O jogo do empurra... responsabilidades!

Um dos jogos mais populares entre nós é o do “empurra”.
O jogo não tem nada de complexo nas suas regras, mas exige rapidez de raciocínio, argúcia e capacidade de afivelar o rosto ou, se assim o pedirem as circunstâncias, pôr um ar muito angelical.
Vem esta treta toda a propósito de duas pequenas reportagens que ontem tive oportunidade de ver.

Na primeira, a propósito de parques infantis, viu-se como, num caso, um organismo público nem sabia da existência de um parque infantil num certo local do seu concelho; noutro era a questão da dominialidade que emperrava o assunto entre a Junta, a Câmara e a Cooperativa.
E, meus amigos, a questão da dominialidade é como o maná no deserto para jurista de organismo público que se preze. Ora é público, ora é privado. Depois, e dentro do privado, pode ser disponível ou indisponível. Do Estado, dos municípios e das freguesias. Que não, já dizem alguns, as freguesias não têm domínio público viário, por exemplo. Pela amostra, já vêem…

Mais a Norte, a questão passava pelo facto de andarem no mesmo local obras de um loteamento e do Município. Pelo meio, uma octogenária ficou com meio metro de terra para entrar em casa, de muletas e ai dela se uma das muletas saísse do rêgo… era abismo pela certa. Pois bem, a reposição dos acessos parece que, para já, não é da responsabilidade de ninguém. Isso não é comigo, dizia o empreiteiro. Ai é, é, diziam na Câmara. Então nós até temos uma caução que podemos accionar…

Portanto, como vêem o jogo é parco em regras… o que importa é saber rabear na confusão e não ter o azar de ser dos últimos na cadeia alimentar das hierarquias. Se o chefe acorda mal disposto e começa a zurzir o secretário logo pela manhã, este tem de passar a dor de cabeça a alguém. Especialmente quando do assunto percebe tanto como um boi a olhar para o Palácio de Cristal. Ou a Torre de Belém.
Depois de pensar, chama uma das chefias técnicas… que isto não pode ser, que vai tudo para a rua, isto é processo pela certa, você veja-me lá isso… sim senhor, sim senhor, ora deixa-me cá ver… ó fulano, veja-me isto num instante… ó chefe, agora… raios partam… onde anda o estagiário… ó moço, vê-me lá este pincel num instante… que eu venho já para te dar uma ajuda… e pronto, depois do assunto estar na mesa doutro, há lá questão que nos possa afligir…

Pensem bem e vejam quantos casos destes conhecem. E, porque sei que não são envergonhados, dêem conta deles.
Mas com cuidadinho, pois nunca se sabe quando dois agentes policiais à civil não nos requisitam blogue, comentários e tudo o mais...

24 comentarios:

Fernanda e Poemas disse...

Olá as palavras que posso deixar, é que adorei o texto.
Parabéns!
Beijinhos,
Fernandinha

Joshua disse...

Isso aconteceu com a minha irmã que está a passar-se por no seu emprego ser o elo mais fraco no qual, claro está, o chefe encontrar margem para descarregar injustiças.

R@Ser disse...

Quint,

O trabalho deveria trazer satisfação e não objeto de exploração por outros!
Bjim

R@Ser disse...

Vixii bichinho,,,,tá bunito,biiiito hein...de lupinhas solares!!!
E a foto do perfil chic demais!!!
bjim

SILÊNCIO CULPADO disse...

Dois agentes policiais e à civil? Mas isso era excelente!... Não me importava de ir para a prisa e então é que eu escrevia. Venham eles!... Quanto maior é a repressão mais forte a manifestação. Os parvos é que ainda não perceberam.
Pois, eu percebo bem essas situações que são equivalentes a outras que vivi. Eu era chefe mas, como não era a máxima, era responsável por tudo o que faziam os subalternos e por tudo o que faziam os superiores. Ainda para mais a minha área era comunicação, marketing e imagem, não havia nada de desagradável que não caísse neste conceito. Quando a coisa ficava mesmo preta, por actuações a que eu era alheia, endossavam-mas a 100%. Quando eram trabalhos que davam louros e visibilidade, ainda que inteiramente feitos por mim e pela minha equipa, eram os mesmos transmitidos à administração para apreciarem e assinarem.
Por uma sociedade melhor.

Carol disse...

Uiii, tu andas a brincar com o fogo!
Nas empresas públicas e privadas, o valor devia ser dado a quem trabalha e é competente. Mas, por cá, é mesmo assim: quem se lixa é sempre o mexilhão! Quem não faz a ponta de um corno, é que é bom.
Silêncio Culpado: Esse é que é o espírito! Se todos pensassem assim, Portugal não tinha chegado ao que chegou...

adrianeites disse...

como tanto se joga esse jogo!

Tiago R Cardoso disse...

Já agora que também ando por estes lados espero qua a Silencio e o nosso cineasta deixem lá um lugar vazio para mim, eu levo umas cartas, mas falta um para a "sueca"...

missixty disse...

Uma coisa ainda mais grave é que há pessoas que realmente trabalham, mas não o fazem com honra, violando todos valores. Interessa mostrar serviço, mas estão-se a lixar para o que realmente interessa! Só se preocupam onde podem ir buscar mais algum e ter prestígio na carreira! Como uma redação muito bem feitinha, muito limpinha, mas que não acrescenta nada ao mundo!

Um Momento disse...

Realmente o jogo do empurra é o mais apreciado (por alguns claro está)neste nosso país.
Mas o cómico da situação , é que quando , se por mero acaso há algum "louvor real" ,esse jogo passa de empurra a agarrado...
Penso eu que todos andamos cansados desse jogo, mas lá está...perguntar a alguém sobre alguma coisa e lá somos nós empurrados para o mais próximo...

PS:Tiago , já está completo, bora lá;o)

Dia lindo desejo, sem empurrões:)
(*)

NINHO DE CUCO disse...

Bem, eu tive um administrador, que continua a ser administrador de uma grande empresa pública (não aquela em que estava mas outra equivalente)que fazia questão em ser ele a assinar os estudos que eu apresentava. Aliás ele estava muito pouco tempo na empresa onde nós ambos trabalhávamos porque tinha uma empresa dele para cuidar e mais ainda uns trabalhitos de consultoria para o ministério. Assim, quando a mulher teve o segundo filho, ele reivindicou logo a licença de paternidade para 2 meses. Mas avisou que passaria pelo meu estaminé 2 vezes por semana (sem estar oficialmente ao serviço) para assinar os estudos e correspondência de maior relevo.

NÓMADA disse...

Como eu sou dos Valores Portugueses, do lado positivo, deixo uma história verídica com final feliz. Numa muito conhecida empresa, havia um director muito honesto, competente e boa pessoa. Era respeitado e amado por todos. Mas a vida destinou-lhe uma cruz muito pesada.Tinha 4 filhos, 3 rapazes e 1 rapariga, mas devido a uma doença hereditária que ele desconhecia e que só se manifestava no sexo feminino por volta dos 14 anos, ele tinha as 3 filhas em cadeiras de rodas. A mulher não aguentou a pressão e foi internada num hospício. Os cuidados e o drama da vivência diária estava portanto às suas costas.
Mas porque este homem recto e infeliz não se deixou moldar nem entrou em determinados esquemas de "empreitadas", decidiu a administração (que conhecia o problema dele) transferi-lo para o Porto quando toda a sua vida estava em Lisboa. Isto significava qualquer coisa como ele ter que dar um tiro na cabeça. Porém mal se constou o que se estava a passar todos os quadros da empresa, sem excepção, pararam o trabalho e dirigiram-se silenciosamente para o edifício da administração onde se sentaram no chão e nas escadas e não arredaram pé. Ameaçaram-nos a todos com processos disciplinares mas nenhum regressou ao trabalho.
Horas depois o despacho sobre a transferência tinha sido revogado.

antonio disse...

Aqui pelos meus sítios somos mais desportistas! Dizemos: chuta para canto. Ou passa a bola a outro que não o mesmo.

É tudo uma questão de espirito de equipa!

migvic disse...

Quintarantino

Vim aqui só para te enviar um abraço.

Há dois dias que não via o blogue, volto noutra altura, quando isto acalmar (Trabalho).

Desculpa lá a visita de médico, mas também não o fiz a mais ninguém.

Um abraço

damularussa disse...

... dois agentes policiais à civil? Oh Quintino que sejam altos espadaudos tipo nórdicos, já agora se não for pedir muito,podem ter a 4ª classe? Sei lá, sempre achei alguma piada aos intelectuais, que queres!!

;)

Márcio disse...

É nestas alturas que realmente Portugal é maior do que pensava e que temos realmente um país de cromos!!!
Em relação aos polícias, não se preocupe depois eu meto-lhe uma cunha! :D

O Guardião disse...

Responsabildade - chuta para baixo.
Louros - são resultado da excelente chefia.
Cantando e rindo, lá vamos nós sendo dirigidos maioritariamente por gentinha desta. Quanto maior a nau, maior a tormenta, que é como quem diz, chefias que não percebe, patavina do assunto.
Também há bons chefes, ainda, mas que se cuidem, porque ensombram a esperteza saloia, dos incapazes bem instalados.
Cumps

JOY disse...

Mesmo que não queira um gajo fica a pensar que porra de pais é este que isola uma octagenária com meio metro de terra para cada lado com péssimos acessos e niguém assume a responsabilidade ,que porra de pais é este ?

JOY

Lampejo disse...

Qun,

No jogo do empurra, empurra...

quem sai perdendo é o trabalhador que não tem nenhum valor, apenas quem puxa o saco melhor. Pessoas incompetentes e incapazes são premiadas apenas por serem amigos do rei. Um cargo, por insignificante que seja, é capaz de triplicar o salário e tem gente que mata a mãe para conseguir uma função.
Além disso, muita coisa errada é encoberta e relevada a troco de função comissionada.
O psicoterror causa danos emocionais e doenças psicossomáticas, como alterações do sono, distúrbios alimentares, diminuição da libido, aumento da pressão arterial, desânimo, insegurança, entre outros, podendo acarretar quadros de pânico e de depressão. Em casos extremos, pode levar à morte ou ao suicídio.
É isso!
Eu passo por isso 24 horas.

(a)braços...:)

David Alves disse...

É de facto um jogo do empurra e obviamente que sai sempre mal neste jogo somos nós que não podemos empurrar para ninguém...Nada de novo...

Whispers in night disse...

Bem, linda historia:)
So nunca esquecer que o jogo do empurra e em qualquer parte do mundo....acho que e dos jogos mais velhos e usados
boas ideias neste blog e bom saber que alguem nao tem medo de usar a sua voz e dizer basta
Parabens
beijos mil assoprados na palma da minha mao
Whispers

João Rato disse...

É muito engraçado descentralizar, privatizar, poder local, autonomia.
Acontece, que somos um país com tantas leis, despachos, circulares, protocolos, normativos, editais e outros que tais, que ao desgraçado apenas se lhe reservou o papel de "o empurrado".

DS disse...

Há que ter coragem para ser a pessoa que faz a diferença e recusar tanto provocar como sofrer esse tipo de abusos!

7 Pecados Mortais disse...

Quintarantino, só te posso dizer isto: Já passei por situações idênticas. É o jogo do empurra como dizes e sempre de cima para baixo, para o mexilhão. É o jogo da agressão verbal (mas intelectual) de quem pode (chefias). É sempre o dito: "Eu não tenho nada a ver com essa me***", mas depois surgem os lucros e: "Eu não disse que a minha ideia era fenomenal". Por isso empurrar os outros de uma falésia para o abismo para o senhor "X" ficar rico é um princípio básico usado pelo selvagem, que eu não aceito. Pode ser que um dia a falésia caia com a erosão e leve este tipo de senhores. Abraços.