Marques Mendes (só) vê bem de um olho!

O presidente do PSD, Luís Marques Mendes, voltou ontem a acusar o Governo de actuar com "intolerância" e de exercer "perseguição política" na administração pública, lembrando que o "Estado é de todos, não é uma coutada privada do PS".
Os exemplos que trouxe à colação foram os do já célebre professor Fernando Charrua, o da licenciada em Filosofia que era directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, e o do director do Hospital de S. João da Madeira.

Marques Mendes garantiu que o PSD "manterá firmeza na denúncia" e lembrou o fundador do PPD/PSD: "Aprendemos com Sá Carneiro a ter coragem cívica".

Procuremos ir por partes.
Sobre a polémica entre a D. Margarida e o Charrua, os últimos desenvolvimentos deixam-me confuso.
Chamar “filho da puta” é ou não é grave?
Sendo praticado por funcionário público, no local de trabalho, de forma audível, e dirigido ao Primeiro-Ministro constitui infracção disciplinar ou não?
Se o comportamento for persistente há mais motivos para actuar ou não?
Da resposta a estas questões depende que tenha de ir estudar de novo o Estatuto Disciplinar.
Ou não.
Se nenhuma das interrogações que acima coloquei for fundada, então o que ainda faz a directora da DREN no cargo?
Já agora, é mesmo verdade que a Margarida Moreira já dentro do seio do PS revelava um certo desvelo por medidas saneadoras como trouxe a lume um dos semanários de fim-de-semana?

No caso de Vieira do Minho veio ao de cima, mais uma vez, a inépcia para resolver determinadas questões.
Se há um culpado confesso, o que justifica tanto barulho?
Mas não é também verdade que a nova lei não permitiria que a directora exonerada permanecesse no cargo?
E porque é que ainda nenhuma das carpideiras do regime veio a lume explicar que foi certamente por mero acaso que uma licenciada em Filosofia e esposa do número dois da Câmara Municipal de Vieira do Minho (do PSD) foi nomeada em 2004 (com um Governo PSD/PP) para directora daquela unidade.
E se não foi por acaso, foi-o certamente porque não havia mais ninguém!

Para o PSD e para esse imenso rol de carpideiras que ora estão com quem está no Poder, ora estão contra quem está no Poder, estes dois casos são sinais preocupantes de tentativas de amordaçar a sociedade civil, mais concretamente a Administração Pública.
Para mim reflectem é uma coisa bem mais preocupante: a instrumentalização de cargos dirigentes ao sabor dos calendários eleitorais.

Finaliza-se realçando que o Dia da Autonomia da Madeira também se comemorou ontem, sob os protestos da oposição, dado que o modelo, esboçado pelo PSD, não permite a intervenção dos partidos. Da oposição, esclareça-se.
Os deputados do PS, CDU, PND e BE faltaram à comemoração solene na Casa das Mudas, na Calheta. MPT e CDS/PP foram os únicos que marcaram presença mas para discordar da forma como a Assembleia Legislativa, por decisão da maioria social-democrata, festeja a data.
Sobre isto, Marques Mendes não disse nada.
É pena, porque para quem diz que aprendeu com Sá Carneiro, saiu fraco aluno!

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