Até no preço dos preservativos somos f...!!!!

Foi preciso a Coordenação Nacional de Luta Contra a Sida (CNLCS) meter o bedelho para eu, e se calhar muitos portugueses, que em matéria de preservativos só o Reino Unido os vende mais caros que nós.
Assim em género de roteiro, sempre se dirá que uma das famosas “camisas de Vénus” numa farmácia custa 0,78 euros, numa parafarmácias 0,81 euros, numa loja de conveniência de 0,67 e num hipermercado 0,55 euros.
Como homem prevenido vale por dois, mais vale comprar logo por atacado num hipermercado.
Isto enquanto não vingar a proposta da dita CNLCS de vender preservativos a 0,20€. Quando muito, admitem ir até aos 25 cêntimos.
Outra conclusão curiosa do aludido estudo é que nos hospitais e centros de saúde, muitas vezes não há destes produtos para dar.
Curiosa? Não sei porquê…

Operação Furacão já "deu" 12 milhões!

A “SIC Notícias” avançava ontem à noite e o “Jornal de Notícias” de hoje confirma.
O Ministério Público estará aparentemente disposto a “perdoar” os que, tendo sido apanhados nas malhas da “Operação Furacão”, queiram pagar voluntariamente o que sonegaram ao Estado e aos portugueses em impostos.
Contas feitas, parece que já terão entrado nos cofres do Estado mais de 12 milhões de euros e que poderão ainda ter de arranjar espaço para mais 8.
Milhões de euros, está bom de ver.
Por favor notem que quem sonegou 20 milhões de euros ao Estado em impostos são empresas e os seus responsáveis.
Os tais que precisam de liberalizar o mercado, de poder despedir quando quiserem, que se “borram” todos para dar um aumento de 20 euros que seja a um qualquer funcionário, que se pavoneiam em “bombas” último modelo, compram iates por centenas de milhar…
Quanto ao perdão, a Lei prevê a possibilidade. Deseja-se é que seja aplicada também aos mais "pequenos". Aos dos cêntimos!

Marques Mendes de "palhinha" na cabeça? Ai, que rico...

O Dr. Marques Mendes é uma sumidade.
O Dr. Marques Mendes ainda hoje é recordado com desvelo como um aluno aprumado, “abrilhantinado” e muito queque na Secundária Martins Sarmento.
O Dr. Marques Mendes, quando Cavaco Silva teve a triste ideia de o chamar para lides governativas, vestiu fato e gravata, e esqueceu-se de tirar a cruzeta.
É daí que lhe vem aquele ar.
Severo, austero, de homem que não cede e não verga.
Hirto, movimentos mecânicos naquela “mãozinha” direita, sorriso “aquafresh”, um discurso que é um espectáculo, um estômago descomunal e sabe-se lá que mais.
É que só assim se compreende que tenha estado no Chão da Lagoa, no quintal do PSD, como se não fosse nada com ele.
De “palhinha” na cabeça, o Dr. Marques Mendes distinguiu-se por ser ainda mais demagogo que o seu amigalhaço Dr. Jardim, quer dizer, Dr. Alberto João.
Mas, manda a verdade, todas aquelas “patacoadas” têm para aí umas 10.000 mil razões de ser.
Consta que é esse o número de militantes do PSD no quintal do Alberto João.

"Kicking ass" em Cabul e Bagdade!

Os Estados Unidos da América prevêem gastar 644 mil milhões de dólares em 2008 naqueles brinquedos que fazem as delícias da dupla Bush/Cheney.
De acordo com o “Diário de Notícias” de hoje, pega-se naquela maquia toda, manda-se cambiar em moedas e dá-se 45 voltas ao Mundo ali pelo equador.
Eu não sou desses pacifistas de meia leca que andam por aí a protestar contra qualquer espirro que os americanos dão, mas, caramba, gastar 644 mil milhões de dólares na Defesa e andar a perder a guerra contra uns barbudos, malcheirosos no Afeganistão e a levar uma trepa das antigas no Iraque?
Uma das razões é que estamos a lutar no terreno como se aquilo fosse um jogo de Playstation.
Assim, tipo ecrã de plasma, colunas de "surround", volante e comandos sem fios, processador não sei quantos e chega-nos um "gajo", daqueles maltrapilhos que se enfiam em tocas de coelho e aparecem com uma fisga e mandam uma pedrada certeira, desliga a ficha e...
Depois, acho que faltam-nos coisas que a sociedade do conforto nos fez perder: determinação. Garra. Capacidade de sofrimento. E acreditar.

Chega-lhes, Arnaut. Tu dá-lhes!

Ouso roubar trabalho alheio. Mas não posso resistir.
Senhoras e senhores, passo a citar directamente António Arnaut, fundador do PS e do Serviço Nacional de Saúde (entrevista de Miguel Carvalho, publicada na “Visão” desta semana):

“O PS está a perder a alma e identidade…”
“(…) não está à altura da sua responsabilidade…”
“Um socialista não pode decidir apenas por razões economicistas”.

“A renovação é uma lei da vida, mas muitos dos que mandam nos partidos não viveram nem estudaram o passado”
“Noto falta de cultura cívica. É gente sem reflexão sobre os comportamentos, a arte, a literatura e a história do nosso povo. (…) Muitos deles não têm uma ideia para Portugal, não conhecem o País. Vivem do imediatismo, da conquista do poder. (…) Esta geração vale-se mais da astúcia do que da seriedade. E aprendeu os ensinamentos de Maquiavel”

“Os bajuladores existem. Você habitua um cão e ele está-lhe sempre à perna. Mesmo que lhe bata! O cacique, por outro lado, já tem de ser alimentado de outra maneira. Precisa de umas iguarias e quer manter a máquina e o aparelho a funcionar.”
“Algumas pessoas acomodam-se, querem manter os seus lugares e tendem a bajular o chefe”.

“Um país sem humor não tem futuro. Um tipo com cultura tem humor! Basta ter lido o Eça”.

É preciso transcrever mais?
Pessoalmente, penso que a carapuça serve a qualquer um. Do PP ao BE.

O opróbio do chocolate

Conhece ou já ouviu falar no Protocolo do Cacau?
Pois, eu também não. Até ontem.
Repimpado no sofá, andava para ali com o dedo a escorregar de tecla em tecla e os canais a mudarem.
Isto por volta das 20.30 horas. A BBC World inicia uma reportagem intitulada “Our World: bitter sweet”.
Ponho-me a ver e descubro que o tal protocolo foi quase imposto às multinacionais do chocolate e afins graças à acção do congressista democrata Eliot Engil.
Para quê?
Por exemplo para tentar a erradicação da escravatura infantil nas plantações de cacau em África, nomeadamente na Costa do Marfim.
E eu ali posto, espantado, a pensar que até o chocolate está manchado com a desonra do capitalismo selvagem e a nossa indiferença. Ou que andaram os nossos antepassados a lutar contra o esclavagismo para hoje fazermos de conta.
Ante isto, só me resta perguntar: alguém sabe ou conhece a loja de comércio justo mais próxima?

Contra as "Ladies Nights" litigar, litigar...

Roy Den Hollander é um advogado em Manhattan, sítio muito chique da “Big Apple”.
E agora pode transformar-se num herói. Junto daqueles machos que gostam de usar aquelas camisolas mais conhecidas por “wife beater” (o gajo que bate na mulher, em tradução livre) é capaz de ser um herói cinco estrelas.
Ah... já agora, as camisolas são aquelas assim sem mangas…
Cansado de ver "violados" os seus direitos e de ser tratado como um cidadão de segunda classe, avançou resoluto para Tribunal com uma acção em que alega que as famosas “Ladies Nights” nos bares são inconstitucionais porque fazem discriminação de preços com base no género.
As “ladies nights” são aquelas em que as ditas não pagam entrada e têm desconto nas bebidas ou lhes são oferecidas algumas bebidas.
Era quase caso para dizer que “that´s our man”, mas é melhor não.
Ainda se fica com má fama junto das mulheres e isso eu não quero.
E esclareço que não uso das tais “wife beater”!

Mobilidade? Não será, antes, "chico-espertismo"?

O Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, assevera que “na selecção de pessoal, o pessoal avençado está a ser considerado como integrando os efectivos existentes” e ainda que “este procedimento é ilegal e inquina irremediavelmente as decisões que venham a ser tomadas”.
Ou seja, a famosa Mobilidade na Administração Pública (vulgo, agora vais para a prateleira, depois para o olho da rua) está a começar a mostrar ao que vem.
Sublinha ainda que um dos fundamentos para a colocação de pessoal nas listas de supranumerários é o facto de nem todos serem necessários para desenvolver as actividades que se pretende.
Só que parece que há casos em que, por um lado, se diz que há excedentários, mas ao mesmo tempo propõe-se manter os contratos de prestação de serviço com base na “inexistência de pessoal” para desempenhar as funções naquele organismo público.
É deste tipo de esperteza saloia que tenho receio. De que todos devíamos ter receio, aliás.
Com a leviandade com que avançaram para a Mobilidade e as propostas para o novo Código do Trabalho (que até arrepiaram Bagão Félix - assunto que também já aqui abordamos), desconfia-se que se prepara alegre e pateticamente uma geração de pedintes. Ou então que a redução do défice também passa por matar as pessoas à fome.

A candeia que alumia duas vezes (ainda) está no Rato

PS - 44%; PSD - 29%; BE - 9%; PCP - 8%; CDS/PP - 6%
Eu, conforme já devem ter reparado, até gosto da má língua e da política, até sou mais para o lado esquerdo da coisa, mas começo a não perceber nada disto.
Ou voltamos aos tempos em que ninguém votava em Cavaco e o homem ganhava sempre com maioria absoluta, ou os portugueses andam uns mentirosos do caraças, ou gostam deste estilo "sado-maso" na política, ou é da instabilidade do clima.
Falam, falam mas oh, para eles, 44% para a "mãozinha"...
Verdade e facto: é lá para os lados do Rato que está a candeia que vai à frente. E indo à frente, já se sabe, o que faz...

O nosso Primeiro foi à têvê

O nosso garboso Primeiro-Ministro foi à têvê.
E até nem esteve mal, não senhor.
O problema é que alguns dos milagres de que ele falou ainda não passam de miragens para muitos portugueses.
Por isso, muitos foram direitinhos para a cama, com três ou quatro copos no bucho para afogar as mágoas, e incapazes de dar uma!!!!!
Outros ruminaram: "O gajo parece o Salazar a falar".
E alguns a pensarem que "nem esta merda se endireita, nem eu emigro!!!!"
Post Scriptum - vou dizer à mulher para me lembrar de comprar uma gravata vermelha (ou será encarnada?).

Já lhe dei meu "cartãozinho"?

Helena Loureiro era adjunta de Manuel Pinho, aquele senhor que se intitula ministro da Economia.
A adjunta costumava distribuir cartões onde tinha mandado gravar, para além do nome, “vice-presidente da CPC” desde pelo menos 2006.
Talvez fosse por influência do Tonico Bastos (acho que era este), galã da "Gabriela, cravo e canela", que passava a vida a perguntar: "Já lhe dei meu cartãozinho?"
Há quem garanta que quem a apresentou como vice-presidente da Comissão Permanente de Contrapartidas foi Manuel Pinho e o presidente do órgão lamenta aquela saída dada a dedicação, zelo e competência revelada.
Face a isto, diz-se o quê?
Em primeiro lugar, que à mulher de César não basta sê-lo, há que parecê-lo.
Em segundo lugar, se a adjunta é despedida por se intitular vice-presidente daquele órgão, não se pode “despedir” o inenarrável Manuel Pinho que se intitula ministro da Economia?

Os recados de Alegre

“No PS sempre houve sensibilidades, contestatários, críticos, pessoas que não tinham medo de dizer o que pensam e de ser contra quando entendiam que deviam ser contra”
Hoje haverá “medo de pensar pela própria cabeça, medo de discordar, medo de não ser completamente alinhado”.
São “casos pontuais, (…) inquietantes” .
Assim escreve Manuel Alegre num artigo de opinião dado à estampa na edição de hoje do jornal “Público”.
Como ponto prévio, tenho de assumir que não gosto de Manuel Alegre.
Nem como poeta, nem como político.
Aliás, pouca legitimidade reconheço a quem descobre agora que há vida para lá dos partidos, mas sempre viveu dentro de um e, tendo feito aquela descoberta, não sai desse partido e do sistema.
Manuel Alegre continua deputado porquê e para quê?
De qualquer modo, apesar de dirigido mais para o interior do PS, este seu recado deveria ser alvo de reflexão nas estruturas caciquistas dos demais partidos.
Basta que se tenha frequentado uma qualquer secção local ou concelhia para se perceber algumas coisas (e, neste pormenor, falo com conhecimento de causa).
No seu escrito, Manuel Alegre aponta ainda algumas questões que têm sido motivo de acesa polémica junto da sociedade civil ou parte dela.
A saber: “progressiva destruição do Serviço Nacional de Saúde”; ao regime do vínculo da Administração Pública; ao Estatuto dos Jornalistas; ao “precedente grave” do cruzamento de dados na função pública; à “tendência privatizadora de sectores estratégicos”, como a electricidade, a água e o ensino superior.
Do que aponta vejo com preocupação o que se passa na Saúde, algumas alterações na Administração Pública, cruzamento de dados e a privatização da água, por exemplo.
Já disse que não gosto do homem, ponto.
Mas tenho de reconhecer que este seu artigo, à semelhança de intervenções produzidas por outras pessoas (Pacheco Pereira, por exemplo), devia funcionar como uma mola. De um debate que é imperiosos realizar. Sob pena de podermos soçobrar enquanto país.

Estes gajos do PSD Madeira são um tratado!

Não há volta a dar. A alguns está-lhes na massa do sangue.
A Norte, um professor que já foi deputado independente (?) eleito pelo PSD, ter-se-á saído com esta: “Somos governados por uma cambada de vigaristas e o chefe deles é um filho da puta”.
Como a fidelidade de alguns laranjas (felizmente não são todos) se aproxima da ortodoxia comunista ou da cegueira de alguns socialistas, parto do princípio que o tal professor, de seu cognome Charrua, não se estava a referir ao Rui Rio. A história teve, para já, o desfecho que se conhece.
Mais a Sul, lá para a Madeira, Jaime Ramos (líder parlamentar do PSD) apodou o deputado comunista Edgar Silva de “desgraçado”, “chulo da sociedade”, “vadio” e “desempregado”.
Ainda insatisfeito terá prosseguido: «Você perdeu a honra quando roubou as Igrejas».
Se isto é o líder par(a)lamentar, como serão os subalternos?
O que eu queria saber, mas assim mesmo, é que o pensam as cúpulas do PSD, Zita Seabra incluída, sobre estas tristes figuras?
Especialmente dos Bokassas que pululam na Madeira.

À Directora da DREN: demita-se, por favor.

O processo disciplinar instaurado a Fernando Charrua foi arquivado pela ministra da Educação.
“A aplicação de uma sanção disciplinar poderia configurar uma limitação do direito de opinião e de crítica política, naturalmente inaceitável” numa sociedade democrática.
De qualquer modo, o despacho também não deixa de salientar ter ficado provado no relatório do processo disciplinar a existência de um insulto ao Primeiro-Ministro.
Maria de Lurdes Rodrigues dá, desta forma, uma bofetada de luva branca às carpideiras do regime que andaram por aí a rasgar as vestes. E mostra a fibra de que é feita. A senhora pode lá ter os seus deslizes, mas ninguém a pode acusar de não os ter no sítio!
Foi solidária enquanto era exigível que o fosse. Tomou a decisão que legalmente se lhe afigurou a mais correcta.
Por isso, agora, pode solicitar que a pessoa com quem esteve solidária tire as devidas ilações. E caso a mesma as não tire, pode-lhe mostrar o caminho que resta.
Humildemente deixo aqui o meu conselho, porque sei que há por aí quem faça uma base de dados sobre este assunto, conforme a visada publicamente disse: Exma Senhora Margarida Moreira, Vossa Excelência, enquanto directora da DREN só tem um caminho, demitir-se!
Fazer o contrário é mostrar muita cara de pau.

Mais uma história de "maminhas"

Por cá andam as revistas do coração animadas por causa das “mamocas” da Diana Chaves.Fosse no Brasil e seria a "bunda" o centro das atenções.
As ditas cujas parece que andaram ao léu na praia de São Rafael, em Albufeira.
Pimba, capa de revista, tudo por amor à personagem, não é crime, praia frequentada por jornalistas… enfim, de tudo um pouco à laia de justificação.
Por mim, acrescento duas notas:
- Não percebi ainda como é que o pessoal das revistas cor-de-rosa tem um faro tão apurado que lhes permita saber onde vão estar os “famosos” em férias, em festas, na praia X do dia Y à hora Z em "topless" ou "all-less". É cá um faro jornalístico que nem na BBC ou Sky News...
- Também não sei qual é questão aqui.
As “mamocas” da Diana Chaves? Se ainda fosse por causa das “mamomas” de uma qualquer esposa de ministro ou da nossa Primeira-Dama… aí sim, havia razões para talvez alvitrar algum atentado ambiental.

Peixe sem "e$pinha$" ao consumidor

Quando tinha pouco juízo, menos anos em cima da "carcaça" e apetite mais voraz, dispensava peixe. Ida ao restaurante? Carne na mesa.
Hoje ainda continuo a ter pouco juízo, mas tenho mais anos em cima e um apetite menos comparável ao de Honoré de Balzac. Ida ao restaurante? Peixe na mesa (quase sempre).
Não digo não a um arrozinho de pato, a um “cozidito” à portuguesa ou a um arroz de pica no chão, mas aumentei-lhes os intervalos.
Um tipo chega aos quarenta e fica assim, pensei eu? Pelos vistos, alguns ficam.
E vem isto a propósito de quê?
De ter lido que o nosso Governo quer produzir um verdadeiro milagre: aumentar o retorno dos pescadores e reduzir o preço do peixe no consumidor por via de uma actuação na distribuição.
Tendo eu recentemente pago 37,56€ por uma dourada de mar, está-se mesmo a ver porque é que a hipotética concretização deste milagre seria para mim um maná.
O problema é que a gente lê e não acredita.

Os Salgado davam uma novela!

Os Salgado... eis o nome (e o tema) que eu poderia propôr à TVI para a sua próxima novela.
Ingredientes básicos: um pai ligado ao ramo da restauração, duas irmãs gêmeas.
Uma conhecida por ser a ex-de um todo-o-poderoso presidente de um clube de futebol que, inspirado pelo filme "Pretty Woman", quis ser o príncipe encantado da jovem.
A outra era a desconhecida.
Lá para o quinquagésimo episódio podíamos começar a meter sal na coisa.
Sei lá, a princesa ofendida publica um livro com pormenores tão deliciosos como ficarmos a saber que o seu amado se peidava (coisa que mais ninguém faz) e que uma vez ofereceu chocolatinhos e café (ou chã) a um senhor de Braga.
Nesse mesmo episódio organizavam-se excursões a casa da nova Santa da Nação e, lá para os lados da Luz, um ex-sócio do todo-o-poderoso presidente esfregava as mãos e um ex-amigo do todo-o-poderoso, presidente do seu clube mas sócio do clube rival cofiava o bigode...
No centésimo segundo episódio, a irmã desconhecida provocava um pequeno abalo dizendo cobras e lagartos da princesa virgem e ofendida.
Até podia dar uma entrevista à SIC e depois ir a TVI...
No centésimo quinto episódio, centrado só no pai, o mesmo, com um ar pesaroso e debilitado, pensava com os seus botões: "Tenho uma filha ex-profissional da noite mas vergonha mesmo é ter outra mentirosa!"
Quer dizer, lacrimejava o homem, "se ainda tivesse outros defeitos, agora ser só mentirosa!"
Digam lá, digam lá... não é uma rica novela?

Sol na eira, chuva no nabal... neve no galinheiro...

Na Inglaterra não é a época da monção. Isso é lá para os lados da Índia, mas mesmo assim parte do Reino Unido está submerso em água.
Como diria o outro, até os cães bebem de pé.
A Roménia e a Sérvia não têm desertos. Os mais próximos ficam no Médio Oriente e no Norte de África, mas as temperaturas têm rondado regularmente os 40 graus Celsius e, segundo os meteorologistas, deverão subir nos próximos dias.
A Hungria até fica mais a Norte que aqueles dois países e também já registou temperaturas na casa dos 41º/42º graus Celsius.
Em Portugal, a Norte, temos tido uma espécie de entremeada… ora chove, ora sol… temperaturas que nem trazem frio nem cumprem a promessa de calor...
Pode-se argumentar que são fenómenos naturais sem qualquer relação com o aquecimento global, mas que dão que pensar dão!
É que atrás destas cheias e ondas de calor vêm um conjunto de outros problemas: desalojados, rupturas em sistemas de abastecimento, infra-estruturas destruídas, prejuízos a serem reclamados às seguradoras e pagamentos por estas a serem recusados, absentismo…
Se o aquecimento global não é motivo de preocupação para os capitalistas do mundo, mostrem-lhes que atrás disso podem vir autênticos maremotos nas suas carteiras… os gajos preocupar-se-ão logo. “Subito presto”, diria eu…

E as "maminhas" como eram?

Uma passageira. Um decote. Um motorista de um autocarro em Lindau am Bodensee, no extremo sul da Alemanha. Uma polémica.
Deborah Moscone, de 20 anos, sentou-se num dos bancos da frente do autocarro.
Tinha vestido um top decotado e o respectivo “recheio”, digamos assim, era bem visível no espelho retrovisor do motorista, que resolveu parar o autocarro para chamar a atenção da passageira.
A visão reflectida no espelho era incómoda e colocava em risco a segurança dos outros passageiros, argumentou.
A dona do “par”, digamos assim, apresentou uma reclamação formal.
Não conheço o desfecho. Aposto que sendo o motorista português, qual segurança, qual caraças.

230 deputados = 230 assessores?

Os deputados à Assembleia da República (AR) vão passar a ter um assistente individual.
Sim, sim. Um assessor para cada deputado. Nem mais.
O socialista e jovem, eternamente jovem, António José Seguro até afirma a este propósito: "Um bom exercício da função de deputado justifica o apoio. Nem toda a despesa é má despesa, a eficiência não se obtém a custo zero".
Não disse como, mas lá para 2009 já vamos começar a descobrir.
Perspectivam-se, por isso, 230 assessores.
Ora, eu que modestamente sou técnico superior jurista numa Câmara Municipal, aguardo desde 2002 uma mísera promoção à categoria imediatamente acima, que até tive autorização para abertura de concurso interno (que misteriosamente não se realiza), que não chego a ganhar 10,00€ à hora, penso nisto e digo cá com os meus botões:
“Eu vou-me para Lisboa…”!

Automobilistas mais protegidos nas auto-estradas

Atenção à Lei 24/2007. Saiu hoje no Diário da República.
Com este diploma, grosso modo, quem tem de provar agora que cumpriu com todas as normas de segurança nas auto-estradas são as concessionárias.
Isto quando existir um acidente provocado por objectos arremessados para a via ou existentes nas faixas de rodagem, atravessamento de animais e líquidos na via, quando não resultantes de condições climatéricas normais.
A confirmação das causas do acidente tem de ser verificada no local por uma autoridade policial.
Apesar deste avanço, ainda não foi desta que chegamos ao ponto de não pagar portagem quando tendo entrado numa auto-estrada passamos a circular numa “estradazeca” em obras.

O mistério das juntas médicas...

De repente começaram a surgir como cogumelos numa floresta. Curiosamente, ou talvez não, todos envolvem professores, juntas médicas, doenças terminais e afins.
Lamentável, tudo muito lamentável.
No entanto… e no entanto, se eu fosse adepto da teoria da conspiração podia pôr-me para aqui a questionar se a mediatização de qualquer um destes casos não terá por trás uma mãozinha invisível… eu sei lá, de alguém ou alguns descontentes com o novo Estatuto da Carreira Docente, com a introdução de relógios de ponto nos hospitais públicos, com os cortes na Administração Pública…
O mais fácil é um tipo pôr-se a pensar em três pessoas, suponho que de bata branca e tudo, outra ali a tremer, não sei quantas radiografias, exames, a voz a sumir-se num fiozinho… ai queres a reforma? Pois, pega lá… Pessoal, mandem mais isto para os jornais… o Governo que se f…!
Mas não, isso não seria possível e exigiria que, entre nós, Maquiavel tivesse deixado semente. Muitas sementes.

A gente lê e não entende.

O insuspeito “Jornal de Notícias” titula hoje que Noddy Mendes garante, ou começa a garantir, o apoio da ala cavaquista do PSD.
O insuspeito “Público” titula hoje que Rui Rio é o preferido da ala cavaquista que, desta forma, iria deixar cair Noddy Mendes.
Como os dois jornais são insuspeitos, fico sem perceber.
De qualquer modo, se as alternativas que no PSD se conseguem gerar passam por nomes como os de Menezes, Aguiar Branco e Rio, então parece-me que continuamos a ter mais do mesmo.
No caso de Rui Rio, com a agravante que a sua convicção de ser um Messias lhe tolda as mais das vezes o pensamento e a acção.

Thatcher, Major e Blair deram nisto!

A diferença entre ricos e pobres no Reino Unido é a mais profunda dos últimos 40 anos.
Quem o diz é a Fundação Joseph Rowntree, dedicada à análise social.
Basicamente, houve quem ficasse, de maneira “desproporcional”, mais rico que a sociedade no seu conjunto e, em contrapartida, nos últimos 15 anos aumentou o número de famílias com menos recursos.
O estudo revela ainda um outro pormenor preocupante: há cada vez menos contactos entre os dois grupos sociais.
Quer dizer, aquilo é um misto.
Misto de país sul-americano onde a classe média foi varrida do mapa e da Índia onde, apesar da democracia, ainda vigora o sistema de castas.
Tudo isto sucede na Inglaterra onde pontificaram sucessivamente Margaret Thatcher (endeusada pelos conservadores e mostrada como um exemplo de autoridade e austeridade), John Major e ultimamente por Tony Blair, menino bonito e apontado a dedo como um exemplo de um esquerdista que soube evoluir.
Se é isto que queremos para o futuro, mais vale que fiquemos quietos!

A verdade é que nada pode valer a este País.

No espaço de nove horas a entrada em serviço de uns míseros radares detectores de excesso de velocidade apanhou 1912 ignorantes.
Uso deliberadamente o termo “ignorantes”. É o que são. Ou pior, se pensarmos que um foi detectado a 133 quilómetros por hora numa via em que o limite máximo é de 80 quilómetros.
Uma selecção portuguesa foi a um Mundial qualquer de sub-não sei quantos e sai de lá enxovalhada. Pelos resultados desportivos e pelo comportamento dos atletas.
Um, com o jogo parado, deu um encontrão num adversário.
O outro, mais ladino, vendo que o árbitro ia exibir um cartão vermelho, tirou-lho da mão.
Acompanho um familiar a um hospital privado. Tudo impecável, sim senhor.
Só que, enquanto espero, tenho oportunidade de escutar três funcionárias (administrativas, suponho) com tiques de tias, uma com uma tremenda falta de chã a atender o telefone e outra a contar umas graçolas sobre alguns pacientes.
Assim, sem mais e eu penso: se fosse na função pública, tudo falavar!
Face a estes três exemplos, só podemos concluir que nada pode valer a este País.
Com um povo assim, nado e crescido nos tempos do facilitismo na Educação e do dinheiro fácil que os milhões comunitários nos trouxeram, estamos tramados.
Melhor, derrotados por nós próprios. Essa é que é essa!

Até Luisão anda intrigado!

No dia 12 de Janeiro de 2007 um cidadão, já a noite ia longa, foi apanhado ao volante com 1,33 gramas de álcool por litro de sangue.
Uma taxa superior a 1,2 gramas por litro de sangue é crime e implica, em abstracto, que o infractor possa estar sujeito a uma pena de prisão até um ano ou 120 dias de multa e apreensão de carta pelo menos durante três meses.
O cidadão em causa é conhecido por Luisão e é defesa central do Benfica.
Ao jogador foi-lhe sugerida a prestação de 40 horas de trabalho comunitário.
Não se sabe bem porquê quando, na mesma operação que o apanhou, foram detectados outros casos e nenhum parece ter beneficiado de tal candura.
Certo, certo é que até hoje nem o infractor perdeu 1 minuto que fosse a trabalhar a favor da comunidade, nem ninguém parece preocupado em querer saber o porquê disto acontecer.
Mais um mistério… à portuguesa!

Em Lisboa: tendo perdido, todos ganharam?

Justifica-se que os canais generalistas, mais a SIC Notícias e a RTPN, mantenham infindáveis emissões no ar por causa das eleições para a Câmara Municipal de Lisboa?
Acho que não mas, pelos vistos, quem manda nos canais televisivos entendeu que sim.
E para quê, pergunto eu?
Para se saber que mais de metade do eleitorado fez um manguito? Para isso, lia-se os jornais do dia seguinte ou ia-se ao Allgarve (que giro que é escrever assim Algarve).
Para se tentar perceber se os 29,5% do Costa são a primeira pá de terra na sepultura das suas pretensões políticas futuras ou se, antes pelo contrário, esta vitória lhe vai abrir uma enorme janela de oportunidade?
Não sabemos. Só podemos especular. E para isso passavam um filme de ficção científica.
Para se ver os “dissidentes” Carmona e Roseta a lançar foguetes e elevados à categoria de Messias do sistema política?
Como e para quê se, pelo menos a senhora, sempre fez parte dele e o engenheiro é uma excrescência?
Para se verem lamentáveis exercícios de perdedores a transformarem em vitórias os resultados ridículos que obtiveram?
Eu sabia que Cunhal tinha deixado discípulos no PCP, já o ignorava nos restantes partidos.
No resto, nada de novo a assinalar excepto talvez que também não percebi que raio foram fazer a Lisboa uns "maduros" de Cabeceiras de Basto...

"Olissiponadas" ...

Não há que lhe fazer.
O País circunscreve-se a Lisboa e o resto é paisagem.
Imagine-se que até o "Expresso" - aquele alegado jornal de referência que se distingue por trazer quilos e quilos de papel - antecipou a sua edição.
E que ainda há dias era dito que o País exigia que Marques Mendes desse explicações ou apresentasse factos sobre mais umas asneiradas.
Este frenesim, meus caros, resulta das eleições para a apetecida Câmara Municipal de Lisboa.
Correm doze, mas já se sabe quem ganha.
Só ainda não se sabe com quem vai ter de "dormir".
Castiço, castiço foi também ouvir pérolas como as do Telmo.
O pobre, ludibriado pelo chefe, lá anda a carregar a cruz e até diz mal do PSD: quer do Carmona, quer do Lopes.
Vejam lá, ainda há dias eram tão amigos...
Quer dizer, pareciam ser mas, afinal, são como as putas.

Os calotes do Estado

Assentamos parte da nossa existência colectiva na política do calote.
As autarquias andam agora assoberbadas a fazer contas de quanto lhes deve o Estado.
Na maior parte dos casos, as dívidas resultam de compromissos assumidos ao longos dos anos pelo Estado visando a construção de equipamentos públicos da competência da Administração Central, como estradas, centros de saúde, hospitais, escolas, tribunais, postos da GNR ou esquadras de polícia e que foram executados directamente pelas autarquias.
No rol do deve e haver também irão entrar os terrenos cedidos para a construção de equipamentos, moda que começou a fazer escola nos tempos de Cavaco e que, basicamente, se traduz no seguinte: “Querem uma escola nova? Arranjem terreno!”.
Tudo estaria bem se fosse só o Estado a dever às autarquias. Mas não.
Estas, por seu turno, devem a meio mundo. É nas empreitadas, é nos fornecimentos, é sabe-se lá em que mais.
Aliás, a política do calote ou do deslizamento dos pagamentos para data oportuna (sempre a favor do Estado) também ocorre noutras áreas.
Que o digam, por exemplo, as escolas profissionais.
Certo, certo é que o Estado tem uma postura de caloteiro! Lá isso tem...

Este Sarkozy é do... caraças!

A política de Ouverture do Presidente francês, Nicolas Sarkozy, continua a marcar pontos (ou abrir lugar a deserções) nas hostes socialistas.
Primeiro foram Bernard Kouchner (Negócios Estrangeiros) e Jean-Marie Bockel (Gestão da Francofonia).
Agora é a vez de Jack Lang (comissão parlamentar para a reforma das instituições) e Strauss-Kahn (ventilado para a presidência do FMI).
A táctica de dividir e semear a discórdia no campo alheio não é nova, mas Sarkozy parece dar-lhe bom uso.
Por outro lado, alguns dos nomes por si apontados, queira-se ou não, são referências na política francesa.
E aproveitar o mérito, não olhando aos quês ideológicos, é sinal de clarividência.
Que, por sinal, não se vê muito em Portugal.
Aqui costuma ser entrar e varrer.
Outra variante é esta: entrar, trazer um séquito e, dos que já lá estão, promover só os "lambe botas" que mudaram rapidamente de camisola.

Porco sou eu, não o meu suíno!

Nós por cá temos umas manias. Ontem, por exemplo, a alguns deu-lhes para iniciar uma campanha (medida ocasional que pretende fazer de conta que no resto do ano está tudo bem) de fiscalização das suiniculturas.
Balanço provisório: uma exploração encerrada por falta de licenciamento. Noutras sete detectaram-se irregularidades que vão desde o excesso de animais, questões com águas, efluentes, sistemas de incineração e cadáveres de porcos enterrados e já em decomposição.
O mais castiço é que veio logo a terreiro um dirigente de uma associação de criadores, sedeada em Leiria, proclamar a insatisfação com estas acções de fiscalização.
Mas ainda mais castiço, só mesmo o homem dizer que é por causa das mudanças de políticos e de políticas que o assunto da tristemente célebre Ribeira dos Milagres (curso de água que serve de esgoto a não sei quantos suinicultores) continua a dar que falar.
Quer dizer, eles lá poluir, poluem… mas a culpa é dos políticos e das políticas.
Medalha de latão para tanta lata, já!

Ratzinger na Terra e, daqui a mais, no Céu

A Igreja Católica "não renuncia à sua convicção de ser a única verdadeira" Igreja de Cristo, embora reconheça que nas igrejas ortodoxas e nas "comunidades cristãs" surgidas da Reforma - que não considera igrejas - haja elementos de salvação.
Esta tolice está no documento "Respostas a algumas perguntas acerca de certos aspectos da doutrina sobre a Igreja", preparado pela Congregação para a Doutrina da Fé, (ex-Santo Ofício).
Segundo os ilustres sucessores de Torquemada que se passeiam no Vaticano, Cristo na terra "só constituiu uma Igreja" e essa, "constituída e ordenada como uma sociedade subsiste" na Igreja Católica, governada pelo sucessor de Pedro (o Papa) e os bispos em comunhão com ele.
E lá vai o diálogo ecuménico pelo cano abaixo.
Eu não sou grande espingarda no que toca a dissecar as subtilezas da Bíblia, mas não me lembro de lá ver qualquer coisa neste sentido.
Como diria o outro, vai lá, vai… até a barraca abana!!!!

Quero ser dirigente na Função Pública

As propostas que têm vindo a ser enunciadas para a avaliação e modernização da Administração Pública apontam claramente para a criação de um sistema de castas na Função Pública e revelam um desconhecimento gritante do funcionamento, por exemplo, da Administração Local.
Aquele senhor que chegou a Secretário de Estado e que aparece sempre com um ar de fastio saberá, porventura, como se nomeiam as chefias nalgumas autarquias? Saberá, porventura, as arbitrariedades que se praticam em matéria de progressões, formação e nomeações.
Há serviços onde, em 5 anos, a maioria esmagadora dos funcionários não foi autorizada a frequentar uma única acção de formação.
Há serviços onde, em 5 anos, só existiram progressões e admissões para o quadro de funcionários criteriosamente escolhidos (pela cor dos olhos, pelos laços de parentesco, pela cor da camisola…).
Alguém em Lisboa sabe desta realidade?
E vêm agora os senhores com propostas que consagram dias de férias extra, estágios noutras entidades ou direito a um período sabático de três meses para os dirigentes e nada para os subalternos?
E benesses para quem for dirigente sindical?

30.000.000€ para conferir facturas?

Os ministérios da Saúde e das Finanças e Administração Pública vão contratar uma empresa privada para conferir despesas com as prescrições dos meios complementares de diagnóstico, terapêutica, medicamentos e outras prestações feitas a utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A medida parece que vai custar 30,5 milhões de euros ao ministério da Saúde. Ainda não sei se é por ano, se é para o período compreendido entre 2007/2012 como ouvi aí num órgão de Comunicação Social.
Mesmo que seja lá pelos tais cinco anos, sempre são 6 milhões e uns trocos por ano…
Castiço é que a medida visa garantir o trabalho que era realizado por trabalhadores dispensados das extintas sub-regiões de saúde.
Ou seja, o serviço já se fazia, não se inventou nada.
É o paradigma de criar desemprego para poder criar emprego no seu melhor!
A economia e a gestão, de facto, têm subtilezas que me escapam.

Os assessores do Costa e os do Fernandes...

Juro que li. Penso que na edição da passada sexta-feira do “Público”.
António Costa, que saiu da Administração Interna para ir tentar ocupar o lugar de Presidente da Câmara de Lisboa, antecâmara das suas ambições futuras, terá entendido que precisava de quatro dos assessores que consigo trabalhavam no Ministério.
Pergunta: ele precisa mesmo deles ou será que são eles que precisam dele?
Sá Fernandes, o bloquista impoluto, com a queda do Executivo lisboeta, também se viu a braços com um problema adicional.
Teria dez (dez!!!!!) assessores de quem precisava e sem os quais não podia passar.
Candidatos diferentes, problema idêntico… solução igual: catorze novos assessores no Parlamento.
Quatro reforçaram o grupo parlamentar do PS e dez o do BE. Parece o início de época dos nossos clubes de futebol.
Aliás, a semelhança é bem capaz de ir ao ponto de, após a tomada de posse, haver “dispensados” nos plantéis do PS e do BE lá para os lados da Assembleia da República.
E, como se costuma dizer, parece que quem paga é o Fabiano!

Governo sem sensibilidade ou emproado?

“Este Governo tem criado na opinião pública uma imagem de determinação e até coragem para fazer as reformas necessárias. No entanto, esta imagem tem sido, muitas vezes, acompanhada de uma outra, a da insensibilidade social face às condições reais em que vivem os portugueses”, afirma o Observatório para Saúde em mais um dos seus relatórios.
Ainda ontem vimos o ministro da Agricultura, Jaime Silva, a dizer a um pescador que protestava contra a diminuição das quotas no sector das pescas: “Peça para sair da União Europeia!”.
Jaime Silva, antes de ter aberto a boca, podia ter pensado em Maria Antonieta, rainha de França, quando a mesma, depois de perguntar porque gritava a multidão e lhe terem dito que era por não ter pão, disse: “Se não têm pão, que comam bolos!”.
Não há certeza histórica que tenho sido mesmo isto que disse a rainha, nem foi por isso que perdeu a cabeça (em sentido literal) mas certamente ajudou a que a austríaca fosse ainda mais odiada pelos franceses.
Deve ter querido ser engraçado, mas fica-se mais uma vez com a ideia que já vimos isto noutro tempo, noutro lugar.
E ainda mais ridículo lhe ficou, quando o Comissário Europeu procurou explica aos jornalistas as razões do protesto e as razões da União Europeia.
Vendo alguns dos nossos governantes, fica-se com a sensação que, para muitos, a governação da Nação é uma maçada. Que o povo não os merece, que é uma mole de bestas quadradas, que eles estão a sacrificar-se por nós e que nós somos ingratos.
Não sei é se já pararam para pensar que se calhar, se calhar, o que mereciam é que as pessoas os mandassem para o c…!

Recuo civilizacional é ler o Saraiva!

Em Portugal há um semanário que não traz brindes nem ofertas, mas que no último fim de semana continuou a oferecer por mais uns cobre as memórias do José Hermano Saraiva.
Em Inglaterra, pelo contrário, um tablóide qualquer ofereceu o último trabalho de Prince.
Escolha por escolha, preferia este último.
Bom, mas não vim para aqui para dissertar sobre ofertas de jornais, antes sobre o “artiguito de opinião” que o director do “Sol” - sim, era desse que falava - escreveu.
O homem, falando de Matisse e Picasso, do “hip-hop”, do “rap”, das tatuagens e dos “piercings”, descobriu um recuo civilizacional.
Lá do alto da sua torre, o homem olha e vê o Apocalipse.
Aqueles pintores inspiraram-se na arte étnica e, comparados com Rembrandt, Velázquez e Rubens, representam um retrocesso.
Na música fala no “regresso ao tempo dos batuques, aos sons minimalistas, à selva”.
Mas o rock´n´roll quando apareceu não era batuque?
E Reich, Glass, entre outros, não são representativos da música minimalista?
O homem, em suma, não vislumbra progresso em lado algum no domínio das artes e acha que, só por isso, estamos numa de recuo civilizacional.
E eu pensando nos talibãs, nos imãs, na escravatura que a China industrializada fomenta, na miséria que é ter de viver com 70 cêntimos por dia, não sei que pensar.
Quer dizer, na altura, tenho de confessar, o que me ocorreu foi:
“Andei eu a comprar esta porcaria!”

Marques Mendes (só) vê bem de um olho!

O presidente do PSD, Luís Marques Mendes, voltou ontem a acusar o Governo de actuar com "intolerância" e de exercer "perseguição política" na administração pública, lembrando que o "Estado é de todos, não é uma coutada privada do PS".
Os exemplos que trouxe à colação foram os do já célebre professor Fernando Charrua, o da licenciada em Filosofia que era directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, e o do director do Hospital de S. João da Madeira.

Marques Mendes garantiu que o PSD "manterá firmeza na denúncia" e lembrou o fundador do PPD/PSD: "Aprendemos com Sá Carneiro a ter coragem cívica".

Procuremos ir por partes.
Sobre a polémica entre a D. Margarida e o Charrua, os últimos desenvolvimentos deixam-me confuso.
Chamar “filho da puta” é ou não é grave?
Sendo praticado por funcionário público, no local de trabalho, de forma audível, e dirigido ao Primeiro-Ministro constitui infracção disciplinar ou não?
Se o comportamento for persistente há mais motivos para actuar ou não?
Da resposta a estas questões depende que tenha de ir estudar de novo o Estatuto Disciplinar.
Ou não.
Se nenhuma das interrogações que acima coloquei for fundada, então o que ainda faz a directora da DREN no cargo?
Já agora, é mesmo verdade que a Margarida Moreira já dentro do seio do PS revelava um certo desvelo por medidas saneadoras como trouxe a lume um dos semanários de fim-de-semana?

No caso de Vieira do Minho veio ao de cima, mais uma vez, a inépcia para resolver determinadas questões.
Se há um culpado confesso, o que justifica tanto barulho?
Mas não é também verdade que a nova lei não permitiria que a directora exonerada permanecesse no cargo?
E porque é que ainda nenhuma das carpideiras do regime veio a lume explicar que foi certamente por mero acaso que uma licenciada em Filosofia e esposa do número dois da Câmara Municipal de Vieira do Minho (do PSD) foi nomeada em 2004 (com um Governo PSD/PP) para directora daquela unidade.
E se não foi por acaso, foi-o certamente porque não havia mais ninguém!

Para o PSD e para esse imenso rol de carpideiras que ora estão com quem está no Poder, ora estão contra quem está no Poder, estes dois casos são sinais preocupantes de tentativas de amordaçar a sociedade civil, mais concretamente a Administração Pública.
Para mim reflectem é uma coisa bem mais preocupante: a instrumentalização de cargos dirigentes ao sabor dos calendários eleitorais.

Finaliza-se realçando que o Dia da Autonomia da Madeira também se comemorou ontem, sob os protestos da oposição, dado que o modelo, esboçado pelo PSD, não permite a intervenção dos partidos. Da oposição, esclareça-se.
Os deputados do PS, CDU, PND e BE faltaram à comemoração solene na Casa das Mudas, na Calheta. MPT e CDS/PP foram os únicos que marcaram presença mas para discordar da forma como a Assembleia Legislativa, por decisão da maioria social-democrata, festeja a data.
Sobre isto, Marques Mendes não disse nada.
É pena, porque para quem diz que aprendeu com Sá Carneiro, saiu fraco aluno!