Ó D. Helena, francamente...

Nunca tive qualquer pejo em relação à participação dos independentes na vida partidária, política e cívica.
Sempre me bati, na vida partidária, política e cívica por se procurarem criar as condições que permitam a maior participação possível.
Por isso estou particularmente à vontade para achar que Helena Roseta é um logro, embora ela ache o contrário.
Roseta, à semelhança de Alegre, lembra-me sempre aquele pessoal que enche a boca com o povo mas não lhe conhece nada. São uns “snobs” armados em franco-atiradores do sistema quando lá sempre estiveram. É o que acho, e tenho direito à minha opinião.
Procurando mostrar o seu vanguardismo, a candidata independente apresentou ontem a sua solução para o pelouro que parece que é dos que mais dores de cabeça dá nas autarquias: o Urbanismo.
"Vamos propor que o pelouro do urbanismo não seja o pelouro de um só partido mas de todas as forças políticas", disse.
O objectivo da proposta seria aumentar a transparência das decisões na área do urbanismo e, assim, combater a corrupção.
Em primeiro lugar, conviria que se calhar alguém esclarecesse de vez se todas as decisões que se tomaram em matéria urbanística estão sob suspeita de corrupção.
Atendendo ao discurso da candidata e ao ex-vereador Paulo Morais, entre outros, parece que sim.
E, se assim é, também as que estes tomaram estão inquinadas ou não? Ou são só as dos outros?
Depois, quais seriam os actos previstos no actual Regime Jurídico de Urbanização e Edificação que a candidata pretendia discutir na dita comissão? Todos? Ou só alguns? E, se apenas alguns, porquê aqueles e não outros?
Penso que, aqui, haveria que explicar melhor a ideia e não a ligar umbilicalmente à ideia que cada assinatura esconde uma negociata.
A candidata insurgiu-se ainda contra uma maioria absoluta do PS porque na Assembleia Municipal há uma maioria do PSD.
Ela lá deve saber que lógica tem este raciocínio. E, quiçá, qual o pensamento de Paula Teixeira da Cruz neste domínio.
Depois, e pensando certamente nalgum pelouro, teve de elogiar, mesmo que indirectamente, todos por igual quando defendeu a dispersão de votos porque “são eleitos os primeiros de todas as listas e temos uma equipa de luxo".
Está bem, está.
Lá que se tenha zangado porque José Sócrates não a quis a candidata do PS, ainda vá que não vá. E mesmo aqui deixou levemente destapada a sua falta de humildade democrática.
Agora que para sustentar a sua eleição tenha necessidade de colocar no mesmo pé António Costa, Fernando Negrão, Carmona Rodrigues, Ruben de Carvalho e Sá Fernandes (só se menciona estes porque serão os que, a par da autora das palavras, reúnem condições para eleger eleitos) é que não se percebe.

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