Amanhã todos seremos mais miseráveis

Possivelmente serei polémico...
Os que clamam contra as mordomias e os privilégios da Função Pública já podem começar a dormir descansados.
Assim, entre o final de 2005 e o final de 2006, ocorreu uma redução de 58% no número de avençados e tarefeiros na Administração Pública.
Os registos indicavam em finais de 2006 que já só existiam 3293 contratos de avença e 1745 de tarefa, num total de 5038 pessoas.
Não se sabe o que algumas fazem, mas isso é outra louça.
Por outro lado, a partir de 1 de Janeiro de 2008, a passagem à aposentação e o cálculo das pensões passam a ser feitos de acordo com as normas estabelecidas para a Segurança Social.
Irmanados na desgraça, a actualização das pensões irá depender do crescimento da economia e do valor da inflação.
E assim se vão edificando os amanhãs que cantam e sossegando invejas.
Podem, pois, dormir descansados os que hoje rangem os dentes contra a Função Pública dado que amanhã todos seremos mais miseráveis.

10 comentarios:

Carreira disse...

O que me deixa com os nervos em franja é o facto de as pessoas não entenderem que as entidades empregadoras privadas afinarão o seu diapasão pelo do Estado, logo as condições, obrigatoriamente, tornar-se-ão menos compensadoras para todos os trabalhadores.

Nota: não sou funcionário público.

Euzinha disse...

Mas que poeta.
Porque não um blogue de poesia, além deste que é interessantissimo?
Este comentário tem a ver com o que escreveste, não aqui.
Quanto a este, sei infelizmente de alguns funcionários publicos que trabalharam uma vida inteira em avença e agora não sabem o que vai ser da vida deles.
É só desgraças, quando voltará a surgir o SOL para os portugueses.

Tiago R Cardoso disse...

Trata-se portanto de democracia, todos iguais, nem que seja por baixo.

quintino disse...

Exacto, Tiago.
E isso é que é frustrante.
Isso e muito mais, mas hoje é Domingo.
Carreira, por acaso sou funcionário autárquico mas não é por isso que resmungo. É porque sei o que é o "patronato" português. Tenho no Presidente da Câmara onde trabalho um exemplo vivo disso e todos os dias ali a recordar como são as coisas... compadrio, nepotismo, promoções ciosamente geridas...
Euzinha, gosto de escrever e estando inspirado até dou uns toques... mas para já não... quiçá um destes dias... ando aí a mutatar numa coisa...

Kalinka disse...

Quintino
Vim directamente do blog do Z� Povinho porque li o seu coment�rio l� � que eu tamb�m j� visitei Paris, mas n�o foi como eu gostaria e j� l� v�o 15 anos; penso l� voltar no pr�ximo Inverno ou Primavera, pode ter a certeza que n�o vou em Julho, Agosto ou Setembro de ano nenhum...

Irei ver o LOUVRE e tamb�m VERSAILLES, mas hora e meia na fila para comprar bilhetes...huummm, n�o me apetece!

Sobre o seu post tamb�m li ontem on-line essa not�cia...
Bom domingo.

C Valente disse...

O que se passa na função publica, reflete-se no privado, e melhoras não se encontra, cada vez andamos mais a passos largos , olhe nem sei para onde.... miséria.
Obrigado pelo apoio
saudações amigas

Zé Povinho disse...

Os últimos governos e as organizações patronais apostaram em dividir para reinar, apontando primeiro as baterias contra uma parte dos trabalhadores, no caso os funcionários públicos, e muitos trabalhadores de outros sectores foram no engodo acompanhando as críticas, já que afinal o assunto era dos "outros". O objectivo dos promotores da campanha foi atingido, ficaram todos nivelados, por baixo como lhes convinha, agora toca a mexer ainda mais nas leis laborais para varrer o que resta de direitos, e colocar mais umas adendas aos deveres.
É pena que tenha acontecido assim... porque os trabalhadores acabaram por perder - TODOS.
Abraço do Zé

SIMPLESMENTE.... C disse...

O mesmo destino atinge por aqui.

abracinhos

Euzinha disse...

Olá.
E o nosso Porto ganhou.
Quintino tens um Power of Schmooze, que te atribuí. Por favor recolhe-o.
Um beijinho
E.

Lampejo disse...

Quintino,

O que observamos, estarrecidos e atemorizados, é um contínuo retrocesso nacional, pelo menos no que diz respeito aos parâmetros sociais (a despeito das negativas dos vários governos que se sucedem). Hoje, de acordo com dados estatísticos existentes em profusão, o Brasil é uma das sociedades nacionais mais injustas e excludentes do Planeta, a despeito do seu visível desenvolvimento econômico. O “bolo” da riqueza nacional de fato cresceu, mas não foi dividido eqüitativamente entre os que promoveram esse crescimento.
Os políticos culpam-se, uns aos outros, pelo que está ocorrendo, mas não fazem nada de prático e de efetivo para mudar essa realidade. Claro que há exceções, há os que pelo menos tentam, mas fica cada vez mais difícil de se separar o joio do trigo.

Parabéns pelo post.

Um abraço Sincero (claro) :)))