Temos muito "eduquês", mas pouca Educação!

O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou um reforço substancial de cursos profissionalizantes para o ensino básico e secundário, numa aposta que visa combater o insucesso e abandono escolar.
José Sócrates explicou ainda que o objectivo final do Governo é que metade dos alunos opte por este tipo de ensino, cumprindo as recomendações da OCDE nesta matéria.
Segundo primeiro-ministro, o aumento do número total de alunos nas escolas que se verificou no ano passado deve-se ao regresso de muitos jovens ao ensino através destes cursos, um resultado que inverte uma tendência de dez anos em que existiam cada vez menos jovens a estudar nestes escalões.
"Nenhum país pode competir na primeira linha da economia global se apenas tiver 30%" da população com o 12º ano, afirmou. Nesse sentido, é responsabilidade do Governo fazer a "promoção desses cursos profissionais e tecnológicos" de modo a que haja "procura" para a oferta agora apresentada.
Está em curso mais uma fraude gigantesca na Educação em Portugal.
Em primeiro lugar, o mesmo Estado que criou o ensino profissional está agora a asfixiar lentamente esse sistema de ensino, desperdiçando anos de experiência acumulada e anos de fundos comunitários destinados a equipamentos, instalações e formação.
Em segundo lugar, com as exigências que se anunciam de dar o 9º e o 12º ano ao maior número possível de pessoas, as orientações mais ou menos administrativas de diminuir o grau de exigência e dado que muitos dos que irão optar por esta via, são tradicionalmente os estudantes menos habilitados ou mais cábulas, está-se mesmo a ver o que daí vai resultar.
É o mesmo que se passa com certificar os conhecimentos adquiridos em meia dúzia de dias.
Não se exige que os alunos terminem o percurso escolar a saber escrever como Eça de Queirós ou Lobo Antunes, mas exige-se que saibam escrever português como deve ser.
Não se exige também que deixem a escola a saber resolver os maiores enigmas da Matemática, mas pelo menos que saibam fazer contas de cabeça.
E isso já nós sabemos que a maior parte não sabe fazer.
De qualquer forma, isto não serve para dar razão ao já célebre mito que a antiga 4ª classe valia mais que o actual 12º ano.
Basta ver os erros de português espalhados por esse País fora dados por alegres detentores do diploma dessa mítica 4ª classe.
Prova que, entre nós, há muito “eduquês” em vigor e pouca Educação!

2 comentarios:

José Carrancudo disse...

Parece que o único objectivo da OCDE e do Governo é de reduzir o nível de formação dos portugueses.

O País está em crise educativa generalizada, resultado das políticas governamentais dos últimos 20 anos, que empreenderam experiências pedagógicas malparadas na nossa Escola. Com efeito, 80% dos nossos alunos abandonam a Escola ou recebem notas negativas nos Exames Nacionais de Português e Matemática. Disto, os culpados são os educadores oficiosos que promoveram políticas educativas desastrosas, e não os alunos e professores. Os problemas da Educação não se prendem com os conteúdos programáticos ou com o desempenho dos professores, mas sim com as bases metódicas cientificamente inválidas.

Ora, devemos olhar para o nosso Ensino na sua íntegra, e não apenas para assuntos pontuais, para podermos perceber o que se passa. Os problemas começam logo no ensino primário, e é por ai que devemos começar a reconstruir a nossa Escola. Recomendamos vivamente a nossa análise, que identifica as principais razões da crise educativa e indica o caminho de saída. Em poucas palavras, é necessário fazer duas coisas: repor o método fonético no ensino de leitura e repor os exercícios de desenvolvimento da memória nos currículos de todas as disciplinas escolares. Resolvidos os problemas metódicos, muitos dos outros, com o tempo, desaparecerão. No seu estado corrente, o Ensino apenas reproduz a Ignorância, numa escala alargada.

Devemos todos exigir uma acção urgente e empenhada do Governo, para salvar o pouco que ainda pode ser salvo.

carol disse...

Essa é, de facto,uma verdade. O ensino primário é a base do ensino, é aquilo que eu usualmente equiparo aos alicerces de uma casa.
No entanto, e apesar de ser professora, devo dizer que muito do insucesso se deve à acção dos meus colegas. Esse é um facto. Há professores que não têm o minímo brio profissional, que dão os mestos testes anos seguidos, que aprovam alunos que só têm uma nota positiva à disciplina durante todo o ano lectivo, que intimidam os alunos que têm explicadores ou que procuram mais informação do que aquela que lhes é dada nas aulas.
A verdade é que o nível de exigência, em muitas escolas, tem vindo a diminuir de ano para ano. O que acontece é que um aluno aplicado é, na maior parte das vezes, tão valorizado como aquele que se está a marimbar para oa sua educação.
Assim, o nosso país nunca poderá chegar ao patamar que todos almejam.