Hoje fala-se de obras públicas e anuncia-se mais um "craque"...

As nossas obras públicas padecem, há inúmeros anos, de dois vícios. Ou males.
O primeiro chama-se derrapagem financeira. O segundo, atraso.
Lê-se, vê-se, ouve-se e, nalguns casos, murmura-se
Foi adjudicada por X, mas já sofreu um desvio de mais Z. Ou de Z mais 1, mais 2, mais 3, sabe-se lá que mais…
Ontem topei, mais uma vez, com a confirmação desse vício.
Ressalvado qualquer lapso de memória, e os amigos (amigos no sentido amplo, lato abrangendo os dois sexos), terão de fazer o esforço suplementar de, para além de me aturarem nas leituras, compreenderem que um homem a partir de uma certa idade não é o que era, dizia, a Linha Azul do Metropolitano de Lisboa anda com obras há uns anitos e um desvio de custos a rondar os 50%.
Já o túnel do Rossio, coitado, meteu baixa por 60 dias e já lá vão quase 1000.
Mas, ó incréus, deveis acreditar, pois está para breve o anúncio de um qualquer prazo… não sei qual, mas está.
E assim lá vamos andando. Quer dizer, não devíamos, mas vamos.
A conjugação destes factores levanta, porém, algumas interrogações.
Estas derrapagens, todas somadas, quanto representam?
Qual o rigor posto na execução de projectos que, mal a obra começa, revelam debilidades?
E porque é que se o dono da obra diz que a empreitada precisa de Y dias para ser concluída, normalmente o empreiteiro precisa de mais?
Quem é que se engana nos prazos? E cálculos?
Tudo isto prejudica ou não o interesse público?
Infelizmente, os exemplos somam-se pelo País fora. O que faz com que se tenha de temer o pior quando os projectos do TGV e do novo aeroporto avançarem.
É que, ao caso, não estamos a falar de “peanuts”….

O projecto “Notas Soltas, Ideias Tontas”, que começou por ser a forma que encontrei de saciar o apetite da escrita e sem que almejasse qualquer público em concreto, começou a ganhar pernas, leitores, comentadores fiéis e deu-me a descobrir outros projectos. Uns mais ácidos, outros mais poéticos. Todos interessantes.
É uma forma de comunicação, embora me interrogue quantos de nós dirigiríamos a palavra a outros se colocados, frente a frente, num qualquer local…
Ontem, conforme se constatou, este escriba teve a oportunidade de franquear as portas do seu projecto à pessoa que dá pelo nome de “Silêncio Culpado”.
Hoje, qual Abramovich da blogosfera, fechou-se contrato com o Tiago Cardoso, do “Comfixadores”.
Não pretendendo arranjar clones, dispõem os contratados das mais amplas liberdades de escrita e de expressão.
Com um único cuidado… é que eles andam por aí…
E quando menos se espera podemos ter uma surpresa. Desagradável, certamente.
Mas, até lá, cá estaremos.

19 comentarios:

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINT
Vou começar pelo fim e manifestar o minha satisfação por teres contratado o Tiago.Mas é preciso explicares que os contratados não mudam de sítio porque um já me perguntou se eu continuaria ali.
Relativamente às obras e ao TGV....é melhor eu não me pronunciar porque, porque, porque era por aí que eu andava.
Finalmente uma terceira questão: será que os bloguistas se se conhecessem num determinado espaço poderiam ser amigos? Provavelmente não. E sabes porquê? Porque a blogosfera permite uma maior autenticidade, isto com pessoas bem formadas. Não se conhecendo, não receiam falhar no seu papel em relação àquilo que é a representação que os outros têm de si.

Carol disse...

Abramovitch da blogosfera? Não sei se isso me agrada, porque eu gosto destes Mourinhos que arranjaste e se te lembras de os despachar... Bem, lá terei que fazer com que o velhote te tire do testamento! Eh,eh,eh...

Quanto às derrapagens, é melhor não irmos por aí. Ainda saímos disparados, directos ao abismo!

aryanalee disse...

Afinal aqui também há contratações?
Publiquem lá os direitos e deveres dos contratuantes e respectivas medidas sancionatórias em caso de incumprimento....
Fico à espera da surpresa!
Uma boa noite.

NÓMADA disse...

QUINTARANTINO
Agradeço as tuas palavras no meu blogue, que também já tem um contratado, os 7 Pecados Mortais. Agora tu como grande enpresário até mudaste de visual "noblesse oblige".
Pois essa coisa das obras e das derrapagens é muito complicada. Os critérios de selecção dos fornecedores são muito complicados.
Este blogue está cada vez melhor com o famoso Quintarantino e já 2 craques vai tendo uma lógica empresarial.

NINHO DE CUCO disse...

Estou surpreendida com o incremento deste superblogue. É interessante perceber como as pessoas se aproximam e estabelecem laços de solidariedade e partilha de saberes através de um conhecimento na blogosfera. Isso é bom do ponto de vista da comunicação.
Quanto às obras que aqui referes e às respectivas derrapagens, envolvem tantos e tantos milhões que se calhar até fariam mossa ao Abramovich. E depois... ah não posso dizer porque já não tenho canetas para partir.
Um abraço e boa sorte com a tua equipa.

Um Momento disse...

Obras!!!
Ai minha nossa Senhora( será que ela ouve??)
São tantas, ma tantas!
Se aí em Lx as há...aqui no Porto com toda a certeza menos não existem...
Desde andar na rua e "cair" em buracos, ter que ter extremo cuidado quando se vai no passeio e só por acaso...está ali uma "Tábua " a servir de "ponte" sem qualquer tipo de "suporte" que a segure, ou seja,esta-se sujeito a não atravessar o buraco , simplesmente a "tábua" cair lá dentro...e a pessoa que n'ela estava a tentar passar...
Francamente... obras não faltam... idéia também não...e concluir tal?
Ah pois!Os € que no inicio davam para tudo e mais alguma coisa "sumiram-se"
Ou o empreiteiro "sumiu-se " com os €. ou até se demitiu e foi passar férias para o Hawai...
O que jamais entenderei mesmo é quando se faz uma obra, se conckui...e passado nem um Mês lá andam outra vês a fazer obras no mesmo sitio...porque há um mês atrás se "esqueceram" de alguma coisa la...
Enfm!...
Continuamos sempre com o nosso Portugal no seu melhor
;o)

PS: Todos os miminhos sao para ti sim, por isso os entreguei em mão :)))
Um por um , com carinho e Amizade:)))
E um beijo ao Tiago, deves ter reparado que apaguei o comentário acima , pois não sei pq , mas entendi ao contrário, e voltei a ler tudinho
( deve ser mesmo o cansaço de tanta obra:D)
Agora sim assim a sorrir:))))
Beijo de noite serena
(*)

Lampejo disse...

Quin,

O investimento que os governantes fazem em obras pública é vergonhoso e, contudo absurdo.
Porque na prática mostra que as exigências absurdas, o aleijamento das empresas médias e pequenas dos processos licitatório ... E a falta de competição só traz prejuízos à Nação.

E assim caminham as obras públicas Também no Brasil.

(a)braços...a você e ao Tiago pela parceria.

R@Ser disse...

Quint,

Eu acredito que o desperdício de dinheiro público é resultado de vários fatores. Entre eles, o desinteresse dos gestores em concluir obra dos antecessores e a falta de planejamento e de projetos e ainda podemos contar com a corrupção.
Bjim

Tiago R Cardoso disse...

E só conseguistes arranjar duas causas...

Mas tens razão é melhor só escrever estas duas porque eles andam ai...

A mim parece-me tudo coisas perfeitamente inocentes, os que projectam os orçamentos também se podem enganar, nunca seriam capazes de fazer as coisas por baixo, preços e tempo, ganhar a empreitada e depois com ajuda do dono da obra subir as coisas, não me parece, é tudo gente boa.

Márcio disse...

Diz-se que começar é pelo início. Eu desta vez prefiro quebrar a regra e fazer como faço nos jornais, começar pelo fim! Fim esse que significa um início... de mais uma aventura, de mais um elemento a juntar ao grupo! Ao contrário da anterior "contratação", esta já conheço bem... ou mais ou menos!
Estou certo que a equipa se entenderá bem e dará bons sinais de uma ampla sala de troca de opiniões... o que aliás, é apenas a continuação daquilo que já se fazia!

Em relação às obras públicas... é apenas a constatação de factos que todos nós sabemos que existem sempre em qualquer obra! Sim, é mau... talvez péssimo! Mas já que se torna normal, e é difícil virar isto... dêmos valor então à obra em si e ao que ela significa para o desenvolvimento do país! Esse passo que poucos dão importância, mas que é importante!

Rui Caetano disse...

O grande problema das obras públicas reside no descontrolo dos gastos, como é público é só gastar e mais gastar. Conheço situações na Madeira em que a obra ganhou o concurso com uma determinada verba e no fim, os custos atingiram 100 mil contos a mais. Isso mesmo obras a mais do previsto. e 100 mil contos, não são euros, são contos.

damularussa disse...

Ou muito me engano ou o Tiago vai ganhar uma pipa de massa.. o triplo dos outros todos?...
Mas como eles andam aí não me pronúncio (hihihi)

Sempre oportuno, Quint(ino)

adrianeites disse...

não me admira nada que daqui a uns anos os orlamentos refiram uma rúbrica "derrapagens a verificar"!

e se os contribuintes por diversas derrapagens (e temos tantas) deixassem de pagar impostos....??

antonio disse...

Ah! Bom. Então o grande esbanjador está preocupado com os pequenos desvios das obras do estado...

A obra criada está em permanente evolução e o seu preço também.

JOY disse...

Antes de mais nada é uma boa noticia para todos nós que gostamos dos vossos blogs que juntem esforços para aumentar ainda mais a qualidade das vossas intervenções ,em relação a derrapagem das obras publicas os culpados deveriam ser penalizados fortemente ,é vergonhoso que a derrapagem das obras publicas seja encarado pelo poder politico como uma coisa normal.

JOY

C Valente disse...

Os partidos tem de ser financiados, os compadres ajudam-se uns aos outros, criar uma lei que acaba-se com essas mordomias, ninguém se atreve,
Pois também surge aquelas situações caricatas e á custa do contribuinte, que em tempo de eleições ou quando mais convêm tem de acabar-se as obras rápido, até ali foi devagar devagarinho
Já não vale a pena
Saudações amigas

Zé Povinho disse...

As obras públicas sempre foram o sustento de muita gente. Os privados nunca estão dispostos a fazer investimentos da grandeza duma ponte sobre o Tejo, uma Expo ou um TGV, mas apoiam e fazem grande força para que o Estado faça o investimento. Lucra-se na obra, colocam-se mais uns pózinhos nos custos para satisfazer uns quantos caprichos dos representantes do promotor (Estado) e depois, com algum jeitinho, ainda se consegue uma concessão por 100 anos, sem concorrência e com taxas indemnizatórias e compensatórias pelo serviço público prestado à comunidade. A imaginação, ou esperteza saloia devia ser galardoada com um Nobel, pelo menos assim conheciam-se melhor os "espertos".
Boas "aquisições" meu caro, e de peso.
Abraço do Zé

Fernanda e Poemas disse...

Queridos amigos englobo, os três sou amiga do Tiago, para mim quem é amiga dos meus amigos meus amigos são.
Desejo - vos muito sucesso!
muitos beijinhos!
Fernandinha

adrianeites disse...

de joane hein!

Muito bem!