O Charrua, a Margarida e a sacristia...

Fosse Portugal um país decente e o caso envolvendo o Charrua e a Margarida já teria sido objecto de uma intervenção sensata por parte de alguém com poder e voz de comando.
Por partes, por partes.
O Charrua e a Margarida são, respectivamente, conotados com o PSD e o PS.
Estão ambos ligados à Educação.
A certo momento, cruzaram-se na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN).
Ela era o chefe e ele estava lá nos Recursos Humanos.
Não me interessa como é que qualquer um deles lá foi parar, embora se possa desconfiar.
Consta que o Charrua (que também andou pelos Passos Perdidos, leia-se, Parlamento), nuns minutos vago (escrevo minutos porque não acredito que o homem desperdiçasse mais que uns minutos por dia) meteu-se a dizer umas graçolas sobre o Primeiro-Ministro.
Coisas insignificantes, assevera ele.
Que não, garante ela.
E a Comunicação Social reproduz uns e outros.
A questão andará entre saber-se se apenas se fez referência ao uso do fax para entregar provas escritas em doutoramentos ou, se para além disso, se recorreu ao epíteto de “filho da puta”.
Tirando o grave que sempre é meter-se a mãe de alguém ao barulho, aqui a coisa – a ser verdadeira – piará mais fino pois o aludido filho é Primeiro-Ministro.
E se andar por aí a chamar filho da sua mãe a alguém já é crime (como qualquer jurista de meia tigela sabe), a coisa ainda mais ampliada ficará quando o visado exerce funções públicas como aquelas. Não interessa se bem ou mal, exerce-as.
Quem falará verdade? O Charrua ou a Margarida?
Será que o denunciante (ou bufo, depende da perspectiva) enganou a Margarida e incorreu no crime de denúncia caluniosa?
Como vêem, isto é como as cerejas. Puxa-se uma e vêm umas quantas…
Depois, veio a lume que a Margarida, numa escola do Porto, também mandou umas “papaias” sobre a validade do curso do Engenheiro, Senhor Seu Chefe.
Eu, que costumo ter boa memória, vi isso referenciado em, pelo menos, duas publicações. O “Público” e a “Sábado”.
Esta semana a Presidente do Conselho Executivo escreveu uma carta à "Sábado", ou pela menos a mesma é publicada na edição desta semana, em que desmente o tal episódio das piadas contadas pela Margarida.
Veio já o Charrua dizer que foi num jantar, na escola do Cerco e que até tem testemunhas. Afinal, ficamos em quê?
A Margarida esteve ou não esteve na escola? Disse ou não piadas sobre a valia do curso do Engenheiro? E foi numa cerimónia pública sobre o programa “Novas Oportunidades” ou já num jantar? E se disse, para ela não houve consequências porquê se a versão do Charrua - a ser verdadeira - lhe valeu um processo?
Mais um monte de cerejas.
Agora, é o presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho que se queixou ao Presidente da República que a Margarida, numa reunião de trabalho, estava sempre a mandar-lhe umas piadas.
O homem, antes de ter sido eleito Presidente da Câmara, era sacerdote. de modos que a Margarida parece que terá passado a reunião a mandá-lo para a sacristia!
Que diabo, se o homem não está abrangido pela inelegibilidade geral passiva prevista legalmente e que impede que os sacerdotes sejam candidatos na própria paróquia (passe a expressão), se não anda por aí de sotaina, a sacristia é para aqui chamada a que propósito?
Neste mar encapelado temos que o Charrua foi recambiado para o Carolina Michaelis onde, pelos vistos, também já não punha os pés à largos anos (um dos mistérios da Nação esta história das requisições e comissões de serviço), está com um processo de natureza disciplinar às costas e uma participação crime.
À Margarida, a essa saiu-lhe a sorte grande.
Foi reconduzida no cargo, embora tal decorra meramente da aprovação da nova lei orgânica do Ministério da Educação e a decisão fosse prévia a todo este imbróglio.
Contudo, pede-se a sua cabeça.
Eu, cá por mim, aconselho prudência no pedido. Muita prudência.
É que ouvi dizer que a Margarida Moreira é educadora de infância.
Ora, a avaliar pelo aspecto visual da senhora (ela não tem culpa, foi assim que Deus ou a natureza a fizeram) era de temer que a petizada ficasse irremediavelmente traumatizada. Acham que não?
Olhem bem para aquela cara e depois venham cá dizer alguma coisa!

3 comentarios:

Anónimo disse...

A propósito deste post, a agência noticiosa “LUSA” deu hoje conta que o presidente da Câmara de Vieira do Minho acusa a responsável da DREN de "mentir com quantos dentes tem" quando desmente tê-lo aconselhado a "voltar para a sacristia" durante uma reunião sobre as escolas no concelho.
"A senhora directora não só mente como vem dizer que vou ter dois processos-crime, o que pode significar que, com a lei que o Governo quer aplicar, ainda vou suspender o mandato por ser arguido", afirmou, em tom irónico.
O autarca, um sacerdote eleito nas listas do PSD, sustenta que na reunião estavam outras quatro pessoas que podem "testemunhar e dizer a verdade".
Albino Carneiro referia-se a duas técnicas do CAE/Braga, uma outra da DREN, e a vereadora de Educação do seu município.
Isto porque a DREN considerou, em comunicado divulgado ao fim da tarde de segunda-feira, estar a ser "alvo de uma campanha de ataques sem precedentes", com as acusações dirigidas pelo professor suspenso Fernando Charrua e pelo autarca de Vieira do Minho.
"A DREN está a ser alvo de uma campanha de ataques sem precedentes que tem por objectivo denegrir o trabalho desenvolvido, em particular pela sua directora regional, e condicionar acções em curso", refere o comunicado.
No mesmo texto, são consideradas "falsas e injuriosas" as declarações proferidas pelo presidente da Câmara de Vieira do Minho.
O “Expresso” que fez manchete do assunto, referiu que Margarida Moreira "não confirmou nem desmentiu a versão divulgada pelo autarca do PSD", mas "manifestou-se surpreendida pelo facto de só agora Albino Carneiro a ter tornado pública".
Assim vai a situação...

carol disse...

Ah, pois é, zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades... Isto agora é que vai ser lavar roupa suja! Mas, realmente, deixem a srª onde está porque os putos não merecem tal sorte.

quintino disse...

Entrevista de Margarida Moreira ao “Diário de Notícias”, edição de 14.06.2007:
O que deve ser retido:
Na perspectiva da entrevistada há uma campanha orquestrada; essa campanha está a colocar em causa os trabalhadores da DREN e tenta beliscar as escolas.
Admite-se que possa haver uma campanha orquestrada, não se vê é como a mesma belisca escolas ou trabalhadores. Os intervenientes são sempre os mesmos.
As razões do processo disciplinar radicam “num insulto e não tem nada a ver com a licenciatura do primeiro-ministro. É um insulto ao cidadão José Sócrates, que além de cidadão é o primeiro-ministro de Portugal” e que na sua opinião é um insulto grave. É a tal história do “filho da puta” a que já fizemos referência. E aqui é capaz de haver mais alguma coisa do que aquilo que o Charrua nos quer fazer crer.
O processo nasceu após uma comunicação via SMS a denunciar a prática e uma participação escrita do facto.
A campanha nasce porque “durante dois anos mexi em muitos interesses”: subsídios pagos no ensino especial; fiscalização de obras públicas; atestados médicos. A entrevistada tem, contudo, de admitir que, a ser assim, também aqui existiu um défice de comunicação das estruturas da Educação.
O que deixaram passar foi que se acabou com apoios a crianças que realmente precisavam deles. Quanto às obras públicas, de facto o dever de fiscalização incumbe ao dono da obra (não se percebe como é que isso se coaduna com a fiscalização a ser efectuada pela escola) e se aqui havia desmandos, denunciem-se. Participem-se criminalmente.
O mesmo para os atestados médicos.
Sobre as graçolas alegadamente por si proferidas afirma que já foram indicadas duas datas. Também já o havíamos notado.
Também acha que o facto de ser uma mulher se reflecte nas acusações que tem recebido. Este argumento vem a propósito de quê? É caso como aqueles pretos da Cova da Moura que afirmam que querem ser tratados como portugueses, mas que se são mandados parar na estrada logo vêm falar em racismo!
Sobre as alegações de Albino Carneiro (presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho) que o teria mandado para a sacristia, afirma que as coisas se irão esclarecer na instância devida. Aguardemos, pois.
No resto, nada de relevante a assinalar.
Quer dizer, a Dra. Margarida Moreira afirma que tem em seu poder tudo o que por aí se escreveu sobre o assunto.
Até de blogues. Por esta eu não esperava.