De Santa Maria da Feira a Portalegre... tudo em pantanas!

Assim vai o estado da Nação… desta Nação que é nosso fado!
Em Santa Maria da Feira a Secundária local rebenta pelas costuras.
Gizada para 42 turmas, tem, neste momento, mais 20.
Os problemas de espaço resolvem-se com o habitual espírito do desenrascado lusitano.
Aulas de Educação Física fora do pavilhão… apanham frio, os meninos? Não faz mal, enrijecem as carnes e ficam mais robustos… afinal, o futuro augura-se negro… quiçá possa passar a cinzento com uns retoques de “photoshop”…
O bar não os consegue despachar a todos nos intervalos, olha que pena, mas assim combate-se a obesidade infanto-juvenil…
Às vezes um ou outro tem de ficar de pé na sala de aula ou, em calhando ser namorados, podem sentar-se ao lado um do outro, aconchegadinhos na cadeira única… não temos carteiras que cheguem…
Mais a Sul, lá pelas bandas de Portalegre (quem lhe pôs o nome se fosse hoje haveria de lhe chamar Portatriste), há quem faça 600 quilómetros num dia.
E é se querem sobreviver. Vão fazer hemodiálise ao Montijo, sempre aproveitam para conhecer o País… vós, õ ingratos, não vos sabeis que ir para fora cá dentro é ajudar o País a crescer? A economia a prosperar…
Pôrra. Raio. Que é isto? Queremos abalançar-nos ao TGV e a um aeroporto e não somos capazes de arranjar maneira de 4 pessoas (q-u-a-t-r-o!!!!) conseguirem fazer hemodiálise a menos de 300 quilómetros de casa? Não somos capazes de prevenir e de prever que se uma escola foi pensada para 42 turmas e está com 62 há-de rebentar por algum lado?

21 comentarios:

Mia - Castelo da Mia disse...

Olá.
Há coisas que nunca iremos entender.
Se essas pessoas fossem familiares de alguém importante, até tinham hemodiálise em casa.
Beijinho
Mia

Guto Melo disse...

Eles fazem assim: primeiro deixam a merda acontecer, depois fingem uma providência.

al cardoso disse...

E que presentemente, este governo interessa-se muito mais pela Europa, Africa e resto do mundo, do que pelo que se passa dentro de portas.
O Presidente a RA dos Acores que ate e do partido do governo, ja veio dizer que estamos a ser governados por directores gerais!

Um abraco do al d'algodres.

Tiago R Cardoso disse...

Como explicastes e bem trata-se de pura rentabilização das escolas, assim é que deve ser, onde é que já se viu escolas novas e mais professores, à que aguçar o engenho, dinamizar a imaginação para que estes sistema de ensino se mantenha a funcionar.
Nova forma de turismo, o turismo médico.

Márcio disse...

Realmente... estou perto do estado de choque!
É triste, ainda existem situações que não consigo perceber... Apesar de tudo, o governo ainda tem que abrir os olhos para algumas situações!

Quintarantino disse...

Márcio... por muito que nos custe... é para muitas...

Tiago R Cardoso disse...

Afixei lá no local uma lembrança para o cineasta.

elsa nyny disse...

E é o país que temos, pois então!

Deixo um apelo:

O Carlos Miguel tem apenas 4 meses e está a lutar pela vida, precisa de um transplante de medula óssea, que todos os que puderem ajudar que ajudem, é urgente, os que não podem que rezem!
http://eu-estou-aki.blogspot.com
bjts

Zé Povinho disse...

As escolas transformam-se em grandes depósitos de estudantes e os hospitais em estruturas cada vez mais longe e inacessíveis às populações. Esta concentração foi muito criticada pelo PS e pelo PSD num passado ainda recente, em que diziam querer aproximar os serviços das populações, mas agora temos isto. Não há nada de errado em rentabilizar os serviços e evitar-se desperdícios, mas as pessoas estão primeiro. Repare-se num caso caricato de uma escola que pede aos pais para contribuirem monetariamente para suprir carências e que aluga cacifos por 20€ com o cadeado por conta do aluno e tem turmas de 30 alunos até no 12º ano. Isto passa-se na zona de Lisboa, bem perto do ministério responsável.
Quando não se sabe, ou não se quer dar qualidade ao ensino e à saúde, só podemos pensar que o Estado se está a demitir da sua função, degradando intencionalmente os serviços, para avançar para a privatização. Isto começa a ser cada vez mais evidente.
Abraço do Zé

Joshua disse...

As coisas estão pensadas e atrever-me-ia a dizer que estão pensadas para ser assim a começar fora de Portugal. Para que Portugal se corrija como uma conta mal feita de décadas erráticas é preciso a 'coragem' de medidas draconianas.

Os passos que se têm dado vão no sentido de o Estado se tornar muito mais leve, mesmo que isso o transforme num organismo ineficiente e quase simbólico. A ideia é pôr em prática uma modalidade económica que tem sido a chave do progresso e do sucesso nos Estados Unidos, terra de oportunidades, de livre iniciativa e sem margem para tetas públicas, onde quem falha é um looser (um perdedor) e mai nada.

A Europa é ainda herdeira dos grandes combates sociais e dos seus respectivos e amplos frutos. Portugal, mal obteve a democracia, teve governos que irresponsavelmente oneraram o País, quer com um regime de reformas que nos escalões mais altos representavam um rombo cada vez maior nas contas públicas, quer com facilitismos de toda a sorte que constituiram uma pazada nas nossas hipoteses de contenção deficitária.

Agora, os casos que enuncias soam-nos a abuso, soam-nos pessimamente por representarem a inversão de um modelo de actuação política de trinta anos: as medidas tomadas serviam para melhorar a vida das pessoas e não para a dificultar ainda mais.

Por isso mesmo, hoje o Estado é uma entidade que segue os pressupostos e os procedimentos do empresariado chamado de sucesso: fecha-se, despede-se, rentabiliza-se.

Fecha-se o emprego, despede-se a ineficiência, emagrece-se o sistema.

O que me parece a grande ironia é que em Portugal nem este novo modo de proceder mostra surtir efeito e isto porque há aqui um povo que anda deprimido e angustiado com o que vâ à sua volta e quer acreditar que a cascata de desgraças sociais a que assiste não o vai atingir. Ora um povo deprimido não vive naquele entusiasmo de produzir e de acreditar.

De resto, outro povo vampírico entre nós prospera, vive contente e indiferente ao empobrecimento da grande classe média. É aquele tipo de gente para quem o País pode desabar porque nada lhes roubará um bom fim de semana numa ilha tropical qualquer.

Tarantino, o garrote está posto, uso-o eu e usa-o uma ampla maioria.

Não se sabe até quando.

Zé Povinho disse...

Caro Quintarantino
Espero ter acertado, pelo menos desta vez. A demissão do Estado das suas funções tradicionais e a passagem sistemática das mesmas, para o sector privado, não emagrece a despesa pública, apesar da dispensa de muitos funcionários. As aquisições de serviços a empresas privadas não saem mais baratas ao Estado do que feitas com os recursos internos, por isso faz-se com que os recursos humanos sejam insuficientes para se contratualizar serviços externos. Diminui-se o número de operários e de operários especializados, mas aproveita-se para fazer entrar uns quantos engenheiros e doutores, que embora em menor número aumentam os encargos com salários. Claro que se explica isso com as tarefas de fiscalização do trabalho contratado a terceiros, mas a diminuição de efectivos, na prática, revela-se num aumento de despesa. Transferem-se alguns custos para outra rúbrica -aquisição de serviços, mas ainda assim são custos.
Não há aqui qualquer animosidade contra a iniciativa privada e o seu desejo de alargar o leque de actividades, bem como os lucros, mas lá que os custos para os contribuintes não baixam, lá isso é evidente, não baixam.
Abraço do Zé

R@Ser disse...

Hummmm...como educadora fico triste com algumas cenas que vejo,mas essa é a realidade,e viver nela não é fácil.
Bjim

SILÊNCIO CULPADO disse...

Este é um óptimo post pela denúncia das situações que relata em duas áreas das mais sensíveis em qualquer sociedade: a saúde e a educação. Sem políticas correctas nestas duas áreas, não há nada, absolutamente nada, que valha a pena. Neste momento, em Portugal, temos duas realidades absolutamente distintas na saúde e na educação: a dos ricos e a dos pobres. Uns têm direito a tudo, os outros são lixo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINT
Deixo-te este contacto que, após tomares nota apagarás a postagem.
Estou de saída mas no sítio para onde vou tenho net.

SILÊNCIO CULPADO disse...
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NINHO DE CUCO disse...

Se calhar o cenário que se pretende para o futuro será o de uma escola que reproduza as diferenças de nascimento e de condição. Para atingir estes desideratos as políticas de educação e da saúde estão no caminho certo.

NÓMADA disse...

Isto está a pedir batatada. A bem já lá não vamos. E Sócrates vai sempre ganhando nem que seja só com os governantes a votarem.

Kalinka disse...

Come�o por desejar um excelente Fim de semana prolongado. O meu tem por finalidade descansar fisicamente e fazer umas arruma�es de Outono.

PARAB�NS PELO TEMA QUE NOS D� A CONHECER. Trabalho ligada � sa�de e s� lhe digo, tomara n�o precisarmos, porque se um dia precisamos, morremos logo na esquina. � vergonhoso isso que nos conta sobre os desgra�ados que t�m que fazer hemodialise...a 300km de dist�ncia.

Na minha teimosia de fazer um 3� post sobre a letra F, fa�o destaque a um evento art�stico que teve in�cio a 29 de Setembro e termina a 31 de Dezembro, na Estrada Nacional (EN) 10, junto ao Seixal. Acolhe o Drive In Art 2007, que j� vai na s�tima edi�o. As trinta telas de enormes dimens�es (2 m por 1,85 m) foram pintadas por vinte artistas, jovens e muito jovens (dos 15 aos 30 anos), e podem ser avistadas nos dois sentidos da EN 10 no tro�o entre as Paivas e o Fogueteiro. O vencedor (ah pois, isto � um concurso!) ganha 500 euros. Se o p�blico n�o vai � arte...

Beijokas.

Um Momento disse...

E eu ja nem tenho palavras para nada
O meu filho anda numa escola que nem ginásio tem e no centro do PORTO
Há anos k a associação de pais luta pela construção do ginásio, há 2 anos começaram a fingir que alisavam o terreno para tal, mas ainda fizeram pior, pois agora nas traseiras da escola...é um lamaçal autêntico
Quando a terem alunos a mais, começa a ser bastante preocupante quando o nosso governo teima em fechar milhentas escolas ao longo dos proximos anos...
Melhor começarmos a mandar as crianças com banco/mesa campig ao menos sabemos que não estão de pé todo o tempo de aulas...

Ah são só quatro para fazer a hemódialise... pois é, por isso mesmo é que ninguém liga , pois se fosse UM do nosso querido governo concerteza ja estaria resolvida a situação
Enfim...
Beijo de noite serena

SILÊNCIO CULPADO disse...

A área de educação é uma área estratégica para o desenvolvimento de qualquer sociedade e um dos pilares fundamentais da governação. Por essa razão sentimos, de uma forma particularmente visível, as políticas que os diferentes partidos vão implementando sobre estas matérias ou, não sendo poder, têm como orientação.
Rui Grácio e Sérgio Grácio (pai e filho) foram dois sociólogos do PCP que foram tão longe quanto possível na área da sociologia da educação.Os seus paradigmas foram registados e constam das bibliotecas de quase todas as faculdades mas sempre de uma forma pouco visível e secundarizada. E isto porque ao se aprofundar a sociologia da educação chega-se sempre à conclusão que as explicações nos remeterão fatalmente para uma luta de classes. Uma luta de classes em que se tenta travar a mobilidade social nomeadamente através de uma falsa ideia de igualdade de oportunidades. Não é portanto inocente o fecho das escolas, os seus reagrupamentos e daí por diante. Os privilegiados nunca terão que passar por isso.
Bem, mas como isto é só um comentário, vou parar por qui.

DS disse...

É uma completa falha do governo português relativamente às prioridades sustentadas pelo estado. O poder político está cada vez mais subordinado aos grandes grupos económicos, daí investem em aeroportos e estádios em vez de melhorar a cultura e a saúde, é uma triste realidade e um erro que vai custar caro no futuro.
Bem, mas já os romanos contruiam arenas quando a coisa estava para o torto, por isso não é de admirar, a história repete-se, os erros também.
E a tudo isso chamamos evolução...