui-los ao longo do mandato.

Outra atoarda que ameaça mandar borda fora coligações mal amanhadas, acordos de conveniência ou bateres de pé entre vereadores e presidentes de Câmara.
A meu ver, será um enorme contributo a que os déspotas (pouco iluminados, diga-se) que aqui e ali assomam nas autarquias se sintam ainda mais confortados na sua posição de nababos do Poder Local.

Doravante, e sabendo que sobre si impende o cutelo da remodelação a bel-prazer, quem será o eleito local que se atreverá a questionar as ordens e desejosos (nem sempre legítimos) do manda chuva presidencial?

Com que seriedade será possível negociar uma coligação pré-eleitoral sabendo-se que nisto da política se está um pouco como no amor?
Isto tendo-se por premissa que a fase que antecede as eleições é como o namoro, farão o obséquio de reparar que ali tudo se promete para, depois e já consumado o casamento ou ganha as eleições, nada ou quase nada se cumprir…

Valha-nos ao menos que as assembleias municipais passarão a poder apresentar moções de censura (ou rejeição) com garantia de exequibilidade, dado que a sua aprovação por maioria simples obriga a que o presidente da Câmara Municipal apresente no prazo de 15 dias nova proposta de Executivo. Se rejeitada, cai o Executivo e tem de se avançar para eleições.

Retira-se ainda alguma margem negocial (ou de coação psicológica) aos executivos em matérias como a aprovação das moções de censura ou orçamentos municipais, vedando-se aos presidentes de Junta de Freguesia (que continuam a ter assento por inerência na Assembleia Municipal) a participação nas votações.

No fundo, prepara-se mais uma revolução no Poder Local mas sem que se vislumbrem (de algumas propostas) inequívocos benefícios.
Antes pelo contrário. Pensamos que, nalguns casos o nepotismo e o abuso de poder encontrarão caminho livre!

Obviamente que, apercebendo-se do que aí pode vir, os ditos “pequenos” já vieram a terreiro declarar a sua oposição a este cenário.

“PS e PSD não explicaram ao País porque é que estão a fazer estas negociações, e fazem-no porque estão a tratar de negócios”, disse Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda.

“De cada vez que PS e PSD se juntam para acordar uma matéria de sistema democrático, dá maus resultados para a democracia”, afirmou Bernardino Soares, pelo PCP.

"São bem conhecidos os efeitos negativos do pacto de justiça. Agora ouvimos falar num pacto para a segurança interna, para as obras públicas e para as leis eleitorais. Nós temos um caminho próprio que não é do bloco central", disse, por seu turno, Diogo Feyo do PP.

No caso vertente, dou razão aos que se opõem a este entendimento autárquico.
Agora, e com os dados que já conhecidos, cada um que pense no que se passa no seu concelho e tente imaginar o que poderiam congeminar os que lá estão no poder.

Em adenda, e dando mostras de puro “sudoku” político, o PSD ameaça reprovar um pedido de empréstimo em Lisboa. Empréstimo que se destina a pagar uma boa parte de dívidas contraídas nos consulados desses perigosos “socialistas” chamados Santana Lopes e Carmona Rodrigues! Sem palavras.

A crítica e a indiferença.

Não devemos criticar só por criticar e, muito menos, engrossar, com críticas destrutivas, uma sociedade doente que se revê no mal e na negação.

Que devemos fazer então? Calarmo-nos perante a injustiça que nos rodeia? Optarmos por um silêncio culpado mas conveniente?

Deveremos ficar impassíveis sabendo que, segundo a Eurostadt, Portugal surge em 3º.lugar dos países da UE onde mais aumentou o número de crimes violentos e de roubos, na década de 1995 a 2005, e que a tendência se mantém?

Deveremos ficar impassíveis quando o relatório da Unicef sobre bem-estar infantil e juvenil nas economias mais avançadas do mundo, nos dá conta que as crianças portuguesas são das que mais sofrem acções de violência física ou psicológica? Que Portugal pertence ao grupo de países onde mais de 40% das crianças inquiridas afirmam terem sido vítimas de violência física, verbal ou psicológica por parte dos colegas, um tipo de agressão conhecida por bullying?

Deveremos ficar impassíveis perante o relatório de Desenvolvimento Humano de 2007 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) hoje publicado, em que Portugal cai uma posição no índice de desenvolvimento humano (IDH), situando-se na 29ª posição, atrás de países como a Eslovénia, Grécia ou Singapura?

Deveremos ficar impassíveis quando Portugal tem, em 2006, a 5ª.taxa mais elevada de desemprego da OCDE e, segundo dados do INE para o primeiro trimestre deste ano, o desemprego registou um aumento percentual de 0,7 pontos?

Deveremos ficar impassíveis quando, no ano passado, foram infectados por HIV seis portugueses por dia? Segundo o relatório anual da Onusida, foram contabilizados 2 162 novos casos em 2006, o que coloca o País em quarto lugar entre os Países da Europa Ocidental?

Deveremos ficar impassíveis quando há cerca de seiscentos mil doentes em lista de espera nos hospitais públicos (consultas+cirurgias) que representam mais de cinco por cento da população?

Deveremos ficar impassíveis quando em Portugal há dois milhões de pessoas que vivem com menos de 360 euros/mês e a desigualdade entre ricos e pobres é a maior da UE?

Deveremos ficar impassíveis quando, em Portugal, ocorrem, em média, 3 crimes por dia contra crianças e que vão dos maus-tratos a todo o tipo de violências?

Deveremos ficar impassíveis quando o número de crimes sexuais sobre crianças treplicou em Portugal nos últimos cinco anos e, só no ano passado, a polícia portuguesa registou 1300 novos casos?

Deveremos ficar impassíveis quando dados divulgados pelo Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT) revelam que um em cada cinco alunos do ensino secundário já consumiu drogas e quase 90 por cento admite ter bebido álcool?

Deveremos ficar impassíveis quando Portugal se transformou num país de acolhimento de prostituição e porta de saída para outros países da Europa? Quando, segundo Inês Fontinha, se sabe que, neste momento, se faz recrutamento directo de mulheres que nunca recorreram à prostituição nas zonas pobres do País?

São estes os direitos humanos de um país desenvolvido do século XXI?

Há quem queira atribuir as culpas de muitas das situações, ou da sua manutenção ou agravamento, ao actual governo. Há quem endosse essas mesmas culpas aos antecessores. Há quem atribua a todos sem discriminação. Há quem vote rosa, laranja, vermelho ou azul. Há quem vote branco, nulo ou não vá votar. Porém estas situações existem agravam-se e nós vamos morrendo, sem darmos por isso, quando as confrontamos e as aceitamos como uma inevitabilidade.

É que ao nos demitirmos das nossas responsabilidades solidárias, já nos renegámos como pessoas. E quem consegue lidar com estas situações sem se indignar, nem procurar invertê-las, já não está vivo mesmo que não se aperceba.

Estupidez de luxo mata o ambiente com limpeza !

Os desastres ambientais relacionados com alterações climatéricas quadruplicaram nas últimas duas décadas, de acordo com um relatório publicado ontem pela "Oxfam", uma fundação de caridade internacional sediada no Reino Unido.

Não será preciso ser-se um especialista para se ver que as coisas estão mal e todos os dias as notícias continuam a ser preocupantes.

"O número de pessoas afectadas por catástrofes naturais cresceu cerca de 68 por cento, passando de uma média de 174 milhões, entre 1985 e 1994, para 254 milhões, entre 1995 e 2004 ", afirma-se naquele.

A este propósito recordo-me do debate sobre ambiente a que fui recentemente e onde se podia trocar ideias com um painel interessante de oradores.

Depois de muita discussão eis que alguém se levanta e afirma: "Estas alterações climáticas a que assistimos, não se devem exclusivamente ao homem, tratam-se de factores normais, originados pela alteração do eixo da Terra, situação que já aconteceu na historia do planeta, dando a origem a situações extremas de calor ou de frio, de chuva ou seca."

Muitos continuam achar a que é de isso que se trata, que o homem influencia pouco o ambiente.

Mas se assim é, que explicação plausível podem fornecer para o facto dessas alterações passadas terem acontecido em pequeníssimos movimentos de milhões de anos, enquanto aquelas a que assistimos ocorreram nos últimos cinquenta anos?

Sabiam que a "janela" que está aberta para mudar a situação é de 15 anos (e o cronómetro já está a contar), sendo depois impossível voltar atrás?

Entretanto surge também outro estudo onde se afirma que "o sector dos transportes liderou o ranking anual da «Euronatura» sobre responsabilidade climática das empresas em 2006".

A este propósito também me é possível adiantar um pequeno exemplo. Conheço uma empresa de transportes de passageiros, que tem por norma a aquisição de autocarros vindos de fora, chegam cá aos montes, são reparados, pintados, limpos e inspecção com eles, até aqui muito bem, mas sabem a data de alguns deles e que utilizam matriculas novas?

Mil, novecentos e noventa e dois, exactamente 15 anos, são colocados nas estradas viaturas para transporte de passageiros a circular com 15 anos.

Mas pior ainda é que largam tanto fumo que quem vai atrás não vê nada e pior não consegue respirar.

Bem, eu por acaso, apesar de estar no litoral, supostamente numa zona evoluída mas que continua atrasada, não tenho problema com os transportes públicos.

Sabem porquê?

Simplesmente porque os não tenho…

Sempre me fez confusão no Porto ver aqueles milhares de automóveis a entrar na cidade e a circularem dentro dela, ainda por cima alguns a largarem tanto fumo que parecem ter acabado de chegar da sucata.

Outros com grandes viaturas topo de gama, tipo jipes, a servirem de utilitários. E bem. É que todos sabemos que um jipe foi feito para circular dentro de uma cidade, gasta pouco e polui pouco…

Sempre achei que fosse por falta de alternativas, mas um dia destes resolvi dar uma volta no Metro; percorri algumas ruas e vi inúmeros autocarros a circular e tirei imediatamente uma conclusão: neste caso estava perante aquilo que é habitual em Portugal, o comodismo. Sabem o que é, não sabem?

É quando uma pessoa vai a qualquer lado e tenta entrar com o automóvel por lá dentro, só para não andar alguns metros…

Esta cultura da utilização da viatura própria, levando-a para todo o lado, a "poluição de luxo" resultante de um individuo comprar uma viatura de alta cilindrada (o que até não estará mal se ela tiver características ecológicas) ou por mandar vir uma lá de fora, mais barata mas muito mais poluidora, estão a transformar as nossas cidades em verdadeiro caos, a todos os níveis: qualidade do ar, problemas de circulação, desgaste nos cidadãos, stress e pior qualidade de vida.

Algumas perguntas para reflexão:

- Quando se acabará com o "comodismo" da viatura própria?

- Quando é que o cidadão que quer andar de transportes públicos, começa a exigir melhores e mais serviços?

- Para quando uma politica nacional realmente virada para o transporte público?

- Para quando começar a pensar que estamos a destruir a nossa própria qualidade de vida?

- Já agora, quem é que está disposto a deixar o automóvel em casa ?

Sócrates quer menos "queixinhas" a Norte... e nós que não nos quilhem!!!!

O Primeiro-Ministro, José Sócrates, terá lançado um aviso sério ao Norte quando asseverou que a região tem que "andar mais depressa" e aproveitar os fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para sair da rota de declínio económico em que se encontra.

De acordo com uma fonte anónima, citada pelo “Jornal de Notícias”, Sócrates quis dar um sinal da necessidade de união entre os actores da região.
"Aquilo que ficou claro foi que o Primeiro-Ministro entende que depende de nós, no Norte, tirar a região do estado em que se encontra", resumiu.

O Primeiro-Ministro lembrou que o queixume não chega para ultrapassar os problemas - é preciso juntar forças e "andar mais".

E tem toda a razão. Toda.
O problema é quando a prédica não bate com a prática e, lestos, surgem alguns a quererem amputar ou cortar as pernas a essas instituições e actores.

Por exemplo, a “Ryanair” queria realizar um investimento de 220 milhões de euros em Portugal mas tem-se deparado com dificuldades tais que já adiantou a possibilidade de se instalar em Espanha, Itália ou Polónia.

Esta companhia de aviação que opera a partir do Porto, com voos para treze destinos, queria instalar no Aeroporto Francisco Sá Carneiro uma base de operações.

De acordo com dados vindos a público, essa base poderia criar 200 postos de trabalho, havendo estimativas que apontavam para um volume de 4.000.000 milhões de passageiros no sétimo ano e pedindo, por seu turno, que a ANA aceitasse uma redução no preço de 4,00€ por passageiro embarcado, o que corresponderia a 2,00€ por passageiro transportado.

Não devia ser assim grande o prejuízo que adviria para a ANA com a aceitação de tal pedido, já que é público também que as taxas praticadas por esta entidade em Pedras Rubras são superiores às praticadas em aeroportos como os de Valência, Bristol e Belfast.

Ora, demonstrando à saciedade que este assunto é de interesse geral para o Norte e até para o País, veja-se a unanimidade de posições.

O PSD apresentou um requerimento ao inenarrável Mário Lino para apurar qual a razão das negociações entre a “Ryanair” e a ANA não atarem, nem desatarem há quase um ano.

Murmura-se mesmo que tudo isto não passará de uma manobra de bastidores para tentar impedir a fixação de novas rotas e passageiros no Aeroporto Francisco Sá Carneiro e que bem necessários serão no novo aeroporto assim eles saibam onde o querem instalar.

O PS, por seu turno, também veio a terreiro apelar a que tudo seja feito para captar este investimento uma vez que “se devem aproveitar todas as oportunidades para fixar na Região Norte, e em particular na Área Metropolitana do Porto, todos os investimentos que grandes operadores privados tenham intenção de realizar”.

Mas a questão não se fica por aqui pois há tempos Teixeira dos Santos, certamente numa bravata da qual pensara não adviriam consequências, lamentava-se que não tivessem surgido interessados numa eventual concessão daquela infra-estrutura.

Ora, Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, queixa-se precisamente, e mais uma vez, que ninguém responde ao que já mandou perguntar.

“A ACP perguntou ao Governo quais as condições em que essa concessão poderá ocorrer, mas ainda não obtivemos resposta a esta questão”, afirmou.

Face a isto, o Primeiro-Ministro quer o quê?
Que o Norte se mobilize e se deixe de queixumes?

Eu, que não sei se alguém do gabinete do Primeiro-Ministro lê este blogue, vou contar um caso de lana caprina em matéria de investimento público mas que serve perfeitamente para ilustrar porque é que por aqui, às vezes, há quem acene com certos fantasmas.

Ainda António Guterres era Primeiro-Ministro de Portugal, no seu primeiro Governo, e uma determinada autarquia do Norte, por acaso socialista, encetou, entre várias, diligências para resolver o problema de dois quartéis da GNR.

Reunião para aqui, reunião para ali, ofício e telefonemas, vai Guterres a eleições, ganha novamente, vai Fernando Gomes para ministro da Administração Interna e lá se consegue assinar o almejado contrato-programa.

E isto depois da autarquia se ter visto na contingência de encontrar e disponibilizar dois terrenos e até custear estudos geotécnicos.

Cai Guterres no pântano, a nação no lodaçal, vem Durão, a autarquia, curiosamente, acompanha o ciclo político nacional e passa a PSD, e de quartéis… zero. Mas com verbas inscritas no PIDDAC.

Sai Barroso, entra Santana, e nada. Sai aquele, entra Sócrates e em 2007 um dos quartéis lá consegue avançar.
Por acaso, o outro podia ter avançado primeiro, não fosse o caso do vencedor do concurso público ter vista a obra ser-lhe consignada e abrir… falência. Boa análise da capacidade técnica e financeira até deve ter sido feita!

Isto para se edificar um mísero quartel da GNR. Imaginem agora como são outras coisas.

É por isso que no Norte há muito quem sinta uma revolta larvar contra determinadas atitudes que outros tomam.

Podemos não o ser agora, mas durante anos o motor da economia portuguesa esteve aqui.
Durante os anos de chumbo em Setúbal e outros locais do País, foi o Norte que contribuiu de forma activa e solidária para a criação de riqueza nacional.

O mínimo que se podia exigir era alguma solidariedade, mas essa também não se pede. Ganha-se.
Mas não será certamente com a grande maioria dos políticos de pacotilha que nos representam nas instâncias do poder.

Notas Emprestadas

Iniciamos hoje o NOTAS EMPRESTADAS, espaço onde todos os que quiseren poderão expor as suas ideias. É uma rúbrica de divulgação doutras escritas, mas poderá ser o início de uma caminhada colectiva.

O NOTASSOLTASIDEIASTONTAS agradece àqueles que já se associaram e mantém o desafio aos restantes. Enviem-nos textos para futuras publicações.

Fica ainda aqui expressa a ideia que os textos publicados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Não representam, nem vinculam este blogue.


O quarto escuro

Estando eu a almoçar numa cidade do interior, vejo chegar um grupinho, saído directamente de um filme do Harry Potter, assim, todos enfiados em ridículas fatiotas negras, ostentando um ar de rancho folclórico, preparado para uma qualquer cerimónia fúnebre (ou de mau gosto).

Ruidosos e alegres, ocuparam a esplanada em frente.

Os empregados torceram o nariz àquela avalanche que significava mais trabalho sem gorjeta. Universitários, deixou escapar um dos empregados sem disfarçar o desagrado que isso lhe provocava.

Reparei nos trajes e perguntei-me o que levaria uma universidade recente, a adoptar um traje medieval. Já sabemos que somos um país onde se cultiva o estatuto social. Onde todos nós espelhamos, à porta de casa, porque o espaço de garagem era muito caro, um Audi A4 símbolo do nosso triunfo e posição social.

Estes pelintras vestem um traje adquirido por 90€, mas que representa a entrada no universo dos doutores e engenheiros, o fim de anos de militância plebe: o triunfo sobre as massas.

As praxes marcam a entrada nesse universo, onde um novo mundo se abre e novos privilégios são adquiridos, convém pois deixar o estatuto anterior, de anónimo cidadão, com os requintes de humilhação e de atropelo aos mais básicos direitos de cidadania, que é isso que significa em Portugal ter um canudo. Como doutor engenheiro, vão passar a sua vida profissional a obrigar os outros a rastejar na lama, é pois natural que assim se despeçam da sua condição de indigente.

Quando era miúdo brincava ao quarto escuro, aí, no escuro se exploravam novos horizontes… mas isso, éramos nós a crescer.

Quem brinca com fatos negros, acaba a brincar com espadas e lençóis brancos, convencido de que a sua superioridade lhe confere direitos e privilégios à custa dos outros (mesmo dos que reconhece como seus pares).

Sim, quando se quer ser adulto não se deve brincar no quarto escuro.

Autor : António - sempenas-ant.blogspot.com

Olha uma "pegada digital"… olha uma quê?

Aposto que muitos, só pelo nome, podem tentar imaginar, outros não farão ideia do que se trata e alguns serão certamente capazes de definir perfeitamente o que é a "pegada digital".

Todos nós, que navegamos na Internet, seja para espreitar sites como aqueles navegadores que navegam ao sabor do vento e das ondas aportando aqui e ali, seja para avançar para pesquisas determinadas ou ainda para andar por aqui, neste lado a que se convencionou chamar “blogosfera", deixamos sempre a nossa marca. É impossível passar despercebido.

Na “Internet” somos um número.
Exactamente, um número que se designou por IP; cada ligação pessoal leva sempre consigo um IP, algo único, só nosso e que levamos, como Cristo carregava a cruz para o Golgotá, sempre para e por onde quer que naveguemos.

Começa logo com a nossa própria ligação à “net”, passando por servidores de correio electrónico até ao próprio registo na blogosfera. Em qualquer um destes pontos do percurso deixamos sempre, e em algum momento, mesmo que seja inadvertidamente, um dado que permite que sejamos identificados, seja o nome, morada, seja uma insignificância.

Dá-mos opiniões nos “blogues”?
Fazemos pesquisas em motores de busca?
Visitamos sites de qualquer tipo?
O nosso rasto fica lá.

A esse rasto deu-se o o nome de "pegada digital", rasto esse que com tecnologia de ponta permite a quem tiver acesso meios desses, (re)criar o nosso perfil.

Perguntam-se qual é o problema da situação, se nada tenho para esconder?
Eu também não tenho mas, no entanto, não me agrada que alguém saiba o que eu faço, onde ando, quem visito, o que compro e, principalmente, que invadam a minha privacidade.

Sim, porque uma coisa é não ter nada para esconder e outra o meu direito à privacidade.
Toda esta panóplia de agregação de elementos até já lançou uma nova moda.
Um indivíduo concorre a um emprego, manda o currículo, recebe a chamada para ir à entrevista, apresenta-se, fala e fica a espera.
Até aqui muito bem, mas o que muitos não sabem é que lá na empresa onde estiveram, a que concorreram, o recrutador pode dirigir-se a um motor de busca e introduz o nome do candidato.

É bem provável que fique a saber muito ou até tudo; onde ele andou, se disse alguma coisa, se participou em blogues, o que disse, etc.
Só após esse apuramento de factos, é que avançam ou não para a contratação.
Não acreditam?
Vão ao “google”, por exemplo, e escrevam lá o vosso nome e vejam com os próprios olhos, eu já fiz isso com o meu e vi coisas que reportam ao tempo que eu tinha o blogue "Com Fixadores".

Se isto está disponível para o comum cidadão, imaginem o facto de estar disponível para empresas de marketing, permitindo-lhes avaliar o mercado e fazer publicidade directa e pessoal sobre o cidadão, por exemplo?

Com tecnologia mais avançada, com recursos ilimitados todos sabemos que existem serviços concretos com o objectivo de seguir estas "pegadas electrónicas", onde o principal é recolher informações, estudando pessoas e movimentos.

Estamos numa sociedade "big brother", onde todos os nosso passos podem ser vistos ou controlados, a nossa vida está exposta a quem quiser sendo impossível escapar da vigilância, incluindo alguns que, julgando-se protegidos pelo anonimato, insultam e ameaçam, mas esquecem-se que eles também estão sobre vigilância e que não é preciso saber-se muito de tecnologias para os encontrar.

Se o poder escaqueira partidos, a oposição mina-os...

O Tomás de Torquemada da política portuguesa, de seu nome Francisco Louça, começa a ver o castelo a abrir fendas.
Aparentemente, é tudo por causa do famoso acordo entre o Berloque de Esquerda e o PS para a Câmara Municipal de Lisboa, mas penso que existem razões mais recônditas que justificam esta crise larvar.

Na Assembleia Municipal de Lisboa um deputado municipal do BE ameaçou pôr em causa o acordo com os socialistas.
Só que Heitor de Sousa não é um qualquer.
Vem do PSR e integra há muito a maioria afecta ao líder do partido, Francisco Louça e ocupou funções de relevo no BE, nomeadamente a de chefe de gabinete do Grupo Parlamentar na Assembleia da República.

A contestação surgiu por ter sido anunciado que a autarquia iria rescindir com 127 funcionários avençados.

Carlos Marques (ex-UDP), também ele com assento naquele órgão, acusou o toque afirmando que "despedir trabalhadores é contra o nosso código genético".
Consta nos corredores do poder que a denúncia do contrato firmado entre os dois partidos arrastará Sá Fernandes.

Penso que é possível fazer leituras mais profundas deste episódio.

Uma, apontará no sentido de possivelmente dentro do BE, a ala mais ortodoxa que será a que aparentemente se mantém fiel a Louça, ter percebido que o capital granjeado em Lisboa se deve mais ao nome e acção de Sá Fernandes do que propriamente à eficácia da acção e propostas do BE.
Presumo que isso será inaceitável para a máquina do BE.

Outra, resultará do facto de o BE apregoando querer ser e ser um partido diferente, fora da órbita do poder, desejar efectivamente poder.
E, agora que o vai conseguindo, começar a sofrer o mesmo desgaste a que os equilíbrios e a gestão dos poderes dentro do poder levam.

A acompanhar. Digo eu.

Mais à direita do espectro, Manuel Alegre, o tal agora “enfant terrible” do PS veio a terreiro voltar a mostrar que ainda vive.
Agora questionou o Governo como se faz a outorga da concessão de toda a rede viária nacional, sem concurso público e sem qualquer debate no Parlamento, a uma única sociedade anónima, a Estradas de Portugal?
Lembra até que "o direito à livre circulação nas estradas, sem pagamento de quaisquer taxas ou impostos, está secularmente associado à liberdade individual e ao desenvolvimento económico, desde o final da Idade Média".

"As estradas sempre foram consideradas domínio público e sobre elas, nem os senhores das terras nem os mercadores tinham quaisquer direitos, cabendo ao rei e à lei garantir a liberdade de passagem de todos", frisou.

Mais à direita ainda, no PSD parece que voltam os tempos em que uns correm para um lado e outros para outro.
Marco António Costa, à revelia do desejo de Meneses, veio expressar que quer um referendo à regionalização em 2008.

"Toda a gente sabe da cumplicidade política entre mim e o doutor Menezes, só que eu pauto-me por critérios de independência de pensamento e enquanto o presidente do partido tem as suas prioridades nacionais eu tenho as minhas prioridades regionais", sustenta Marco António.

Marco António Costa discorda ainda da proposta que está em cima da mesa na revisão da lei eleitoral autárquica, que está a ser negociada entre PS e PSD. "Vai trazer instabilidade aos executivos municipais e gera desequilíbrios nas assembleias municipais, para além de lhes retirar independência. Temos um sistema calibrado que vai ser alterado", disse.

No outrora CDS, hoje apenas PP, é o ex-dirigente Pedro Melo quem vem a terreiro atacar Paulo Portas sobre a questão do Tratado de Lisboa e pelo défice de diálogo na vida do partido.

E ainda há dias me confidenciava o Tiago que não acontece nada na política lusitana.
Está bem enganado. Episódios destes há-os aos montes.

E quem os souber ver, depressa aprenderá que o poder é um cimento extraordinário.
Na hora em que se tem poder, aplaude-se o chefe embora se possa resmungar pelos corredores.

Na hora em que se começa a ver a derrocada, aparecem as ratazanas…

E quando não se tem poder, zangam-se, matam-se mas só até ao momento em que podem regressar ao poder.

Ainda há dias me dizia um amigo a propósito da vida política local: “Ó pá, isto de se ser oposição é uma chatice”.
Pois é!

“Fisco-Man” deixam ir mil milhões de euros pró c…!

Já ouviu falar na prescrição?
Não?
Bom.
A prescrição é o instituto por virtude do qual a parte contrária pode opor-se ao exercício de um direito, quando este não seja exercitado durante certo tempo fixado na lei e que varia conforme os casos.
Estão sujeitos a prescrição os direitos que não sejam indisponíveis ou que a lei não declare isentos dela.

A nossa eficiente máquina fiscal parece que deixou prescrever 78.436 processos, alguns com 10 anos, outros com 20 anos, e assim mandou para o caixote do lixo 531 milhões de euros.
Paralelamente, no Sistema de Execuções Fiscais (SEF) foram declarados sem bens para penhora 134.750 processos, no valor de 528 milhões de euros.
Mais de mil milhões de euros que voam pela janela fora.

Isto se fosse num daqueles países “pobres” como são os escandinavos ou de sangue germânico, era já um escarcéu daqueles à maneira antiga.
Aqui, país rico onde em cada esquina escorre leite e mel, estes euros são, como dizem os ingleses, “peanuts”… bagatelas, coisas de somenos importância.

Eu fico desconfiado quando vejo que o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais volta ao ataque e insiste (agora na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças) que é perfeitamente inquestionável que em Portugal há grandes empresas que fazem fraude fiscal e acrescentou-lhe ainda o problema do branqueamento de capitais.

Para ilustrar que os esquemas de evasão e fraude são reais, exemplificou que nos primeiros nove meses deste ano a correcção ao imposto pago pelas empresas aumentou 54,2%, mas nas pequenas e médias empresas a correcção subiu apenas 19%.

"Temos um problema concreto de fraude fiscal e isso é perfeitamente inquestionável. Acrescento apenas de fraude fiscal e/ou branqueamento de capitais", precisou Amaral Tomaz.
"Alguns empresários deviam ter vergonha da sua actuação, e corrigi-la, e outros deveriam ter mais cuidado quando se aconselham com determinadas pessoas", ameaçou.

Amaral Tomaz, o homem que ou é justiceiro ou anda a pedir que alguém o mande calar e, nesse caso, o despache para casa. Só pode.

É que, lendo isto tudo, fico confuso.

O homem sabe que há fraude fiscal e branqueamento de capitais nas grandes empresas?
Desde sempre ou só agora?
E se é só agora, que raio andou a fazer no Governo até ao momento? Hein? Ah… estão-me aqui a dizer ao lado que foi a combater o défice. Pode ser.

E a máquina fiscal não era suposto actuar?
Porque não começar por fazer rodar, de vez em quando, os chefes de Finanças, por exemplo?
E alguns funcionários?

E simplificar procedimentos não seria outra ideia?
Tornar aquilo tudo muito mais transparente?
Já alguém experimentou decifrar os meandros do procedimento tributário?
Ou adivinhar o que significam a miríade de circulares às quais os contribuintes não têm acesso?

Teixeira dos Santos afirma que esta história das grandes empresas fugirem como o diabo da Cruz em matéria fiscal é "segredo de polichinelo, de falso segredo".

Espanta-me que se deixe ir mil milhões de euros pela sarjeta abaixo.
Era quase como se um tipo os visse ali a saltitar (aos milhões) no passeio, a olharem para nós, a pedirem para ficarmos com eles, e lhes dissesse com ar de enfado: “Andor violeta!”

Somos uns castiços.
Mas daqueles mesmo a sério.

Finalizo enumerando os seguintes nomes:
Arsélio Martins; Teresa Pinto de Almeida; Paula Canha e Arminda Soares.
São estes os vencedores, respectivamente, dos prémios Nacional de Professores, Carreira, Liderança e Inovação.
Em boa hora justamente agraciados pelo Ministério da Educação.
Afinal, dali ainda saem umas coisas jeitosas!

Alto e pára o baile... eh, pá, senhor Luiz Felipe Scolari... pois, pois, tem razão...
Portugal, num grupo de toscos e meios mancos, lá se qualificou para o Euro 2008.
Os jornalistas lá conseguiram irritar, mais uma vez, o seleccionador e este, por seu turno, deu mais uma vez prova da sua má criação.

Ouvi dizer que quem esfregou as mãos de contente foi o nosso Primeiro-Ministro.
Consta que terá ganho aí uns três meses de descanso em 2008, altura em que a Nação estará afadigada a debater as virtualidades de um 4x4x2 ou de um 4x3x3.

Tempos de solidão. Natal? Talvez...

A solidão tornou-se mais funda quando as populações abandonaram as suas terras de vivência comunitária, e de boa vizinhança, para viverem e engrossarem os subúrbios das grandes cidades do litoral onde a pressão humana é cada vez mais plangente. E a estes desenraizados outros se juntaram, vindos de mais longe, falando outras línguas, tocando outros instrumentos.

Criaram-se espaços multiculturais onde a diferença é ser indiferente e onde as casas e as ruas têm outros nomes e falam de outras gentes.

Procura-se sobreviver na hostilidade da concorrência do trabalho. Procura-se fingir que se vive e que se tem uma capacidade económica que permite algumas folgas. E, até, mostrarmos que somos gente quando não amamos.

Porque dentro de cada um sobra o silencio. O silencio que se repercute pelos espaços onde as pessoas se empurram e não têm tempo para olhar. Porque cresce o egoísmo de quem sobrevive lutando, por vezes pisando, porque em tempo de violência morrem os valores atropelados.

A vida transforma-se nos símbolos com que nos afirmamos. Símbolos falsos com que nos hipotecamos e que nem sequer gostamos. Mas que são símbolos. E como tal são necessidades criadas, oferecidas, violentadas mas, mesmo assim, necessidades. Quem olha para alguém se em tudo se aparta daqueles com quem priva? Ninguém quer alguém só porque esse alguém está ali para ser procurado. Há sempre uma moeda de troca subjacente nas relações de afectos parciais.

É Natal mas quem lucra e quem vê que é Natal? Será o mendigo de si mesmo que procura o que ninguém dá, e vive a esmo, como se fosse um Carnaval e não Natal?

E crescem e multiplicam-se aqueles que procuram ser especiais na caridade mas que não são nada, na verdade, a não ser figuras de Carnavais. Seriam capazes de olhar os mendigos como iguais? Ou precisam que eles continuem a ser mendigos para que existam verdadeiros Natais?

Apaguem essas luzes gigantescas das Câmaras Municipais. O que os contribuintes querem é ter condições gerais em que não haja os aumentos brutais. Que nos resta afinal? Realidades virtuais num mundo onde todos se esquecem que somos iguais?

Vislumbro os bem vestidos, e bem falantes, tecendo sobre Associações, interpelando os que nada têm para que lhes dêem os míseros cêntimos que precisam para a ceia. Porque nas televisões ensinam que ser solidário é isso, incentivar os chavões e ir buscar feijões à feira, em grandes carrões. Alguém viu a dor de quem nada tem a passear na rua? E se por acaso a viu nua, se calhar até fugiu. Porque estes caridosos, de gabinetes gostosos, às vezes agoniam-se com os pedintes mal cheirosos.

Oh, ainda falta o discurso dos nossos governantes. O PR e o PM em sintonia falam para quem tem a barriga vazia! Falam para quem sofre, para quem está sozinho porque neste País sobra, em demasia, nas mesas dos banqueiros e noutras confrarias, o que falta a muitos portugueses. Aumentar os impostos a estes? Não!... Estes é que dão riqueza e civilização. E sobretudo fortaleza aos que lá estão!

Pobreza das pobrezas este hiato do Natal em que se procura, num maior Carnaval, dar voz à consciência brutal de uma inconsciência desigual. Deixemo-nos pois de hipocrisias. Quem está disponível não apenas para dar o que sobra que isso até faz bem? Disponível sim mas para a justiça num país com 2 milhões de pobres, meio milhão de desempregados e um milhão de contratos precários. Disponível para não ser sozinho, para calar o ego que se afirma, a cada instante, “eu bem dizia isto, eu já afirmava aquilo”, como se o nosso dizer fosse diferente, por mais iluminado, que o dos outros mortais.

Natal? Natais? Com que luzes acesas?

Apesar de Quioto, ambiente continua no "vermelho"!

Normalmente o mais comum é dizer-se "isso só acontece aos outros."
Mas, no fundo, todos nós sabemos que tal nunca é verdade.

Pelo que temos visto nas notícias, o clima tem sofrido grandes alterações com ciclones, tempestades, secas, etc, fora de época ou frequentemente com inusitada violência.

Nós por cá achamos que isso não é nada connosco, mas, no entanto, quem olhar pela janela vê que as coisas andam trocadas.
Na semana passada tempo seco acompanhado por incêndios; ontem, um enorme temporal.
Isto tudo em Novembro.
No curto espaço de um mísero mês.

Todos sabemos, ou pelo menos devíamos saber, que há alguns anos atrás foi assinado um protocolo global, justamente baptizado com o nome da cidade onde foi assinado (Quioto) e que nesse acordo foram estabelecidas metas obrigatórias para a redução das emissões de gases com efeito de estufa em 36 países industrializados.

Evidentemente que os dois países mais poluidores do mundo (Estados Unidos e China) apareceram para as fotografias, mas nunca chegaram a ractificar o acordo.

Quando se fez este acordo muitos aplaudiram e fizeram uma festa, considerando que por muito escasso que seja, mais vale um mau acordo do que acordo nenhum.

Pessoalmente sempre considerei, apesar de também aplaudir o acordo, que as linhas que estabelecem que se pode transaccionar poluição são simplesmente estúpidas.
É o capitalismo a entrar em todo o lado. A fazer de conta que se reconvertia ao verde, mas a continuar da cor do cifrão lá no seu íntimo.

O que se passa é que foram criados limites de emissão de gases para cada país e a nação que não atingir a cota máxima pode vender o resto a quem polui acima do fixado.
Uma perfeita aberração.
Eis o que digo e penso.

Entretanto, a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre clima a decorrer em Valência acordou num guião para o combate ao aquecimento global e disse que os governos têm poucos anos para prevenir alguns dos piores impactos.

Afirmou ainda que, os gases com efeito de estufa atingiriam um máximo em 2015 de modo a limitar o aumento da temperatura a um intervalo entre 2,0 e 2,4 graus Celsius face à era pré-industrial.

A União Europeia (EU) considera os 2,0ºC um limiar para mudanças "perigosas", e mesmo num cenário de aumentos inferiores a este, a projecção é de mais fogos selvagens, mais mortes devidas a vagas de calor, cheias, secas e má nutrição em África.

O que me leva de volta ao início do texto: para quando acabar com a mentalidade do "isto só acontece aos outros "?

Para quando começarmos a ver que semelhantes alterações climáticas já nos estão a atingir?

Para quando a consciência que se não actuarmos, por muito insignificante que seja a nossa contribuição, estamos de facto a hipotecar o futuro dos nossos filho e dos nossos netos?

Não façamos como o outro americano que afirmou que a ligação entre as alterações climáticas e a emissão de gases poluentes ainda não está provada e que os Estados Unidos não vão impedir o crescimento das suas empresas.
Pelo vistos, preferem a destruição do planeta.

Muitos podem considerar que têm mais em que pensar, mas eu acho que dada a capacidade do ser humano de pensar (pronto, eu condescendo, há algumas excepções) temos de pensar em tudo, pensar evidentemente no nosso presente e no nosso futuro imediato.

Mas principalmente é preciso pensar do futuro daqueles que amamos, em resumo este mundo em que vivemos e que eles viveram.

Sob pena de aquela cena que uma vez vi num qualquer filme de animação se tornar mesmo realidade: era um dia épico pois ia cair, nas cataratas do Niagara, a última gota de água doce do mundo.

Milhares de repórteres. Individualidades de todo o mundo, Cidadãos anónimos.
A gota deslizante, veio por ali fora, lançou-se no abismo e desfez-se em mil bocados.

Troaram as palmas e afinaram-se discursos.

E de repente, no meio daquela gente toda, alguém diz: "Ei, tenho sede…".

Silêncio absoluto.

Já não somos uma Nação valente...

A SIC passou o fim-de-semana a mostrar, nos seus diversos serviços noticiosos, aquele que terá sido o momento que marcou o princípio do fim do cavaquismo.
Falo, obviamente, do bloqueio da Ponte 25 de Abril ao princípio por seis camiões e, mais tarde, pela junção e união de esforços de dezenas, centenas de cidadãos anónimos que se revoltavam contra um aumento de 50% do valor das portagens.
Aumento, esse, curiosamente decretado por um Governo cujo ministro da Tutela é o homem forte da sociedade a quem foi concessionada a exploração da 25 de Abril e da Vasco da Gama.
E em exclusivo.

Seja como for, hoje estão mais de dez anos volvidos.
Viveram-se os anos da euforia e da loucura final do cavaquismo e do guterrismo.
Pressentiram-se os primeiros sintomas de gripe no paciente na fase pantanosa.
Começaram os tratamentos de choque com o barrosismo, dispersaram-se diagnósticos e exames no santanismo e meteu-se tudo numa espécie de quarentena com o socratismo.

A sociedade civil, essa vive como que anestesiada. Na sua quase maioria.
Outros deixaram-se navegar nas ondas do oportunismo e do individualismo.
Parecemos ser incapazes de nos rebelarmos.
Nem mesmo quando se juntam 200.000 os poderes nos levam demasiado a sério.
Desvaloriza-se porque se sabe que basta acenar com mais uma maldade a determinado sector, para que as restantes massas salivem.
Fossem estes os tempos de Roma e estaríamos todos no Coliseu.

Uns a babarem-se de deleite e outros a tremerem ante a certeza que chegara a sua hora.
Contudo, os tempos de hoje comportam uma novidade.
Roma tinha uma capacidade inimaginável de se notabilizar no bem e no mal, medidos pelo nosso tempo.
No seu Coliseu a carne fresca que se despedaçava era de bárbaros.
Hoje os poderes despedaçam carne dos seus concidadãos.

Triste Nação que o mais que consegue é congregar algumas boas vontades em coisas como o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos.
Este movimento (que sinceramente desconhecia) veio a terreiro, também ele, denunciar os ataques do Governo aos diversos serviços públicos do País e que vão desde o encerramento de postos dos correios, maternidades e centros de saúde e com o fim de alguns serviços de transporte público.
Protestou ainda contra a privatização da REN e da EDP (na sua opinião responsável pelo aumento dos preços da electricidade) e das empresas responsáveis pelo abastecimento de água, bem como contra o encerramento de escolas.
É disto que somos capazes, conforme se vê.

Nem um assomo de protesto, de desobediência civil ou de recurso às generosas vias judiciais que, certamente em tempo de distracção, os poderes instituídos dispensaram do processo administrativo.
Vejo dia após dia, pessoas a pagarem indevidamente taxas, a pagarem tarifas de serviços prestados já prescritas… todos berram, mas nenhum tem um assomo de dignidade.

Somos uma sociedade acomodada que mais depressa faz mal aos seus do que se vira contra quem a maltrata.

O melhor exemplo desta podridão larvar está nas nossas estradas.
A nossa sinistralidade rodoviária é frequentemente associada à guerra, porque as estradas matam mais do que muitas batalhas.

O laxismo e desprezo pelo próximo são de tal monta que foi preciso criar o Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada, que se assinalou ontem.
E nem num assunto em que existem mortes, feridos graves, famílias desfeitas, crianças órfãs e pais que vêem os filhos morrer, se pôde assistir a um assomo de dignidade pois logo houve que aproveitasse a ocasião para a habitual troca de galhardetes.

A Associação dos Condutores Automoblizados, a propósito da participação do ministro da Administração Interna nas cerimónias que se realizaram um pouco por todo o País, logo veio a terreiro berrar: Aproveitamento político!.
"Não há nenhum aproveitamento político, não estamos num dia de festa, mas sim num dia de pesar, de responsabilidade", defendeu Rui Pereira.
Tudo a propósito de um simulacro de atropelamento e desencarceramento. Haja dó, apetece proclamar.

Aliás, tenho para mim que se as forças da ordem aparentemente dão razão muitas das vezes àqueles que as acusam de caça à multa, não posso deixar de aqui frisar que a minha vontade, por exemplo, era começar a divulgar publicamente a matrícula dos carros que diariamente, numa estrada nacional, vejo desrespeitar uma linha contínua e uns semáforos que existem para proteger peões numa… passadeira!!!!
Mas estes energúmenos, se autuados, são capazes de vociferar contra o Governo, o País e o próprio peão!

Quem também não tinha necessidade de meter água era o inenarrável ministro quando veio justificar o aumento de acidentes com o facto de o número de automóveis na estrada ter subido de 500 mil no início da década de 70 para mais de cinco milhões na actualidade e de os quilómetros de auto-estrada terem passado dos 80 em 1974 para os 3090 actuais, num crescimento de 3700 por cento.

Ó senhor ministro, o senhor vive em Portugal? Então comece a olhar à sua volta e veja para que servem os passeios, quantos são os palermas que andam a 100 dentro das localidades, a enorme confusão que vai na mente da maior parte dos condutores para quem um STOP é um sinal de aproximação de estrada com prioridade e outras bagatelas.

Interrogo-me em que ponto da História o cérebro passou a ser um ornamento e a má educação e falta de civismo passaram a valores seguros…

Agora também quero Portugal aos bocados, obrigado Sócrates!

Primeiro a notícia (edição de ontem do "Jornal de Notícias") tal como dada à estampa:
"A taxa de desemprego cresceu no terceiro trimestre deste ano 6,5%, face ao mesmo trimestre de 2006. Em apenas um ano, mais 27 mil portugueses ficaram sem trabalho, totalizando, neste momento, 444,4 mil pessoas desempregadas. Para este crescimento homólogo, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE), contribuiu o aumento do número de mulheres desempregadas e das pessoas com idade igual ou superior a 45 anos. A região Norte continua a ser a mais afectada pela falta de trabalho, com uma taxa total de 9,5% de desempregados, mais 1% que em igual trimestre de 2006 ".

Se calhar ao lerem esta primeira parte, muitos acharam que eu vou "martelar", uma vez mais, no estado da situação, mas a minha intenção é procurar ver isto por outro prisma.

Que a taxa de desemprego está a aumentar, todos nós já sabemos, bem, quase todos porque o Sr. José Sócrates, respectivo Governo e mais alguns, acham que não.

O que me deixa perplexo é o facto de normalmente nestas estatísticas o Norte sair sempre mal na fotografia; evidentemente que o panorama a nível nacional não é nada animador, mas esta região está sempre em destaque.

Mais perplexo fico ainda quando se anunciam e se discutem obras de milhões e milhões de euros num sítio, enquanto no resto do País a falta do vil metal é preocupante.

Tudo isto leva-me ao assunto em questão neste texto: as regiões, mas não as regiões "bairristas", tipo Norte contra o Sul, mas a regionalização versus descentralização.

No último referendo, assumo que votei contra a regionalização, tendo por principal argumento o facto de sermos tão pequenos que não existia necessidade de dividir mais o País. Para reforçar o meu "não" surgiram certos argumentos utilizados por supostos "intelectuais" regionalistas nortenhos, que chegaram a mostrar "preconceitos" contra outras regiões, principalmente contra Lisboa.

Satisfeito, vi na altura o anúncio de que, em vez da regionalização, iríamos avançar com a descentralização.

Ingenuamente fiquei à espera.

O tempo foi passando e nada de medidas descentralizadoras. Mudou-se de Governo e, apesar de eu não ser propriamente de partidos, fiquei satisfeito.

Mais fiquei ainda com o anúncio de acções com o objectivo de transferências de poderes para as regiões, acabando com a centralidade de poderes e decisões.

Após dois anos de mandato socialista, bombardeado constantemente com todo o tipo de notícias sobre medidas do Sr. Sócrates e companhia, cheguei à conclusão que de facto está a ser feita uma descentralização, mas diferente do que seria esperado. È verdade. Aquilo que está a ser feito é uma descentralização centralizada.

Quando se vê centros de atendimento permanentes, escolas, urgências, finanças e outros serviços a fecharem por todo lado, sendo centralizados em capitais de distrito ou cidades consideradas mais importantes, deixando ao abandono povoações inteiras do interior, obrigando pessoas a viajarem um dia inteiro e centenas de quilómetros para fazerem tratamentos obrigatórios (se quiserem viver), ver nascimentos em plena auto-estrada dentro de uma ambulância, ver hospitais que foram pensados para uma zona e agora servem quatro concelhos diferentes, não me parece que isto seja verdadeiramente descentralização.

O que me parece sim é que se trata de uma forma de poupar.

Não me digam que centralizar serviços é uma forma de melhorá-los, se um serviço está preparado para atender um X número de pessoas e leva com o triplo, penso que a melhoras serão nulas.

Quando se encerra serviços, ao mesmo tempo dificulta-se a permanência de pessoas nessas zonas, obstando ao desenvolvimento das mesmas e levando à sua desertificação, não me parece que isso seja bom para o País.

Seria a altura de voltar a repensar a regionalização, desta vez com um debate realmente esclarecedor e não com um debate cheio de "orgulhos" regionais, que em nada ajudam, só criando barulho de fundo numa discussão que continua actual e urgente.

Como disse anteriormente, no último referendo votei "não", mas agora graças à "utopia" de Sócrates, era capaz de votar de forma diferente.

Evidentemente, isto a ser feito após o referendo europeu.

É que eu e muitos ainda não nos esquecemos desse!

Fraude fiscal? Nós não. Aqui planeamento fiscal, isso sim!

Provavelmente um dos flagelos endémicos da nossa economia é a fraude fiscal.
Que, à boa maneira portuguesa, é universalmente admitida como existindo, mas sempre praticada pelos outros. Nunca por nós.

Um pouco à semelhança do uso recorrente à expressão “vê-se logo que é português”!
Acho-lhe piada, juro. Especialmente porque somos nós próprios que a usamos quando queremos criticar alguém.
Como se o autor da crítica não fosse, também ele, português.
Um tipo vê outro a mandar uma cuspidela para o chão e logo diz: “Vê-se logo que é português”…

Ora, de volta à fraude.
Ainda se vai a um consultório, faz-se o que se tem a fazer, na hora de pagar pede-se o recibo. Lesta, ainda há sítios onde surge a sentença. Com recibo é mais Y por causa do IVA.
Vai-se ao restaurante, sacia-se a pantagruélica fome e nalguns casos “dromedariana” sede, pede-se a conta, as mais das vezes a mesma de cabeça ou feita num papelhucho, ora, noves fora, mais sete, são cinquenta e cinco euros, paga-se e porta fora.
Chama-se o picheleiro, o homem aparece quinze dias depois do dia prometido e depois de quase cem telefonemas, olha para aquilo, coça, conforme a educação, a cabeça ou os tarecos, e lá sai a solução: é preciso isto e isto. Quer com recibo ou sem recibo? Sem recibo, sem recibo!

Consta por aí que agora em muitas empresas pagamentos e quejandos só em “el contado”, nada de cheques ou afins. Cuidado, que eu disse consta…
E assim se foi engrossando a economia paralela, um “bas fond” económico feito de chicos espertos e patos bravos que, à custa da nossa escassa ou nula consciência cívica, se foram abotoando com grossas maquias.

Sabedor disto tudo, e quiçá de muito mais, Amaral Tomaz, cavalheiro que é secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, afirmou que “em Portugal, contrariamente ao que é a ideia generalizada, enraizou-se a convicção de que as grandes empresas não cometem fraude fiscal, mas a realidade é diferente do que se pensa”.

Passou-se… pensei eu.
Então o homem sai-se com uma destas e não põe preto no branco o que se passa?
Ou será que há dados concretos e fiáveis que não podem ser revelados?
Aliás, a dita Operação Furacão produziu que resultados, senhor Secretário de Estado?

A verdade é que, ante estas declarações, que põem em causa a sacrossanta iniciativa privada, o Santo Graal do nosso século que tudo há-de resolver, logo se empertigaram alguns.

“O secretário de Estado abusou um pouco, porque só os tribunais podem dizer o que é fraude fiscal" afirmou Van Zeller, homem forte da CIP. E tem razão. Muita.

Fiquei foi depois perplexo com duas afirmações que o mesmo produziu.
Uma foi a de que “existe planeamento” fiscal dentro das empresas, “mas tem de ser feito dentro da lei”.
Sim senhor, há planeamento fiscal mas tem de ser dentro da Lei. Ou seja, há quem o faça fora da Lei. Certo?
E quem conseguir planear dentro da Lei, está perdoado ao abrigo de quê? Só se for lá do “ladrão que rouba ladrão…”
Depois, e numa atitude que parecia ser a de sacudir água do capote, ainda afiançou que isso da fraude fiscal que há é com o sector da construção civil.

Vá lá, não falou dos trabalhadores por conta de outrem…
Nem dos funcionários públicos.

Reagiu a Federação Portuguesa da Indústria, Construção e Obras Públicas que o que a CIP devia ter feito era colocar-se ao lado dos visados e não corroborar o governante.
Parecia aquelas virgens ofendidas…

Veio a CIP, outra vez por Van Zeller, pacificar as hostes dizendo que estavam lá mais para além do sector da construção civil.
A Mónica Sintra (acho eu) cantava “afinal havia outra…”; aqui parece que é mais “afinal há outras…”.

Eu já adivinho os efeitos que daqui advirão… vão apertar as fiscalizações a quem não consegue fazer planeamento fiscal.
Ou criar uma comissão.

Uma comissão, caso não saibam, em Portugal é uma espécie de analgésico.
Proclama-se indignação ou estupefacção.
Anuncia-se uma comissão.
E todos dormem sossegados.
Até os da comissão!

Entretanto, soube-se também que gerir a RTP e a futura sociedade anónima que ficará com as estradas portuguesas é a mesma coisa.
E eu por acaso acho que o Governo tem razão na escolha de Almerindo Marques.
Aquilo é quase buraco por buraco…

Anuncia-se uma revolução tranquila…

http://sempenas-ant.blogspot.com;
http://dooutromundo.blogspot.com;
http://blondwithaphd.blogspot.com;
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http://wwwpoetisar.blogspot.com;
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http://pecados7mortais.blogspot.com;
http://conversasdexaxa4.blogspot.com;
http://valoresportugueses.blogspot.com;
http://adrianeites.blogspot.com

São estes os que, para já (há gente que ainda não respondeu), aderiram a um desafio lançado por estes imperialistas (como diz o António do “sempenas-ant) à blogosfera.
Dia 25 de Novembro !

Os lamentos de Sócrates e a estupidez contra a blogosfera

Para todos os dias se colocar um texto, é preciso estarmos actualizados. Certo?

Ainda por cima,notícias e desgraças para se escrever são constantes. Certo?

E eu todos os dias vejo e leio notícias como todos os portugueses. Certo?

Pois ao percorrer os sites noticiosos, topo com uma (do "Expresso") que titulava sobre o Primeiro-Ministro e líder espiritual deste país: "Sócrates considera absolutamente lamentável".

Ingénuo, sim, porque eu ainda acredito no Pai Natal e aguardo que me traga um SLK igual ao do António, lá do blogue "SemPenas", achei que o Sr. José Sócrates vinha finalmente lamentar-se da situação deste País.

Antes de ver a noticia, resolvi lançar um desafio a mim mesmo e escrever num bloco de notas que costumo trazer no bolso das calças de que factos é que o Sr. Primeiro-Ministro se podia lamentar e considerando apenas as notícias do dia.

Primeira: Seria a presença intimidadora da Polícia de Segurança Pública (PSP) à porta da "ValorSul", durante a greve de ontem?
Errado. A polícia afirma que actuou no sentido de permitir a abertura das instalações em segurança e de as manter abertas, tendo reposto a normalidade".
Eu,ingénuo, acredito. Pois...

Segunda: Lamentaria o seu ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que constantemente muda de posição, seja em relação à OTA, a Alcochete, ao número de anos da concessão à EP, seja a qualquer outro assunto?
Errado. Aliás, acho que ele faz de propósito para ver se a reforma chega mais cedo. É que para ministro a vocação é pouca.

Terceira: Estaria a lamentar que se tenha gasto em Lisboa, milhares de euros em estudos para o Parque Mayer, tendo-se inclusive contratado um arquitecto de renome e agora se tenha jogado tudo para o lixo?
Neste caso muito bem, se calhar depois de tantas críticas, acharam que deviam dar a voz ao povo através de um concurso de ideias…
Também o que interessa uns milhões desperdiçados, já se desperdiça tanto por ai?

Quarta: Seria um lamento por o Sr. Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Amaral Tomaz, ter afirmado que a fraude fiscal em Portugal tem características diferentes da de outros países, pois as grandes empresas também estão envolvidas em fraudes
Neste caso a lamentar a ingenuidade do Sr. Amaral Tomaz, por só agora ter descoberto semelhante coisa e ainda por cima ter afirmado que somos diferentes dos outros, sim porque só por ingenuidade se pode afirmar que, lá fora, não existe fraude fiscal em grandes empresas.

Como fiquei sem mais ideias resolvi ler a noticia.

Afinal o Sr. Sócrates lamentava que o Sr. Filipe Menezes ponha em causa o pacto para a Justiça.

Para quem não sabe, pacto para a justiça é um acordo, negociado pelo PS e pelo PSD, que contem um suposto entendimento com umas directrizes para a Justiça, que serve unicamente para levar assinaturas de líderes políticos por baixo, com direito a uns sorrisos, umas belas fotografias, podendo ser mandado às "urtigas" a qualquer momento.

Resumindo, coisa de pouco interesse.

Já que o Sr. Primeiro-Ministro se lamenta, eu também me vou lamentar contra a estupidez italiana.

Não é que em Itália foi apresentado um diploma que tenta "colocar na linha" os blogues?

Segundo esse documento, a ser aprovado lá por aqueles lados, os blogues passariam a estar sobre alçada de uma entidade.

Para funcionarem teriam de ter um certificado, estariam sujeitos ao Código Penal e, pasme-se, pagariam impostos.

Como isso ainda não chegou por cá, tenho esperanças que não chegue, aproveito a ocasião para dizer umas palavras aos senhores italianos, que tiveram essa ideia: burros, estúpidos, idiotas, camelos...

Desculpem-me, mas fiquei revoltado e um pouco apreensivo, como todos sabemos existe uma tendencia europeia de seguir maus exemplos.

Aeroporto, Ota, Alcochete? Construam-no, porra!

Um ilustre causídico da terra em que habito, e que ao caso para aqui não é chamada, e que fez uma carreira de um só pé na política do burgo (digo um só, porque o outro esteve sempre fora), costumava recorrer à expressão “isso são lá guerritas de campanário” quando pretendia discorrer sobre polémicas de “lana caprina”.

Ora, penso que a guerrilha que para aí vai a propósito (ou será a despropósito?) do novo aeroporto atingiu o ponto das ditas “guerritas de campanário”.

As balizas estão, neste momento, em Alcochete e na Ota, mas desconfio que ao ponto que o torpedeamento chegou também podiam estar nos confins do Cochinchina e nos arrabaldes de Kinshasa. Iria dar tudo ao mesmo.

Como sabem, o nosso Governo apostaria na Ota, com Mário Lino à cabeça.
Ele já se via, qual cavaleiro das obras públicas de napoleónico porte, a lançar a primeira pedra, a apanhar o primeiro avião, a vender o primeiro bilhete… enfim, andava o homem assim embalado no suave encanto de um devaneio (caro, diga-se) quando lhe apresentam, de bandeja, um estudo.

Era a CIP que lhe batia estrondosamente à porta. Podiam ter feito como as palavras do poeta e ter batido leve, levemente mas não… bateram com estrondo que é como as bravatas do nosso patronato se apresentam.

Irritado, condescendeu. Ponham isso aí. Darei uma real vista de olhos quando me aprouver.

Diligente, dizem as más-línguas, que são precisamente as que afiançam que há muito desespera o chefe por o mandar pregar para outra paróquia, terá tamborilado a calvície e descoberto a pólvora. Encomendo outro estudo. Um assim a dar naquele e vou fazendo de conta que inocente informação sai. Melhor. Negoceio a distribuição a conta gotas.

E assim se desenrolava o jogo no meio campo, assim tipo Ota para Alcochete, uma finta, rodopia, passa para Ota, a Ota avança, olha e passa para Ota… pedimos desculpa pela narração mas o Gabriel Alves estava impedido e o lance teve de ser narrado pela prata da casa. Que é de lata!

Como a coisa andava ali pelo meio campo e ameaçava dali não sair, Menezes (o novo lateral direito do plantel) ensaiou uma descida galopante pela sua faixa discorrendo que se já está decidido que o aeroporto é na Ota, então não vale a pena fazer as pessoas perder tempo e estar a gastar mais dinheiro.

Atenta, a equipa da casa, fez-lhe sair ao caminho o carregador de piano de serviço. Sócrates “himself” veio lesto a terreiro falar em pressões sobre o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e que com ele não havia pressões. Nem muitas, nem poucas. E é capaz de ter razão o homem. Tem fama de obstinado, impaciente, teimoso, persistente…

Castiço isto, não?

Um país como o nosso, onde o que menos abunda são recursos financeiros, anda a saltitar alegremente de estudo em estudo, e cada qual com vantagens tais que nem nos épicos tempos das lojas dos trezentos, como se construir um aeroporto fosse como construir um galinheiro.

No fim, quando houver aeroporto, gostaria que se revelasse à Nação quando custaram os estudos, projectos, bitaites e afins para o dito cujo. A sério. Ainda íamos descobrir que dava para fazer umas quantas escolas. Um dois hospitais. Um comprar uma frota inteirinha de Audi’s todos artilhados para um Ministério.

Eu, por acaso, até era capaz de propor que, estando a coisa assim difícil, ficassem por uma solução mais em conta.

Construam o TGV que a malta cá se arranja, em Vigo ou em Barajas sempre arranjamos um avião para o destino que queremos.

Quê? Ai não pode ser?

Então, e de uma vez por todas, lembrem-se que para brincarem aos aeroportos têm aquelas peças chamadas LEGO. No resto, construam-no.
Aliás, já há quem afiance que o local é indiferente quando o principal problema é o atraso que o processo já leva.
Curiosamente, no meio desta bernarda, há uma voz que quase ninguém quer ouvir. E que é a de Jorge Gaspar, que coordenou a equipa técnica do Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território (PNPOT).

Este geógrafo, professor catedrático aposentado, considera mesmo que “todo o processo é vergonhoso”, pois “nunca foi feito um estudo de custos/benefícios para a Ota”.

As grandes dúvidas que considera existir ainda em relação à Ota é a da relação custos/benefícios, que nunca foi estudada, bem como a possibilidade de expansão – que diz não ser impossível mas comportar custos mais elevados do que as outras opções.

Por outro lado, a localização na Ota serve “muito bem” a área metropolitana de Lisboa, mesmo “melhor do que Alcochete”.

O estudo promovido pela CIP é elogiado pelo geógrafo no que respeita ao capítulo ambiental, mas “o capítulo sobre acessibilidades levanta muitas dúvidas por falta de informação”.

Quanto aos interesses que diz que terão promovido agora a opção de Alcochete, diz que serão legítimos, como todos os outros, mas acha que se é para considerar novas opções por uma questão de custos então há que olhar para outras localizações viáveis no eixo do Tejo, mesmo em terrenos do Estado.

Ninguém quer ouvir melhor o homem? Não? Bem me parecia!

Ah, já me esquecia, o Governo concessionou as estradas nacionais por 75 anos.
Rejubilem, senhores. Deitem foguetes. Vão-se acabar os buracos e outros perigos nas nossas estradas. Pois, se agora são “privatizadas”…

Público e privado eis a questão

Seja qual for o modelo de sociedade que se pretenda, a globalização dos mercados e as novas tecnologias de informação, determinam uma nova forma de redimensionamento do mundo.Nada poderá ser como dantes e os governos e os países são forçados a prepararem-se para responder aos novos desafios da modernidade. A intensificação da mobilidade, e das relações de troca, e uma comunicação, que mostra cada lugar do globo, mudaram, irreversivelmente, a face da terra.

Manuel Castells (End of Millenium) defende que a queda da ex-URSS se deveu, essencialmente, ao facto desta não ter conseguido abrir-se e adaptar-se à nova era da comunicação.

Uma maior concorrência, e uma maior necessidade de produtos competitivos, obrigam as organizações a uma lógica de racionalidade até então desconhecida. As empresas de grande dimensão, que englobavam unidades distintas de serviços, foram forçadas a redimensionar-se criando uma lógica empresarial, mais flexível, que lhes permita resistir às pressões de um ambiente cada vez exigente e competitivo. Grandes empresas foram abrindo mão de algumas áreas específicas, que não se enquadravam na sua racionalidade, e optaram por contratar serviços de empresas especializadas. Estas empresas apresentam, como vantagens, um "know-how" específico que confere uma qualidade acrescida aos produtos que disponibilizam, aliados a um mais baixo custo potenciado pela racionalização dos meios.

Assiste-se, assim, ao desmembrar de empresas, em pequenas unidades de gestão empresarial, vocacionadas para nichos de mercado muito específicos.
Por muito que se questione, esta é a única forma de qualquer organização reagir e sobreviver num ambiente, em permanente mutação, e sempre a impor novos padrões de qualidade. Todas as organizações, mesmo as de carácter social, sabem que, actualmente, só sobreviverão se conseguirem convencer os seus "targets" de que a sua existência se justifica através de uma oferta diferenciada num mercado exigente.

A empresa orientada, segundo a "one best way", deixa, assim, de ter lugar e o mundo empresarial sofre profundas mutações nomeadamente a nível dos sectores do Estado. As reorganizações sucedem-se com vista a formar unidades específicas, com lógicas de gestão direccionadas, e que exigem competências para as quais muitos trabalhadores não estavam preparados. Estas unidades de gestão, que evoluem para a autonomia, ficam, através de uma lógica empresarial de gestão, em condições de passarem, sem descontinuidades, para a iniciativa privada.

Em Portugal, e porque tem faltado um planeamento estratégico adequado, assiste-se a um medir de forças entre os quadrantes políticos que defendem as privatizações a eito e os que defendem que tudo fique no Estado. Assim, nunca se assumiu, de forma transparente, o que deve, ou não, ser privatizado.

Vejamos dois exemplos: o das águas e o dos canais públicos de televisão.

O caso das águas é dos mais sensíveis pela importância estratégica, deste produto, na vida das populações, no desenvolvimento do País e no poder que o seu domínio confere. Recordo uma tese de doutoramento de um inglês, de Oxford, que defendia que, quem tem o poder sobre a água, tem um domínio absoluto. Na mão de um privado, em grande ou pequena escala, sempre que esse privado pretender uma reivindicação, o facto de poder cortar a água a uma população ou a um País, põe os governos ou as autarquias de joelhos.

Já diferente se passa com a televisão pública que, tal como muitas empresas públicas, se tornaram pólos de concentração da clientela partidária servindo interesses discutíveis da mais variada ordem. Transformaram-se também, nalguns casos, em sorvedouros dos dinheiros públicos enquanto os contribuintes, vendo agravados os seus impostos, não beneficiam das vantagens correspondentes. Temos o caso da RTP em que cada cidadão paga, anualmente, 21,35€ dos seus impostos
(225.000.000€/10.536.000 habitantes) de indemnização compensatória o que, se tomarmos como base a população activa (225.000.000€/5.523.000) subirá para qualquer coisa como 40,73€.

Porém, e porque nada é linear nem mesmo o que à primeira vista parece pacífico, um plano sobre o que deve, ou não, ficar sobre a alçada do Estado, carece de um planeamento estratégico definido, discutido e divulgado junto da opinião pública com isenção e transparência.

É que, o que pode parecer de somenos importância, representa toda a vida e futuro de um povo. E a vida e o futuro de um povo não podem ser decididos nos gabinetes, longe dos olhares e das vozes a que respeitam.

O PSD, o Figueiredo e a "medíocracia" lusa!

Quase em simultâneo, o PSD deu-nos provas de que convive diariamente com duas faces.
Luís Filipe Menezes defendeu, no encerramento das jornadas dos Trabalhadores Sociais-Democratas (TSD), que a reforma e modernização da administração pública devem ser alvo de um debate alargado, propondo ao Governo que negoceie a longo prazo com os trabalhadores.

Na Madeira, mais uma vez, o PSD regional prepara nova afronta ao Tribunal de Contas.
Lembram-se de aqui há uns tempos atrás nos termos excitado e alguns até ululado com a perspectiva de na Assembleia da República cada deputado poder passar a dispor de um assessor?

Pois bem, lá pela Madeira, noticiava o “Público” de ontem, os sociais-democratas preparam um reforço das subvenções atribuídas aos grupos parlamentares de função do número de deputados.
Isto um ano após na mesma casa se ter aprovado uma Lei Orgânica da Assembleia Regional que aumentou em 44% as subvenções aos partidos com assento no hemiciclo regional.

A fatia representa a bagatela de 6,2 milhões de euros e, apesar de terem reduzido o número de deputados em 1/3, os “laranjas” locais querem arrecadar 4 milhões para si, deixando ao segundo partido mais representado na Assembleia 800 mil euros.
De acordo com esse insigne vulto da democracia nacional chamado Jaime Ramos, “a lei vai beneficiar todos, mas especialmente os mais pequenos”.

É, o PSD tem destas coisas.
Menezes tem razão no que disse, mas ali mais para Sul os seus correligionários arranjam sempre maneira de borrar a pintura.
O Governo da República, na sua alegada labuta de moralização da Administração Pública, essa cáfila, esqueceu-se, por exemplo, a propósito da que irá ficar tristemente célebre Lei da Mobilidade de auscultar, como é imperativo legal, os órgãos da Administração Regional.

O Governo da República conseguiu insuflar nos ouvidos dos portugueses que os funcionários públicos são uma súcia, todos, uma corja de mentecaptos, alguns, calaceiros, outros, corruptos, também alguns poucos, e privilegiados, todos.

Alegremente os portugueses deixam-se ir atrás e suspiram “ai se isto fosse privado”… esquecendo-se que o picheleiro que é hoje, depois é amanhã e daqui a quinze dias ainda não apareceu não é funcionário público, que o patrão que ostenta o último grito da Mercedes enquanto a mulher abana e pavoneia o silicone não é funcionário público mesmo que se esqueça de pagar à Segurança Social, ao Fisco e aos trabalhadores…
Mas ainda se poderão alegrar mais quando lhes sair na rifa a já quase anunciada privatização das estradas nacionais, das captações, distribuição e abastecimento público de água…

O nosso Governo, o nosso Estado, tem este condão.
Maltrata os seus, desbarata os que têm méritos afirmados, firmados ou que os poderiam firmar, optando por gastar no e com o privado milhões em pareceres, estudos, consultoria e afins.

Ultimamente, deu-lhe ainda uma espécie de diarreia legislativa.
No sector da Administração Pública há um senhor chamado qualquer coisa Figueiredo, que é secretário de Estado de qualquer coisa, mas que eu penso ser da Insensibilidade, que se apresenta todo pipi ante as câmaras televisivas a dizer que negoceia isto e aquilo, quando na verdade a única coisa que tem feito é atropelar e impor.
Ufano, prepara uma revolução na Administração Pública que visa aproximar os portugueses. Por baixo, em tudo. Está claro.

E a inveja nacional aplaude. Preferimos mil vezes combater em prol do mal dos outros, do que suar as estopinhas pelo bem comum!

Mas, como dizia, enquanto Menezes falava, e bem, destas pressas, faltando-nos saber quanto daquilo é verdade e quanto é camaleónico dado que aos nossos políticos assenta como uma luva a máxima de “o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira”, os seus fiéis escudeiros na Madeira tratavam de mudar uma Lei Orgânica aprovada há menos de um ano e tudo em nome do benefício dos mais pequenos.

Lá está… é a teoria do País a duas velocidades na sua plena acepção prática.

Aqui critica-se as pressas legislativas (e bem, e bem), mas lá faz-se ouvidos de mercador ao que o chefe diz e altera-se, muda-se como quem troca de camisa. Enquanto as houver e não nos virmos todos, funcionários públicos ou não, na contingência de nos apresentarmos como aquele personagem de uma comédia italiana (penso que Totó) que vestia fato, gravata e camisa mas esta última só tinha frente, colarinho e tiras a segurarem os punhos!

Alberto João Jardim e os lacaios.

Já sabemos que o Sr. Alberto João Jardim, aos olhos do continente, se tornou uma figura de animação, ou seja, quando isto está sossegado, eis que ele surge para animar a coisa.

Desta vez veio a terreno criticar o facto dos três deputados do PS-Madeira terem aprovado o Orçamento de Estado, situação que já aqui foi objecto de análise pela minha parte.

O Sr. Jardim aproveitou a ocasião para, num estilo muito próprio, tecer alguns comentários sobre o assunto. “Eu sempre considerei o PS, desde que começou o processo de autonomia, os lacaios de Lisboa, sempre foi o partido representante de Lisboa, aqui, na Madeira”, afirmou. E ainda disse mais uma: “O que o PS pediu, também de uma forma fascista, foi que se reforçasse as polícias, tribunais e mais não sei o quê, portanto, tudo o que fosse aparelho repressivo do Estado”.

É nesta altura que termina a animação, pois de facto este tipo de conversa já nos leva a colocar a coisa noutro nível.
Quem não soubesse diria que tais palavras foram ditas por um representante de um território, que está debaixo de ocupação armada, exercida por uma ditadura.

Grave foi também uma afirmação antiga do Sr. Jardim, que eu não me esqueci. "Este tipo de politica poderá acordar sentimentos adormecidos no povo madeirense".

Estas afirmações com segunda leitura secundadas por outras vindas dos confins do "jardinismo", dão que pensar.

É que tivemos direito ao aparecimento do Sr. Gabriel Drumond, deputado do PSD-Madeira, que para não ficar atrás do seu “guia espiritual”, avançou com uma ainda mais grave “se os poderes legislativos que a Madeira reivindica não forem satisfeitos, a solução é a Assembleia Legislativa, eleita para defender os interesses do povo da Madeira e do Porto Santo, declarar unilateralmente a independência”.

Parece-me que este Sr. Drumond limitou-se a dizer aquilo que o líder não diz publicamente. Será, pois, carne para canhão, porque é preciso ser-se muito estúpido para não saber que só esta frase dá motivos para ser processado criminalmente.

Para completar este “lindo” quadro, todos os dias somos brindados com notícias sobre os “atropelos políticos” que são feitos na Madeira pelas forças que controlam o poder da região.

É claro que muitos vão dizer que se trata do folclore do costume, que já estamos habituados à figura, mas eu discordo. Ao longo da história sempre tivemos figuras destas e que se tornaram casos complicados.

Nesta altura seria necessário fazer umas perguntas, sendo que aqui deixo algumas:

Sr. Jardim, diga de uma vez por todas se quer a independência ?
Qual é o seu sonho, uma região autónoma em pleno ou uma Cuba de Direita na Europa?
E já agora, onde é que arranja esses papagaios que falam por si ?

Aguardam-se respostas!

"Quo vadis" petróleo e 61.893 folhas de Mr. Paulo?

Caminhamos para onde com uma economia que assenta muito no consumo de combustíveis fósseis quando o preço do petróleo já está 52% acima do marcado no início do ano corrente?

Em Dezembro de 2006 foi a fasquia dos 60 dólares que foi ultrapassada e desde aí que o ouro negro persiste numa escalada que já atingiu os 93,21 dólares.
O mercado, expectante, aceita apostas para saber quão breve está o dia em que a mítica barreira dos 100 dólares vai ser ultrapassada.
Mas o próprio mercado já antecipa que isso é apenas um ponto num percurso que nos fará sentir saudades desse mesmo preço.

A actual alta de preços encontra explicação no aumento do consumo na Índia, China, Médio Oriente e Rússia.
Há depois que considerar que a subida exponencial do consumo não foi acompanhado por suficiente investigação e investimento em novas tecnologias e equipamentos que permitam superar as dificuldades que a extracção de petróleo em circunstâncias cada vez mais adversas coloca.
Presumo ser excessivo apontar ou desconfiar de algumas manobras de bastidores tendentes a inflacionar ou dar uma ajuda nesse sentido a personagens de referência no panorama político norte-americano, por exemplo, e cujas ligações e interesses no mundo do petróleo são por demais conhecidas.

Portugal, como se sabe, é um país extremamente vulnerável a estas flutuações nos mercados do petróleo sejam o de Nova Iorque ou o do mar do Brent.
Para já, e porque a grande maioria das transacções são efectuadas em dólares, a valorização do euro face à moeda norte-americana tem servido de almofada de conforto.
Mas, tarde ou cedo, teremos de pagar a factura desta caminhada galopante.

São, pois, péssimas notícias e um horizonte cinzento que se antecipam para os consumidores e empresas portuguesas.

Penso que nem a descoberta de petróleo no poço Tupi Sul, ao largo da bacia de Santos, no Brasil, nos ajudará por aí além.
A nossa Galp tem lá uma posição de 10% naquele campo e estará em condições de nos abastecer generosamente durante largos anos.

Se as coisas correrem mesmo bem, a nossa petrolífera pode estar ante uma descoberta que vale 54,2 mil milhões de euros.
Parece que é só 1/3 da, da riqueza produzida anualmente em Portugal.
Mas os que já rejubilam devem antecipar que, na melhor das hipóteses só lá para 2011 (a correr mesmo muito bem) é que começará a jorrar petróleo dali para fora.

Independentemente de tudo, é sempre uma boa notícia e permitirá até algum conforto a Portugal nesse mundo volátil dos negócios do petróleo.
E poderá ajudar até a diminuir quaisquer receios de ofender Chavez que, na Cimeira Ibero-Americana, fez o que fez e ainda teve tempo para reafirmar que se reserva o direito de fazer e dizer o que bem entende.

Ao caso, Chavez chamou “fascista” a Aznar.
Não morro nem nunca morri de amores pelo homem, mas creio que Zapatero teve a atitude que se exigia e impunha. Aliás, reconhecida publicamente por Aznar.
Pior esteve o monarca espanhol que ia descendo ao nível de zaragata de peixeiras!

Não finalizo sem uma dúvida: para que raio guardava Paulo Portas 60 e tal mil documentos pessoais no gabinete do Ministério da Defesa e porque tiveram de ser digitalizados se eram pessoais?
Alguém sabe a resposta?

Nós (sociedade civil) fazemos a nossa parte, Presidente Cavaco!

Na abertura da Cimeira Ibero-Americana, a decorrer em Santiago do Chile e que tem por tema a coesa social, Cavaco Silva defendeu um novo papel para o Estado no combate à pobreza.
No entender do Presidente da República português o papel assistencialista já não é suficiente.

Se insistirmos muito nas velhas políticas de redistribuição de rendimento, se confiarmos exclusivamente na acção do Estado e na protecção assistencialista de outras épocas, dificilmente poderemos cumprir o desígnio de termos sociedades mais coesas, mais equitativas e mais justas, defendeu.

Para alcançar este objectivo “é preciso envolver todos, porque todos são responsáveis e a todos os níveis”.
“Na responsabilidade cívica dos cidadãos, nas redes de solidariedade e entreajuda, na coesão das comunidades locais, na maior eficácia das políticas sociais e na própria cooperação internacional”, apelou.

Cavaco Silva citou os exemplos da Índia e da China para sustentar as suas ideias, considerando que o melhor caminho para promover a inclusão social e combater a pobreza é a educação e formação profissional.

Depreendo que com esta posição, Cavaco Silva não esteja a aderir às teses que pugnam pela liquidação sistemática do papel do Estado na promoção de políticas de intervenção e correcção de assimetrias sociais, alegando-se quase que cada um olhe por si e ninguém olhe por todos.

Não. Entendo, isso sim, que estava a chamar a atenção a cada um de nós para a necessidade de considerar que todo o ser humano é nosso irmão. E que a exclusão, sob as mais variadas formas, nos pode subitamente bater à porta.

E, convenhamos, há formas de exclusão que não dependem unicamente da nossa vontade.
Quando o desemprego bate à porta de um agregado familiar, porque a multinacional para a qual trabalhavam decidiu encerrar a fábrica e ir para Leste a culpa é deles?
E quando o parco subsídio de desemprego não estica e não lhes permite ombrear com as despesas do mês, a culpa é deles?
E quando as portas se fecham porque a idade já não é a melhor para o mercado de trabalho, a culpa é deles?

E não há aqueles que fazem da rua o único destino das suas vidas tendo sido já senhores do destino de outros?
E digam-me, quantos empresários ou patrões dariam trabalho a um desempregado e sem-abrigo que tivesse a felicidade de conseguir transpor as portas ou os portões da empresa?
Pois se qualquer um quando vai a uma entrevista profissional procura caprichar no visual…

A sociedade civil tem vindo, desde há muito tempo, a dar respostas de apoio e solidariedade nos mais diversos domínios.
Das misericórdias às instituições particulares de solidariedade social.
Nalguns casos, substituindo-se mesmo ao Estado que se revela incapaz de atender a todos e a tudo. Da infância à terceira idade.

Quantas famílias deste País encontraram resposta a necessidades tão simples como um infantário, um centro de estudos ou um atelier de tempos livres em espaços de exclusiva promoção da sociedade civil?
Quantas famílias deste País, confrontadas com a necessidade de assegurar cuidados médicos continuados a familiares, encontraram resposta a essa necessidade em equipamentos de exclusiva promoção da sociedade civil?
E quem iniciou o projecto do Banco Alimentar?
E quem são os que nas ruas das grandes urbes andam à noite a distribuir alimentos, agasalhos e algum conforto aos deserdados da vida e da fortuna?

Por isso, quando o Presidente da República apelou à responsabilidade cívica dos cidadãos poderia bem ter mencionado casos destes e que tão bem conhece para exigir que os estados e os governos não se alheiem das suas responsabilidades.

Assim como quando apontou os exemplos chinês e indiano, bem poderia ter apontado exemplos vivos de apostas numa educação de qualidade e capaz de responder às necessidades do tecido produtivo local que as escolas profissionais deste País vêm dado há bastantes anos.

Paradoxalmente, este subsistema de Ensino que o Estado incentivou e apoiou está agora sob a ameaça de vir a ser liquidado pelo mesmo Estado. Explico. Depois da asneirada de se ter feito tábua rasa do ensino das ditas escolas técnicas e comerciais, Joaquim Azevedo (então ligado ao GETAP, Gabinete do Ensino Técnico, Artístico e Profissional) foi um dos motores da aliança entre a sociedade civil e o Estado na refundação do ensino profissional entre nós.

Naturalmente que quase todos os projectos envolveram parceiros públicos e privados e contaram com o apoio de financiamentos públicos. Com resultados que estão à vista de todos. Das escolas profissionais que conheço, poucas são as que não conseguem encontrar respostas no mercado laboral para os seus formandos.
Pois bem, o mesmo Estado que as criou está agora apostado em liquidar anos de experiência e de investimento ao transferir essa aposta para a escola pública. E pelos piores motivos.
Tendo-se instalado a ideia que só os maus alunos vão para a via profissional, logo ali, alguns desses inteligentes que pululam pelos corredores esconsos das estruturas onde se pensa, sua e transpira “eduquês” ali lobrigou uma forma de melhorar números e estatísticas. Criam-se cursos profissionais nas escolas secundárias, manda-se para lá os maus alunos e baixa-se o nível de exigência. Problema resolvido.

E ainda andam para aí todos zangados com o novo Estatuto do Aluno?

PS Madeira e Alegre, hirtos e firmes? Pois sim...

Tenho notado ultimamente que, pelo menos nos blogues que leio, apareceu uma vontade de debater a sociedade e este mundo.

Comecei a sentir um espírito de luta e opinião cívica que, sinto-o, estava um pouco adormecida no nosso País e que muitos fazem de tudo para esmagar.

No entanto, também se nota noutros lados mais mediáticos o aparecimento de "críticos" da situação, assim como os chamados movimentos cívicos. Parece-me contudo que, e para meu desapontamento, tudo ou quase tudo não passa de "fogo de palha".

Numa altura em que o Estado ganha tiques de autoritarismo, tentando controlar tudo, surgiram algumas vozes discordantes, vozes, essas que se colocam acima dos partidos políticos e que, nalguns casos, se auto-proclamam a voz do povo.

Isto tudo vem a propósito das situações que surgiram ontem sobre a liberdade de decisões das pessoas que, em ambos os casos, ocupam lugares políticos, falo concretamente dos deputados eleitos pelo PS-Madeira e do Sr. Manuel Alegre.

Na primeira situação temos a disciplina partidária. Para quem não sabe trata-se de algo inventado pelas direcções dos partidos, onde se diz aos deputados que, quando chegar a altura das votações, eles estão lá para acenar conforme a direcção do partido mandar.

A propósito da disciplina partidária, penso que impõem umas perguntas:
Serão os partidos donos dos lugares dos deputados?
Serão os partidos donos da opinião dos deputados?
Mas, para alem de terem sido eleitos por um partido, não terão sido eleitos para defenderem as suas regiões?
Terão os partidos medo de opiniões diferentes?

A segunda situação refere-se a especificamente aos deputados que dizem sim ou não conforme lhe mandam, mas depois fazem as já famosas declarações de voto.

Será possível dar credibilidade a alguém que acena conforme o que lhe mandam e depois numa declaração de voto arrasa totalmente aquilo com que concordou?

Quando uma pessoa faz alguma coisa que vai inteiramente contra tudo aquilo em que acredita, considerando que o que vai ser aprovado é desastrosos para o País, que vai tornar Portugal ainda mais pobre, vai atacar os reformados, que vai penalizar os pobres e os desprotegidos, finalizando com a frase "De que serve termos um défice de 3 por cento se continuamos a ser o país mais pobre da Europa e o mais desigual a distribuir a sua riqueza?" - Manuel Alegre, fica como?

Ao dar a sua aprovação, tendo dito o que disse, nessa altura não perde perante o povo toda a voz critica que reclama, mostrando que afinal existem coisas mais importantes que ter uma coluna vertebral?

Está na altura dos cidadãos não se esquecerem destes pequenos grandes pormenores, de pararem de aplaudir e acenarem com a cabeça, de em troca de umas esferográficas, sacos de plástico e autocolantes, na altura de votarem sofrerem de amnésia!

Teixeira acena com baixa de impostos, Sócrates malhou e Santana "comeu"!

Se Portugal fosse um país onde se quisessem discutir coisas a sério e de modo sério, então ter-se-ia de estar, neste momento, a discutir a substância do Orçamento de Estado e não a forma da sua discussão.
Contudo, ainda ontem à noite, nalguns canais televisivos se discutia se A tinha brilhado, se B tinha esmagado e se C mandava ou não.

Deram-se umas pinceladas sobre o facto de o ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos, ter dito peremptoriamente que “graças aos bons resultados que já se obteve até este momento em matéria de consolidação orçamental e se continuarem a verificar-se resultados análogos aos actuais no futuro, a data [para uma descida de impostos] poderá ocorrer breve".

Asseverou, contudo, que o Governo não poderá entrar em veleidades e descer os impostos fora de tempo.

"Admito que, até ao final da legislatura, se houver condições, essa é uma possibilidade que pode ocorrer. Mas essa não é uma promessa que esteja em condições de fazer", salientou.

"Como qualquer ministro das Finanças, tenho o desejo de dar aos portugueses um alívio da carga fiscal, mas isso dependerá da forma como evoluir a economia e o esforço de consolidação orçamental", reforçou.

Mas, sobre isto, entretiveram-se os jornalistas a tentar convencer-nos que de manhã tinha dito 2010 e à tarde 2009!

O Partido Popular, mostrando que faz melhor os trabalhos de casa, avançou com um conjunto de propostas que visam reforçar as garantias dos contribuintes face ao Fisco.

Sobre isto, nada!

Na véspera ficara-se a saber que:

- Vai haver vacina gratuita para o cancro do útero;
- Comparticipação nos tratamentos de infertilidade e,
- Programas de saúde oral para grupos considerados problemáticos.

Questões como estas deviam marcar a agenda noticiosa, dos comentadores e dos analistas, e não a excitação resultante do regresso do nosso “come back kid”: Santana Lopes.

Havia quem esfregasse as mãos de contentamento com a tenaz que, qual movimento da célebre “blitzkrieg” que os “panzers” usaram, iria trucidar Sócrates…
Aliás, ainda ontem Helena Lopes da Costa se esforçava por convencer a Nação que Santana estivera brilhante nos dois dias!

"Que ironia amarga, senhoras e senhores deputados, ver agora a Direita ser liderada pelos mesmíssimos responsáveis por aquele que foi um dos maiores fracassos governamentais da democracia portuguesa", anunciou quase a abrir Sócrates atraindo assim Santana à armadilha.

Santana ainda ensaiou a fuga para a frente (recorrendo mesmo àquilo que certamente ouvira a Cavaco Silva quando este referia que já Sá Carneiro dizia que qualquer Governo, ao fim de meio ano, deveria deixar de falar mal do seu antecessor e começar a governar), mas não resistiu.

Viria a admitir no final que o debate não "correu como queria" e pedindo "tolerância" para quem ainda se está a "adaptar" no "regresso a estas lides". Mas quem prometera que ia fazer e acontecer fora ele. Na véspera!

Esta é a maior confissão de fraqueza que se pode dar!
Doa a quem doer, e sei que a alguns dos leitores assíduos deste recanto vai doer, mas é verdade.
Um tribuno e um político não podem permitir-se a um deslize tal…

Lobo Xavier ontem, na “Quadratura do Círculo”, quase dava a estocada final quando proclamava que Sócrates até havia poupado Santana.

Ana Sá Lopes, no “Diário de Notícias”, analisou bem a questão dizendo que “Santana Lopes tentou resistir, mas caiu na armadilha diabólica: o passado é o passado. Ao segundo «round» já estava embalado naquilo que fará os pesadelos da liderança de Luís Filipe Menezes nos próximos tempos: a urgência de lavar a sua imagem de Primeiro-Ministro e do épico Governo a que presidiu.

Acontece que o líder eleito nas directas, Luís Filipe Menezes, não fazia parte do velho PSD de Durão e de Santana. Por acaso, não estava lá. Era, na altura, um «outsider».

O que até lhe podia valer na vantagem com Sócrates será desbaratado sempre com a imagem do animal ferido, ziguezagueando entre 2005 e 2007”
.

Continuo e continuarei a insistir que Luís Filipe Menezes pode muito bem vir a transformar-se num caso sério, mas continuo sem entender a razão de não ter querido ir mais longe e ter cortado cerce com veleidades como as de Santana.

Mas quem deu mesmo a ideia perfeita da coisa foi Manuel António Pina, na edição de ontem do “Jornal de Notícias”. E com fina ironia.

Com a devida vénia, escreveu o mesmo que “(…) nas intervenções do Primeiro- Ministro, dava o Canal Disney e passava o filme de fantasia mais visto dos últimos dois anos, «O mundo perfeito», acerca de um país distante onde tudo corre bem e a cores, o Governo governa, não há pobreza, desemprego, insegurança, o Benfica ganha campeonatos, a Dra. Maria José Morgado prende árbitros, e toda a gente é feliz.

Sócrates calava-se, começava a falar a Oposição e, de repente, a TV saltava para um filme «gore» no Canal Action; (…) iria a ministra da Educação comer as criancinhas?, o ministro da Saúde conseguiria fechar mais maternidades e urgências e abrir mais morgues?, o ministro das Finanças iria apropriar-se, depois da carteira, também do cotão do bolso dos contribuintes?

Pedia a palavra Santana Lopes e via-se, alternadamente, uma comédia no Canal Happy e uma reposição de «O leão da Estrela» na RTP Memória”
.

Este é o retrato perfeito não só do que ali se passou, mas de todo um País que se rendeu, e já há muito, ao que é aparente, à vaidade do momento e ao fogo fátuo dos “flashes” das notícias. E à surdez de não saber, não querer e não conseguir ouvir os outros.

Que é, aliás, e quanto a mim, a maior maleita de parte do Governo e da estrutura cimeira do actual PS: o ter esquecido rapidamente os tiques de autoritarismo que tanta havia criticado (e nalguns casos justamente) nos governos de Cavaco Silva.

Vejam com atenção, leiam com atenção e digam depois quanto daquilo é notícia ou mera suposição!