Mobilidade? Não será, antes, "chico-espertismo"?

O Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, assevera que “na selecção de pessoal, o pessoal avençado está a ser considerado como integrando os efectivos existentes” e ainda que “este procedimento é ilegal e inquina irremediavelmente as decisões que venham a ser tomadas”.
Ou seja, a famosa Mobilidade na Administração Pública (vulgo, agora vais para a prateleira, depois para o olho da rua) está a começar a mostrar ao que vem.
Sublinha ainda que um dos fundamentos para a colocação de pessoal nas listas de supranumerários é o facto de nem todos serem necessários para desenvolver as actividades que se pretende.
Só que parece que há casos em que, por um lado, se diz que há excedentários, mas ao mesmo tempo propõe-se manter os contratos de prestação de serviço com base na “inexistência de pessoal” para desempenhar as funções naquele organismo público.
É deste tipo de esperteza saloia que tenho receio. De que todos devíamos ter receio, aliás.
Com a leviandade com que avançaram para a Mobilidade e as propostas para o novo Código do Trabalho (que até arrepiaram Bagão Félix - assunto que também já aqui abordamos), desconfia-se que se prepara alegre e pateticamente uma geração de pedintes. Ou então que a redução do défice também passa por matar as pessoas à fome.

10 comentarios:

manuel antónio disse...

Teme-se o pior em matéria de mobilidade?
Há que recear, sim senhor.
Nos serviços, em situações de igualdade, que nunca é absoluta, a opção vai-se fazer por quem?
Numa Câmara Municipal, por exemplo?
E nos privados estão a pensar em quê? Liberalizar despedimentos? Mas então se já se fala em profissionais do desemprego?
e não são estes os mesmos senhores, os tais que querem liberalizar, quem anda todos os dias a falar na ruptura da Segurança Social? Brinca-se com coisas muito sérias.

Tiago R Cardoso disse...

Conheço uma câmara municipal onde os funcionários capazes são colocados na "prateleira" e ficam a "trabalhar" os que sabem os "segredos" da câmara. Que mobilidade é esta onde o que conta não é a capacidade mas sim o grau de informação.
Em vez de se avançar com propostas como as estão no famoso livro branco(devia ser preto), deviam eram tomar medidas que não fossem escritas do alto da secretária de alguns, mas escritas ao nível da vassoura do trabalhador.

luís miguel disse...

Eu conheço uma Câmara assim.

quintino disse...

Desgraçadamente, trabalho numa.

Livre disse...

Sinta-se licenciado para me ter debaixo de olho! Será um prazer...

Menina_marota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Menina_marota disse...

Bem... estamos então, todos de acordo, quanto às Autarquias... é que eu conheço também Câmaras assim... e quanto a ficar na prateleira, antigamente, era quando a cor do "poleiro" mudava... agora, já nem isso, basta não "cumprir" e mesmo os da cor são colocados na "prateleira" eheh

Joshua disse...

É uma tristeza. E é preciso abrir o olhos para este assassínio das aquisições sociais de mais de um século.

damularussa disse...

E cada vez mais somos peritos no Chico Espertismo.

Cumprimentos

quintino disse...

E as propostas do Governo para o Código do Trabalho são:

DESPEDIMENTOS - Facilitar o processo burocrático; despedir por incompetência, desde que esta fique comprovada.
FÉRIAS – período fixo de 23 dias úteis.
SALÁRIO – admissibilidade de redução salarial com fundamentos objectivos definidos pela lei e sujeitos ao controlo da Inspecção do Trabalho.
HORÁRIOS – Só devem ser definidos limites para o tempo de trabalho semanal e anual. O horário de trabalho diário poderá ser acordado entre empregador e empregado. Pausas de descanso poderão ser reduzidas.
HORAS EXTRAORDINÁRIAS - Possibilidade de se alargarem os limites do trabalho suplementar e dar preferência a um regime de descanso integralmente compensador do trabalho suplementar realizado, com prejuízo da sua remuneração reforçada hoje estabelecida na lei e na contratação colectiva.
DIUTURNIDADES - erradicação da figura.

CIP - pouco arrojado.

Por ser um homem de Direita, citei ainda (post de 26.6.2007) BAGÃO FÉLIX: “ (…) são ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais. (…) tem de ser com o mínimo de respeito pelo tempo de lazer, de família e de descanso das pessoas (…) reduzir a pausa para meia hora, como se consegue almoçar? (…) no que diz respeito ao despedimento por incompetência, hoje já é possível despedir por inaptidão, ou seja, por redução na qualidade ou produtividade do trabalho. Parece-me mais um álibi (…) as reduções salariais parecem-me mais uma dádiva ao patronato do que uma necessidade".

Ele há comentários possíveis?
Digam de vossa justiça.