A memória do Dr. Menezes aguentará quanto tempo?

É habitual ao sétimo dia descansar-se. É o que farei.
E não é porque tenha andado na campanha do novel presidente do PSD.
É só porque me apetece. E porque, por enquanto, como trabalhador ainda tenho direito.
Por falar em Luís Filipe Menezes, vamos ver quanto tempo demorará a esquecer que disse (conforme foi dado à estampa pelo “Correio da Manhã” no dia 23 de Setembro) o que se segue:

Vai ser um PSD diferente. Não vai ser um PSD voltado para dentro, a autoflagelar os seus militantes. Não é um PSD que vai entregar de bandeja ao Partido Socialista fatias importantes do poder político, como aconteceu em Lisboa. Não é um PSD em que todos os dias se demite um vice-presidente do partido ou um membro da comissão política nacional. Não é um PSD que tem propostas de combate político casuísticas, pouco consistentes".

Uma pequena revolução.
(…)E verifiquei algum afastamento doa agentes mais dinâmicos da sociedade portuguesa da militância partidária. É preciso fazer alguma coisa. É preciso recriar a vontade de militar no partido
".

“(…) Uma é as pessoas acreditarem que pelo facto de militarem num partido político vão ter uma palavra decisiva naquilo que tenha a ver com a escolha das pessoas que o representam no exterior (…)”

” (…) eu quero referendar o candidato a primeiro-ministro. Eu quero que os militantes escolham e decidam. E não digam que isto é demagogia e populismo".

“ (…) Não é um PSD que deixa 100 mil funcionários públicos na rua, 30 mil professores a protestar, notários, farmacêuticos, magistrados em pé-de-guerra e não consegue nuclear um discurso para dar corpo a essa contestação. Não é um PSD que não ganha um debate parlamentar”.

De qualquer forma, adivinham-se novos tempos (quiçá mais arejados) na política nacional.

E uma ASAE para fiscalizar as mochilas e as escolas, não?

Se a ASAE (Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica) figurasse nas habituais sondagens de fim-de-semana não haveria de granjear grandes simpatias junto dos inquiridos.
Aliás, corria o sério risco de rivalizar com o Paulinho das Feiras (para quem não souber, estou a falar de Paulo Portas, o senhor sorrisos do PP): todos o conhecem, mas na hora da verdade... “vadre retro” Satanás!
Não deve haver feira, feiroto, feirinha, mercado, mercadito, banca ou venda do País que não conheça a ASAE. Agora lá quanto a popularidade, já a conversa é outra.
Devo frisar que nada tenho contra a acção da ASAE, embora aqui e ali me pareça que começa a cair na tentação do exagero, da acção para a câmara…e aquela de se meter com o arroz de pica no chão…
Ora, um sector onde calhava mesmo bem uma ASAE era nas escolas.
Sei lá, por exemplo, começar por explicar aos senhores dos autocarros que nem os estudantes são sardinhas, nem os veículos latas. Bem, alguns são mesmo latas…
Outro sector era porem-se ali à porta da escola a verificar o peso das mochilas. E com as coimas a serem pagas pelo Ministério.
Para já, por ter andado para aí a desencantar coisas como Área Projecto, Formação Cívica, Estudo Acompanhado… depois, por os manuais escolares se andarem misteriosamente a desdobrar em dois ou três livros por disciplina… livro propriamente dito, livro de fichas, livro daquilo… por se exigir que haja caderno e capas… por, nalguns casos, os horários dos alunos parecerem queijos suíços…. são mais os buracos que as aulas… e depois por, muitas das vezes, os estudantes terem de andar daqui para ali com mochilas às costas (quando não são duas por causa da aula de Educação Física) com pesos que rondam os 5, 6, 7 quilos!!!!
Façam a experiência em vossa casa e logo verão.
As minhas filhas, especialmente quando saem de casa com aquelas calças de camuflado que agora se usam, e mochila às costas, até parece que partem para o… Iraque.
E, de certa forma, partem… mas para a sua guerra.
Foi daqui que me veio a ideia tola de se criar uma ASAE para fiscalizar estas coisas.
Só que, bem vistas as coisas, é bem capaz de ser péssima ideia.
Os tipos ainda multavam os pais. É sempre mais fácil malhar nos pequenos.

Índios (da Amazónia ou do Paraná) admitem OPA sobre o PSD!

Índio - Substantivo masculino e adjectivo; relativo aos índios; moeda de prata do tempo de D. Manuel II ; nome de um metal raro (número 49 da classificação periódica) encontrado no sulfureto de zinco natural.
Índios - substantivo masculino plural; habitantes da índia; designação atribuída aos primitivos habitantes da América; actuais grupos étnicos americanos.
Assim reza o Dicionário Universal de Língua Portuguesa, da Texto Editora.

Mas já se formos ao Dicionário de Sinónimos, da Porto Editora, lá encontraremos para índio, entre outros, a referência a valentão.
Pelas terras onde cresci e me fiz nado, sempre ouvi dizer que um índio também podia ser um gabiru.
Eu, ignorante que sou, até pensava que gabiru era palavra que não existia no léxico pátrio mas até existe. Velhaco, finório… eis expressões que correspondem ao termo.

Raios partam o tipo, devem estar a pensar os leitores, o que é que ele quer com este arrazoado?
Ora, quero explicar-vos porque é que, segundo os mentideros, agora até apareciam índios da Amazónia inscritos como militantes do PSD.

Andaram por aí alguns militantes mais zelosos a recolher fichas, euros e afins por causa da eleição do Futuro Grande Líder (um dos candidatos por acaso é baixote, mas…) e chegam uma série de fichas com nomes estranhos, assinaturas mais parecendo gatafunhos e, algumas, muito mal preenchidas…

- Já viste isto, pá…
- O quê?
- Estas fichas. Quem as preencheu parece que nem sabe ler, quanto mais escrever…
- E isso vem de onde?
- Sei lá… deixa cá ver… Ribeirão Preto… Mirim Xiripi… Maringá... pôrra…isto a que concelhia pertence
- Ó pá, deixa lá, devem ser alguns índios na brinca… põe mas é aí o carimbo de aceite.

E, pronto, foi assim.
Um não percebia boi de geografia mas dominava as subtilezas do português e pensou, ao ouvir a expressão índios, que deviam ser alguns gabirus…
O outro pouco sabia dessas subtilezas linguísticas, mas sabia geografia…
E foi graças a esta confusão que o PSD arranjara uns militantes na Amazónia, segundo a candidatura de Menezes. Veio-se depois a saber que Maringá é no Paraná e que, para já, índios verdadeiros não há. Só dos outros.
Coitados… se os candidatos se lembravam de lá ir fazer campanha…

POST SCRIPTUM - PRÉMIO VISITANTE

Nem me dei conta que ainda não havia correspondido ao que a "Silêncio Culpado" me havia pedido.
Assim, e sem ter de dar explicações porque um homem dá prémios a quem quer, nomeio o Adrianeites, o Carreira da Cegueira Lusa, o Tiago (especialmente o Tiago), o CValente, a misteriosa Damularussa, a Fá Menor, a Lampejos, a Mia (olá Mia), o Guardião, o Zé Povinho, o António Sempenas, a própria Silêncio Culpado e a sensível Um Momento. Já agora, a DS (a poetisa solar).
Por empatia, por simpatia, por comentários, por ajudarem, pelas confidências... pelos blogues de cada um.
Agradece-se que recolham a imagem e, nos seus blogues, nomeiem outras pessoas.

Pior que uma conta poupança-habitação, só uma ida ao hospital!

Aparentemente é um absurdo, mas é uma das leis da vida. Quem entra num hospital está sujeito a apanhar com uma infecção hospitalar e, no limite, a ir desta para melhor.
No Hospital dos Covões, em Coimbra, um doente entrou para uma simples operação às cataratas, a coisa complicou-se e olha, ficou sem um olho.
Pelos vistos, mais para Norte também já se manifestou a mesma situação.
Ou seja, neste caso, as infecções hospitalares aparecem como cataratas. São uma força da natureza, é o que é.
Andei a informar-me e lobriguei num diário que só oito em cada cem internados correm risco de contrair uma infecção hospital. Se é assim, se estamos dentro da média europeia, já vou dormir descansado depois de acabar este texto.
Embora certamente, lá para meio da noite, vá acabar por ser atormentado por um qualquer belzebu com uma dúvida pertinente: “Mas, afinal, um tipo vai ao hospital para livrar-se das infecções ou para fazer uma troca? Sei lá, assim tipo olha, esta não tenho. Tenho aqui esta repetida, queres trocar?”.
Num plano diametralmente oposto há outro paradoxo muito à portuguesa que certamente atormenta alguns portugueses. Eu sou um deles.
O Estado em tempos quase prometia o sétimo céu a quem arranjasse uns cobres para meter numa das ditas contas poupança-habitação. Parolo, meti para lá uns tostões, depois uns cêntimos, na vã esperança de, para além de ter ali um pézito de meia, ainda colher uns magros benefícios fiscais.
Pois bem, o Estado há uns tempos, e como pessoa de bem que é, acabou com os benefícios fiscais mas manteve tudo o resto. Quer dizer, um tipo para meter a unha nos cobres que são seus vê-se pior que Bartolomeu Dias a passar o Cabo das Tormentas. Aquilo serve para abater empréstimos à habitação, pagamento da compra ou construção da habitação e realização de obras mas com apresentação de facturas. Se não for assim fica-se obrigado à devolução agravada dos benefícios fiscais e perda parcial dos juros.
É ou não é o quadragésimo ladrão da quadrilha do Ali Baba o nosso Estado?

Outra vez a história do "inginheiro"...

Presumo que desta vez vá sujeitar-me a críticas mais ou menos ferozes.
Contudo, sempre disse que quando escrevia pretendia abrir espaço à discussão.
Não à unanimidade, mas antes à discordância.
O caso da licenciatura do Primeiro-Ministro veio novamente à baila.
E através do mesmo diário. Não irei corporizar a teoria da conspiração que já ouvi a algumas pessoas (uma até é militante do PP) e que preconiza que quando a OPA da Sonae sobre a Portugal Telecom falhou se deu uma mudança subtil na orientação desse jornal. É por demais absurda para sequer ser admitida.
Não posso é deixar de estranhar o destaque que se quer dar novamente ao assunto através da referência a escutas. Como se estas fossem uma “bomba” quando se desconfia que, neste País, o mais provável é andar tudo a ser escutado.
A PJ terá registado um vaivém de chamadas entre os intervenientes. Curioso é que, desta feita, são só as anotações da PJ às chamadas que são transcritas e não as escutas em si. Efeitos do novo Código de Processo Penal ou selectividade jornalística?
Há por aí outro processo mediático onde tudo é chapado. Ali à vista de todos.
Depois é o próprio diário que traz à colação que se Sócrates aparentemente beneficiou de alguma balbúrdia, outros alunos há que também disso beneficiaram.
Diz-se mesmo que “dois deles (alunos) tiveram 13 valores a Inglês Técnico sem nunca fazerem a cadeira”.
Quer-se-á dar a impressão que a investigação conduzida pela procuradora Cândida Almeida terá sido menos diligente, dado o resultado alcançado, quando comparada com a de outra procuradora, também ela muito em voga, e que reabriu o que antes outros colegas haviam decidido arquivar?
Quer-se-á deixar no ar sérias suspeitas sobre eventuais falhas de carácter num homem que, sendo político e, mais que isso, por ser Primeiro-Ministro, as não podia ter, especialmente num caso como este?
Responda quem souber.
Se é que existem respostas.

É uma "luso" ponte com toda a certeza...

Recentemente, uma das pessoas que faz o obséquio de espreitar os escritos que por aqui vou semeando perguntava-me, em jeito de crítica, porque é que não apontava também as virtudes das coisas, dos acontecimentos, das pessoas e do que escrevia em vez de me concentrar apenas no negativo.
Como na altura dei a resposta que tinha por conveniente, encerrei o assunto. E assim permanecerá. Só puxo o assunto para tentar demonstrar que, face a certas coisas, é virtualmente impossível deixar de falar mal. De dar razão ao que se escreveu na descrição deste espaço.
Portanto, e como está na hora do veneno, não é que em 1994, com direito a decreto-lei e tudo, alguém se lembrou de garantir que uma empresa ficasse com o exclusivo de todas as pontes construídas futuramente a Sul de uma que entretanto se construiu?
E não é que, em 2000, ano em que se reviu o acordo entre o Estado e essa empresa ninguém parece ter reparado na tal cláusula?
E que agora, quando se fala numa nova travessia rodoviária, alguém se lembrou de dizer que ou a nova ponte é para a dita empresa ou então o Estado paga com língua de palmo as viaturas que deixem de passar na ponte antiga?
Confuso?
Deixem lá. Se eu lhes disser que em 1994 o Primeiro-Ministro era Cavaco Silva, em 2000 António Guterres, que a ponte antiga é a Vasco da Gama, a nova ponte tem a ver com o novo aeroporto e o TGV, que o ministro das Obras Públicas em 1994 é hoje presidente do Conselho de Administração da empresa com o exclusivo das pontes, e que essa pessoa se chama Ferreira do Amaral, vocês o que mais querem que lhes diga? Como? Ah, o nome da empresa? Lusopontes. Mas tudo isto é certamente um enorme mal-entendido e que será oportunamente explicado.

Luta "M&M" no PSD com militantes mil e quotas esquecidas

Ele não há nada como umas eleições para a liderança de um partido.
Especialmente quando esse partido é o PS ou o PSD. É que esses, para além de grandes, estão ora no poder, ora na antecâmara do mesmo.
Quer dizer, para quem for militante e tiver a felicidade de integrar as seitas do aparelho com mais poder, há quase sempre a garantia de se encontrar um porto de abrigo. Ministro, secretário de Estado, sub-secretário de Estado, presidente de Câmara, deputado, Governador Civil, chefe de gabinete, assessor, nomeado para uma empresa onde haja capital público… alguns só têm mesmo a maçada de escolher.
Pois bem, expectantes quanto a uma escorregadela de Sócrates, Mendes e Menezes (a dupla M&M) têm vindo a brindar-nos diariamente com as suas sábias palavras.
Mendes, com aquele seu ar pungido, quase me leva às lágrimas!
E porque está deveras preocupado com Portugal, e não consigo, parece que andará a fazer das suas.
Depois de Moita Flores (o autarca de Santarém) ter falado numas “vigarices”, e o homem como ex-“Judite” deve saber do que fala, à noite foi o Professor Marcelo a falar num aumento exponencial de militantes.
70.000, parece-me. Onde antes seriam pouco mais de 30.000.
E com a peculiaridade de nos Açores existir o hábito de não pagar quotas!
O jovem Miguel Abreu, filho e neto de empresários ligados ao calçado, quando preferiu arriscar e criou a marca de calçado “Goldmud” (lama dourada, cor que lembra um bocadito o PSD) não estava a pensar nestas golpadas. Certamente.
Ele ganhou um prémio limpo em Milão, mas por cá há quem faça de tudo para se manter na cadeira maior lá da sede!

Procura emprego? Arranje 700 euros!

Folheia-se o jornal e fica-se indeciso. Aparentemente, como o País.
Vêm aí os balcões “Perdi a carteira” que prometem facilitar a vida a quem perde a dita cuja e, com ela, uma catadupa de documentos.
Vêm aí, ainda, as marcações de consultas de especialidade por via electrónica.
Isto, em traços largos, da banda do Governo.
Da banda da Oposição ficamos a saber, já que Menezes “dixit”, que se lhe sair a ele o prémio grande, o PSD termina com os chamados pactos de regime. Salvar-se-á o da Justiça porque já assinado.
Acho muito bem. Embora seja defensor de uma certa estabilidade em áreas transversais, entendo que estar-se a assinar pactos (com o beneplácito de Cavaco Silva) é a mesma coisa que negar que existem maiorias e que quem ganha deve e tem de governar.
Se mal ou bem, é outra coisa.
E, por muito que não se queira, a única diferença entre PS e PSD não pode ser, precisamente, este D final.
Estava eu embalado nesta onda de razoáveis notícias quando topei com uma notícia que me deixou estupefacto.
A TAP ameaça, num processo de selecção de pessoal, obrigar quem faltar a qualquer das fases a pagamentos até 700,00€. Ai se a moda pega…

E vem um ministro a Braga dar... "44 télélés"!!!!!

O irresistível apelo da propaganda tem destas coisas.
Depois de há dias termos tido um batalhão de ministros, secretários de Estado, quadros superiores e assessores a distribuírem computadores por escolas deste país, calhou agora ser a vez de Vieira da Silva deslocar-se a Braga para entregar telemóveis a idosos.
Quando não há escolas para inaugurar, entregam-se computadores.
Claro está que o facto de até o ministro da Justiça ter andado a entregar portáteis não tem nada, mas mesmo nada rigorosamente a ver, com a ausência de investimento público em equipamentos.
Nada. E quem disser que tudo não passou de espectáculo arrisca-se a ir sentar o fundo das costas no mocho como agora arriscam alguns que em Guimarães ousaram perturbar um sonolento Conselho de Ministros informal.
Ora, mas de volta a Braga, então não é que veio um ministro por aí acima para entregar 44 telemóveis a outros tantos idosos? Quarenta e quatro, senhores! 44!
É do caraças… olá, se é.

Trastes & Trastes, Ldª

O homem tem queda para a coisa. Goste-se ou não do velho leão, Mário Soares tem uma virtude: não foge à polémica, não se inibe de ir à liça e raramente deixa de dizer o que pensa.
Ontem, por exemplo, deixou cair que teria dado uma ajudinha no abrir de uma ou outra porta à GALP nuns negócios de petróleo na Venezuela.
Hugo Chávez, que tem merecido elogios do antigo Presidente da República, é um traste e o seu regime só se aguenta por causa do ouro negro.
Mas, quando por todo o mundo se vê antigos governantes a darem uma ajuda na área dos negócios (José Maria Aznar é um exemplo acabado), o que fazer?
Quando o barril do petróleo anda na casa dos 80 dólares no mercado mundial, penso que a opção da GALP em contratar este dinossáurio não terá sido má jogada.
Más jogadas continua a fazer o nosso Governo, nomeadamente através de Luís Amado, que passa pelo quase vexame de ter de ser Gordon Brown, o Primeiro-Ministro inglês, a dar uma ajuda na opereta de irmos certamente receber outro traste. Mugabe de seu nome.
Cinicamente, e nesta matéria, só podemos tirar uma conclusão: no Palácio das Necessidades os homens bons (Dalai Lama) não são recebidos por razões óbvias, as mesmas que justificam que se aperte a mão a trastes.
Numa breve referência ao caso que anda nas bocas do Mundo, quem irá rir mais alto e em último: Abramovich ou Mourinho?

Deputado trabalha, sofre, sua, arfa...

Lei Orgânica da Guarda Nacional Republicana, Estatuto dos Jornalistas, Lei da Responsabilidade Civil Extracontratual do Estado, Lei Geral Tributária, Lei do Orçamento de Estado, Regime de Carreiras, Vínculos e Remunerações, Sistema de Desempenho na Função Pública, Lei Orgânica da Polícia Judiciária, Ingresso nas Magistraturas, Gestão do Centro de Estudos Judiciários, Mapa Judiciário, Lei de Segurança Interna, Lei de Organização da Investigação Criminal, Lei Eleitoral Autárquica e Lei Eleitoral para a Assembleia da República…
… ora cá está o cardápio com que os senhores deputados da Nação se vão entreter, nalguns casos, até ao fim do ano. Parece cansativo, não é? Talvez seja esta uma das razões para que em breve, muito brevemente, cada deputado passar a ter um assessor só seu!
Mas se alguém se lembrar de fazer a vontade à Associação Empresarial de Portugal, então ainda são bem capazes de ter de trabalhar mais um bocado. É que aquela dita associação, pela sua voz mais conhecida (Ludgero Marques), veio mais uma vez pedir a redução dos impostos (mas só para as empresas) e que se facilitem os despedimentos.
E, conforme se vê na questão do Código de Processo Penal, ainda se sujeitam a levar um arraial de facho. Tudo à conta de umas certas opções mal compreendidas por todos quantos nunca tiveram acesso à nobre tarefa de bem representar a Nação.
É por terem uma agenda sobrecarregada, exigências de última hora de alguns que põem em perigo qualquer planificação e estarem sujeitos à ingratidão que eu assumo aqui publicamente que não está nos meus horizontes, nas minhas aspirações ou sequer cogitações ser deputado.
Mas se me convidarem… acho que era bem capaz de me sacrificar pela Nação… e que sacrifício!

Lucros dos Bancos ainda dão para um iPod?

Soaram alarmes, sinetas, e demais quejandos usados nos bancos para dar o alarme.
Logo pela manhã cedinho, enquanto trincavam uma torradinha que a menina Margarida fizera fresquinha e sorviam os aromas que o café libertava, alguns dos senhores doutores dos conselhos de administração e similares da banca iam-se engasgando.
Pegam no jornal e, pumba, um murro… anunciava-se que a crise financeira dava grande coça nos lucros da banca… coofff… cof, cof… pôrra… ai… ó Margarida bata-me aqui nas costas que me entalo… ó senhor doutor, veja lá…
Levemente recompostos, logo trataram de estudar estratégias para, se a coisa não melhorasse até ao Natal, não permitir que aquela espiral de violência nos números não exigisse uma intervenção armada dos americanos.
O coração ameaçava um AVC, um gole de água, por favor, ai que se isto continua assim lá se vai o prémio de 500 mil euritos no fim do ano… e se o prémio baixar como vou convencer a mulher que sou melhor que aquela besta do Antunes que trabalha no banco ali do lado?
Ó Margarida, chame-me aí a Doutora Vitoriana… despache-se… Chamou? Claro. Veja-me lá quantos gajos podemos pôr no olho da rua que isto há que poupar… Ó Fernando faça-me aí uma circular que é preciso apertar nos empréstimos … ai, que isto dá-me alguma… olhe, Guidinha, vou ali para o health clube, mas veja lá, nada de… piar… vou descansar…
Ao mesmo tempo, numa fábrica que não é com certeza no Vale do Ave, um empresário berrava, urrava qual Minotauro… grande filho da… ai o grande filho da… comunista do carvalho… olha-me este…. vermelho duma figa…
E que tanto enfurecia assim o nosso homem?
Simples.
Lera que Alan Greenspan (o homem que durante muitos anos mandou no dólar) achava, grosso modo, que os lucros das empresas estavam muito altos quando em contraponto com os salários.
Pois é, a verdade dói de caraças!
Entrementes, o nosso menino Josélito Sócrates andava numa roda viva a mostrar o iPod que Bush lhe dera.
Quer dizer, parece que aquilo foi um estojo de corrida completo… by jove, Jose, here you have a pair of snickers, a t-shirt, socks, shorts, all an offer of Blackwater, you know, our private army in Iraq, and this little thing… an iPod… what do you say my friend? … ai, ai… ai que me falha a palavra... olha, vou correr…e lá foi o nosso ladino Primeiro-Ministro a mais uma corridita… now that’s running!!!
E assim vai o mundo.

Ó filhos da Nação, aprendei o hino pátrio!

Numa altura em que andam por aí exultantes vozes a clamar aos ventos pelos Lobos, pergunto-me quantas dessas vozes já viram ao vivo um jogo de râguebi, lhe conhecem minimamente as regras ou sabem sequer nomear três clubes portugueses.
Imagine-se que um “pipi” do PP, daqueles que o inenarrável Avelino Ferreira Torres um dia apodou de “copinhos de leite”, até proclamou ufano no Parlamento que demandava saber as razões que impediam a nossa pública televisão de transmitir os jogos do Mundial.
Contra os “All Blacks” lutámos galhardamente mas, sem lá ter estado, penso que também a nata napoleónica que guardava o Imperador assim se bateu em Waterloo. E no fim foi uma derrocada!
Valha-nos ao menos que conseguimos fazer aos neozelandeses aquilo que os ingleses não conseguiram fazer aos “Springboks”: marcar um ensaio.
Mas o entusiasmo todo em redor dos “lobitos” prende-se com a forma como os nossos homens cantam “A Portuguesa”. Alguns fazem-no com tantos decibéis que até lá nos antípodas mereceram elogios por isso.
Eu neste pormenor estou com eles.
Para não vermos um grupo de "malandros" a representar o País e a fazerem de conta que trauteiam. Ou assobiando para o lado. Ou mascando pastilha elástica. No próximo jogo da malta da bola que é um esférico vejam bem quantos deles cantam o hino…
Para mim, português que se preze sabia o hino. Ponto final, parágrafo.
De qualquer modo, e infelizmente, até no Hino Nacional damos mostra da nossa forma de ser.
Abrevíamos, amputamos até, o hino em duas estrofes para não nos cansarmos.

Heróis do mar, nobre povo
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as bruma da memória
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que hão-de guiar-te à vitória

Às armas, às armas
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar

Desfralda a Invicta bandeira,
À luz do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d’amor,
E o teu braço vencedor
Deus mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir
Raios dessa aurora forte
São como beijo de mãe
Que nos guardam, nos sustêm
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas
Sobre a terra, sobre o mar
Às armas, às armas
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar.

Estado poupa, poupa... e depos gasta mais a comprar fora!

A maralha que conduz os destinos da Nação devia ser obrigada a regressar aos bancos da escola primária para aprender as mais elementares regras de aritmética. Depois destas aprendidas, poder-se-ia dar-lhe umas luzes sobre regras mais delicadas de operações matemáticas e macroeconomia e microeconomia, também.
Os dois “meninos” que iam para a fila da frente, carteira ali mesmo coladinha à secretária do “setôr” (ou da “setôra”), seriam, naturalmente, os meninos Joselito Sócrates e Teixeirinha dos Santos.
Os amigos que do outro lado do ecrã fazem o obséquio de me ler devem estar-se a interrogar onde quero chegar.
Ora, porque o segundo veio ainda há dias dizer que as crises financeiras que se passam lá na “estranja” dificilmente afectam cá os rapazes.
Os rapazes são os bancos, que eles borrifam-se para a plebe.
Em primeiro lugar, um ministro das Finanças que propagandeia que podemos escapar porque somos pequeninos revela bem o nível de ambição que norteia os decisores desta mixórdia.
Depois, porque o homem já devia ter aprendido a pensar duas vezes antes de falar. É que já foi desmentido por instâncias comunitárias que vieram dizer o óbvio… não aguentamos os efeitos do bater de asas da borboleta!
Pior que isso é ter vindo agora a lume que a despesas com aquisição de serviços atingiu os 387 milhões de euros.
Dito doutra forma, subiu 3,9%, mas os encargos com a massa salarial subiram 0,6%:
Para quem ainda não descortinou a piada, eu troco por miúdos.
O Estado anda a mandar pessoal embora (é este o verdadeiro nome para a tal mobilidade) mas depois, em muitos casos, vai entregar fora (e mais caro) aquilo que era feito com recursos seus!
Mas não é só no Estado que isto acontece. As autarquias seguem-lhe o exemplo. Ele há por aí cada história de alegadas poupanças que, no fim, se revelam autênticos sorvedouros…

Já soltaram 115 preventivos... arf... arf... corre...

Desculpar-me-ão com certeza, mas estou aqui todo transpirado e vou ter de ser consideravelmente breve… o corpo pede-me um banho refrescante!
Passei todo o santo dia de ontem a correr como um danado de um lado para o outro… sempre receoso que um daqueles estranhos que me olhavam… de relance, de soslaio, insistentemente, disfarçadamente… fosse alguém de maus fígados e instintos ainda mais básicos… e tudo à conta de um diploma legal que é publicado num dia e quinze dias depois, mais coisa, menos coisa, já está em vigor… malfadado Código de Processo Penal que ainda agora entrou em vigor… bem, a mim ao menos já me pôs a correr de um lado para o outro.
Se forem todos como eu, ainda se há-de descobrir que esta história não passou de uma jogada para nos pôr a todos a correr!

Só em Portugal: cancro tratado a aspirina!

O senhor meu sogro, há mais de quarenta anos, abriu aquilo que se poderia chamar o primeiro café na sua terra natal.
Sem que algum dia eu tenha conseguido saber o porquê da escolha, ele, nado em França e criado em Portugal, pôs-lhe o nome de Café Angola.
Tinha um sócio, portista ferrenho, com quem nunca se incomodou apesar do seu benfiquismo ferrenho.
Ora, esse sócio, sempre que alguém assomava ao balcão com um pedido mais esquisito em matéria de bebidas, tinha um método infalível: se era adolescente, levava um pirolito; se era adulto, um copo de vinho.
Sei que um dia perguntei ao meu sogro se os clientes não se incomodavam com o facto. A resposta veio célere e pragmática: “Não. Embebedavam-se!”.
Claro que isto só devia funcionar com os adultos, mas…
Ora, volvidos largos anos, e já nem cá estando o meu sogro ou o seu sócio, soube-se ontem que num hospital deste pais um médico prescreveu um fármaco a um doente com cancro e viu o pedido ser recusado pela comissão de farmácia e terapêutica do hospital onde trabalha.
O dito medicamento já está autorizado, é usado em várias unidades de saúde, e o seu uso foi permitido para outro paciente nas mesmas circunstâncias pela mesma comissão.
O tratamento parece que custa entre 2.500,00€ a 3.000,00€ por mês.
Face a isto, lembrando-me da outra história, imagino lá a tal comissão a discorrer sobre a coisa.
- Ó Zé, olha-me este. Aqui a pedir Erlotinib. Manda-lhe aí umas aspirinas e que não diga que vai daqui.
- E resulta?
- Quem? O Erlotinib? Parece que sim. Em cancros do pulmão com metástases ou localmente avançado ou pancreático metástico. Prolonga a sobrevida e melhora a qualidade de vida…
- Ai é?
- É, mas isso também a aspirina e muito mais barato!
- Ui, mas assim não morre mais depressa?
- Que queres? Já estava a morrer, não?
Obviamente que este diálogo é ficcionado, não se pretende ofender ninguém ou mostrar uma qualquer falta de respeito por pessoas que sofram deste mal terrível (sei o que isso é pois o senhor meu sogro assim morreu).
Só se quis mostrar que quando se perdeu até a noção do ridículo, em certos domínios mais valia que nos deitássemos todos a chorar.
Que triste, apagado e vil Portugal que estamos a deixar construir!

Há fantasmas no Par(a)lamento!

O Bandarra, nas suas profecias, augurava que D. Sebastião haveria de regressar numa noite de nevoeiro.
Mas o Rei-Menino nunca regressou das areias de Alcácer Quibir, local maldito onde a Nação se empenhou.
Quiçá inspirado pela leitura das profecias, alguém no PSD lembrou-se de destacar que, aquando da feitura das listas dos seus candidatos a deputado em 2005, pairava um intenso, espessíssimo nevoeiro na São Caetano à Lapa.
Pensava-se que tinha sido a Nação, formada por um bando de energúmenos ingratos, que se embalara para os lados do Rato (hoje, paradoxalmente, a mesma Nação afirma e jura a pés junto que não contribuiu para a maioria absoluta), sem dizer água vai.
Mas se na história do nevoeiro ninguém se chega à frente para assumir a paternidade do dixote, já na descoberta dos fantasmas social-democratas não há dúvidas.
Marques Mendes afirma e diz.
Há fantasmas nas listas do PSD!
Sempre pensei que o bom povo quando ia a votos, só elegia vivos.
Descubro agora que, não só os cadernos eleitorais continuam prenhes de eleitores fantasmas, como também há fantasmas no Par(a)lmento.
É bem capaz.
Vou ter de ver se ainda anda por aí o Canal Parlamento.
Aquilo vai ser uma tarde bem passada.
Olá se vai. Eles para ali a debitar e eu, de lupa em punho, a verificar.
Um fantasma, dois fantasmas, três fantasmas…um deputado, quatro fantasmas... a voar... um sapo a passar... um sapo?
Ei, espera aí... ah, é o pessoal do PCP... coitados, tiveram de mandar o "moço" mais novito sentar-se ali quietito a olhar para o Dalai Lama.

Última hora: China aceita recepção ao Dalai Lama mas com Scolari presente.

Como gozo do estranho dom da ubiquidade ontem pude assistir a um conjunto de acontecimentos que ocorreram praticamente ao mesmo tempo em vários locais. E, graças a tal invulgar capacidade, posso aqui relatar em primeira-mão alguns mistérios que irão escorrer tinta.
Por exemplo, eu posso testemunhar que se Scolari, o nosso “one man show” na Selecção, mais não conseguiu, não foi por culpa sua conforme afirmou num momento de fraqueza ante as câmaras da RTP.
O homem passou todo o santo jogo, de terço no bolso esquerdo das calças do fato de treino, a orar.
Eu ali postado junto ao banco até ia conseguindo ouvir pedaços da ladainha… “Nossa Senhora do Caravaggio, jogai por nós, fracos jogadores….”, “não os deixeis marcar…”, “livrai-nos dos cartões, das faltas e da azelhice”, “jogai por nós agora e nos próximos jogos” … é verdade. Digo-vos eu.
E se o homem do apito não viu o fora de jogo a culpa foi do anjo protector do Ricardo que, naquele preciso momento, abria as asas nova para as mostrar aos demais comparsas e assim impediu que o homem visse tamanha barbaridade.
Assim como assim, também me encontro em rigorosas condições de testemunhar onde seja necessário que Scolari não agrediu, não quis agredir nem, conforme garantiu, tocou num cabelinho sequer dum jogador sérvio. Ele, Scolari, só ia abraçar aquele garboso jovem.
Mas os olhos humanos são ruins e a mente reles, e é por isso que muito boa gente viu tudo ao contrário.
Por exemplo, Maria José Nogueira Pinto, que via o jogo em casa, pensou ter visto ali uma murraça daquelas à antiga portuguesa e logo cofiou com os botões superiores da sua blusa: “Ora ali está o homem que me podia ajudar a limpar o Chiado e a baixa das horrendas lojas chinesas”.
Ao mesmo tempo, em Beijing (eu inicialmente escrevi Pequim, mas telefonaram-me da Embaixada a dizer para ter cuidado…), um secretário de secretário do vice-ministro das Relações Cordiais viu aquilo e logo pegou no telefone. E eu consegui perceber isto, ouvindo a conversa e traduzindo em simultâneo: “Amado? Aqui Govelno chinês… pala dizel pode leceber Dalai Lama. Beijing não põe ploblema. Favol especial pol senhô manda equipa futebol na coisa… E dizer senhô Scolali Dalai Lama não acleditar Senhora Caravaggio. Obligado”. E terminou com um sonoro he, he, heee…

Socratóssaurius Rex? Pinusdistraídus saurius? O que será que se descobriu na Mongólia?

Todos sabemos o que é um paleontólogo, não?
Eu tinha uma ideia, mas fui meter a pituitária (forma mais refinada de dizer “nariz”) no dicionário lá de casa para a coisa bater certo.
As amigas e os amigos sabem como são os dicionários, por isso cá vai: “paleontólogo – paleontologista”; “paleontologista – pessoa versada em paleontologia”; “Paleontologia – ciência que trata dos fósseis”.
Ora cá está… pois bem, em Portugal temos um paleontólogo de seu nome Octávio.
Vá lá, contenham-se, por favor.
Não é do Machado que falo, mas sim do Octávio Mendes que foi para a Mongólia (a capital, já agora, é Ulan Bator) fazer uns buracos no deserto do Gobi.
Vários ossos, dentes, crânios, ovos de dinossauros e esqueletos quase completos já cantam debaixo da pá do nosso homem e até uma espécie possivelmente desconhecida até à data.
Parece que a discussão agora anda em torno do nome com que irão baptizar o espécime.
O nosso homem em Ulan Bator, por razões óbvias, aposta em “socratóssaurius rex”.
Quando muito estará disponível para um “pinusdistraídus saurius” em homenagem ao nosso ministro da Economia que, mesmo que estivesse lá no deserto do Gobi, havia de pensar que estava nas Phi Phi (eu nunca lá estive, mas dizem que são um recanto espectacular da Tailândia).
Os americanos quereriam “carnibushssaurius” ou, numa possível antecipação do futuro e politicamente correcta, um “obamabarakiussauris afroamericanus rex”.
Pela bandas das Terras de Vera Cruz, quase todos põem os seus reais no “lulassauriusdasilvius finitus”!
Não sei que diga, por isso aguardo os vossos comentários!

Nazis, judeus, osama´s, barbudos? Tudo tolo, tudo tolo!

Contado, ninguém acreditaria. Mas relatado e visto, já dá para crer.
Então não é que uns maduros em Israel resolveram dedicar-se ao coleccionismo?
Sim, coleccionismo.
Uniformes nacional-socialistas e retratos de Hitler faziam parte da colecção. Aqui e ali, coleccionavam umas “coças” em ortodoxos, homossexuais, emigrantes e afins.
Quando ouvi a notícia sobressaltei-me. Já não bastavam as brigadas de não sei quantos, os barbudos do Hamas, os reformados da OLP e agora até há palestinianos nazis, pensei.
Estava enganado, profunda e rotundamente. Os ditos cujos, afinal, eram judeus. Espera aí, judeus nazis? “Ó catano, cum comandro”, diria o outro. Eu nem encontro termo de comparação… judeus nazis… mas, alto, afinal parece que também não é bem assim.
Quer dizer, os jovens estouvados (nacionais russos) podem residir em Israel e tudo, mas tecnicamente não são judeus. Parece que, para os ortodoxos, uma das condições para se ser judeu é ser-se filho de mãe judia. Pormenores...
Serão, pois, o quê? Nazis serão, palestinianos não, judeus também não… nacionais russos deviam ser mas como puderam ir para Israel porque havia sangue judeu na família… judeus?
Lá está, puseram-se os jovens a pensar nisto tudo e deu-lhes para aquilo depois de lhes dar a volta à mioleira. Podia dar-lhes para pior? Acho que não. Pelo menos em Israel.
Aguarda-se, entretanto, considerando que hoje é 11 de Setembro, que Osama surja novamente a ter tempo de antena em tudo quanto é sítio a pregar contra os infiéis, a defender o califado e mais uns quantos disparates.
Mas ainda mais disparatado é dar-lhe tempo de antena. Ou ter-lhe dado colo como fez a CIA.
Judeus que não são judeus a acharem que ser nazi em Israel é o cúmulo do chique e islamistas barbudos que acham que todos se devem curvar ante as suas diatribes, dá o quê? Vontade de chorar!
“Procura ajudar o próximo. Se não fores capaz, então não faças mal aos outros”, afirma o Dalai Lama. É pena que por aquelas bandas (e já agora por estas) não se queira ouvir. E perceber.

Hoje começou a escola do futuro!

Vinte e duas escolas portuguesas do sistema de ensino público vão poder passar a ter uma gestão autónoma a nível dos seus recursos financeiros, humanos, pedagógicos e curriculares.
A lógica passa por os estabelecimentos de ensino, melhor, os seus responsáveis, passarem a fazer opções de gestão.
E isto numa perspectiva de equilíbrio financeiro e prossecução do interesse público, uma vez que terão de prestar contas à Tutela.
A ministra da Educação, em declarações ao “Jornal de Notícias”, edição de hoje, dá mesmo um exemplo: "até aqui uma escola tinha um orçamento fixo, e estava impedida de gastar em obras o que poupasse em gastos com pessoal. A partir daqui, vai poder fazê-lo".
Outros pontos abrangidos por esta nova forma de gestão passam pela faculdade das escolas poderem organizar as turmas, os currículos e até a própria estrutura escolar.
Poderão ainda homologar contratos de prestação de serviço docente, autorizar a nomeação e a transferência de docentes, por exemplo.
As vinte e duas escolas que agora arrancam com esta medida serão avaliadas daqui a quatro anos.
As restantes têm de esperar por 2009.
Tendo já sido acusado de excessivamente negativista, radical nos comentários, assim como também devo dizer que já me acusaram de por vezes encostar demasiado ao rosa, mesmo assim corro o risco: esta é uma boa medida.
Se calhar, teria sido preferível o Ministério da Educação ter dado mais atenção e prioridade a esta medida em desprimor de outras. Digo eu.

Depois das favas polacas, melão escocês?

Portugal, desgraçadamente, está mesmo em maré baixa.
Um cavalheiro sai para um passeio higiénico, chega a casa, liga a televisão e… zás.
Leva logo ali com os doutores Mendes e Menezes (a dupla M&M) a fazer campanha para se colocarem à disposição da Nação.
A avaliar pela SIC, Menezes já ganhou. E por muitos.
Mendes juntou 150 militantes. Menezes, fino, chamou-os para uma acção de campanha mas “deu-lhes” de comer. Resultado? Milhares. É, o povo anda com fome.
Avante. Avante, mas sem ir para a festa.
Muda-se de canal – RTP1 – que vai jogar a Selecção.
Sem Pepe que é para o Rui Santos não ficar indisposto.
Ui, ui… ai os gajos que marcaram dois golos. Isto não se faz. Então não é que o Dr. Gilberto Madaíl põe os sacristas dos polacos a jogar na Luz (para alguns a catedral) e os mal-agradecidos nos fazem uma desfeita destas?
Razão, razão têm os que nos corredores de Bruxelas apertam o gasganete aos polacos lá nas negociações do novo tratado. Estes tipos não são de confiança. Uma pessoa abre-lhes a porta e eles logo nos enfiam duas bofetadas no orgulho pátrio.
Vamos ver se os nossos “lobos” fazem alguma coisa de jeito contra a Escócia no jogo de hoje.
Senão, é “melão” em dose dupla!!!

Banca (também) passou a ser roubada!

Sinal de crise económica, de confiança na ineficácia das autoridades e da sua crónica falta de meios ou de modernidade? Não sei.
O que sei é que nos últimos tempos o País tem sido assolado com uma vaga inaudita de assaltos mais ou menos violentos, quase sempre perpretados na maior das calmas, por "cavalheiros" que, nalguns casos, nem se dão ao trabalho de tapar a cara.
Nos tempos de Jesse James seria difícil fazer melhor!
Ante a reacção da populaça expressa nas cavaqueiras tidas à sombra de um guarda sol oferecido ao dono do café por uma qualquer multinacional, um senhor duma associação qualquer ligada à banca veio dizer que "também nós" devíamos estar preocupados com os assaltos aos bancos.
Ora, eu presumo que o "também nós" seja cá para o rapaz e qualquer outro português que um dia teve a infeliz ideia de entrar pela porta de um banco adentro e... deixar-se assaltar!
Pois é, chegou a "pay back hour" como dizem os "américas"!
Enquanto isso, lá pelos reinos dos Algarves parece que o caso Joana ameaça repetir-se com Madeleine McCann.
Curiosa e a dar uma interessante análise a volatilidade das massas. Para este assunto, recomendo que dêem ali um "saltinho" ao cegueiralusa.blogspot.com onde o amigo Carreira escreve e bem sobre a coisa.

Ajudem-me, por favor: rio ou choro?

Um passeio visual e nocturno pelas páginas do meu jornal diário (o "Público")levou-me a ficar como o tolo no meio da ponte.
Para ali, para acolá, rio, choro…
E nem me vou meter no atoleiro que é o até agora ilustre desconhecido artigo 88º do Código de Processo Penal dado à estampa no Diário da República em pleno mês de Agosto. Para quem não sabe, este é o artigo que proíbe a divulgação de escutas telefónicas. Grosso modo.
Não, eu vou falar doutras coisas. Vou só transcrever umas partes do que ia vendo.
“Funcionários do PSD chamados ao Conselho de Jurisdição para esclarecer irregularidades quanto às quotas” – sem comentários senão ainda sou acusado de anti-PSD primário…
“Troca de seringas nas cadeias arranca dia 24” – as cadeias são do Estado, certo? O Estado, no seu todo, manda para a cadeia traficantes e consumidores de droga, certo? Então, vai-lhes dar seringas para quê? Estão todos diabéticos?
“Ministra situa abandono escolar nos 36%” – e está contente, Dra. Maria de Lurdes Rodrigues? Parece que está porque o número desceu 3%.
“Portugal paga metade do salário mínimo em França” – pronto, agora é que me vou.
Afinal, para tristeza já nos basta saber que Pavarotti se calou para sempre!

PSD com campanha a jacto!

Anda animadíssima a campanha interna na “laranjalândia” e a blogosfera pouco atenta à coisa.
Sinais inéditos e quiçá inquietantes têm vindo dali e… aos costumes nada.
“Menezes faz campanha nos Açores em jacto emprestado” titulava o jornal “Público”.
É caso para dizer, se o homem só (e este só não visa desconsiderar porque ao menos mexeu com muita coisa naquele concelho) é presidente da Câmara Municipal de Gaia e já anda de jacto emprestado, o que faria se fosse Primeiro-Ministro?
Ribau Esteves, um apoiante do aspirante a chefe, trouxe à colação o envio de mensagens por telemóvel para 100.000 militantes (e assim se prova que o famoso “Hoje somos muitos, amanhã seremos milhões” dos tempos em que o PSD só era PPD ficou por concretizar) e dos “mailings”.
Do lado de lá da barricada, Macário Correia (outro autarca com alguma obra) disparava contra a campanha porta aporta que alegadamente um independente com fortes ligações ao CDS/PP andava a fazer a favor de Menezes.
Confesso que até abanei a cabeça… espera aí… um independente, ligações ao PP, a “trupar” (como sói dizer-se aqui para estas bandas) à porta de militantes do PSD? E eles abrem a porta?
Finalmente, a confissão das confissões veio do lado de lá… ou de cá… veio, prontos.
“Centenas de militantes do partido afectos à candidatura estão a ajudar outros militantes a realizarem a tarefa hercúlea de pagar as quotas”, disse Ribau Esteves.
Mas a ajudar como?
Marcando o código no Multibanco?
Pagando as quotas por terceiros?
Emprestando dinheiro?
E um militante pode sê-lo não pagando quotas?
Estar na oposição pode ser uma chatice, mas proporciona sempre momentos castiços.

As "cavacadas" do Dr. Silva, Aníbal!

Dando provas da sua proverbial visão de futuro, Cavaco Silva dirigiu-se ao Parlamento Europeu com um discurso recheado. De banalidades, trivialidades e quejandos.
Advogou a reforma do modelo social europeu. Logicamente, na sua sábia visão, isso passa pela flexigurança. Adaptada a cada país, mas mesmo assim flexigurança.
Pigarreou sobre mais formação, melhor economia, mais competitividades, mais desenvolvimento. Juntou-lhe um toquezinho de ambientalista e “voilá”…
Desafiou a União Europeia a entender-se, durante a nossa Presidência, quanto ao novo Tratado olvidando que hoje a sua opinião nas instâncias comunitárias é bem capaz de valer pouco mais que…. uma fatia de bolo rei.
Pegou na bússola e falou novamente de África… mas, ao que sei, ter-se-á esquecido de Mugabe, esse exemplo de democracia…
Bem, podia adicionar outros nomes mas fiquemos por aquele.
Que eu saiba também ninguém lhe conheceu o que pensa sobre a questão turca ou se conciliar necessidades económicas com olhares para o lado às “putinadas” faz bem à saúde.
Ficou-se, isso sim, a saber que acha a União Ibérica um disparate.
Falta é saber o que fez quando ocupava S. Bento para impedir a “OPA” que Espanha há muito iniciou sobre Portugal.
Não vai ser nada meiga a História para esta nossa rapaziada que desde 1974 nos transformou numa “jangada de pedra”.

"Asneadas" da nossa polítiquice

“Há dois anos e meio os portugueses julgavam que o Primeiro-Ministro era invencível e que o Governo estava para durar. Dois anos e meio depois muita coisa mudou”, disse Marques Mendes lá para Castelo de Vide.
E tem toda a razão. Toda. Aliás, deve ser por isso que lidera todas as sondagens!
Acenou ainda à Nação com um cerrado ataque por causa da carga fiscal. A Nação, embevecida, agradeceu. E recordou que no Governo nada do que agora exige, fez!
“Os socialistas estão a transformar o Fisco num fundamentalismo, cobram, notificam, multam, voltam a cobrar todo o que é possível” criticou Paulo Portas.
Pois é… Paulo Portas podia era ter dito ainda que se a máquina funciona assim também é em parte por causa de um certo Paulo Macedo que foi para o Fisco quando o crítico estava no Governo. Quer dizer, o PS limitou-se a aproveitar a boleia…
“Tem mais medo do socialismo do que um gato de água fria” acusou Louça, referindo-se a Sócrates.
Consta por aí que ainda houve quem o conseguisse ouvir murmurar “… mas quem me dera que ele ainda um dia precisasse cá do Francisco…”.
Jerónimo de Sousa, fino, guardou-se para o próximo fim-de-semana. De qualquer maneira, sempre nos garantiu que na Festa do Avante não há cá FARC´s nem meias FARC´s…
E o Governo? Não faço a mínima e assim é que estamos bem.

Guerra civil nas estradas portuguesas

Julho e Agosto nas estradas portuguesas: 147 mortes.
Prossegue a guerra civil que assola as nossas estradas.
Pouco mais se poderá dizer. Claro que há estradas perigosas, claro que há sinalização mal colocada, claro que há imponderáveis… mas a condução de muitos dos nossos condutores também pouco ajuda.
Recordo ainda que no final do meu exame de condução, o examinador me disse: “Faça um favor a si próprio: a partir de amanhã não arranje um Código da Estrada só para si!”.
Foi assim que soube que havia passado.

Amanhã todos seremos mais miseráveis

Possivelmente serei polémico...
Os que clamam contra as mordomias e os privilégios da Função Pública já podem começar a dormir descansados.
Assim, entre o final de 2005 e o final de 2006, ocorreu uma redução de 58% no número de avençados e tarefeiros na Administração Pública.
Os registos indicavam em finais de 2006 que já só existiam 3293 contratos de avença e 1745 de tarefa, num total de 5038 pessoas.
Não se sabe o que algumas fazem, mas isso é outra louça.
Por outro lado, a partir de 1 de Janeiro de 2008, a passagem à aposentação e o cálculo das pensões passam a ser feitos de acordo com as normas estabelecidas para a Segurança Social.
Irmanados na desgraça, a actualização das pensões irá depender do crescimento da economia e do valor da inflação.
E assim se vão edificando os amanhãs que cantam e sossegando invejas.
Podem, pois, dormir descansados os que hoje rangem os dentes contra a Função Pública dado que amanhã todos seremos mais miseráveis.

O "mexe-mexe" legislativo

Abundam as novidades (ou quase novidades) legislativas.
Violação do segredo de justiça? Jornalista que não cumpra incorre em pena de prisão até um ano ou multa até 120 dias.
E o “bufo”?
A nível desportivo vem aí novo regime de responsabilidade penal por comportamentos antidesportivos.
Novos crimes na forja: crimes de tráfico de influência e associação criminosa.
Responsabilização penal das pessoas colectivas.
No Código Penal parece que se quer dar especial atenção ao tráfico de pessoas (passa a ser crime, seja qual for o seu fim), incêndio florestal e todos os crimes contra o ambiente.
Vista assim em abstracto, a produção legislativa portuguesa é uma maravilha.
O problema é a sua aplicação.
E a pressa que às vezes leva a que diplomas publicados hoje sejam rectificados três dias depois. E a proliferação de diplomas sobre tudo e sobre nada. E a atribuição de competências a não sei quantos organismos. E os problemas de se deixar pendurada legislação regulamentar.

Nota de rodapé: a atestar que a malta anda mesmo tesa (e a elucidar porque é que os tribunais andam inundados de processos pois chequezito acima de 150,00€ sem tecto ainda é crime), não sei se viram os números astronómicos de cheques sem provisão…