Obras em regime ambiental.

Hoje fiquei, de inicio, agradavelmente surpreendido com uma noticia que li, é verdade afinal sempre se vê coisas boas a serem feitas em Portugal.
Numa zona maravilhosa deste nosso país, rio Tua, a REFER procedeu a uma excelente obra, reconstruiu toda a linha férrea do Rio Tua, após oito meses fechada para obras, a linha vai voltar a funcionar para agrado de muito gente, principalmente para o turismo. A REFFER, procedeu a um investimento de cerca de três milhões de euros desde 2005 na linha, fez trabalhos de consolidação da linha, automatização das passagens de nível e a recuperação dos desabamentos que ocorreram. Numa zona de excelentes características, com duas zonas termais, que são as termas de Carlão e São Lourenço, a que se juntam as vinhas da Adega Cooperativa da Murça e outras zonas vinhateiras, este investimento da REFFER, bem dinamizar o turismo e a circulação de pessoa, convém lembrar que esta obra de 30 kms, custou tanto como 2 kms de uma autoestrada, o que me leva a pensar que se trata de facto de um excelente investimento.
Agora temos o mas, sim é que em Portugal existe sempre um mas, o governo anunciou a criação do Programa Nacional de Barragens, trata-se de um programa que visa melhorar o aproveitamento dos recursos hídricos do nosso país, onde está incluída a barragem Foz Tua, que neste caso a intervenção consiste no aumento da cota de armazenagem. Portanto já sabem o que vai acontecer, a linha, os três milhões, o que a REFER ainda vai investir, as termas, as vinha, tudo debaixo de agua, exactamente tudo para destruir.
O Sr. Ministro Manuel Pinho defendeu que todo este programa é um excelente programa, por se tratar de mais um grande investimento em energias alternativas, tratando-se assim de um programa de cariz ambiental.
Pois eu concordo, trata-se de facto de um grande investimento ambiental, afundar uma linha turística e ecológica, destruir duas zonas termais, uma zona de grande importância vinícola e mergulhar na agua três milhões do dinheiro dos contribuintes. Querem coisa mais poluente e feia do que essa zona, uma linha férrea para as pessoas se deslocarem e para turistas, andem a pé, que faz bem à saúde ou vão de automóvel, que é preciso dinamizar as portagens, umas zonas de termas, para quê se o pessoal também não tem dinheiro para ir para lá, zona vinhateira, para quê se com o novo orçamento de estado, os impostos sobre bebidas alcoólicas vão aumentar, ainda por cima vinho de qualidade, bebam agua que é mais ecológica e faz bem à saúde, o investimento de três milhões afogado, não faz mal, que isso é uma migalha em relação ao que anda a ser desperdiçado por ai.
Hoje em dia a tendência é a construção de obras de regime, nem que sejam construídas em cima de zonas ambientais, acompanhadas com um desbaratar de dinheiros públicos.

Nota solta : De facto três milhões são uma migalha, mas migalha a migalha é capaz de se conseguir fazer um belo de um pão.


Ideia tonta : As criticas dos ambientalistas são “injustas e não tem em conta que Portugal é o terceiro país da Europa que mais aposta nas energias renováveis. Deviam era encher-se de orgulho por isso.” Ministro Manuel Pinho.


24 comentarios:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Com os meus respeitosos cumprimentos.

Carol disse...

Quando comecei a ler o teu post, veio-me à mente algo que a minha mão diz frequentemente: «Quando a esmola é grande, o pobre desconfia!». E constatei, mais uma vez, que ela é que está certa.
Sem comentários...

Carol disse...

Ups... Quando se lê «mão», leia-se «mãe»... Com tanta água da barragem, até fiquei com a visão turva!!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Olha Tiago eu peço-te desculpa por ter sido tão parcimoniosa na minha apreciação mas é que profissionalmente eu andei por aí e ou comento ou não comento. E se comento... Mas deixa-me dizer-te este post está estupendo, muito bem estruturado e o tema é muito pertinente.
Um abraço

Lampejo disse...

Tiago,

(Bravo!)


Às vezes a tua inteligência me impressiona.

Parabéns pelo texto.

(sem nenhuma demagogia!)

(a)braços...

Zé Povinho disse...

Num dia em que o Ambiente deve ser O Tema, acho que a denúncia de casos destes é de aplaudir. É bom voltar a comentar o Tiago, agora por aqui.
Abraço do Zé

quintarantino disse...

Confesso que fiquei meio atarantado quando vi as primeiras notícias sobre tão surpreendente investimento.
Não sendo necessário alongar-me em demasia sobre o texto (excelente, por sinal), dadas as explicações e os factos presentes, acho, contudo, que seria de extrema importância que a sociedade começasse a questionar, de forma séria, racional e eficaz este tipo de opções.
Somos um país demasiado espartilhado em termos financeiros para nos permitirmos andar a desbaratinar dinheiro (seja fruto dos nossos impostos, seja de fundos comunitários) desta forma.
Penso que este caso espelha ainda a falta de articulação entre vários organismos neste domínio. Que se reflecte no quotidiano e até em obras de menor dimensão. Quantas vezes não vimos já uma rua ser pavimentada e, duas semanas depois, chegarem empreiteiros ao serviço da EDP, TV Cabo ou Portgás (para dar alguns exemplos), rebentarem com o asfalto para lá enfiarem uns tubos?

Por outro lado, poderemos ainda levantar a questão da vertente ambiental. Começemos pela localização. É esta a melhor? Não existiam/existem alternativas? Com menos custos ou, sendo superiores, perfeitamente suportáveis?
Foram ponderados os benefícios que se retiram desta opção? E pesados os factores que envolvem uma e outra?

Manuel Pinho, Sua Excelência, o ministro da Economia, dispensa comentários. Foi um enorme erro de "casting" desde o início. Possivelmente, só ele é que está convencido do contrário.

Márcio disse...

Tenho que concordar (apesar de todos saberem k sou simpatizante [n militante] do governo PS) que realmente existem coisas que não estão bem, e de facto existem ministros que estão lá dentro que andam muito às aranhas...
Mas ainda bem que salientou os aspectos também eles positivos da obra em questão.

NINHO DE CUCO disse...

Este texto excelente exemplifica, com este caso particular, um vasto mundo de interesses que nos vai passando ao lado.
Empreiteiros e empresas de consultoria poucos serão os que têm as mãos limpas. É, pelo menos, a minha convicção. Como também é minha convicção que os interesses instalados, que unem por fortes laços o PS e o PSD, são extremamente protectores destas situações. Assim se alimentam partidos, se pagam campanhas e se adquirem bens de consumo incompatíveis com os rendimentos. Não tenho ilusões sobre estes dois partidos relativamente à responsabilidade sobre estas matérias. Também não encontro nada no PS que o coloque à esquerda do PSD. Vou dar-te um exemplo ilustrativo. Numa grande empresa pública em que se falava à boca pequena nos negócios do Director de Compras (quadro do PS) com a conivência de administrador do PS, houve determinados sectores sindicais, e de diferentes sensibilidades políticas, que bateram o pé contra a escandaleira. As verbas astronómicas pagas a consultores para fazerem estudos que já estavam feitos, eram um dos motivos da indignação. Pois bem o PS saiu e entrou o PSD e não substituiu nenhum dos quadros PS que eram contestados. E nomeou uma administração de 5 elementos em que 3 eram do PS (incluindo o presidente) um do PSD e outro do CDS. Depois sai o PSD e entra o PS e eles já lá estavam. Se o PSD não lhes tinha tocado eles também não tocariam....
No caso que apontas eu até nem discordo que se aposte no turismo e aquela linha é de uma beleza deslumbrante. E já que sabemos fazer tão pouco ao menos apostemos nos nossos recursos. Agora o faz e desmancha é que não está certo mas tem que se pôr a máquina de interesses lubrificada.
Vai escrevendo. Estou a gostar muito.

C Valente disse...

Em tudo tem de haver equilibrio, e muitas vezes não se entende os ambientalistas e o que defendem , parece que dizem mal por dizer.
viva o progresso com controlo ae moderação,pois este não pode ser violação do futuro
saudações amigas

Fa menor disse...

Tiago,
quando vi as notícias sobre o afundamento da linha do Tua, pareceu-me algo surreal.
Tenho como medida defensiva, ver as notícias apenas superficialmente, mas esta também me custou a perceber...

Boa semanita

Fa-

Fernanda e Poemas disse...

Olá Tiago, adorei o teu texto.
Amigo está excelente!!!!!!!!!!!!!!
Beijinhos,
Fernandinha

JOY disse...

Tiago ,
Parabéns pelo teu texto.
Este pais é o pais dos " Mas " nada se faz que não tenha o reverso da medalha infelismente na maioria das vezes o reverso é sem pre pior. De certeza que o estado compensará muito generosamente ( o dobro ou triplo do valor do investimento feito )a REFFER e depois cá estamos nós para pagar a conta .
Um abraço

Joy

Joshua disse...

Tiago, será que ninguém repara que o comboio vai ser subaquático? Está tão evidente!

Laurentina disse...

Ja choveeeeeeee.
E é pedraço...
Beijão grande

R@Ser disse...

Nada que eu possa acrescentar...Os comentários acima já falaram por mim.
Subscrevo-os!!!

Bjim

M.C. disse...

Tiago?


Precisamos encarar os acontecimentos com otimismo.

Eu já te disse Tiago, que tu és um origami raro?
Sim, já disse sim!

(A)braços :)

NÓMADA disse...

É isso Tiago, o comboio vai ser aquático. Como é que ninguém reparou nisso a não ser o Joshua? Mas eu sou uma defensora acérrima do ambiente e dos impactos ambientais. Dói-me o que fizeram no Algarve onde havia zonas magníficas para turismo de uma qualidade ímpar. Dói-me olhar para a Costa da Caparica que ainda conheci sem espigões e um vasto areal. Dói-me pensar em Vilarinho das Furnas. Dói-me olhar para este país contaminado.
Mas ainda há gente boa. Valha-nos isso

*©õllyß®y disse...

Devia ser obrigatório cuidar mais do ambiente, qualquer dia não se pode respirar...belo este espaço...

Doce beijo

R@Ser disse...

Quint-MIB...Beijão pra ti,desta barata integalatica!(hihihih).

Carreira disse...

O ministro Manuel Pinho é o ícone dos Tesourinhos Deprimentes!

O Guardião disse...

O desenvolvimento não justifica tudo. Em Democracia os governos já deviam ter aprendido que é mais fácil fazer as coisas COM as pessoas do que CONTRA as pessoas ou sem as pessoas. A maioria absoluta não justifica este tipo de arrogância, e o Pinho não nasceu para esta função.
Cumps

DS disse...

Fico estupefacta diante de tamanha irresponsabilidade!

7 Pecados Mortais disse...

Pois é Tiago, com quantas migalhas desperdiçadas, quantos pães já não se teriam feito. Além de as desperdiçar, vêm tirar também as nossas migalhas ($) para poderem fazer o pão deles. O que tu disses é um lamento para os meus olhos e concluo como costumo dizer, Portugal é um País geométrico: é rectangular, com problemas bicudos, discutido em mesas redondas, por bestas quadradas. Abraços!