Ó filhos da Nação, aprendei o hino pátrio!

Numa altura em que andam por aí exultantes vozes a clamar aos ventos pelos Lobos, pergunto-me quantas dessas vozes já viram ao vivo um jogo de râguebi, lhe conhecem minimamente as regras ou sabem sequer nomear três clubes portugueses.
Imagine-se que um “pipi” do PP, daqueles que o inenarrável Avelino Ferreira Torres um dia apodou de “copinhos de leite”, até proclamou ufano no Parlamento que demandava saber as razões que impediam a nossa pública televisão de transmitir os jogos do Mundial.
Contra os “All Blacks” lutámos galhardamente mas, sem lá ter estado, penso que também a nata napoleónica que guardava o Imperador assim se bateu em Waterloo. E no fim foi uma derrocada!
Valha-nos ao menos que conseguimos fazer aos neozelandeses aquilo que os ingleses não conseguiram fazer aos “Springboks”: marcar um ensaio.
Mas o entusiasmo todo em redor dos “lobitos” prende-se com a forma como os nossos homens cantam “A Portuguesa”. Alguns fazem-no com tantos decibéis que até lá nos antípodas mereceram elogios por isso.
Eu neste pormenor estou com eles.
Para não vermos um grupo de "malandros" a representar o País e a fazerem de conta que trauteiam. Ou assobiando para o lado. Ou mascando pastilha elástica. No próximo jogo da malta da bola que é um esférico vejam bem quantos deles cantam o hino…
Para mim, português que se preze sabia o hino. Ponto final, parágrafo.
De qualquer modo, e infelizmente, até no Hino Nacional damos mostra da nossa forma de ser.
Abrevíamos, amputamos até, o hino em duas estrofes para não nos cansarmos.

Heróis do mar, nobre povo
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as bruma da memória
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que hão-de guiar-te à vitória

Às armas, às armas
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar

Desfralda a Invicta bandeira,
À luz do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d’amor,
E o teu braço vencedor
Deus mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir
Raios dessa aurora forte
São como beijo de mãe
Que nos guardam, nos sustêm
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar.

25 comentarios:

Jay Jay Jellyfish disse...

Fervor sim e saber o hin também sim. Mas alguns dos rapazes lá do melão também nãp precisavam de pôr aquele ar esgroviado. Pareciam tolinhos. Um até um pitbull parecia. No fim, apanharam a maior cabazada do Mundial e todos contentes.

miguelito disse...

Ó, 'pera aí... isso lá da letra do hino ser isso tudo não é tanga?

Quint disse...

Se é, a culpa não é minha. Vem num CD distribuído pelo Ministério da Educação... há uns anos atrás. Nos tempos do Sr. Barroso! É suposto eles saberem o que fazem, não?

Mas não é brincadeira. O hino devia ser cantado com as três estrofes.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Começo por reforçar alguns pontos de extrema importância que estão aqui referidos.Um hino de um País é uma espécie de rosto e um símbolo de um orgulho, de um passado e de uma vivência. É vergonhoso que para além de não saberem cantar, pelo menos as estrofes mais comuns, o façam a mascar pastilha elástica, tropeçando nas palavras ou fazendo que trauteiam. É uma falta de brio indesculpável.
Gostei muito dest post que, além de útil, me elucida sobre uma parte do Hino nacional que eu ou não conhecia ou não me lembrava.
Um abraço

Quint disse...

Eu tenho para mim que atleta que fosse chamado a qualquer selecção tinha de saber a primeira estrofe de cor e salteado.
E é ver atletas de outros países de mão no peito, sobre o coração, e tudo.

C Valente disse...

Se fizessem uma sondagem provalvelmete mais de 75% naõ sabe o hino,
Saudações amigas

Paulo Sempre disse...

Tal como os símbolos da Pátria, "amada mais que quantas", estão em crise, o sistema jurídico esta "ferido" de paradoxos. Assim, é natural que seja pertinente a questão de saber se em democracia há, ou não, "correntes" ditatoriais de sinal diverso a reclamarem a infalibilidade dos políticos...depois de retirada ao Santo Padre.
O Soberano Povo começa a tergiversar com tanta política ontófilica.
Abraço
Paulo

Mi... disse...

Verdade seja dita!
Tenho dois filhos e não os "obrigasse" eu a cantar o Hino Nacional de vez em quando eles não o sabiam
Na escola foi-lhes fornecido um " rascunho" no qual poderia ler-se o Hino... e aprendê-lo?
E canta-lo?
Nada de nada...
Infelizmente é a pura das realidades... já faz lembrar a tabuada...temos miudos a dizer que não gostam de matemática... quando se lhes pergunta "quanto é 9x9" ?( ainda se poêm a pensar...mas depois lá se lembram do ditado 9x9 81 7 macacos e tu és um fora eu que não sou nenhum...ops...
( sorrindo) :)))))
Deixo um beijo por Um Momento;o)
(*)

Lampejo disse...

Bravo Quint!!

Eu aprendi o vosso hino.

Mais porque será que essa canção só é entoada nos momentos esportivos.

(a)braços

Tiago R Cardoso disse...

Realmente tens toda a razão, é preciso louvar quem canta assim o hino nacional e sente desta maneira a pátria, no final alguns deles até choram, quem me dera fazer o que eles fazem, por dedicação e amar assim um desporto e uma pátria, se isso me fizesse parecer um tolinho e um pitbull, de seguida perdesse com a melhor equipe do mundo, eu não me importava, porque sinto que estava tinha feito o meu melhor e honrado assim as cores do meu país.

adrianeites disse...

saber o hino é importantissimo... sentir arrepios ao ouvir a portuguêsa podia ser a credencial para defender a pátria.. enfim...~

cp's

damularussa disse...

Oh Quintino e que me diz dos que sabem a letrinha toda, cantam afinadinhos e não honram coisa nenhuma?

Confesso que o hino todo já não me lembrava, mas arrepio-me sempre que o ouço. Isso conta? :p

Não vi a maltilha , logo não me pronuncio sobre isso, mas sendo bons não era suposto ganharem ? digo eu que nada percebo disso (hihih)

antonio disse...

Qualquer dia começam a exigir que os nossos atletas, para além de saberem cantar o hino, também o entendam! E já agora que falem português... e lá se iam algumas medalhas que tão ufanos nos deixam!

Vladimir disse...

Cada vez que entôo e/ou ouço o hino de Portugal sinto algo de especial, pena vermos alguns a cantá-lo com uma sensação de enfado.

Bruno Pinto disse...

Sobre o Hino Nacional, quem não o soubesse cantar de fio a pavio, não representava as cores da nossa bandeira, quem estivesse de boca fechada naquele solene momento, era substituído ainda antes do jogo começar!

Sobre os Lobos, é só para dizer que eles são a primeira equipa amadora a jogar um Mundial de Rugby, um dos mais populares e importantes desportos do planeta. Defrontaram a maior potência mundial, a grande distância de qualquer outra. A Itália, outra potência, perdeu também por uma diferença abismal. Fico triste que pessoas dignas que lutam de forma magnífica apenas por amor a um desporto, ainda estejam a ser desvalorizadas. Parece que não se quer entender a dedicação e esforço que foram precisos para chegar áquele Mundial.

Quint disse...

Quem não honra coisa nenhuma... rua!
Tem de haver o mínimo... quer dizer, um tipo para ter a nacionalidade parece-me que tem de saber o hino e algumas coisas de história e cultura, então que cante...
Bruno, grande amigo, respeito é respeito, mas sem exagero...

Bruno Pinto disse...

Quintino, concordo. Também não vale a pena endeusá-los pois não é caso disso. Eles no contexto do rugby internacional não são absolutamente nada. O que eu realço é o espírito de sacrifício deles. Bastaria metade desse espírito aos do futebol, para já estarem no Euro'2008. Disso julgo que ninguém duvidará. Agora quem tem mais valor? É o aluno limitado que estuda, se esforça e tira notas suficientes? Ou o aluno muito capacitado mas preguiçoso, que tira boas notas 'apenas'?

Quint disse...

Bem visto. Falta espírito de sacrificio noutros. Lá isso é verdade.

Fa menor disse...

Não sou grande apreciadora de eventos desportivos, mas porque será que um houve que me chamou a atenção, por que será?!...

(Obrigada pelos coments lá por aquelas bandas...)

Fa-

Zé Povinho disse...

A Portuguesa, essa desconhecida. Representar Portugal devia ser encarado com responsabilidade e orgulho. Sabemos que não somos os melhores em muita coisa, MAS SOMOS PORTUGUESES.
Abraço do Zé

Euz disse...

A Portuguesa desde sempre teve modificações. Só desde 1957 é que se mantém inalterável até ao dia de hoje.
Eu sabia que tinha 3 estrofes, mas só sabia o principio da segunda. Pois nunca me foi exigido saber mais.
Já agora uma curiosidade, quando agora dizemos Contra os canhões marchar marchar. No inicio da republica, dizia-se contra os bretões marchar marchar.
Jinho ... e fizeste muito bem em ensinar e avivar a memoria a muita gente.

Quanto aos atletas que cantam o hino, deixa-os ficar só por uma estrofe, pois ainda se cansam tanto com as 3 estrofes, que se perderem já têm um motivo para se desculparem.
Um beijinho amigo
E.

Quint disse...

Mais um contribuot a elucidar-nos sobre "A Portuguesa".

migvic disse...

Olha, lá está mais uma coisa que eu não sabia.

DS disse...

Confesso que aprendi alguma coisa! Mas acima de tudo, o que me fascina nos hinos é a faculdade de unir as pessoas em torno de um canto, como se de uma só voz se tratasse!
Quanto "às armas", se a luta for desportiva tudo bem!

C Valente disse...

è bom lembrar principalmente para quem nunca o soube
saudações amigas