Aborto e pós-referendo

Sou mulher e, apesar de já ser “cota”, nunca fiz um aborto. Tão pouco sei se alguma vez conseguiria fazê-lo. Não é a religião que me guia mas acredito na vida, na consciência e nos valores humanos. Mesmo em casos em que a lei já era permissiva, como a má formação do feto e a violação, sempre tive as minhas dúvidas. Conheci pessoas extraordinárias que são deficientes. Pessoas que lutam, contribuem e amam, com toda a garra, procurando compensar o que a natureza lhes roubou. E conheci pessoas, aparentemente inteiras, que, pela sua conduta, revelam maiores e mais frustrantes incapacidades que as ditas deficientes. Também, relativamente à violação, não vejo porque um ser inocente tem que dar a vida pelo facto de ter sido gerado numa situação traumatizante. Quando olho para o meu filho não penso no pai dele mas sim em quanto o amo. Se, por qualquer circunstância, a que ele seria alheio, eu tivesse decidido abortar, teria matado aquele ser maravilhoso de que tanto me orgulho.

Um argumento que me chocava, de sobremaneira, nos defensores da legalização do aborto, era o de que a mulher tem o direito de fazer o que quiser do próprio corpo. Sou uma defensora acérrima da igualdade de direitos mas longe de mim este fundamentalismo feminista. A natureza deu à mulher as características necessárias para transportar, no seu corpo, uma nova vida. A mulher não pode utilizar, de forma abusiva, o que a natureza lhe deu, dispondo de uma vida que não é sua. Finalmente, e ainda na posição contrária à liberalização do aborto, eu achava que, com o avanço espectacular de tudo o que é contraceptivos, a probabilidade de uma mulher vir a ter uma gravidez indesejada é inferior à de morrer num fim de semana.

Estes foram os argumentos que me fizeram votar “não”, no primeiro referendo, pese embora ter ponderado alguns dos argumentos pró sim.

Entretanto, fui-me debruçando sobre uma realidade que me tinha passado ao lado respeitante a um universo de mulheres que lutam, em condições adversas, num ambiente hostil e desigual. Mulheres que sofrem na pele uma dupla desigualdade. Sim, porque há uma realidade para a mulher rica e outra para a mulher pobre. Só a primeira tem condições para aspirar à igualdade entre sexos e para votar “não” ao aborto de acordo com a sua consciência. Uma consciência que se apazigua em clínicas caras, em oferendas para as igrejas, em caridades muito ao gosto da nossa cultura. Do outro lado fica a mulher pobre e desamparada. Aquela que não tem como alimentar mais uma boca. Aquela cujo pai, machista convicto, não aceita em casa uma gravidez fora do casamento. Aquela mulher que trabalha em casa e fora dela. Que não ama como as outras mas aos tropeções, mil vezes violada, mil vezes privada de certas emoções. Aquela mulher que o patrão não aceita, se estiver grávida, porque o contrato é a prazo e pode sempre não ser renovado. Aquela mulher que não tem tempo para consultas de planeamento familiar, que muitas vezes as desconhece e que, noutras, não tem dinheiro para contraceptivos. Aquela mulher que, quando engravida, não encontra o parceiro ao seu lado. Porque, provavelmente, está a dormir com outra ou a contar a aventura entre copos enquanto ela agoniza nas mãos de uma parteira. Aquela mulher que querem chamar de criminosa por estar tão desvalida e tão sozinha. Aquela mulher que assume o crime ela, e só ela, como se ninguém mais fosse culpado.

Não, ao comparar estes dois universos de mulheres não posso continuar a fazer de conta que não se passa nada. Desta vez estava decidida pelo “sim”. Mas se ainda estivesse em dúvida, Alexandre Quintanilha, em entrevista a Judite de Sousa, ter-me-ia feito decidir. Ele assumiu que o aborto tirava uma vida e que, provavelmente, essa vida sofreria a morrer. Mas defendeu o sim como opção que vinha de uma outra dor mais funda.

Votei sim e o sim ganhou. Entenderia eu, no meu fraco entender, que a liberalização do aborto seria um mal menor numa fase transitória em que se procuraria implementar um planeamento familiar eficaz e políticas de protecção à maternidade consistentes.
Porém, decorridos cerca de nove meses sobre o referendo, verifica-se que mais de 1/5 das mulheres que procura a clínica dos Arcos em Lisboa (um dos 3 estabelecimentos privados autorizados à IVG) já ultrapassou as 10 semanas, muitas ainda desconhecem que podem recorrer aos hospitais públicos e continuam a procurar os clandestinos e a pagar entre 600 e 700 euros e, outras ainda, optam pelo aborto clandestino para não se exporem. Continuam a existir mulheres em risco de serem processadas criminalmente e, quanto a planeamento familiar, está a anos-luz das nossas necessidades. Continua o negócio sórdido e a discriminação num país que actua sobre as consequências mas que prefere omitir as causas. Porque actuar sobre as causas seria construir uma sociedade mais justa que, na realidade, não se pretende. É que enquanto houver as desigualdades assentes nas diferenças que a Constituição proíbe mas que os homens do poder procuram, temos sempre exploração e mão-de-obra barata. E podemos pagar por trabalho igual um salário diferente.

Ao não disponibilizar uma rede eficaz de planeamento familiar, educação sexual nas escolas e um eficaz apoio à maternidade este Estado está a contribuir para o aborto. Ao não criar condições de emprego e estabilidade económica, que permitam aos casais e mulheres jovens, assumirem, sem medo, o aumento da família, este Estado está a contribuir para a diminuição da taxa de natalidade.
Por tudo isto acuso este Estado de ser promotor da morte. Porém, se houvesse hoje um novo referendo sobre o aborto, eu voltaria a votar sim.

Distribuição e perturbações

Isto de vez em quando precisa de uma animação, coisa que não tem faltado por este nosso querido país.
Hoje chega-nos um estudo sobre a Administração Pública que, para mim, pareceu-me mais uma sondagem, mas enfim é o que temos.

Diz o estudo que os portugueses acham que o número de funcionários públicos é excessivo e que estes estão mal distribuídos pelos serviços.
Descascando a coisa, os números mostram que mais de metade (55 por cento) dos cidadãos questionados diz que há funcionários públicos a mais, mas a percentagem sobe para 66 por cento quando os inquiridos são os dirigentes e ainda que a quase totalidade dos inquiridos (96 por cento dos cidadãos e 98 por cento dos dirigentes) consideram que os funcionários do Estado estão mal distribuídos pelos serviços.

Eu acredito que não existem funcionários públicos a mais, estamos é perante uma má gestão de recursos humanos.
Esta é a noção que eu tenho após oito anos a trabalhar directamente com a função publica.

Tenho a certeza de que o que testemunhei não é caso único, mas repete-se inúmeras vezes pelo nosso País.
Falo de um local onde se é colocado não por mérito, mas por grau de informação.
Esse local é dividido em vários sectores e enquanto nalguns faltam pessoas, noutros estão em excesso, isto porque existem funcionários que "sabem demais" e assim se permitem escolher onde querem estar, não se sujeitando a qualquer tarefa.

Também vi que a política de entrar um por cada dois que se reformam é uma situação que leva a uma escassez de pessoal, originado que os que sobram sofram de uma acumulação de tarefas, o que vem criar um enorme desgaste e um menor desempenho.
Se a isto juntarmos que o trabalhador olha para o lado, vê "colegas" bem colocados e que não fazem nada, obviamente que a motivação não será a melhor, seja em que sector for.

Acredito que quem passe por aqui será capaz de deixar mais alguns exemplos demonstrativos do "bom" funcionamento e gestão que existe do sector público.

Entretanto o Sr. Ministro das Finanças, Teixeira do Santos, volta à carga e afirma que "estou convicto de que é preciso prosseguir a estratégia de modernização da Administração Pública", para complementar que as reformas "introduzem perturbação, mas temos que ser exigentes, o país exige-o".

Perturbação ?
Sr. Ministro, chama perturbação dizer que as promoções iriam voltar em 2008 e afinal só são para 1,5 % dos funcionários?
Chama perturbação fazer uma proposta ridícula de aumento salarial para 2008?
Chama perturbação avançar com uma lei de mobilidade que coloca um mar de incertezas perante os trabalhadores?
Chama perturbação continuar a exigir mais e mais das pessoas para em 2009 poder dar à grande?

Eu chamar-lhe-ia outra coisa.

Não vou falar sobre o resto do estudo/sondagem, que levanta a questão de o sector privado funcionar melhor que o sector público, porque isso já me parece uma questão de "preconceito".

Políticos: quanto mais poder, menor lucidez?

Nunca me havia dado ao trabalho de reflectir profusa e profundamente sobre a influência que o exercício e a detenção de poder político têm sobre a inteligência humana e não será certamente hoje que o farei.

Mas, lendo afirmações de Morais Sarmento proferidas em Cantanhede, já encontrei uma ideia mestre, um “leitmotiv” digamos assim.
E cuja premissa base é a de que “o exercício do poder político e o ter poder num dado momento afectam a inteligência do homem e a lucidez do homem político”.

Não acreditam? Pois vejam se algum dia ouviram, a Morais Sarmento ministro, ou sequer deputado de proa, aquilo que ele afirmou em Sangalhos:

“O poder político está hoje mais fragilizado do que há 10 anos, perante o poder económico e as corporações. Hoje, qualquer grande empresa tem maior capacidade de reflexão e análise do que o poder político".

(…) "democracia perdeu qualidade. Os partidos não são atractivos, o Governo não tem capacidade de actuar com profissionalismo, a oposição é meramente adjectiva, não é substantiva, e o presidente da República acaba por fazer de contrapeso em vez de ter o papel de regulador que devia ter".

"Hoje, fazer política no nosso país, só por estado de necessidade ou em estado de loucura”.

"Não conheço um livro, um único, sobre pensamento político produzido, desde o 25 de Abril, pelos protagonistas (...)

Lúcido o homem, não?
Pois, mas só adquiriu tal lucidez quando perdeu protagonismo na sociedade política lusa.

E agora para provar que a minha teoria está inteiramente correcta, vejam o que disse o nosso Primeiro-Ministro, na sua qualidade de Secretário-Geral do PS, na abertura do Fórum Novas Fronteiras (ou seja, num momento político e que o orador tem poder, muito poder):

“Quando se fizer a história desta legislatura facilmente se perceberá que o PS fez o que era o seu dever”.

“Fez aquilo que devia … pôr as contas públicas em ordem, fazer uma consolidação orçamental defendendo o prestígio do Estado social, das políticas sociais”.

”São as escolhas certas para o progresso do país. Esta é a nossa visão política, que tem já resultados claros”.

Temos homem ao leme. Pena é que tenha olvidado os tempos em que se vociferava contra a obsessão do défice sabendo-se que o mesmo tinha de ser contido.

Para rematar tudo isto com chave de ouro esse insigne vulto da democracia chamado António Vitorino (político a quem, fica a aqui a pública promessa, jamais confiarei o meu voto candidate-se ele ao que quiser) veio a terreiro proferir:

"Vamos continuar. Habituem-se!"

Quer dizer, para este “sempre em pé” que não gosta de sujar as mãos com as coisas da política, mas está sempre lá como os pés metidos, apesar da asneada de algumas medidas, apesar da fuga de quadros e “indigentes” para fora do País, apesar de agora ser moda nascer-se em ambulâncias, apesar do desemprego, apesar do Estado ter contido o défice esmagando quem já estava esmagado, pois bem, apesar disto tudo, é para continuar.

Cá está uma das coisas que eu sempre “admirei” nos cavaquistas empedernidos que acompanhavam Cavaco Silva nos tempos áureos dos seus governos e agora nalguns destes socialistas de pacotilha: a arrogância!

O homem fez esta afirmação depois de reconhecer que o PS está atento aos sinais de descontentamento e que até os admite.
Aliás, Vitorino afirmou mesmo que é bom que os mesmos existam.
Não sei se Sócrates pensa o mesmo.

Mas a tal arrogância vê-se todos os dias por aí espalhada e não sei se cai bem ou se será facilmente esquecida!

Tratados e terroristas.

Hoje tivemos direito a duas afirmações de relevo, primeiro o Sr. José Sócrates, Primeiro- ministro deste nosso País, avançou em relação à questão de rectificação do tratado que a "ratificação pelo Parlamento é tão válida quanto a ratificação por referendo", afirmando assim que, ao serem eleitos, os deputados têm toda a legitimidade de rectificar o tratado.

É exactamente ai que o argumento falha, porque Sócrates esqueceu-se que todos os partidos que têm assento parlamentar, incluindo óbviamente o PS, têm nos programas eleitorais que apresentaram aos eleitores, a promessa da realização de um referendo sobre o Tratado.
Sendo assim, ao não cumprirem o seu programa eleitoral perdem a legitimidade de executarem a rectificação do tratado por via parlamentar.

Pode-se argumentar que têm esse direito por lei, mas, no entanto, gostava de saber que imagem pretendem dar ao povo; mostrar que pretendem discutir o assunto e explicá-lo ou, mais uma vez, passar um atestado de ignorância aos eleitores e fazerem a rectificação só entre eles ?

O segundo assunto é-nos trazido pelo Sr. Alberto Costa, ministro da Justiça, e que avança com afirmação de que os serviços secretos também deviam ter liberdade de proceder a escutas, justificando que poderiam “por exemplo, prevenir um atentado terrorista”.

Numa altura em que o próprio Procurador-Geral da República se queixa da existência de escutas a mais, o ministro da Justiça fala em aumentos, utilizando um argumento “original”.

Sim, porque de facto o que mais se teme em Portugal são os atentados terroristas. Não acho que fosse necessário tal argumento, porque todos gostamos que sejam feitas escutas. Além disso, sabemos perfeitamente que as escutas são feitas únicamente em nome da justiça e não aproveitam a outros fins.

Após estas afirmações, fico convencido que estamos a aprender muito com os Estados Unidos, onde sempre que se quer justificar alguma coisa avança-se com o argumento do terrorismo. Portugal, modestamente, dá os primeiros passos, o senhor ministro segue os passos do grande estadista Almeida Santos e os seu terroristas das pontes que serviram para justificar aeroportos.
Ficamos na expectativa para saber em que ministério os terroristas atacarão a seguir.

Lisboa prepara-se para sacar massa ao Norte?

Quando ao bolo dos fundos comunitários já se adivinham as migalhas, surgem as guerrilhas e as habilidades.

A última prende-se com a Resolução do Conselho de Ministros número 86/2007 em cujo ponto 7 se pode ler (e ainda por cima preto no branco) que verbas destinadas ao programa operacional do Norte (PO/Norte) possam ser utilizadas por Lisboa se forem aplicadas em projectos "considerados muito relevantes para o desenvolvimento das regiões objectivo Convergência do Continente".

"Um projecto sedeado em Lisboa, que se insira no Objectivo I [regiões ilegíveis e de apoio transitório], pode acabar por ser financiado pelo PO/Norte, porque é considerado de elevadíssimo interesse nacional", asseverou Rui Rio, autarca portuense.
Segundo o autarca, a região de Lisboa, apesar de estar fora deste Objectivo I, pode aproveitar-se através do que está em texto na lei.

A título de exemplo, Rio disse que, se a região Norte pretender construir um pavilhão de ciência e conhecimento, este será sempre tido como uma infra-estrutura de interesse local, mas o mesmo pavilhão em Lisboa pode ser considerado de elevado interesse nacional.

São estas espertezas saloias que contribuem para alimentar clivagens e sustentar guerras de campanário.

Espera-se que as obras do novo aeroporto não sejam pagas, na parte que nos toca, desta forma.
Aliás, a CIP já tem o seu estudo o qual aponta, como não podia deixar de ser (pois se essa era a localização defendida por quem encomendou o estudo) que a localização do novo aeroporto em Alcochete permite poupar 3 milhões de euros, incluindo uma nova ponte e o redesenho da rede de alta velocidade.

O “Diário de Notícias” de ontem avançava também que o estudo admite tanto a possibilidade de encerramento da Portela logo que Alcochete esteja operacional como a manutenção do actual aeroporto.

Eu, que já estou por tudo, sou agora a favor da manutenção da Portela.
Portela e Alcochete ou Ota, Faro e Porto, aposto convosco 10 contra 1, hão-de ser insuficientes, ao ritmo que isto leva, para alojar todos os voos de partida que os deserdados da fortuna que todos os dias aumentam em Portugal procurarão.

Rumo sabe-se lá onde! À Rússia de Putin?
Quase de certeza que não. Embora alguns bem merecessem ir lá parar.

Conforme já terão reparado, o NOTASSOLTASSOLTASIDEIASTONTAS procura ser um espaço de liberdade, e por isso se avançou para a junção de três bloggers no mesmo espaço sem cuidar de saber as opções ideológicas de cada um, e onde se permite que os comentadores digam de sua justiça.

Ontem, o Tiago foi mimoseado com um comentário cujo teor era do mais soez que há. Uma coisa é a discordância do que aqui se escreve, outra completamente diferente o insulto.
Tomou-se a decisão pioneira de eliminar o comentário.

Pelo conteúdo, mas muito particularmente porque o energúmeno nem um nome fictício conseguiu arranjar.
Fez o que fez, sob a capa do anonimato, essa capa reles.
Devia ser um jota enjoado e quiçá antecipando a triste figura que a JSD viria a fazer.
Mas isso já o Tiago havia entrevisto.

Conforme o sítio onde estão

A 20ª cimeira UE/Rússia realiza-se hoje, sexta-feira, em Mafra, com a delegação russa liderada pelo presidente, Vladimir Putin, e a europeia pelo Primeiro-Ministro português, José Sócrates, presidente em exercício do Conselho Europeu.

Como já é usual, tratou-se logo de fazer algum tipo de manifestação, neste caso um movimento para relembrar os atropelos à liberdade de imprensa na Rússia.
No comunicado pode ler-se "... não se pode deixar passar a oportunidade de pressionar Vladimir Putin para aquilo que considera ser um dos direitos fundamentais de qualquer Estado que se diz democrático".

Só que desta vez, esta manifestação não tem a liderança do PCP. Sim, porque onde estiver o Sr. Sócrates tem obrigatoriamente que estar a sua "claque de apoio", embora aqui, estranhamente ou não, esses "apoiantes" ainda não apareceram e tenho a certeza que não vão aparecer, será que têm outras coisas para fazer ou será da presença do Sr. Putin?

O movimento de contestação tem génese na Juventude Social Democrata, a qual pretende colocar uma faixa em frente ao Convento de Mafra onde se poderá ler, em português e em russo, "Sem Liberdade, não há Verdade!".
Trata-se de uma iniciativa que lembra os atropelos à democracia que se passam lá na Rússia, de onde nos surgem todos os dias notícias de repressão contra jornalistas e liberdade de expressão, aproveitando para dar "estocada" na política governamental portuguesa.

No entanto, esta cruzada social democrata não passa de pura propaganda, não indo além de um dia.
Queria ver era consistência na acção com a colocação de faixas iguais em todos os sítios onde se vê um desrespeito pelo jornalismo e liberdade de expressão, sendo que, por exemplo, seria muito agradável ver uma faixa dessas num "Jardim" ou numa "pérola atlântica".
Mas é mais que evidente que, neste caso, quem anda à pedrada tem de ter cuidado porque tem telhados de vidro, se entretanto já não os tiver todos partidos

Estamos cada vez mais habituados a ver, por parte de todos partidos, a utilização de assuntos importantes como armas políticas, onde todos se intitulam guardiões da moral e dos bons costumes, mas esses variam conforme o sítio onde estão nesse momento.
Tudo leva a crer que a cimeira vai realmente ser um sucesso, pelo menos acredito que a fotografia vai ser bonita, muitos sorrisos, muitos apertos de mão seguidos de uma jantarada, fazendo sem duvida lembrar a grande recepção que o Presidente Cavaco Silva e o Primeiro-Ministro, José Sócrates, fizeram ao Dalai Lama...
Ops, lembrei-me agora que esse perigoso individuo, que defende coisas como paz e igualdade não teve direito a festas, ao contrário de este grande amante da liberdade que é o Sr. Putin.

O Rendimento Social de Inserção dos mais afortunados...

Você já ouviu falar numa coisa chamada subvenção vitalícia?
Não?
Então vamos lá ver umas coisitas engraçadas e, conforme as perspectivas, falar claro ou ser demagogo.
Para começo de conversa, a tal subvenção foi criada com a Lei número 4/85, de 9 de Abril, – entretanto revogada pela Lei 5-A/2005 - que previa que “os membros do Governo, os deputados à Assembleia da República e os juízes do Tribunal Constitucional que não sejam magistrados têm direito a uma subvenção vitalícia mensal”.

Para obter a pensão vitalícia começou por ser necessário exercer as funções, após o 25 de Abril, durante oito ou mais anos consecutivos ou interpolados.
Mais tarde, o limite temporal aumentou para doze anos.

O valor mensal da subvenção vitalícia é, nos termos do disposto no artigo 25º número da dita Lei número 4/85, calculado “à razão do vencimento base correspondente à data da cessação de funções do cargo em cujo desempenho o seu titular mais tempo tiver permanecido, por ano de exercício, até ao limite de 80%”. Já a ficar por aqui, seria caso para dizer “fixe”!

Mas, complementando, pode-se asseverar que “é acumulável com pensão de aposentação ou de reforma”. Podem, pois, os contemplados, dizer “fixe” ao quadrado!

Em 2008, segundo esclarecia o diário “Correio da Manhã”, os 383 subvencionados receberão uma prestação mensal de 1.751,00 euros. Por ano cada beneficiário receberá 21 020 euros. Digamos que é tipo um Rendimento Social de Inserção dos mais afortunados!

Querem uns nomes, querem?
Os socialistas Almeida Santos e José Penedos (este cavalheiro, não sei porquê, cheira-me que é o que agora anda lá na REN a assobiar para o lado no caso da condenação do Supremo tribunal de Justiça).
Os sociais-democratas Manuela Ferreira Leite e Carlos Encarnação (não deve estar a receber, pois é o presidente da Câmara Municipal de Coimbra).
Os democrata-cristãos Narana Coissoró e Anacoreta Correia.
O comunista Rogério Brito.
A ecologista Isabel Castro.
Vera Jardim e Maria do Rosário Carneiro, pelo PS, Marques Guedes e Hugo Velosa, pelo PSD, Bernardino Soares, do PCP, e Heloísa Apolónia, de Os Verdes, podem ser outros dos contemplados.

Mas há outros casos. Pois há.
Rui Rio obteve a pensão no decurso deste ano, mas a mesma está suspensa porque entretanto é Presidente da Câmara Municipal do Porto.
Isabel Castro, com 52 anos, também lá pediu a subvenção em 2005.
Este pessoal, coitado, em 2007 custará ao erário público, só nesta vertente, 7.640.000,00€.

Eu, o que não entendo, é porque raio precisam da dita subvenção.
Ou será que quando foram lá para os Parlamentos e quejandos, foram todos perder dinheiro?
Às tantas.
Diabo, lá estou eu para aqui a ser má língua, eles também têm direito à vida. Ou não?

Já se encontra em curso o projecto de uma união, federação, confederação de blogues contra a miséria. Sob coordenação da amiga Alda, e impulsionado pela Silêncio Culpado, será um projecto que chegará onde cada um de nós queira. Para já, aqui decidiu-se colocar em destaque.

Porque alguns me têm perguntado, aqui fica a razão de se apoiar a Miss Vader.
Primeiro, sou como o Jardim Gonçalves. Apoio os meus.
Segundo, se aos catorze anos alguém decide avançar com um projecto assim, só posso apoiar.
E até dar uma de “copy desk”. Se puderem… dêem uma espreitadela!

Pobreza: Estado versus Sociedade Civil

Parece que, subitamente, se descobriram dois milhões de pobres em Portugal. Uma constatação que “envergonha" Cavaco Silva, tão interessado nos roteiros para a inclusão, e faz surgir programas de demagogia pura que, ao pretenderem criar a ilusão de que se está a fazer alguma coisa, permitem que se deixe tudo na mesma.
Ouvindo os "Prós e Contras", de Fátima Campos Ferreira, quase somos levados a concluir que os pobres são pobres por culpa própria.

Se estão desempregados, em grande parte deve-se ao facto de não quererem os trabalhos que os imigrantes aceitam e, se estão pobres pelo endividamento excessivo, é porque as suas opções irrealistas de consumo para isso os empurraram.
Até parece que as culpas não têm rosto, um rosto por sinal cruel e desumano, consubstanciado num mercado e numa globalização que se auto regulam negando a equidade e o direito à vida àqueles que alimentam a sua essência.

Para mim é indiferente que se diga que o número de pobres em Portugal não tem vindo a aumentar e até acredito que não.

Há já uma década que a percentagem dos 20% está em cima da mesa, e até já esteve acima dos 20%. O que está em causa é que há um empobrecimento generalizado de uma população que, ou já era pobre, ou não tendo ainda atingido o limiar da pobreza, para lá caminha.

E isto enquanto se verifica um enriquecimento atordoante dos que já eram ricos através do agravamento das condições de vida dos mais pobres.

Quando se insinua que o português até pode recusar o trabalho que o imigrante aceita, oculta-se a situação de escravatura e indignidade que se impõe ao imigrante. O imigrante está por tudo e aceita tudo: viver num buraco com rendas especulativas e trabalhar de sol a sol por menos de metade do ordenado mínimo.

Outra das mensagens que se pretende passar é a de que muitos portugueses, com bons vencimentos, estão também pobres devido ao endividamento. E, pronto, lavam-se as mãos e limpam-se as consciências.

Até parece que esta sociedade de consumo nada tem a ver com um marketing que cria a necessidade de bens que chegam ao consumidor com valores inflacionados por um crédito aparentemente benigno. Porque também ninguém parece ser responsável por este marketing insidioso e desonesto que cria pobreza à custa de ilusões.

Veja-se o apelo às chamadas de valor acrescentado que são feitas, à descarada, em canais públicos de televisão. Veja-se o apelo ao crédito fácil. Mas mesmo que um cidadão resista a tanto apelo outros factores de destabilização acontecem. O desemprego, a precariedade de emprego, o agravamento das taxas e das condições do Serviço Nacional de Saúde, o aumento das taxas de juro para quem compra casa, têm trazido constrangimentos que, inicialmente, o orçamento familiar não previa. Ou seja, constrói-se uma vida a partir de uma base que se pensa poder contar e, subitamente, vê-se essa base ir esboroando até partir. Tal leva as famílias, em situação de desespero, a procurarem paliativos que lhes permitam prolongar a agonia à espera de uma solução de cura milagrosa que quase nunca acontece.

E não é correcto que se pretenda atirar para os ombros da sociedade civil a solução de tais casos. É como se quiséssemos passar a mensagem de que afinal o monstro que nos roubou os bens e a alma até é bonzinho e tem uma face humana. E com uma caridade que encarna a consciência de uma elite que, ao praticá-la, fica apaziguada e na paz do Senhor, pretende-se escamotear o sofrimento e a dor que se vai espalhando.

Se, como foi dito no programa "Prós e Contras", cerca de 60% dos portugueses não estão ganhos para um combate à pobreza concentrado e regulado pelo Estado, é porque as mensagens do poder lhes fizeram a cabeça pensar assim. Porque enquanto os portugueses assim pensarem as empresas "top" continuarão a ter lucros de 150% e continuaremos a alimentar as empresas de marketing dos amigos que são autênticas minas de ouro em países empobrecidos.

Sem prejuízo de uma cidadania activa que concentre as suas atenções no desenvolvimento da solidariedade e de apoio ao Estado no combate à desigualdade de oportunidades e à pobreza, não nos podemos deixar ofuscar por actuações colaterais que encobrem a espinha dorsal de uma responsabilidade que terá que caber, em primeira mão, a quem governa, sob pena de hipotecarmos os nossos valores como seres humanos e sermos espoliados dos nossos princípios.

Portáteis a 150,00€? Sim, mas não para todos!

Apostando no acesso generalizado dos jovens estudantes ao mundo da informática e à “web” o Governo iniciou, recentemente, um programa de distribuição à comunidade escolar de computadores portáteis a preços e condições alegadamente irrecusáveis.
Bem, não é à comunidade toda. Está-se a divulgar que é só para os alunos do 10º ano, embora haja quem preste a informação que é a todos os alunos que nos próximos três anos se possam vir a matricular naquele ano.

Um portátil a 150,00€ é uma proposta deveras interessante.
Há por aí quem afiance que alguns dos modelos oferecidos estavam na FNAC à venda por quatrocentos e poucos euros o que, segundo os detractores da iniciativa, resultaria num péssimo negócio para os aderentes, dado que teriam de fazer um contrato de adesão com uma das operadoras que fornecem o acesso à “net” por 3 anos suportando, no escalão mais elevado, custos de navegação entre os 17,50 e os 25,00€ mensais.
Qualquer coisa como 300,00€ ano.
Esqueceu-se quem lançou essa bojarda que, independentemente de tudo, com portátil a 150 ou a 400,00€, quem quisesse navegar teria sempre que suportar os custos de navegação.

Não é, pois, por aí que o gato vai às filhós.
Pode ir no prazo de adesão ou no facto de não se ter negociado com as operadoras pacotes maiores de navegação ou tarifas mais reduzidas.
Onde o gato vai mesmo às filhós é quando, numa rápida passagem pelo site da TMN dedicado ao assunto, se descortinam, entre outras, perguntas como esta (fresquinha pois era do dia 18 de Outubro):

É o seguinte: recebi uma mensagem da TMN a dizer que os códigos de activação para a inscrição já se encontram na secretaria da escola. O problema é que eu fui á secretaria da minha escola e eles disseram-me que ainda não sabem nada sobre isso! Gostava de saber, afinal, quando é que vêm os códigos de activação! Com os melhores cumprimentos”.

Outra mais antiga dava conta do seguinte:

Depois de vários contactos, quer para as Direcções Regionais de Educação, quer para a linha disponível no programa e-iniciativas, fiquei boquiaberto depois de me dizerem que os professores contratados não têm acesso a um computador portátil. Mas afinal existe xenofobia na educação. Tanto apregoam para o melhoramento do sistema escolar, mas não me parece que seja isso que esteja a acontecer. Lembrem-se que os professores do futuro e das novas tecnologias são os «míseros» professores contratados de hoje. Enfim... É tão triste ser professor hoje em dia”.

Quer dizer, haverá escolas que ainda não têm os códigos de activação?
Quer dizer, os professores contratados, para azar deles, também não têm direito a portátil?

Mas eles são professores ou não? São!
E não têm direito a portátil apesar do programa dizer que é para todos os professores? Não!

Mas a coisa não fica por aqui.
Na edição de Domingo do jornal “Público” uma mãe, na secção das cartas dos leitores, dava conta que aos alunos do ensino particular o acesso a esta iniciativa estava vedado.
Eu também posso afiançar por conhecimento próprio que o acesso dos alunos do sistema de ensino profissional (reconhecido e apoiado pelo Ministério da Educação) também está, para já, vedado ao tal portátil.
Assim como aos docentes deste sistema.

Quer dizer, dentro de um programa que pretende criar oportunidades de acesso a todos, possibilitar que, em muitos casos, os alunos dêem resposta às exigências dos professores que têm de pesquisar na “Internet” (não cuidando, muitas das vezes, em saberem se o aluno tem acesso ou não à mesma), e fomentar o contacto com as novas tecnologias, nem todos conseguem aceder ao mesmo.

Só pode ter sido lapso, mas também revela o quão atentos andam os mentores destas iniciativas. E o conhecimento que têm do País em que vivem.
Ou vão-nos querer convencer que o Ensino Particular e o Profissional funcionam à revelia do Ministério da Educação?
É ainda caso para perguntar onde anda a nossa Comunicação Social.
E as alegadas associações representativas dos sectores discriminados.

Já depois do remate final, mas procurando dar resposta aos pedidos que nos foram chegando, indica-se aqui o endereço onde poderão ter acesso aos documentos que configuram o que será o futuro da Europa:

http://www.consilium.europa.eu/cms3_fo/showPage.asp?id=1317&lang=pt&mode=g

Desde já aviso que só o projecto de Tratado são 152 páginas.
Entretenham-se, pois!

Direito à opinião

Depois de arrumada a festa, limpos os copos do champanhe, passamos para a fase seguinte e discutamos a rectificação do Tratado Europeu.

Sou europeísta, não imagino Portugal fora desta Europa, acredito que não seria possível vivermos fora dela. Aderimos e fizemos muito bem.

No meu último texto escrevi que o povo tinha direito à indignação e agora venho defender que o povo têm direito à opinião.

Durante a campanha eleitoral todos os partidos presentes, pelo menos os que têm eleitos para o Parlamento, defenderam a realização de um referendo sobre o tratado, tendo sido votados pelos programas que apresentaram; bem, pelo menos quero acreditar que sim, porque os partidos não são equipes de futebol, onde gostando ou não somos sempre adeptos.

Sendo assim parece-me que a não realização do referendo tratar-se-á de um insulto aos eleitores (embora alguns acreditem que uma coisa são promessas e outra a realidade), um politico que queira andar de pé e não de quatro, aos olhos do cidadão deve cumprir, ou, pelo menos, tentar cumprir o que promete.

Já ouvi alguns dizerem que se trata de questões complexas e que os políticos compreendem melhor o assunto que os cidadãos. Tenho para mim que estamos perante uma forma educada de chamar estúpido e ignorante ao povo.

Porque não um referendo, onde se possa livremente discutir ideias e conteúdos deste tratado, onde todos possam dar a sua opinião e nos permita conhecer o “bicho”?

Este recuar de posições pode significar também medo do resultado do referendo ou dar “mau” exemplo a outros países que, ao contrario do nosso, acredito que possam recusar o tratado, porque penso que apesar de tudo, o tratado terá a aprovação dos cidadãos portugueses.

Nisto tudo surge também outro problema que é a possível ausência dos cidadãos do referendo. A avaliar pelos números dos últimos, é perfeitamente admissível que o referendo não seja vinculativo, ou seja, não tenha uma percentagem de votantes suficientes para que seja válido.

Numa altura em que muito se fala de participação em movimentos, no direito à opinião e num despertar para as causas nacionais, acredito em mais um levantamento de forma a obrigar os responsáveis políticos a ouvir a voz do povo. Chega de crítica pela crítica, precisa-se é de acção, de fazer “barulho”, de consciência cívica, que acabem as queixas e se comece a intervir, porque só com intervenção e indignação se poderá obter alguma melhoria no estado da situação (ou será na situação do Estado?).

Desculpe, importa-se de repetir?

Primeiro fiquei pasmado, depois entrei em euforia. Por isso irei ser breve.

O Procurador-Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, disse em entrevista concedida ao "Sol" e publicada ontem o que segue: "Eu vou dizer uma coisa com toda a clareza, que talvez não devesse dizer: acho que as escutas em Portugal são feitas exageradamente. Eu próprio tenho muitas dúvidas que não tenha telefones sob escuta. Como é que vou lidar com isso? Não sei. Como é que vou controlar isto? Não sei. Penso que tenho um telemóvel sob escuta. Às vezes faz uns barulhos esquisitos".

Ficamos, pois, a saber que o Procurador-Geral da República tem um telemóvel.
Também ficamos a saber que diz o que pensa e que, neste caso, pensa que se fazem muitas escutas e que, quiçá, até ele é escutado.
Perdão, mas o senhor Procurador-Geral da República tem dúvidas que não possa ter telefones sob escuta?
Mas... mas... e de repente lembrei-me de Cunha Rodrigues e pensei: "Tu queres lá ver!"

E, a partir de agora, vou andar atento ao telemóvel.
É que o meu, às vezes, também faz uns ruídos esquisitos.
E eu que pensava que era a Nokia que andava a perder qualidades...

Ah, a euforia advem-me do facto de a minha segunda pátria ter sido campeã do mundo de "rugby".
Springboks, South Africa!

Que Europa queremos?

Que ideia de Europa defendemos? Que Europa queremos?
Nestas duas simples questões encerra-se um oceano.
De inquietações e desconfianças, mas também de algumas certezas.
Para que não restem dúvidas, permitir-me-ei citar Guilherme d´ Oliveira Martins, na sua obra “O Enigma Europeu – Ensaios e Reflexões”, quando, já em 1993, afirmava que “faltam a vontade e a decisão clara para avançar mais na União Europeia”.

Uma Europa de órgãos próprios e políticas próprias, capaz de se apresentar a uma só voz no coro das nações que não necessitasse de ajudas externas para ter acabado com vespeiros como os que se criaram com o desmembramento dessa invenção chamada Jugoslávia, que tomasse uma posição una face às temíveis inquietações que o radicalismo islâmico nos deviam inspirar, ou que fosse capaz de partir para a guerra com a mesma determinação com que se bate pela paz.

O hoje Presidente do Tribunal de Contas escrevia que os estados-nações “não são realidades arqueológicas, mas organismos em mutação. Preservem-se os estados de direito. Tornem-se vivas as sociedades civis. Não se trata de construir um super estado europeu, mas de tecer os equilíbrios que a democracia e a paz exigem”.

Ouvindo os responsáveis europeus, ter-se-á isso conseguido com o dito Tratado-Reformador?
Lamento, mas para mim a resposta é não. Não, porque o aludido tratado volta a ser uma manta de retalhos que resulta da conciliação das exigências (algumas mirabolantes) de cada um dos signatários com as do “diktat” do sacrossanto défice e da economia de mercado na versão mais aberrante que se conheceu.

Quando falta a coragem aos nossos políticos, apresentam-nos um tratado de tal complexidade técnica que, segundo Manuel Porto (ex-eurodeputado e docente universitário), só isso aconselha que não fosse o mesmo posto a referendo.

Não é pela complexidade técnica que o presente tratado não será certamente referendado (excepto na Irlanda, mas aí por imperativo constitucional), será pela tibieza dos políticos que, não tendo a visão de estadistas, não conseguem explicar aos seus concidadãos o que fazem, nem têm a coragem de assumir o que são.

À Presidência portuguesa devem, contudo, ser assacados dois méritos: o de ter conseguido, à força de malabarismos diplomáticos e quiçá pelo cansaço, almejar o tão desejado acordo e, em paralelo, brindar os representantes dos vários estados europeus com uma manifestação de duzentas mil pessoas.
Eu escrevo outra vez: d-u-z-e-n-t-a-s m-i-l p-e-s-s-o-a-s. 200.000!
E não me digam que, apesar de convocada pela CGTP, aquilo era só gente do Partido Comunista. É que a sê-lo, cuidado e alto!
Eu que procuro ser sincero admito que lá pelo meio da manifestação até alguns socialistas eram capazes de estar.

José Sócrates, que de tolo não tem nada, procura arrumar a casa da forma mais célere que lhe é possível.
Não vá o diabo tecê-las e acabar 2009 com uma ressaca de derrota, não que os outros sejam melhores mas apenas porque o povo se tenha cansado.

É que não é possível continuar a atingir ao mesmo tempo tudo e todos.
Nem continuar a tentar partido dos bodes expiatórios que se foram arranjando.
Ou continuar a pedir sacrifícios àqueles que já pouco mais têm por dar.

A semana encerrou, por exemplo, com a pressa de aprovar o novo regime de vínculos, carreiras e remunerações da função pública.
Abster-me-ei de qualquer comentário, porque outros os virão aqui fazer certamente. Alguns não dispensarão a ladainha de que o privado é que é o cúmulo da excelência e que tudo o que é público, são estropiados e mancos.
São esses que representam na perfeição um dos piores males de Portugal: a inveja e a ignorância!

Bem sei que é a economia, mas sou parvo. Por isso...

Num tom relativamente apocalíptico, Viviane Forrester, “O horror económico”, Edições Terramar, escrevia que “ (…) descobrimos agora que, para além da exploração dos homens, ainda havia pior e que, perante o facto de já não ser explorável, a multidão de homens considerados supérfluos, cada homem no seio desta multidão pode tremer. Da exploração à exclusão, da exclusão à eliminação…?”

Eu disse apocalíptico? E não me enganei. E sabem porquê? Porque isto foi dito em 1996.
Na altura, muitos de nós, embalados pela doce ilusão dos discursos patrioteiros de que estávamos a avançar a todo o vapor rumo à Europa e embriagados pela miragem do dinheiro fácil, nem sequer nos dignámos dispensar um breve olhar ao que lá vinha escrito.

Estes são os tempos em que multinacionais se comportam como predadores. Saltam de país em país, arrebanhando o máximo de apoios, isenções fiscais e, chegado ao fim do seu ciclo de optimização de recursos, pegam nas trouxas e põem-se a andar.
Para trás deixam agregados familiares à beira (para ser generoso) da ruína financeira e da miséria social.
400 aqui, 50 acolá, 700 mais além e assim se vai engrossando a coluna dos descamisados do capitalismo.
Há coisas que, não sendo economista, não compreendo.
Especialmente o do sacrossanto argumento de que os custos de produção, especialmente os salários, são elevados e que têm de procurar paragens onde possam pagar menos. Pagar menos, mas mantendo os preços ao consumidor e assim aumentando as margens de lucro.
Mas eu, que já aqui tenho apregoado que sou ignorante (e qualquer dia afirmo que sou inimputável, à cautela) fico-me nesta: mas ao lançarem milhares no desemprego, especialmente nos países europeus, esperam vender umas sapatilhas por 200,00€ ou calças de ganga a 100,00€ a quem? Aos que deixaram desempregados?
Poder-me-ão dizer que o número de desempregados num lado é compensado pelo aumento do poder de compra no outro, mas admitam que assim não sucede. Se esta lógica infernal fosse levada ao extremo iam vender a quem?

Outra que não me entra é como é que é possível a mesma entidade (a União Europeia) subsidiar aqui, ali e acolá o mesmo projecto? Quer dizer, as empresas que estiveram em Portugal e daqui saíram para ir para a Europa de Leste receberam ou não apoios comunitários e do Estado português quando para cá vieram?
E não os estão a receber agora nos locais onde vão montar a tenda?

Como vos disse, eu sou meio “atolambado”, e também não percebo o que espera o nosso Governo alcançar com a famosa Lei da Mobilidade que não seja mais precariedade, mais assimetrias sociais e, no limite, mais desemprego.
Meus amigos, eu posso estar a ser demagogo, mas se a economia não cresce, o mercado laboral privado está como está, na Administração Pública diz-se que é preciso reduzir aos efectivos, os que tiverem a má fortuna de irem para a dita mobilidade vão encontrar colocação onde? No olho do c…?

Se alguém puder ajudar-me a encontrar respostas eu agradeço.
E permitam que as use e entregue, se necessário, a quem de direito.
É que, com um bocado de jeito, anda por aí muito janota engravatado a debitar sobre isto e não faz a menor das ideias do que fala.

Consciência cívica.

Estamos de parabéns, é verdade estamos todos de parabéns, não falo dos autores do "Notas Soltas, Ideias Tontas", falo de todos aqueles que se levantaram contra a pobreza, falo de todos aqueles que passaram ontem por este espaço, deram o seu contributo ou tomaram no seu espaço a mesma iniciativa e que poderão continuar a dar, porque a discussão que foi aberta pela Silencio Culpado, infelizmente poderá nunca mais ter fim.


Este movimento que passou aqui e por muitos lugares, com o objectivo de lutar pela erradicação da pobreza, pedia para todos se levantarem, eu humildemente peço para que todos se mantenham de pé, que o dia 17 de Outubro se prolongue e não seja só uma data, mais um dia em que se toma umas iniciativas e no dia seguinte se esquece, voltando-se a esconder esta vergonha debaixo de um tapete, ofuscada por um folclore politico ou um penalti mal assinado.

Com um grande texto da Silencio Culpado levou à união de diferentes pontas da blogosfera na discussão de um assunto de grande relevância, criou um debate e acima de tudo serviu para se ver que apesar de todos os problemas, ainda existe uma consciência no nosso país, que apesar de muitas vezes abafada pela comunicação social, o povo pensa e tem voz.

Eu que sou relativamente novo neste mundo da blogosfera, tive o prazer de ver que afinal, ao contrário do certos detractores “intelectuais” que temos por ai, esta blogosfera é muito mais do que insultar e dizer mal, é um espaço livre de opinião, de participação e de consciência cívica, que afinal é aquilo que eu imaginava que era.

Como dizia o outro “cuidado que eles andam ai !”, podem andar, podem vigiar, podem tentar censurar, podem tentar amordaçar, mas uma coisa podem saber é que nunca vão conseguir calar o povo, sim esse povo que dizem estúpido e ignorante, que só está cá para bater palmas, porque não percebe nada de politica, não percebe nada de economia e parece que agora não percebe nada de tratados.

Fiquem a saber, senhores “detentores da palavra” e da “opinião válida,” que se o povo se levanta para esta luta, também se levanta para dar a sua opinião, para contribuir para o bem comum e acima de tudo para tomar um direito que é seu, o direito à indignação.

Levanta-te contra a pobreza e junta-te às vozes que pedem a sua erradicação

Mas não de levantes apenas hoje porque, no mundo, há 1.800 milhões de pessoas que aguardam que te ergas para que possam ter o mínimo indispensável para viverem. A cada dia que passa 50.000 morrem de pobreza extrema e o fosso entre ricos e pobres não pára de crescer. Não, não podes ficar sentado e indiferente quando, no teu próprio país, há dois milhões de pessoas que vivem com menos de 360 euros/mês, a desigualdade entre ricos e pobres é a maior da UE. Tens também uma taxa de pobreza superior à média da UE (16%) o que coloca Portugal na lista negra dos países desenvolvidos. É nas famílias numerosas e na população idosa que encontramos o maior número dos mais pobres em Portugal.
Mas há novos pobres, pessoas com emprego mas cujo salário não chega para as necessidades. E isto quando temos uma classe média a tender para o desaparecimento e as estatísticas do INE revelam ainda que, sem as pensões de reforma e as transferências sociais do Estado, mais de quatro milhões de portugueses estariam em risco de pobreza.
Por seu lado a presidente da Federação dos Bancos Alimentares contra a Fome, Isabel Jonet, garante também que há hoje mais pessoas a pedir ajuda alimentar do que em anos anteriores.
Estamos num mundo profundamente injusto em que a persistência da pobreza e da desigualdade não tem justificação. Somos a primeira geração que pode erradicar a pobreza. Existem meios, tecnologias, desenvolvimento suficientes para tal. Porém o crescimento económico espectacular gerado nos últimos anos não contribuiu para garantir os direitos humanos nem para melhorar as condições de vida em todas as regiões do mundo, nem para todas as pessoas seja qual for a sua condição, género, raça, ou cultura. Pelo contrário, aumentou a desigualdade e a injustiça. E tudo isto porque há falta de vontade política por parte dos Estados.
Em 2000, durante a assembleia geral da ONU, 189 chefes de Estado e de Governo assinaram a Declaração do Milénio que levou à formulação de 8 objectivos de desenvolvimento específicos, a alcançar até 2015, objectivos, estes que podem ser resumidos da seguinte forma:
1- Reduzir para metade a pobreza extrema e a fome. 2- Alcançar o ensino primário universal. 3- Promover a igualdade entre os sexos. 4- Reduzir em dois terços a mortalidade de crianças. 5- Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna. 6- Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças graves. 7- Garantir a sustentabilidade ambiental. 8- Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento. Passaram-se cinco anos e os líderes políticos continuam a não cumprir as suas promessas. Por isso, sob o lema “Pobreza Zero”, surge uma campanha que apela à sociedade para que se mobilize, actue e pressione os líderes políticos, e exija, como primeiro passo para a erradicação da pobreza, o cumprimento dos ODM (Objectivos de Desenvolvimento do Milénio). Em Setembro de 2005, a Assembleia Geral da ONU apresentou um relatório sobre o grau de cumprimento e incumprimento relativo aos ODM, durante a cimeira do Milénio e onde está patente a vontade dos países em envolver-se na luta contra a pobreza global.
Segundo dados da "Global Call Against Poverty" (designação internacional da campanha "Pobreza Zero"), a manter-se este estado de coisas, cerca de 45 milhões de crianças morrerão; 247 milhões de pessoas na África subsariana terão de sobreviver com menos de um dólar por dia, e mais de cem milhões de meninas e meninos continuarão sem ir à escola. Na resolução final da cimeira extraordinária das Nações Unidas, que decorreu em Nova Iorque, de 14 a 16 de Setembro, estes números ficaram sem respostas concretas e metas quantificáveis. Mais uma vez ali se reafirmaram compromissos anteriores, aprovaram listas de boas intenções e se inscreveu na história da ONU uma nova oportunidade perdida ou um recorrente fracasso.Quando o mundo se confronta com ameaças globais que vão do terrorismo à degradação ambiental, da proliferação nuclear à insegurança alimentar ou a novas pandemias, a pobreza extrema representa o fenómeno mais ilustrativo da incapacidade dos diversos poderes ou classes dirigentes para colocarem como prioridade o primado do direito de todos ao desenvolvimento.
Chegou, pois, a hora dos discursos se transformarem em soluções práticas. Não podemos ficar indiferentes ou ignorar que uma pobreza irreversível ganha cada vez mais terreno, nos envergonha e diminui como seres humanos.
Estás ainda sentado? Levanta-te!

Taxa de audiovisual leva com 5% de IVA por causa do regresso de Santana...

Se isto fosse um filme de Woody Allen a esta hora estariam a ver uma cena em que, no sofá, deitado, de óculos com lentes tipo fundo de garrafa, ar de doido e cabelo despenteado (difícil no meu caso que tenho a mania de o rapar todo), estaria o autor destas notas e, sentado na poltrona, um qualquer psiquiatra. Olha, podia ser aquela doutora de “Os Sopranos”.

É que fiquei assim depois de ter tomado conhecimento que o homem que andava por aí, vai passar a aparecer pujante em pleno hemiciclo e a invadir-nos diariamente a casa à hora dos noticiários.
Falo, evidentemente, de Pedro Santana Lopes, o qual revelou estar disponível para ajudar no combate colectivo que o PSD prepara com o único fito de regressar ao poleiro em 2009.
Continuo na minha que um líder mostra pouca força e muita fraqueza quando precisa deste tipo de disponibilidade.
Aliás, tenho para mim que o grande vencedor do conclave laranja de Torres Vedras foi Santana Lopes. E nem precisou de falar.

Certamente antecipando este cenário, o Governo, atentas as reais qualidades fotogénicas de Santana Lopes, no artigo 53º da sua Proposta de Lei do Orçamento de Estado para 2008 aponta para a cobrança de IVA na assim denominada contribuição para o audiovisual.
Muitos penso que ainda não se aperceberam que no fim de cada factura de electricidade surge um tributo destinado a financiar o serviço público de radiodifusão e de televisão.
De acordo com dados vindos a público na Comunicação Social, em 2006 o dito tributo representou 100 milhões de euros para a RTP e a RDP.

Aquilo são 1,60 euros mensais, a que agora querem acrescer os tais 5% de IVA.
E muito bem, digo eu.
Então se vamos passar a ter o pequeno ecrã abrilhantado por esse verdadeiro sex-symbol da política nacional, justo é que se pague mais um bocadito!

Não haverá por aí ninguém que consiga explicar a algumas pessoas do nosso meio com acesso fácil à Comunicação Social que já vai sendo tempo de deixarmos de querer viver num clima de meias tintas?

Falo, por exemplo, de Catalina Pestana e de José Rodrigues dos Santos que, cada um à sua maneira, parecem dois discípulos dilectos de Octávio Machado, o célebre palmelão que passava a vida a disparar insinuando para depois rematar “vocês sabem do que é que eu estou a falar”.
No caso Casa Pia, a Dra. Catalina Pestana parece ter uma lista que vai entregar a alguém de confiança para ser divulgada daqui a 25 anos.
Vai entretanto encharcando de lama o nome de algumas pessoas.
Se sabe, não divulga porquê?
Não denuncia no local próprio porquê?
E que dizer da insinuação que o processo judicial se arrastou até ter prazos mais convenientes? E quem arrastou? A Dra. Ana Peres? Os advogados? Por favor!

José Rodrigues dos Santos desenterrou a história de 2004 sobre Rosa Veloso, junta-lhe uns pós sem nomes e fica no ar a suspeição que na RTP tudo recebe ordens e pressões e faz fretes, menos ele.

Obras em regime ambiental.

Hoje fiquei, de inicio, agradavelmente surpreendido com uma noticia que li, é verdade afinal sempre se vê coisas boas a serem feitas em Portugal.
Numa zona maravilhosa deste nosso país, rio Tua, a REFER procedeu a uma excelente obra, reconstruiu toda a linha férrea do Rio Tua, após oito meses fechada para obras, a linha vai voltar a funcionar para agrado de muito gente, principalmente para o turismo. A REFFER, procedeu a um investimento de cerca de três milhões de euros desde 2005 na linha, fez trabalhos de consolidação da linha, automatização das passagens de nível e a recuperação dos desabamentos que ocorreram. Numa zona de excelentes características, com duas zonas termais, que são as termas de Carlão e São Lourenço, a que se juntam as vinhas da Adega Cooperativa da Murça e outras zonas vinhateiras, este investimento da REFFER, bem dinamizar o turismo e a circulação de pessoa, convém lembrar que esta obra de 30 kms, custou tanto como 2 kms de uma autoestrada, o que me leva a pensar que se trata de facto de um excelente investimento.
Agora temos o mas, sim é que em Portugal existe sempre um mas, o governo anunciou a criação do Programa Nacional de Barragens, trata-se de um programa que visa melhorar o aproveitamento dos recursos hídricos do nosso país, onde está incluída a barragem Foz Tua, que neste caso a intervenção consiste no aumento da cota de armazenagem. Portanto já sabem o que vai acontecer, a linha, os três milhões, o que a REFER ainda vai investir, as termas, as vinha, tudo debaixo de agua, exactamente tudo para destruir.
O Sr. Ministro Manuel Pinho defendeu que todo este programa é um excelente programa, por se tratar de mais um grande investimento em energias alternativas, tratando-se assim de um programa de cariz ambiental.
Pois eu concordo, trata-se de facto de um grande investimento ambiental, afundar uma linha turística e ecológica, destruir duas zonas termais, uma zona de grande importância vinícola e mergulhar na agua três milhões do dinheiro dos contribuintes. Querem coisa mais poluente e feia do que essa zona, uma linha férrea para as pessoas se deslocarem e para turistas, andem a pé, que faz bem à saúde ou vão de automóvel, que é preciso dinamizar as portagens, umas zonas de termas, para quê se o pessoal também não tem dinheiro para ir para lá, zona vinhateira, para quê se com o novo orçamento de estado, os impostos sobre bebidas alcoólicas vão aumentar, ainda por cima vinho de qualidade, bebam agua que é mais ecológica e faz bem à saúde, o investimento de três milhões afogado, não faz mal, que isso é uma migalha em relação ao que anda a ser desperdiçado por ai.
Hoje em dia a tendência é a construção de obras de regime, nem que sejam construídas em cima de zonas ambientais, acompanhadas com um desbaratar de dinheiros públicos.

Nota solta : De facto três milhões são uma migalha, mas migalha a migalha é capaz de se conseguir fazer um belo de um pão.


Ideia tonta : As criticas dos ambientalistas são “injustas e não tem em conta que Portugal é o terceiro país da Europa que mais aposta nas energias renováveis. Deviam era encher-se de orgulho por isso.” Ministro Manuel Pinho.


Menezes timoneiro, o PSD está contigo!

Animados pela embalagem da nova liderança, os militantes e entusiastas do PSD rumaram a Torres Vedras.
Apesar de se anunciar rotineiro, o Congresso revelava ter sido preparado ao milímetro. A presença de Domingos Ferreira, bem visível em imagens transmitidas pela SIC, e que se tem notabilizado por conseguir assegurar de forma eficaz manifestações políticas de maior dimensão. Sejam do PS, sejam do PSD. Consta que também a “Cunha Vaz e Associados” assegurou a sua colaboração.

Num discurso de abertura que lhe serviu para começar a colocar estacas, Luís Filipe Menezes disparou para fora (essencialmente sobre o Governo e o Governador do Banco de Portugal), mas não se esqueceu de mandar recados internos. Nomeadamente que ia estar atento a certas manobras e que não deixaria de querer levar o partido às bases.

Vasco Pulido Valente, ontem, assinalava já que se tratava do “pós-cavaquismo” no PSD, enquanto que páginas antes era patenteado um notável artigo assinado por Rui Valada intitulado “O problema do PSD” que serve perfeitamente para enfiar a carapuça na casa laranja ou na casa socialista. Os responsáveis editoriais do “Público” destacaram, neste artigo de opinião, a seguinte frase lapidar: “Cada facção (ou seja, cada partido) tenta bloquear as inscrições dos novos militantes trazidos pelas outras”. Não é preciso dizer mais, pois não?

Assinalo ainda, na minha modestíssima qualidade de analista e sem saber o que dirá Marcelo, que não sei qual o acordo secreto celebrado entre Luís Filipe Menezes e Pedro Santana Lopes mas, para mim, um homem que se quer afirmar começar por pactuar, e ainda por cima secretamente, com um putativo rival é prova de fraqueza. Resta aguardar.

Aproveitei ainda o dia para procurar informar-me melhor sobre as propostas orçamentais para 2008.
Uma das novidades, no que concerne às deduções à colecta, prende-se com um adicional no montante da mesma para os dependentes com idade até os 3 anos.
Não percebi… então um filho com 10, 14 ou 6 anos representa menos encargos para os pais que um de 3?
No resto, ninguém se aflija. Pouco muda.

Onde estamos e para onde vamos? (Reflexões sobre o suicídio em Portugal)

Quando se pretende analisar qualquer fenómeno social em profundidade, com recurso a estudos ou a estatísticas, damo-nos conta das enormes lacunas existentes que revelam, no mínimo, um total desprezo pelo que de mais sagrado há: a vida humana. Uma vida em que se nasce, cresce, ama e morre de formas diferentes de acordo com a estratificação, os lugares e as culturas como se diferente fosse o sangue que corresse, o coração que batesse e os olhos que porventura chorassem.
Anualmente, em todo o mundo, há cerca de 1 milhão de pessoas que se suicida. Um milhão de pessoas que prefere acabar com a dor a viver sem esperança. Destas, mais de 45.000 estão na União Europeia onde, a cada hora que passa, mais de 5 homens e mulheres cometem o suicídio. Mas, para além destes, num número que se estima 8 vezes superior, existe a realidade daqueles que sobreviveram à tentativa desesperada de pôr fim à vida.
Que mundo é este que pretendemos construir, é caso para perguntar. Apesar de Portugal apresentar ainda taxas médias de suicídio das mais baixas da UE, nos jovens entre os 15 e os 24 anos, o suicídio é a 2ª.causa de morte e as tentativas de suicídio são das mais elevadas da UE podendo atingir os 250/100.000 habitantes.
Os períodos de incerteza económica são propiciadores ao incremento dos suicídios o que, em Portugal, significou passar-se de uma valor de 500/100.000 habitantes no final da década de 90, para um aumento superior a 100% se tomarmos como referência os anos de 2002 e 2003 (últimos valores conhecidos e apurados) em que estes valores atingiram os 1.200/100.00 e 1.100/100.000, respectivamente.
Foi o sul do País que mais contribuiu para o aumento da taxa de suicídios talvez, também, porque a influência da igreja seja menos marcante quer no impedimento do acto quer na assumpção pública do seu reconhecimento.
Um estudo realizado em Coimbra, num Centro Hospitalar específico, com base numa amostra a nível nacional, aponta para uma maior concentração do fenómeno nos grupos sociais economicamente mais fragilizados. Segundo aquele Centro o universo dos suicidas portugueses seria assim distribuído em termos de estratificação:

Classe Alta – 1%
Classe Média-Alta - 14%
Classe Média-Baixa – 53%
Classe Baixa – 32%

Porém, se quisermos desdobrar dois dos indicadores utilizados no conceito de classe, o capital escolar e o económico, teremos uma incidência das taxas de suicidio como se segue:

Sem ensino obrigatório - 57%
Ensino obrigatório - 12%
Ensino médio - 20%
Ensino superior - 11%

Rendimento per capita:
Inferior ao salário mínimo - 41%
2 x Salário mínimo - 34%
3x Salário mínimo -13%
Superior a 4 x o salário mínimo - 12%

Mas que "ganda" conta de pinheiros!

Imaginem, por favor, um país cheio de árvores.
Entre essas árvores há uma que teve o infortúnio de querer ser Pinheiro.
Azar porque um bicho, certamente simpático na sua quase invisível existência e nemátodo de sua graça, resolveu, à boleia de um não menos simpatiquíssimo insecto, começar a infestar o infortunado Pinheiro.
Voa para aqui, ovos para acolá e eis que surge uma praga que, fossem estes os tempos de Moisés, e ainda surgiria ao lado das bíblicas pragas que assolaram o Egipto.
Face a tão avassaladora praga, foi decidido encetar medidas drásticas contra a mesma.

Cortem-se os pinheiros! – proclamou-se, tal como a Rainha de Copas (acho que é este o trunfo) manda cortar cabeças no mundo fantasioso de “Alice no País das Maravilhas”.
Fizeram-se as contas possíveis e apontou-se para o derrube de 700.000 pinheiros pela módica quantia de 11.000.000,00€.

Eu, sacripanta assumido, confesso que nunca fui grande traste nessas coisas dos números, mas sou levado a crer que cada árvore valia sensivelmente uns míseros 15,72€.
Vruuummmm, vrrummm, rec, rec… corta aqui, desbasta acolá, iiiooonnnn, rrreeeennnnn, madeeeiiiiraaaaa… corta, corta, ufa, ufa…. e tira-se a conta.
Quer dizer, uma parcela da conta porque, aos costumes, falamos de uma que devia ser equivalente a uma previsão de X árvores.
Uns cobres, a rondar os 3,6 milhões de euros. Para o Estado que o resto era com Bruxelas.

Saiu a factura e é quase como o pelintra no restaurante que, depois de pretender impressionar a companhia com uns lagostins, umas “botelhas” de champanhe francês, ostras e sabe-se lá que mais, se engasga tudinho com o café quando vê os números finais… cooffff, cof,,, pôrra… 70.000.000,00€?
Setenta milhões de euros? ~
Ó faz favor…
Perdão, cavalheiro, tem toda a razão. Esta facturinha não é para si, mas sim ali para o Senhor Ministro da Agricultura.
Para mim? Como, quando, onde, quem?
Não pago…

Eu, ingénuo, burro e meio tolinho que sou, não compreendo.
Então ao princípio não eram só 215.000 árvores, mais coisa, menos coisa?
E agora são quase 4.800.000?
Não tenho qualquer fundamento para duvidar da idoneidade da empresa que apresentou a factura, mas assim?
Sem anestesia nem nada?
Consta que lá no restaurante há um cliente que, inspirado pelo êxito dos “Trabalhadores do Comércio”, se pôs a gritar: “Chamem a polícia, que eu não pago!”

Mudar de canal!

Após um namoro de doze anos, tivemos um casamento na Madeira. Diga-se que foi uma coisa linda, a noiva chegou de avião, muitos fotógrafos, sorrisos e a cerimonia foi bonita. Embora, já nessa altura o noivo, o João, não gostasse do sogro, o Sr. José, durante a festa teve que se conter um bocado nas críticas que vinha fazendo, mas para sua surpresa e satisfação, a noiva levada, talvez pelo calor do momento, fez algumas críticas ao pai.
Como se trata de um casamento moderno, os noivos vivem em casas separadas, facto que já começou a originar problemas, visto que o pai da noiva, o Sr. José, prometeu uns “dinheiritos” para a noiva continuar as obras lá em casa, não escorrendo nada para a casa do João.

Para agravar esta situação, os primos da noiva, que vivem na Madeira e não suportam o rapaz, continuaram na sua cruzada, reunindo uma série de acusações graves contra ele, ao que o João respondeu de uma forma caracteristicamente sua chamando-lhes anedotas, sensacionalistas e queixinhas.

Nesta altura seria bom recordar que o João é uma pessoa que também gostar de contar a sua anedota, como aquela de que o casamento entre pessoas do mesmo sexo vai contra a alma nacional e que fere os valores portugueses, sabe-se que é também uma pessoa pouco dada a sensacionalismos, tirando umas frases mais arrebatadas, tipo o Sr. José com a sua "mão fechada" está a acordar sentimentos que estavam adormecidos na minha família e, para finalizar, é uma pessoa pouco dada a queixas, excepto quando não lhe deixam gastar o que ele quer e ainda por cima dinheiro dos outros.
Este é o resumo do último desenvolvimento de uma telenovela nacional, que já começa a parecer-se mais com uma novela mexicana, daquelas que parecem não ter fim à vista. Enquanto isso, os coitados dos espectadores aguardam ansiosamente que chegue rapidamente ao final, fartos que estão das personagens, do argumento e principalmente de não conseguirem mudar de canal.

Nota solta : Precisa-se urgentemente de um comando para o televisor.


Ideia tonta : Prefiro a Floribela.


O jogo do empurra... responsabilidades!

Um dos jogos mais populares entre nós é o do “empurra”.
O jogo não tem nada de complexo nas suas regras, mas exige rapidez de raciocínio, argúcia e capacidade de afivelar o rosto ou, se assim o pedirem as circunstâncias, pôr um ar muito angelical.
Vem esta treta toda a propósito de duas pequenas reportagens que ontem tive oportunidade de ver.

Na primeira, a propósito de parques infantis, viu-se como, num caso, um organismo público nem sabia da existência de um parque infantil num certo local do seu concelho; noutro era a questão da dominialidade que emperrava o assunto entre a Junta, a Câmara e a Cooperativa.
E, meus amigos, a questão da dominialidade é como o maná no deserto para jurista de organismo público que se preze. Ora é público, ora é privado. Depois, e dentro do privado, pode ser disponível ou indisponível. Do Estado, dos municípios e das freguesias. Que não, já dizem alguns, as freguesias não têm domínio público viário, por exemplo. Pela amostra, já vêem…

Mais a Norte, a questão passava pelo facto de andarem no mesmo local obras de um loteamento e do Município. Pelo meio, uma octogenária ficou com meio metro de terra para entrar em casa, de muletas e ai dela se uma das muletas saísse do rêgo… era abismo pela certa. Pois bem, a reposição dos acessos parece que, para já, não é da responsabilidade de ninguém. Isso não é comigo, dizia o empreiteiro. Ai é, é, diziam na Câmara. Então nós até temos uma caução que podemos accionar…

Portanto, como vêem o jogo é parco em regras… o que importa é saber rabear na confusão e não ter o azar de ser dos últimos na cadeia alimentar das hierarquias. Se o chefe acorda mal disposto e começa a zurzir o secretário logo pela manhã, este tem de passar a dor de cabeça a alguém. Especialmente quando do assunto percebe tanto como um boi a olhar para o Palácio de Cristal. Ou a Torre de Belém.
Depois de pensar, chama uma das chefias técnicas… que isto não pode ser, que vai tudo para a rua, isto é processo pela certa, você veja-me lá isso… sim senhor, sim senhor, ora deixa-me cá ver… ó fulano, veja-me isto num instante… ó chefe, agora… raios partam… onde anda o estagiário… ó moço, vê-me lá este pincel num instante… que eu venho já para te dar uma ajuda… e pronto, depois do assunto estar na mesa doutro, há lá questão que nos possa afligir…

Pensem bem e vejam quantos casos destes conhecem. E, porque sei que não são envergonhados, dêem conta deles.
Mas com cuidadinho, pois nunca se sabe quando dois agentes policiais à civil não nos requisitam blogue, comentários e tudo o mais...

Hoje fala-se de obras públicas e anuncia-se mais um "craque"...

As nossas obras públicas padecem, há inúmeros anos, de dois vícios. Ou males.
O primeiro chama-se derrapagem financeira. O segundo, atraso.
Lê-se, vê-se, ouve-se e, nalguns casos, murmura-se
Foi adjudicada por X, mas já sofreu um desvio de mais Z. Ou de Z mais 1, mais 2, mais 3, sabe-se lá que mais…
Ontem topei, mais uma vez, com a confirmação desse vício.
Ressalvado qualquer lapso de memória, e os amigos (amigos no sentido amplo, lato abrangendo os dois sexos), terão de fazer o esforço suplementar de, para além de me aturarem nas leituras, compreenderem que um homem a partir de uma certa idade não é o que era, dizia, a Linha Azul do Metropolitano de Lisboa anda com obras há uns anitos e um desvio de custos a rondar os 50%.
Já o túnel do Rossio, coitado, meteu baixa por 60 dias e já lá vão quase 1000.
Mas, ó incréus, deveis acreditar, pois está para breve o anúncio de um qualquer prazo… não sei qual, mas está.
E assim lá vamos andando. Quer dizer, não devíamos, mas vamos.
A conjugação destes factores levanta, porém, algumas interrogações.
Estas derrapagens, todas somadas, quanto representam?
Qual o rigor posto na execução de projectos que, mal a obra começa, revelam debilidades?
E porque é que se o dono da obra diz que a empreitada precisa de Y dias para ser concluída, normalmente o empreiteiro precisa de mais?
Quem é que se engana nos prazos? E cálculos?
Tudo isto prejudica ou não o interesse público?
Infelizmente, os exemplos somam-se pelo País fora. O que faz com que se tenha de temer o pior quando os projectos do TGV e do novo aeroporto avançarem.
É que, ao caso, não estamos a falar de “peanuts”….

O projecto “Notas Soltas, Ideias Tontas”, que começou por ser a forma que encontrei de saciar o apetite da escrita e sem que almejasse qualquer público em concreto, começou a ganhar pernas, leitores, comentadores fiéis e deu-me a descobrir outros projectos. Uns mais ácidos, outros mais poéticos. Todos interessantes.
É uma forma de comunicação, embora me interrogue quantos de nós dirigiríamos a palavra a outros se colocados, frente a frente, num qualquer local…
Ontem, conforme se constatou, este escriba teve a oportunidade de franquear as portas do seu projecto à pessoa que dá pelo nome de “Silêncio Culpado”.
Hoje, qual Abramovich da blogosfera, fechou-se contrato com o Tiago Cardoso, do “Comfixadores”.
Não pretendendo arranjar clones, dispõem os contratados das mais amplas liberdades de escrita e de expressão.
Com um único cuidado… é que eles andam por aí…
E quando menos se espera podemos ter uma surpresa. Desagradável, certamente.
Mas, até lá, cá estaremos.

Barulho? PCP e satélites! Aqui no Notas? Silêncio! E de ... classe

O estilo, a capacidade de afirmação e a elegância no trato são marcas distintivas de comportamentos. De comunicação. E de políticas.
Ontem, em Montemor-o-Velho, foi oficialmente apresentado um investimento de 64 milhões de euros, gerador de 200 postos de trabalho directos e destinado à produção de baterias de hidrogénio. Estes números estão sujeitos a rectificação. Por duas ordens de razão: pode a memória ter-me falhado ou as coisas na realidade virem a revelar-se menos cor-de-rosa, particularmente no que concerne aos postos de trabalho a criar.
Nas imediações um grupo de sindicalistas preparava uma recepção ao Primeiro-Ministro. Segundo um dirigente da FENPROF só lá estavam para entregar uma carta. Nunca percebi, confesso, esta mania de entregar cartas em mão.
Se é para isso, falem. Ou então mandem-nas via postal!
A GNR, zelosa, e certamente mediante ordens, mandou recuar a maralha e confiscou tarjas. E logo se ouviram gritos de “fascistas”, “25 de Abril sempre”, “fascismo nunca mais”.
O Primeiro-Ministro, num registo que já conhecemos noutros titulares do cargo, atirou-se ao PCP.
Eu, por exemplo, não me atiro a ninguém em particular.
Acho mal que, no caso da manifestação ter sido autorizada nos termos legais, tenham sido impedidos lá os sindicalistas de entregarem a carta.
Acho mal que, para se entregar uma carta, se tenha de ir em magote, com bandeiras e tarjas.
Acho mal que não se mandem as cartas via postal.
Acho mal que só se conheça um registo de protesto que assente a tecla no fascismo e no 25 de Abril, pois podiam lembrar-se do comunismo e da unicidade sindical que quiseram impor.
Mas, como vos dizia, tudo isto resulta da falta de classe e de estilo das partes envolvidas.
Basta ver que aqui mesmo, no “Notassoltasideiastontas”, se procedeu a uma contratação daquelas que no mercado futebolístico se dizem “de última hora”, sonante, de bastos requisitos e sem ponta de escarcéu. É verdade, a partir de ontem aqui neste blogue debita-se um Silêncio Culpado. Temos a certeza que será do agrado. Dos leitores e dos comentadores.

Uma história de formação.

Numa conhecida empresa do País, sustentada com o dinheiro dos contribuintes, estava uma chefia em altas meditações logo pela manhã. O contínuo acabara de lhe colocar 2 grossos volumes enviados pela administração para que esta chefia escolhesse, para si e seus funcionários, os cursos de formação que pretendiam frequentar durante o próximo ano. Eram tantos os cursos e tão poucos os funcionários que a pobre chefe até trocava alguns dos cursos por um dos postos de trabalho que foram fechando a pretexto da contenção orçamental.
Bom, mas nós temos que ser modernos e a modernidade impõe formação contínua, pensa a dita chefia.
Analisa o perfil dos trabalhadores e as características do posto de trabalho, estuda os dossiers e conclui das necessidades básicas da formação.
Pouco depois de ter enviado a comunicação escrita à administração é lá chamada e depara-se com 3 caras de poucos amigos. Depois de receber uma reprimenda velada por ter escolhido tão poucos cursos de formação e por não se ter proposto a si própria para frequentar cursos, é a chefia informada da formação que ela própria teria que fazer.
Era uma vasta lista que deixou a pobre perplexa.
Um dos cursos que lhe foi imposto já tinha frequentado no ano transacto com boa classificação. Porém, quando alertou os superiores para o facto, foi-lhe dito que era mesmo assim.
A realidade estava sempre a mudar e nunca era de mais a actualização. O curso foi exactamente igual, dado pelo mesmo formador, e até os testes eram iguais. A dita chefia teve, por isso, a nota máxima em todos os testes.
Outro dos cursos que lhe foi destinado tinha a ver com uma matéria que até tinha sido objecto da sua tese de mestrado.
A chefia questionava-se sobre a sua necessidade de fazer formação sobre aquela matéria específica mas, como as ordens são para se cumprir, a pobre lá foi. Bem, mas qual não é o seu espanto quando se depara com a formadora de alguns dos módulos que compunham o dito curso: é que se tratava de uma das suas alunas a quem, na faculdade, em período pós-laboral, dava, a convite, aulas sobre aquela matéria.
Humildemente a chefia senta-se na carteira e recebe os ensinamentos da aluna. As voltas que a vida dá!...
Moral da história: vou deixar aos comentadores

Cidadão não mete bedelho nas coisas da U.E!

Já é possível consultar no endereço www.eu.2007.pt. o projecto do dito Tratado Reformador.
Mas não se deixem ludibriar. Onde antes era o Tratado Constitucional, agora é Reformador.
Tendo sido o resultado de um equilíbrio difícil entre as exigências dos rotundos “não” holandês e francês, e o tratamento especial que ingleses e polacos exigem, parece que o texto pouco mais é que ilegível para leigos.
À beira maneira dos bu(r)rocratas de Bruxelas, tanto compromisso e a preocupação excessiva de afastar qualquer veleidade de referendo só irão contribuir para o alheamento e afastamento dos europeus da ideia de uma Europa una, a uma só voz.
E como hoje é domingo, o melhor é ficar por aqui

E no Dia da República ouviram-se umas coisitas...

A nação, grosso modo, parece-me que está a borrifar-se para o 5 de Outubro.
Provavelmente faz bem.
A causa republicana já não desperta emoções, nem questiúnculas de maior e nem quando os defensores (acérrimos, aliás) da causa monárquica nos entram pelos olhos dentro esboçamos qualquer tipo de reacção. Bem, eu esboço… dou um sorriso.
E deve ter sido por acreditar que a Nação tem mais que fazer que o PSD (pelo menos o seu recém-eleito líder) não compareceu às cerimónias oficiais.
Maçada.
Terá o convite seguido? Alguém o recebeu lá na São Caetano à Lapa e fez de conta? Foi a equipa de Menezes que, inebriada pela recente vitória, se olvidou? Temos tema aí para durar um diazito…
No mais, parece que o nosso Presidente puxou dos galões e resolveu invectivar a sociedade civil em matéria de Educação.
Do que já vi, parece que a coisa se chamará um "novo olhar sobre a escola" assentando em dois vectores: os pais devem estar envolvidos de forma mais activa e participante e a figura do professor deve ser mais prestigiada.
O puxão de orelhas aos pais foi bem dirigido. Principalmente àqueles que, indo às reuniões trimestrais com os directores de turma, se limitam a assentar a sua intervenção educativa num binómio: ele (ou ela) é muito mal comportado, você dê-lhe!
E assim resolvem a sua participação no processo educativo. Normalmente são os que, no fim do ano, mais estridentemente reclamam da incompetência do docente que avaliou mal o aluno.
Atenção que não estou a generalizar. Bem sei que existem casos e casos…
Assim como do outro lado da alegada barricada se encontram casos e casos… de docentes incrivelmente dedicados, competentes e profundamente interessados em acompanhar os seus discentes, e aqueles que ou se limitam à gestão do quotidiano ou têm uma noção muito retorcida do seu papel.
Mas no dia em que se comemorava a República, assistiu-se a mais um triste espectáculo a propósito da Casa Pia. Não falo da entrevista de Catalina Pestana, pois nem a li. Falo, isso sim, da intervenção de Pedro Namora na SIC onde o mesmo, mais uma vez e à semelhança do que muito se faz neste país, se limitou a deixar no ar uma série de insinuações. Desde o desmantelamento propositado da equipa da PJ que investigava o caso (eu pergunto: por quem? Com que intuito? E são aqueles os únicos competentes da PJ?), ao facto de existirem ministros que estão no Governo pelo papel de “descredibilização” de todo o processo.
Sou dos que pensam que não se pode andar por aí impunemente a lançar atoardas desta natureza. Basta de meias tintas. Ou é ou não é.
Podia o Dr. Pedro Namora aprender com Medina Carreira que, minutos depois, chamou pelos bois a Lei da Mobilidade que este Governo dito socialista arranjou como aparente fórmula mágica para resolver os problemas da Função Pública.
A mesma, segundo aquele fiscalista, serve para fazer saneamentos!

De Santa Maria da Feira a Portalegre... tudo em pantanas!

Assim vai o estado da Nação… desta Nação que é nosso fado!
Em Santa Maria da Feira a Secundária local rebenta pelas costuras.
Gizada para 42 turmas, tem, neste momento, mais 20.
Os problemas de espaço resolvem-se com o habitual espírito do desenrascado lusitano.
Aulas de Educação Física fora do pavilhão… apanham frio, os meninos? Não faz mal, enrijecem as carnes e ficam mais robustos… afinal, o futuro augura-se negro… quiçá possa passar a cinzento com uns retoques de “photoshop”…
O bar não os consegue despachar a todos nos intervalos, olha que pena, mas assim combate-se a obesidade infanto-juvenil…
Às vezes um ou outro tem de ficar de pé na sala de aula ou, em calhando ser namorados, podem sentar-se ao lado um do outro, aconchegadinhos na cadeira única… não temos carteiras que cheguem…
Mais a Sul, lá pelas bandas de Portalegre (quem lhe pôs o nome se fosse hoje haveria de lhe chamar Portatriste), há quem faça 600 quilómetros num dia.
E é se querem sobreviver. Vão fazer hemodiálise ao Montijo, sempre aproveitam para conhecer o País… vós, õ ingratos, não vos sabeis que ir para fora cá dentro é ajudar o País a crescer? A economia a prosperar…
Pôrra. Raio. Que é isto? Queremos abalançar-nos ao TGV e a um aeroporto e não somos capazes de arranjar maneira de 4 pessoas (q-u-a-t-r-o!!!!) conseguirem fazer hemodiálise a menos de 300 quilómetros de casa? Não somos capazes de prevenir e de prever que se uma escola foi pensada para 42 turmas e está com 62 há-de rebentar por algum lado?

O recado de César para Sócrates significa o quê?

Carlos César e Alberto João Jardim, dos governos regionais dos Açores e Madeira, respectivamente, encontraram-se para aquilo que, à primeira vista, parece ter sido uma animada sessão de trabalho.
Confesso que não prestei muita atenção à coisa, tirando as risadas e as palmadas, e ainda algo que poderá significar que, afinal, o PS ainda mexe.
Carlos César, o homem responsável por desalojar o PSD dos Açores, referiu, meio a sério, meio a brincar, que o País andava a ser governado por terceiras linhas. Falou em directores-gerais e, pasme-se, ministros.
Lestas, as televisões (pelo menos a SIC) apressaram-se a procurar reacções a Sócrates que, aparentemente confuso ou agastado, se escusava ou refugiava em banalidades.
Pode ter sido um deslize, um piropo destinado a amansar Jardim ou um sinal de incomodidade. Não sei.
O que sei é que para José Sócrates será, certamente, muito diferente ter de aturar as críticas da blogosfera, os manuéis alegres e as rosetas do PS, os quais, parafraseando o Tiago do “comfixadores”, são dos tais intelectuais que abominam o povo, e estas alfinetadas de Carlos César.
A incomodidade revelada demonstrou-o. Começa, aliás, a ser flagrante a propensão governativa para só cuidar de responder àquilo que é sempre a rolar por aí fora sem problema de maior.
E agora com a guerra (desnecessária, digo eu que sou agnóstico) da assistência espiritual nos hospitais, é bem capaz de começar a estar a preparar o seu Waterloo!

No desemprego batemos Espanha, o pior é o resto!

Mais um bocadinho e estaremos lá.
Lá é o primeiro lugar num campeonato onde a disputa mais ardente se faz para os lugares de baixo.
É verdade, aqui estar no pelotão da frente, por incrível que pareça, significa estar nos lugares da cauda.
Quanto mais para cima, pior.
Mas o tipo está a debitar sobre o quê, interrogam-se já alguns dos meus assíduos leitores.
Ora, do facto de pela primeira vez em duas décadas estarmos à frente de Espanha.
Custou-nos muito, foi quase o cumprimento da promessa de Churchill de sangue, suor e lágrimas, mas chegámos lá.
Em Julho tínhamos a taxa de desemprego nuns modestos 7,5%, mas num ápice, num mês apenas, subimos 1,2% elevado a fasquia para os 8,3%.
Tomai que é para aprenderdes, podíamos gritar a plenos pulmões.
Foi por uma unha negra, por uns míseros 0,3% mas ficamos à frente.
E foi ainda por uma unha negra que não superámos a Grécia (aqueles 0,1% a mais) e a França (0,3% a mais que Portugal), mas até ao fim do ano vamos lá.
E com um jeitinho ainda arranjámos maneira de superar os 9,1% da Polónia e os 11,1% da Eslováquia.
Quê? Queiram os leitores perdoar-me, mas tenha ali a minha cara-metade a chamar-me… Quê? Que foi, que estás para aí dizer?
Ó diabo, tens razão…
Vocês desculpem lá, foi a emoção do momento. Entusiasmei-me e nem me apercebi que estava a falar do desemprego.
Um flagelo social que a todos deveria preocupar, mas que a avaliar pela reacção do nosso habitualmente prolixo ministro da Economia, Manuel Pinho, pouco mais merecerão que silêncio da sua parte.

TV CABO podia pensar no canal “PSD TV” ou “Socialista ma non troppo TV”… não?

O fenómeno da imigração veio para ficar e que há muito boa gente que veio para ficar.
Só isso justifica que a “TV Cabo”, essa tenebrosa entidade, vá lançar canais chineses, russos, búlgaros, romenos, ucranianos, alemães, espanhóis e um cubano. Quanto a este, a má-língua diz que o canal terá como director de informação Alberto João Jardim que assim poderá verberar os “cubanos”.
Acrescerão o “TV Globo” e a “Premium Futebol Clube”, estes dois brasileiros.
Dando provas de serem piores que um flibusteiro, a TV Cabo e os cavalheiros da Rede Globo cobrarão 10,00 euros mensais para se poder ver o programa do Jô, por exemplo. E quem quiser bola, mais 5,00€.
Aqueles tipos mereciam era que ninguém lhes ligasse um c…!
Cobram tudo e mais alguma coisa, até o aluguer de uma “caixota” de plástico e, quando lhes apetece, mudam canais, conteúdos…
A última foi a ideia luminosa de reagrupar os canais. Gostava de saber quem foi o mentor de semelhante asneirada.
E experimentem os amigos ligar para os serviços de assistência técnica e logo verão no que se meteram.
Aquilo toca, toca, espera, espera, aparece alguém, ai, coisa e tal, vou passar com não sei quem, toca, toca, espera, espera e aqui o “fabiano” a pagar telefone.
São uns “porreiraços”, é o que é.
E aqui chegado, dou por mim todo contente a pensar… pronto, desta feita não falaste de política.

Mas eu sou incapaz de resistir e não posso deixar de anotar que Manuela Ferreira Leite não admite análises de carácter, o que significa que Marcelo Rebelo de Sousa é homem para mandar umas alfinetadas no próximo domingo, e que na Figueira da Foz um vereador do PSD acusou o presidente da Câmara, também ele do PSD, de perseguição política a um funcionário da autarquia tendo-o mesmo despedido.
Para a história ficam algumas passagens da reunião do órgão autárquico onde a polémica estalou:

"É lamentável que com a sua cobertura se faça perseguição política a uma pessoa que teve a coragem de apoiar a minha candidatura. Nem Salazar o fez e Salazar preocupava-se com coisas importantes, era um ditador à maneira";

"Foi uma óbvia retaliação sobre uma pessoa honrada, que cumpriu até hoje os seus deveres sem mácula"

Foi um acto "mesquinho, indigno de quem está na democracia e em funções públicas".

Cá está, se a TV Cabo me garantisse que por 10,00€ mensais me arranjava assim tipo um “PSD TV” ou “Canal PSD” tinha aqui um cliente. E para alegrar a coisa ainda se podia encarecer mais 5 euros o produto e termos direito ao “Socialista ma non troppo TV”, “Canal Portas”, “Jerónimo URSS Televiskya” e o “Televisão Esquerda, Bloco, Caviar”. E na nova grelha podiam dar-lhes ali números entre os 70 e os 80 que é onde os canais de entretenimento estão agora.

Oh, por favor, conta-me como foi...

A vivência democrática tem destas coisas.
Permite-nos, por exemplo, saber de algumas coisas que se passam nos meandros mais profundos dos poderes.
Fosse Portugal a distante Birmânia e nada! Nada piava, nem eu escrevia e nem vocês comentavam.
Assim, vamos sabendo dumas coisitas e, estando atentos e juntando as peças, ainda conseguimos uns nacos de delícia. Como a que segue...

Era uma vez um Procurador-Geral da República a quem o Primeiro-Ministro prometia público apoio, enquanto em privado procurava convencer o Presidente da República a nomear outro senhor para a Procuradoria.
E, sabendo desta história, o tesoureiro de um partido que saíra do poder para a oposição, e que por acaso estava envolvido num processo que andava a marcar a agenda das investigações criminais, não só queria que isso acontecesse como até consta que rezava um terço por dia para que tal sucedesse.
Como hoje é segunda-feira, nada melhor que começar a semana com um enigma.
Por isso, preencham os espaços em branco e descubram os nomes.

Entretanto, e embora sabendo que nenhum responsável do Ministério da Educação lê este blogue, queria aqui deixar uma sugestão.
E que seria a de arranjar forma da série “Conta-me como foi”, que passa na RTP1 ao domingo à noite, constar nos manuais de História e Formação Cívica.
Quem viu deve compreender o porquê destas palavras. Quem não viu, deve ver. Agradável, despretensiosa mas a retratar com algum humor alguns dos anos de chumbo da nossa História colectiva.