Recuo civilizacional é ler o Saraiva!

Em Portugal há um semanário que não traz brindes nem ofertas, mas que no último fim de semana continuou a oferecer por mais uns cobre as memórias do José Hermano Saraiva.
Em Inglaterra, pelo contrário, um tablóide qualquer ofereceu o último trabalho de Prince.
Escolha por escolha, preferia este último.
Bom, mas não vim para aqui para dissertar sobre ofertas de jornais, antes sobre o “artiguito de opinião” que o director do “Sol” - sim, era desse que falava - escreveu.
O homem, falando de Matisse e Picasso, do “hip-hop”, do “rap”, das tatuagens e dos “piercings”, descobriu um recuo civilizacional.
Lá do alto da sua torre, o homem olha e vê o Apocalipse.
Aqueles pintores inspiraram-se na arte étnica e, comparados com Rembrandt, Velázquez e Rubens, representam um retrocesso.
Na música fala no “regresso ao tempo dos batuques, aos sons minimalistas, à selva”.
Mas o rock´n´roll quando apareceu não era batuque?
E Reich, Glass, entre outros, não são representativos da música minimalista?
O homem, em suma, não vislumbra progresso em lado algum no domínio das artes e acha que, só por isso, estamos numa de recuo civilizacional.
E eu pensando nos talibãs, nos imãs, na escravatura que a China industrializada fomenta, na miséria que é ter de viver com 70 cêntimos por dia, não sei que pensar.
Quer dizer, na altura, tenho de confessar, o que me ocorreu foi:
“Andei eu a comprar esta porcaria!”

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