Uma história de formação.

Numa conhecida empresa do País, sustentada com o dinheiro dos contribuintes, estava uma chefia em altas meditações logo pela manhã. O contínuo acabara de lhe colocar 2 grossos volumes enviados pela administração para que esta chefia escolhesse, para si e seus funcionários, os cursos de formação que pretendiam frequentar durante o próximo ano. Eram tantos os cursos e tão poucos os funcionários que a pobre chefe até trocava alguns dos cursos por um dos postos de trabalho que foram fechando a pretexto da contenção orçamental.
Bom, mas nós temos que ser modernos e a modernidade impõe formação contínua, pensa a dita chefia.
Analisa o perfil dos trabalhadores e as características do posto de trabalho, estuda os dossiers e conclui das necessidades básicas da formação.
Pouco depois de ter enviado a comunicação escrita à administração é lá chamada e depara-se com 3 caras de poucos amigos. Depois de receber uma reprimenda velada por ter escolhido tão poucos cursos de formação e por não se ter proposto a si própria para frequentar cursos, é a chefia informada da formação que ela própria teria que fazer.
Era uma vasta lista que deixou a pobre perplexa.
Um dos cursos que lhe foi imposto já tinha frequentado no ano transacto com boa classificação. Porém, quando alertou os superiores para o facto, foi-lhe dito que era mesmo assim.
A realidade estava sempre a mudar e nunca era de mais a actualização. O curso foi exactamente igual, dado pelo mesmo formador, e até os testes eram iguais. A dita chefia teve, por isso, a nota máxima em todos os testes.
Outro dos cursos que lhe foi destinado tinha a ver com uma matéria que até tinha sido objecto da sua tese de mestrado.
A chefia questionava-se sobre a sua necessidade de fazer formação sobre aquela matéria específica mas, como as ordens são para se cumprir, a pobre lá foi. Bem, mas qual não é o seu espanto quando se depara com a formadora de alguns dos módulos que compunham o dito curso: é que se tratava de uma das suas alunas a quem, na faculdade, em período pós-laboral, dava, a convite, aulas sobre aquela matéria.
Humildemente a chefia senta-se na carteira e recebe os ensinamentos da aluna. As voltas que a vida dá!...
Moral da história: vou deixar aos comentadores

21 comentarios:

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINT
Espero não ter estragado as Notas Soltas que são para mim uma grande referência.

Quintarantino disse...

Que nada.
Aos restantes visitantes: esta é a mais recente contratação. Uma craque! Como não podia deixar de ser.

Tiago R Cardoso disse...

Grande aquisição. Tudo em segredo, parece que tem mais.

Moral da história estamos em Portugal, claro se isso tivesse moral.

Carol disse...

Ah, pois é! O espectáculo fa formação contínua é assim em muitas empresas, acreditem! Até há aquelas que só entregam o certificado aos trabalhadores... Eles é que nem sabiam que que a tinham frequentado...

NINHO DE CUCO disse...

Pois é Carol, é assim como dizes exactamente. Também assisti a muitas dessas. E é por isso que se desclassificam os quadros. Muitos indivíduos de algumas dessas grandes empresas estatais são também donos de empresas de formação. E os dinheiros da UE para formação para onde vão?

NÓMADA disse...

Pois é preciso questionar as diferentes pistas deste artigo. a) Para onde vai o dinheiro do contibuinte (empresas deficitárias a esbanjarem recursos); b)A desvalorização dos quadros que até sabem e são competentes mas que temos que dizer que não sabem nada para lhes dar tanta formação que eles ficam sem saber por onde andam e depois criam um pretexto para encomendar estudos a empresas de consultoria deles próprios e dos amigos. E assim se gastam os milhões que recebemos de Bruxelas.

migvic disse...

Tenho alguma dificuldade em aceitar fazer coisas das quais não me fazem sentido.

Esta história não parece ter moral nenhuma.

NINHO DE CUCO disse...

O MIGVIC é certamente alguém que nasceu com o rabinho virado para o sol. Para sobreviver até há quem se prostitua.E não me venha dizer que não faz sentido nemhum e que a pessoa que o faz não tem moral. Quando se têm necessidades básicas por satisfazer e, ainda pior, se vêem pessoas que dependem de nós a precisarem, o MIGVIC não sabe o que é que se pode fazer. E vou dizer-lhe o seguinte: as pessoas que abdicam de si próprias até ao limite para ajudarem os outros são umas grandes pessoas. Quem as critica é que poderá não ser.

ALEX disse...

Esta história seria de rir se não desse vontade de chorar. Claro que histórias destas não acontecem em empresas privadas, só nas públicas em que se pode gastar à tromba estendida que o Zé Povinho paga e onde se põe amigos e comparsas tudo a mamae ad mesma vaquinha. Eu também podia contar histórias mas esta chega para exemplo.

GIL disse...

Que porra de história esta. Então a fualna vai receber aulas com a aluna? Isto é que é formação? Que máfia organizada é esta?

R@Ser disse...

Hummm.....Texto interessante.

Bjim

Boris disse...

O que aqui está escrito é de gritar oh da guarda. Se se passam coisas destas no nosso país estamos entregues aos bichos.

M.M.MENDONÇA disse...

Poede parecer uma história surrealista ma sacredito que não seja porque tenho visto e sabido de muita merda desta cá na base onde trabalho. Não posso é falar e como não posso, cala-te boca.

Mia - Castelo da Mia disse...

Dá para ficar revoltada, mas não surpreendida.
Beijo
Mia

Carol disse...

Pois é, Alex, aí é que tu te enganas! O exemplo que dei é de uma empresa privada... Quanto a si, Migvic, isto de falar é muito fácil. Mas há pessoas que dependem dos míseros slários que recebem para sobreviver. E, nessas situações, a moral e os valores têm que ser engolidos. E sabe Deus como isso lhes custa!

Joshua disse...

Belo texto! Bela denúncia, Silêncio Culpado.

Quanto à moral e ao conteúdo, a tristeza de sempre que parece não ter fim.

No lugar da funcionária, eu passaria a ter um certo terror repetitivo quando ouvisse a palavra 'formação'.

bjs

Márcio disse...

Para iniciar, espero que a estadia seja prolongada (sinal de sucesso)!
Em relação ao texto, ao conto, à especie de pensamento... É uma boa história para pensar e fazer pensar!

João Rato disse...

O que interessa é aproveitar os fundos europeus para a formação, o importante é que os funcionários frequentem acções de formação, é útil que algumas pessoas vivam da formação. A formação tem de ser um item essencial na avaliação. O importante é que exista avaliação.
E por aqui andamos a formar-nos e a avaliarmo-nos uns aos outros - o trabalho fica para depois!
Um abraço formativo

Um Momento disse...

Simplesmente fico atónita com determinadas situações com as quais me vou deparando
Formação deveria ser sinónimo de , não so dar continuidade a algo que por si só já se aprendeu , como também manter essa aprendizagem, quando me deparo com relatos deste tipo( que nós sabemos que há imensos!!)é mesmo de bradar aos céus.
Há empresas que pagam a formação,mas muito poucas...
Fico á espera de um dia também a mim me ser proposto "Formatizar-me" e só por ironia ter a minha filha como "Professora"
É...
a vida dá muitas voltas... mas há casos em que é mesmo a mania a dar a voltas a certas vidas
(*)

antonio disse...

Eu sou a favor da formação e as coisas realmente vão evoluindo... aqui na empresa nunca me deixaram frequentar a mesma formação duas vezes... é certo que a meio do ano acabam-se os projectos de formação. Mas no início é de leão!

Magda disse...

Encontrei o seu blog por acaso e gostei muito.
Venha visitar o meu blog:
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