Os calotes do Estado

Assentamos parte da nossa existência colectiva na política do calote.
As autarquias andam agora assoberbadas a fazer contas de quanto lhes deve o Estado.
Na maior parte dos casos, as dívidas resultam de compromissos assumidos ao longos dos anos pelo Estado visando a construção de equipamentos públicos da competência da Administração Central, como estradas, centros de saúde, hospitais, escolas, tribunais, postos da GNR ou esquadras de polícia e que foram executados directamente pelas autarquias.
No rol do deve e haver também irão entrar os terrenos cedidos para a construção de equipamentos, moda que começou a fazer escola nos tempos de Cavaco e que, basicamente, se traduz no seguinte: “Querem uma escola nova? Arranjem terreno!”.
Tudo estaria bem se fosse só o Estado a dever às autarquias. Mas não.
Estas, por seu turno, devem a meio mundo. É nas empreitadas, é nos fornecimentos, é sabe-se lá em que mais.
Aliás, a política do calote ou do deslizamento dos pagamentos para data oportuna (sempre a favor do Estado) também ocorre noutras áreas.
Que o digam, por exemplo, as escolas profissionais.
Certo, certo é que o Estado tem uma postura de caloteiro! Lá isso tem...

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