Lucros dos Bancos ainda dão para um iPod?

Soaram alarmes, sinetas, e demais quejandos usados nos bancos para dar o alarme.
Logo pela manhã cedinho, enquanto trincavam uma torradinha que a menina Margarida fizera fresquinha e sorviam os aromas que o café libertava, alguns dos senhores doutores dos conselhos de administração e similares da banca iam-se engasgando.
Pegam no jornal e, pumba, um murro… anunciava-se que a crise financeira dava grande coça nos lucros da banca… coofff… cof, cof… pôrra… ai… ó Margarida bata-me aqui nas costas que me entalo… ó senhor doutor, veja lá…
Levemente recompostos, logo trataram de estudar estratégias para, se a coisa não melhorasse até ao Natal, não permitir que aquela espiral de violência nos números não exigisse uma intervenção armada dos americanos.
O coração ameaçava um AVC, um gole de água, por favor, ai que se isto continua assim lá se vai o prémio de 500 mil euritos no fim do ano… e se o prémio baixar como vou convencer a mulher que sou melhor que aquela besta do Antunes que trabalha no banco ali do lado?
Ó Margarida, chame-me aí a Doutora Vitoriana… despache-se… Chamou? Claro. Veja-me lá quantos gajos podemos pôr no olho da rua que isto há que poupar… Ó Fernando faça-me aí uma circular que é preciso apertar nos empréstimos … ai, que isto dá-me alguma… olhe, Guidinha, vou ali para o health clube, mas veja lá, nada de… piar… vou descansar…
Ao mesmo tempo, numa fábrica que não é com certeza no Vale do Ave, um empresário berrava, urrava qual Minotauro… grande filho da… ai o grande filho da… comunista do carvalho… olha-me este…. vermelho duma figa…
E que tanto enfurecia assim o nosso homem?
Simples.
Lera que Alan Greenspan (o homem que durante muitos anos mandou no dólar) achava, grosso modo, que os lucros das empresas estavam muito altos quando em contraponto com os salários.
Pois é, a verdade dói de caraças!
Entrementes, o nosso menino Josélito Sócrates andava numa roda viva a mostrar o iPod que Bush lhe dera.
Quer dizer, parece que aquilo foi um estojo de corrida completo… by jove, Jose, here you have a pair of snickers, a t-shirt, socks, shorts, all an offer of Blackwater, you know, our private army in Iraq, and this little thing… an iPod… what do you say my friend? … ai, ai… ai que me falha a palavra... olha, vou correr…e lá foi o nosso ladino Primeiro-Ministro a mais uma corridita… now that’s running!!!
E assim vai o mundo.

13 comentarios:

Euz disse...

Tá mau... está péssimo...
Se se instala o pânico, é ver o pessoal à porta dos bancos a levar o dinheiro para debaixo do colchão.
e3 o pior é que se vai tudo de uma vez só é o caos, pois as pessoas muita das vezes esquecem que "emprestam" o dinheiro ao banco para este transaccionar a outros niveis. Deus nos livre e guarde.
Beijo amigo
E.

Lampejo disse...

Quint,

Huumm...

Desculpe, mas não entendo nada, nadinha de empréstimo Bancários.

Mas tenho uma duvida? Um fundo de aplicação de baixo risco ai em Portugal rende quanto ao mês?

(a)braços...:-)

Quint disse...

Lampejo, aqui em Portugal a maior parte das pessoas não têm dinheiro para chegar ao fim do mês quanto mais para um fundo de aplicação de baixo risco!

Tiago R Cardoso disse...

Mas que excelente imagem do panorama nacional, grande historia, acho que está tudo dito.

Jay Jay Jellyfish disse...

Quint, o amigo está com inveja ou quê dos homens da Banca que ganham massa como o caraças?
E os empresários não podem despedir porquê?
Quanto ao outro, não conheço.

Quint disse...

Eu? Inveja? Você é banqueiro? Acho uma vergonha pagarem-se comissões chorudas no fim do ano. Olhe, no caso do Milenium, até um dos accionistas de referência quer pôr cobro à coisa.
Os empresários podem despedir, sim senhor. Não podem é fazê-lo da forma que querem. Até Bagão Félix está contra a flexigurança.

o guardião disse...

Já que que falam em despedimentos, podemos despedir os patrões sem escrúpulos que despedem os funcionários competentes para admitirem outros que aceitem menor salário e que logo depois vêm exigir ao conjunto do pessoal que tudo corra bem, e ainda melhor do que antes, quando o gajo que foi admitido ainda tem de comer muita farinha para entrar de corpo inteiro na linha de produção? Galinha gorda por pouco dinheiro, como se dizia na terra dos meus pais.
Não são os inúteis que são mandados borda fora, porque esses são da família ou da cor, são os que dão o corpo ao manifesto. Falam eles de produtividade. Acho que deviam era receber todos o tal Kit e aproveitarem para dar uma voltinha a v er se aclaram as ideias.
Cumps

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quando quiseres publicar um livro avisa que eu compro. É um regalo ler-te mas os conteúdos deixam-me apreensiva. Subscrevo as preocupações que aqui estão expostas e acrescento outras que vêm na sequência destas como, por exemplo, a das tensões sociais derivantes da extremas injustiças e desigualdades. Enquanto isso José Sócrates é elogiado por Bush pelo apoio português no Afeganistão, Iraque e pela reforma da segurança social. Bush elogia também o jogging de José Sócrates que, segundo ele, deverá ser um exemplo para o mundo pois com 50 anos o PM sabe cuidar da saúde.
Para finalizar deixo-te uma quadra de António Aleixo que acho que se ajusta às circunstâncias:

O elogio em presença/A meu ver diz pouco ou nada/Pode até ser uma ofensa/P´ra pessoa elogiada.

adrianeites disse...

a banca continua a ser o remédio santo para a tesouraria das empresas.. aliás remédio apenas que de santo eles não têm nada....

não há problema que a banca não resolva... eles têm o teixeira dos bancos nas finanças..

cp's

Quint disse...

Mau... estarei a perder audiência?

Jay Jay Jellyfish disse...

Estás, estás...

Um Momento disse...

Tás nada
A banca é que daqui a nada está rota
O pessoal acho que já foi para a porta do banco
Isto é que vai uma crise!!!!

Beijo
(*)

SILÊNCIO CULPADO disse...

Primeiro que tudo agradeço a nomeação do prémio visitante e da continuidade da corrente. Relativamente ao PSD a história não é diferente de outras histórias que estão a acontecer no palco político e que estão a atirar os portugueses para um beco sem saída. Ou melhor dito: a saída passará por uma outra realidade que terá que ser construída com uma consciência colectiva que se adquire através do esclarecimento e da solidariedade. De realçar que as condições de vida agrestes unem as pessoas. É dentro deste espírito que eu criei o Silêncio Culpado e o alimento. É pouco mas eu sou dos que considera que por muito pouco que seja o contributo não se deve baixar os braços.
Um abraço