Os recados de Alegre

“No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra”
Hoje haverá “medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado”.
São “casos pontuais, (…) inquietantes” .
Assim escreve Manuel Alegre num artigo de opinião dado à estampa na edição de hoje do jornal “Público”.
Como ponto prévio, tenho de assumir que não gosto de Manuel Alegre.
Nem como poeta, nem como político.
Aliás, pouca legitimidade reconheço a quem descobre agora que há vida para lá dos partidos, mas sempre viveu dentro de um e, tendo feito aquela descoberta, não sai desse partido e do sistema.
Manuel Alegre continua deputado porquê e para quê?
De qualquer modo, apesar de dirigido mais para o interior do PS, este seu recado deveria ser alvo de reflexão nas estruturas caciquistas dos demais partidos.
Basta que se tenha frequentado uma qualquer secção local ou concelhia para se perceber algumas coisas (e, neste pormenor, falo com conhecimento de causa).
No seu escrito, Manuel Alegre aponta ainda algumas questões que têm sido motivo de acesa polémica junto da sociedade civil ou parte dela.
A saber: “progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde”; ao regime do vínculo da Administração Pública; ao Estatuto dos Jornalistas; ao “precedente grave” do cruzamento de dados na função pública; à “tendência privatizadora de sectores estratégicos”, como a electricidade, a água e o ensino superior.
Do que aponta vejo com preocupação o que se passa na Saúde, algumas alterações na Administração Pública, cruzamento de dados e a privatização da água, por exemplo.
Já disse que não gosto do homem, ponto.
Mas tenho de reconhecer que este seu artigo, à semelhança de intervenções produzidas por outras pessoas (Pacheco Pereira, por exemplo), devia funcionar como uma mola. De um debate que é imperiosos realizar. Sob pena de podermos soçobrar enquanto país.

7 comentarios:

Tiago R Cardoso disse...

Não podia estar mais de acordo, como alguém disse sente-se no ar um clima de claustrofobia democrática.

quintino disse...

De qualquer forma, sempre queria deixar expresso de forma clara e inequívoca que penso ser preferível termos o PS na governação que o PSD.
Não tenho boas memórias do PSD autista de Cavaco, do PSD "laissez faire, laissez passer" de Barroso, ou do PSD "flower power" de Santana. Tive respeito pelo PPD de Sá Carneiro, esse sim um homem de visão e estadista.
No que toca ao PS, Soares governou nos tempos em que o país se afundava. Essa é que é essa.
Guterres, enfim... é a vida.
Sócrates prometeu, ainda não me desiludiu por completo mas devia lembrar do que sucedeu com o PSD de Cavaco...

Anónimo disse...

O Alegrete é o quê? A consciência cívica de quê? E a amiga dele, a Roseta?

luís miguel disse...

Na Saúde existem opções que têm sido muito mal explicadas. Outras ainda revelam um desconhecimento profundo da realidade e da geografia, por exemplo.
Na Administração Pública não deixa de causar receio a questão das avaliações negativas (nas câmaras municipais, por exemplo, quem é que vai garantir a imparcialidade? Atente-se no que se passa nalgumas câmaras. Muda o partido de governo e os funcionários que não são afectos à cor, mesmo que sejam bons, são colocados discretamente na prateleira. Agora, com esta abertura, ao fim de meio mandato abre-se vagas no quadro) e a alteração de regras a meio do jogo.
Se a Administração tem de emagrecer congelem-se as admissões (para o quadro, a prazo e em avenças). Obrigue-se a que o pessoal de nomeação e confiança política provenha do serviço (que diabo, numa câmara, por exemplo, só com muito azar é que não pessoas com vária opções ideológicas ou até nenhuma).
O Governo para que precisa de saber os dados dos cônjuges, dos filhos, dos enteados... não quer saber nada do cão? E do gato? E quantas vezes por semana truca-truca, como diria Natália Correia?
E se a água já está pelo preço da morte, na mão de privados fica como?

Carreira disse...

Li o artigo no Público e aprovo-o na integra.
Força Alegre. Não cale a sua voz!!!

Arte da Pedra disse...

Não li o artigo, mas concordo plenamente quando o Quintino diz que este devia servir de «...mola. De um debate que é imperioso realizar.». Nós, os leigos, que estamos do lado de fora, já nos aprecebemos há muito dessa necessidade. Mas, e os senhores dos partidos? Os que fazem parte desse partido opressivo(?!) que nos governa e os outros, aqueles que se dizem o garante da democracia perceberam? Claro que não! Estão demasiado centrados nos seus umbigos, na sua busca incessante pelo poder...Sá Carneiro, esse sim, se fosse vivo, há muito teria percebido essa necessidade.
De qualquer forma, «long live Sócrates and PS», porque já lá dizia o outro, «Do mal, o menos».

antonio disse...

Essa do PS com medo, naão trago! Não me parece que o Sócrates esteja com medo.