Caiu... mas aguenta-se.

PS - 40%; PSD - 29%; CDU - 10%; BE - 9%, CDS/PP - 7%.
São estes os resultados da última sondagem encomendada pelo "Diário de Notícias".
Já há quem esfregue as mãos... mas melhor seria que parassem para pensar.
Um Governo que perdeu o estado de graça, que em muitos domínios se afunda no lodaçal, que parece querer esquecer que os tiques de autoritarismo não auguram nada de bom, e mesmo assim mantém 40% das intenções de voto, é bem capaz de se aguentar.

Batem leve, levemente... é a flexi(nse)gurança!

E as propostas do Governo para o Código do Trabalho são:

DESPEDIMENTOS - Facilitar o processo burocrático do despedimento individual e despedir por incompetência, desde que esta fique comprovada.
FÉRIAS – período fixo de 23 dias úteis.
SALÁRIO – admissibilidade de redução salarial com fundamentos objectivos definidos pela lei e sujeitos ao controlo da Inspecção do Trabalho.
HORÁRIOS – Só devem ser definidos limites para o tempo de trabalho semanal e anual e que o horário de trabalho diário possa ser acordado entre empregador e empregado e redução das pausas de descanso poderão ser reduzidas.
HORAS EXTRAORDINÁRIAS - Possibilidade de se alargarem os limites do trabalho suplementar e dar preferência a um regime de descanso integralmente compensador do trabalho suplementar realizado, com prejuízo da sua remuneração reforçada hoje estabelecida na lei e na contratação colectiva.
DIUTURNIDADES - erradicação da figura.

Face a este cardápio, e como era de esperar, a CIP veio dizer que era pouco arrojado.
Os nossos patrões já não conseguem esconder que a sua suprema ambição é atingir o despedimento puro e simples.

Entre as vozes críticas, saliento as seguintes opiniões:

BAGÃO FÉLIX, o pai do actual Código de Trabalho: “ (…) são ex-marxistas mais neoliberais do que os neoliberais. (…) tem de ser com o mínimo de respeito pelo tempo de lazer, de família e de descanso das pessoas (…) reduzir a pausa para meia hora, como se consegue almoçar? (…) no que diz respeito ao despedimento por incompetência, hoje já é possível despedir por inaptidão, ou seja, por redução na qualidade ou produtividade do trabalho. Parece-me mais um álibi (…) as reduções salariais parecem-me mais uma dádiva ao patronato do que uma necessidade".
JOÃO PROENÇA, líder da UGT: “Visa aumentar a flexibilidade no mercado de trabalho, mas não tem em conta a negociação colectiva e o combate à precariedade”.
CARVALHO DA SILVA, da CGTP: “Um cardápio de maldades para os trabalhadores”.

O SENHOR MINISTRO, que ainda por cima foi eleito pelo círculo eleitoral de Braga, proclamou:
“O objectivo deste trabalho é aumentar o emprego, a defesa do empregado e fomentar o crescimento dos salários e para isso é necessária uma maior adaptabilidade das empresas, dos trabalhadores e das relações laborais”.

Digo EU: “O objectivo deste trabalho é aumentar o DESEMPREGO, a defesa do EMPREGADOR e fomentar a DIMINUIÇÃO dos salários e para isso é necessária uma maior adaptabilidade das empresas, dos trabalhadores e das relações laborais”.

Olho para o Governo de José Sócrates e recordo-me do cavaquismo no seu apogeu!!!!

25% de água desperdiçada... que horror!!!!

Mais de um quarto da água em distribuição na rede pública do País é desperdiçado, aponta um estudo da DECO.
No mesmo documento aponta-se para uma perda de 2% em Mondim de Basto e 54% no Alandroal.
Deve ser por esta que a água está a um preço que, daqui para ali, pede meças a um “Barca Velha”. E ainda se fala por aí que vai aumentar mais.

Contas à moda da... EDP

Quem não se recorda da rábula do aumento da electricidade ao consumidor doméstico, que levante a mão.
O ministro engasgado, o homem da ERSE (Entidade Reguladora do Sector Eléctrico) ofendido, os números a variarem dos dois dígitos para um… uma salgalhada provocada, secretário de Estado “dixit”, pelos consumidores.
Rezava o homem que se nós tivéssemos pago a luz que devíamos, nada daquilo (os aumentos) aconteceria.
Pessoalmente, fiquei chocado.
Logo eu que pago religiosamente as minhas contas e que, confrontado com os valores exigidos pela EDP, pagava. Podia ranger os dentes, mas pagava.
Descobre-se agora que, afinal, os consumidores que tinham andado a gastar luz por um preço que só dava prejuízo à EDP são… credores.
Para ser mais preciso, credores de 20,4 milhões de euros em virtude de cauções pagas nos contratos celebrados com a EDP (o bicho agora chama-se Energias de Portugal, mas todos o conhecem por EDP) antes de 1998.
Para resolver a questão, a EDP vai ter de elaborar e publicar, até à primeira quinzena de Agosto, listas de todos os consumidores que têm direito a receber a devolução da caução para que estes possam reclamar a mesma num prazo de seis meses.
Por mim, não deixarei de andar atento às listas que têm der afixadas na forma de edital na Junta de Freguesia.
Quem for credor, não recebe em líquido antes em descontos na factura.
A mim tanto se me dá, o que quero é contas direitas.
Como isto não são só boas notícias, murmura-se por aí que 2008 vai trazer aumentos nas tarifas da EDP que… upa, upa!!!!

Big "Governo"... is watching you!

George Orwell tinha avisado: “Big Brother is watching you!”.
Quando apareceu o “Big Brother” - onde quem observava erámos nós - houve por aí quem delirasse com a patada que um tal Marco deu numa colega.
Isto quando já há muito tempo que uso de cartões de crédito, multibanco, o acesso às redes móveis de telecomunicações, a navegação pela web, o levantamento de dinheiro, as passagens na Via Verde… podia ser recolhido, tratado. Ninguém se preocupou.
Mas agora pode estar aí a chegar a cereja em cima do bolo.
De acordo com o jornal “Público”, vai ser criada uma gigantesca base de dados na função pública.
Candidamente garantem-nos que apenas se quer vigiar o cumprimento das obrigações fiscais dos funcionários públicos e a correcta atribuição de benefícios a que estes têm direito, sejam fiscais ou sociais.
Nacionalidade, residência e estado civil, os benefícios sociais a que têm direito, os rendimentos declarados, o património que possuem ou a situação escolar dos seus filhos: eis algumas das coisas que querem saber da vida das pessoas.
Se for só para o que dizem, já é de torcer o nariz.
O pior é se é para mais alguma coisa.
Também não percebo porque se acentua tanto a questão de controlar obrigações fiscais e benefícios sociais.
Como diria o outro, “cadê os outros..."?
Os das imobiliárias, os testas de ferro, os que criam empresas fictícias para carrosséis de IVA…

Só há "bufos" porque há quem lhes dê crédito!

Permito-me transcrever a parte final de um artigo de opinião assinado por António Marinho, advogado, na edição de ontem do jornal “Público”: “(…) Há no aparelho de Estado, sobretudo na administração pública, pulsões liberticidas e de delação que urge combater. Essas pulsões têm as suas raízes na cultura dominante no Estado Novo. O que havia de pior nesses tempos de tirania não era a actuação repressiva das polícias ou de outros organismos de vigilância e protecção do regime. O que havia de pior era, precisamente, a existência dos «informadores», dos «bufos», ou seja, de pessoas aparentemente normais, que se sentavam à nossa mesa, que entravam nos nossos gabinetes e até nas nossas casas, com quem por vezes se tina conversas reservadas e até íntimas, mas que, depois, traiçoeiramente, pela calada, iam comunicar essas conversas à polícia ou aos superiores hierárquicos.
É essa actuação ignóbil, é, em suma, essa imensa ignomínia, que urge banir definitivamente da sociedade portuguesa e da administração pública. E a melhor forma de o fazer é, para começar, não compactuar com as suas manifestações em nenhuma circunstância (…)”.
Tem razão o articulista. Muita razão.
Ele escrevia a propósito do caso DREN, eu poderia escrever a propósito das filmagens feitas à socapa e divulgadas pela Câmara Municipal do Porto (leia-se, Rui Rio) da presença do vice-director do “Jornal de Notícias” na manifestação promovida à porta do Rivoli.
Por pudor, abstenho-me de escrever sobre o que se passa no local onde trabalho…

Mais um imposto? Na Saúde?

Ele há por aí uma dita Comissão Técnica que ninguém conhece muito bem, mas que começa a parecer-se muito com um navio pirata ao serviço de um Estado corsário.
A última é que, depois de mais um apurado, estudo, terão recomendado que o Estado pense na “imposição de contribuições compulsórias, temporárias, determinadas pelo nível de rendimento, utilizando o sistema fiscal e direccionando as verbas para o SNS”.
Dito doutra maneira, querem que se crie mais um imposto. Para adoçar dizem que será temporário, mas eu só sei que quando o Estado nos decide ir à carteira o provisório se transforma em definitivo.
Parece que o dito estudo recomenda uma actualização do valor das taxas moderadoras e a redução dos benefícios fiscais com as despesas em saúde declaradas no IRS, aproximando a realidade portuguesa da generalidade dos países da OCDE.
Com o devido respeito, estes gajos vivem onde? E andam a gozar com quem?
Quer dizer, no que toca a deveres há que colocar tudo ao nível da União Europeia, da OCDE, do raio que os parta… mas quando toca a direitos, não é possível, vejam o Uganda que está pior… E apanhar no …., não?

Ó D. Helena, francamente...

Nunca tive qualquer pejo em relação à participação dos independentes na vida partidária, política e cívica.
Sempre me bati, na vida partidária, política e cívica por se procurarem criar as condições que permitam a maior participação possível.
Por isso estou particularmente à vontade para achar que Helena Roseta é um logro, embora ela ache o contrário.
Roseta, à semelhança de Alegre, lembra-me sempre aquele pessoal que enche a boca com o povo mas não lhe conhece nada. São uns “snobs” armados em franco-atiradores do sistema quando lá sempre estiveram. É o que acho, e tenho direito à minha opinião.
Procurando mostrar o seu vanguardismo, a candidata independente apresentou ontem a sua solução para o pelouro que parece que é dos que mais dores de cabeça dá nas autarquias: o Urbanismo.
"Vamos propor que o pelouro do urbanismo não seja o pelouro de um só partido mas de todas as forças políticas", disse.
O objectivo da proposta seria aumentar a transparência das decisões na área do urbanismo e, assim, combater a corrupção.
Em primeiro lugar, conviria que se calhar alguém esclarecesse de vez se todas as decisões que se tomaram em matéria urbanística estão sob suspeita de corrupção.
Atendendo ao discurso da candidata e ao ex-vereador Paulo Morais, entre outros, parece que sim.
E, se assim é, também as que estes tomaram estão inquinadas ou não? Ou são só as dos outros?
Depois, quais seriam os actos previstos no actual Regime Jurídico de Urbanização e Edificação que a candidata pretendia discutir na dita comissão? Todos? Ou só alguns? E, se apenas alguns, porquê aqueles e não outros?
Penso que, aqui, haveria que explicar melhor a ideia e não a ligar umbilicalmente à ideia que cada assinatura esconde uma negociata.
A candidata insurgiu-se ainda contra uma maioria absoluta do PS porque na Assembleia Municipal há uma maioria do PSD.
Ela lá deve saber que lógica tem este raciocínio. E, quiçá, qual o pensamento de Paula Teixeira da Cruz neste domínio.
Depois, e pensando certamente nalgum pelouro, teve de elogiar, mesmo que indirectamente, todos por igual quando defendeu a dispersão de votos porque “são eleitos os primeiros de todas as listas e temos uma equipa de luxo".
Está bem, está.
Lá que se tenha zangado porque José Sócrates não a quis a candidata do PS, ainda vá que não vá. E mesmo aqui deixou levemente destapada a sua falta de humildade democrática.
Agora que para sustentar a sua eleição tenha necessidade de colocar no mesmo pé António Costa, Fernando Negrão, Carmona Rodrigues, Ruben de Carvalho e Sá Fernandes (só se menciona estes porque serão os que, a par da autora das palavras, reúnem condições para eleger eleitos) é que não se percebe.

Temos muito "eduquês", mas pouca Educação!

O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou um reforço substancial de cursos profissionalizantes para o ensino básico e secundário, numa aposta que visa combater o insucesso e abandono escolar.
José Sócrates explicou ainda que o objectivo final do Governo é que metade dos alunos opte por este tipo de ensino, cumprindo as recomendações da OCDE nesta matéria.
Segundo primeiro-ministro, o aumento do número total de alunos nas escolas que se verificou no ano passado deve-se ao regresso de muitos jovens ao ensino através destes cursos, um resultado que inverte uma tendência de dez anos em que existiam cada vez menos jovens a estudar nestes escalões.
"Nenhum país pode competir na primeira linha da economia global se apenas tiver 30%" da população com o 12º ano, afirmou. Nesse sentido, é responsabilidade do Governo fazer a "promoção desses cursos profissionais e tecnológicos" de modo a que haja "procura" para a oferta agora apresentada.
Está em curso mais uma fraude gigantesca na Educação em Portugal.
Em primeiro lugar, o mesmo Estado que criou o ensino profissional está agora a asfixiar lentamente esse sistema de ensino, desperdiçando anos de experiência acumulada e anos de fundos comunitários destinados a equipamentos, instalações e formação.
Em segundo lugar, com as exigências que se anunciam de dar o 9º e o 12º ano ao maior número possível de pessoas, as orientações mais ou menos administrativas de diminuir o grau de exigência e dado que muitos dos que irão optar por esta via, são tradicionalmente os estudantes menos habilitados ou mais cábulas, está-se mesmo a ver o que daí vai resultar.
É o mesmo que se passa com certificar os conhecimentos adquiridos em meia dúzia de dias.
Não se exige que os alunos terminem o percurso escolar a saber escrever como Eça de Queirós ou Lobo Antunes, mas exige-se que saibam escrever português como deve ser.
Não se exige também que deixem a escola a saber resolver os maiores enigmas da Matemática, mas pelo menos que saibam fazer contas de cabeça.
E isso já nós sabemos que a maior parte não sabe fazer.
De qualquer forma, isto não serve para dar razão ao já célebre mito que a antiga 4ª classe valia mais que o actual 12º ano.
Basta ver os erros de português espalhados por esse País fora dados por alegres detentores do diploma dessa mítica 4ª classe.
Prova que, entre nós, há muito “eduquês” em vigor e pouca Educação!

Quanto vale um sobreiro?

Os jornais dizem que a PJ não consegue encontrar os beneméritos que terão entregue um milhão de euros ao CDS/PP de Paulo Portas, quando Portas e CDS estavam no Governo de Santana Lopes.
Recorde-se que dois ex-ministros do CDS, Nobre Guedes e Telmo Correia, e um do PSD assinaram, quatro dias antes das eleições, um despacho (que os tribunais já terão considerado ilegal) autorizando o BES a derrubar uns milhares de sobreiros para poder levar por diante um empreendimento imobiliário de luxo em Benavente.
A PJ e o MP suspeitam que, por esse despacho à margem da lei, o CDS/PP terá cobrado o tal milhão de euros por debaixo da mesa.
Portas diz que não.
Ora, por enquanto, há que aguardar com tranquilidade, muita tranquilidade, o evoluir dos acontecimentos.
Não se pode andar por aí, de forma impune, a acusar sem provas, nem a lançar para a opinião pública cortinas de fumo destinadas a confundir.
Aliás, Portugal ameaça transformar-se num caso clássico.
No caso “Casa Pia”, que ainda se arrasta pelos tribunais, fez-se chafurdar na lama um conjunto enorme de pessoas mais ou menos conhecidas, e mais de metade delas nunca chegou sequer a ser constituída arguida.
No caso “Apito Dourado” aparentemente circunscreveu-se as investigações a um determinado número de clubes e, ciclicamente, faz-se anunciar mais um desenvolvimento.
O último, segundo o jornal “Correio da Manhã”, é que Pinto da Costa vai ser acusado pelo jogo Nacional/Benfica da época 2003/2004.
Ele é engraçado como há coisas que, sendo segredo de justiça, chegam aos jornais mas nunca – ou quase nunca – aos reais interessados!
Bom, de volta ao assunto do PP.
O milhão da desconfiança, segundo o PP, veio de cidadãos que quiseram contribuir para o partido.
O problema é que, entre eles, está um tal Jacinto Leite Capelo Rego ou Jásinto Leite Cá pelo Rêgo…
Diz Manuel António Pina, na sua crónica de hoje no “Jornal de Notícias”, que ainda lá vão aparecer recibos da Maria José dos Prazeres e Morais (Prazeres Imorais) , o Adolfo Dias (Adol Fodias, esta sempre tive dificuldade em perceber que graça tem) e o famoso japonês Hiroku Saikaro.
Mas já o Manuel Vieira, dos Ena Pá 2000, se quis candidatar à Presidência da República contando com as assinaturas, entre outros, da Pocahontas e do Rato Mickey...
Somos uns brincalhões. Acho eu.

O Governo, afinal, dialoga... mas só com os poderosos!

Já tive oportunidade de esclarecer que não me sinto suficientemente habilitado a divagar sobre se é na Ota, na Margem Sul, Alcochete (curiosamente, a sul do Tejo) ou Portela+1.
Também já deixei no ar a ideia que, possivelmente, o melhor seria não construir coisa nenhuma. Se querem assim tanto gastar o dinheiro, olhem gastem-no em equipar decentemente as escolas públicas, em construir novas escolas, por exemplo.
Ando agora intrigado, e é por isso que regresso ao tema, sobre a questão do estudo que a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) mandou fazer e entregou ao Governo e ao Presidente da República (PR).
É estranho, muito estranho.
Em primeiro lugar, e sabendo-se que não está no leque das competências constitucionais do inquilino de Belém mandar fazer obras, o estudo foi entregue a Cavaco Silva para quê? Se é para manter o PR informado, tudo bem.
Se é para o habilitar com um instrumento de pressão sobre o Governo e a Assembleia da República (órgão que, em última instância, tem a última palavra sobre as Grandes Opções do Plano e Orçamento de Estado), aí já a coisa começa a fiar mais fino.
O fim-de-semana, contudo, só serviu para baralhar ainda mais as coisas. Pelo menos no que me concerne.
Primeiro era o nome dos financiadores do estudo que era segredo de Estado. Logo vieram a lume alguns nomes!
Depois era a versão que Sócrates teria combinado com Van Zeller (o Presidente da CIP) que o estudo não iria prever a possibilidade Potela + 1 porque os terrenos são essenciais ao financiamento do novo aeroporto.
Finalmente, é a história que envolve a própria Associação Comercial do Porto.
O “Diário de Notícias” de hoje avança mesmo com uma notícia onde dá conta do facto de alegadamente ter sido José Sócrates a combinar com Van Zeller que só queria a CIP envolvida no estudo e não um agrupamento de pessoas colectivas.
De acordo com o matutino, o presidente da CIP conta que José Sócrates lhe disse: "Eu prefiro dialogar convosco, sei quem são...".
Bom, se é verdade não deixa de ser castiço. Então o Primeiro-Ministro da República Portuguesa prefere dialogar só com a CIP porque, por exemplo, não conhece a ACP?
Mas ao senhor Primeiro-Ministro de Portugal não é exigível que conheça toda a gente, exige-se apenas que dialogue com quem de o fazer e ouça os intervenientes que potencialmente possam contribuir para a melhoria do processo de decisão. Penso eu.
O Governo, que quanto a mim já está mais que entalado, viria a desmentir qualquer contacto prévio através de um comunicado do Ministério das Obras Públicas.
De qualquer modo, o comunicado serviu para esclarecer uma coisa: desde Março que o Governo sabia que a CIP ia fazer o estudo.
E o mesmo fez-se e foi entregue. E bem aceite, pelos vistos, porque parece que agora, em vez da Ota, temos em cima da mesma a Ota e Alcochete.
Isto lá para os lados do Terreiro do Paço quando até há bem poucos dias tudo o que de lá saía era que a opção era a Ota.
Afinal, parece que até ao final de 2007 não é!
Depois, logo se verá. Miserável país, este que desde os tempos de Marcello Caetano (e esta, hein?) anda a discutir se há ou não há novo aeroporto…
Na minha óptica, esta história serve apenas para confirmar (e desta vez às claras) uma coisa que já muita gente suspeitava: quem manda não é o poder soberano do povo expresso através dos votos ou das suas acções de protesto, quem manda é o poder económico.
No caso presente, até pode ter sido para bem do País, mas revela que nesta matéria o actual Primeiro-Ministro é mais do mesmo.
No caso em apreço até parece que Primeiro-Ministro de Portugal é o Presidente da CIP.
Pessoa certamente honrada e competente, não duvido, mas que ninguém elegeu para ser o ocupante do Palácio de S. Bento!

Ota? Margem Sul? É que é já a seguir. Já a seguir!

O jornal “Correio da Manhã” noticia hoje que quase 50% dos portugueses entende que não é necessário construir nenhum aeroporto novo.
Quanto à melhor localização, cerca de 37% prefere a margem Sul e 23,5% a Ota.
Alcochete ainda não aparece, porque a sondagem (da “Aximage”) foi efectuada no início do mês.
O matutino titula ainda que aumentou a percentagem de inquiridos que está contra a construção do novo aeroporto (subiu 4% em 7 anos).
As razões apontadas para ser contra radicam nos custos e na existência já de um aeroporto na Portela.
O que se estranha nesta sondagem não é o facto de 50% dos portugueses estar contra a construção do novo aeroporto, mas sim que 60,5% admitam um aeroporto sempre ali à volta de Lisboa, seja na Ota ou na margem Sul. E depois ainda andam por aí a dizer que somos bairristas e que não somos solidários lá com a malta do Sul. Sim, que para atingir esta cifra tem de haver muito distraído do Norte a dar o sim àquelas localizações.
Seja como for, e de acordo com os dados da sondagem, 2.300.500 de portugueses querem o novo aeroporto na Ota e 3.700.000 deseja-o na Margem Sul.
Somos 10 milhões em Portugal?
Há 5.000.000 que não querem aeroporto novo?
Mas 6.000.000 acham que ou é na Ota ou na Margem Sul.
Daqui podem-se tirar duas conclusões.
Uma é que há por aí um milhão de portugueses que são uns troca-tintas. Não se pode confiar nesses tipos. Estão contra mas, ao mesmo tempo, a favor que seja na Ota ou na margem Sul.
A outra é que eu sou um brincalhão e ando para aqui a deturpar números. Até pareço um político.

Bad dog, bad dog... senta, está quieto!

O ainda Primeiro-Ministro britânico, Tony Blair, acusou, num discurso proferido hoje em Londres, os jornalistas de agirem muitas vezes como uma “matilha selvagem”.
Os meios de comunicação, cada vez mais competitivos, operam como uma matilha selvagem, fazendo pouco das pessoas e denegrindo as suas reputações, criticou Blair.
Blair, contudo, reconheceu que o Partido Trabalhista, depois da sua chegada ao poder, em 1997, investiu muito tempo a tentar influenciar a cobertura dos meios de comunicação.
Com esta pequena adenda ficamos esclarecidos.
Para Blair, o homem que se rodeou de “spin doctors”, os jornalistas são uns cães quando não escrevem aquilo que ele deseja
Quando escrevem, são impecáveis
O Reino Unido foi para a guerra no Iraque montado num embuste? Bad dog, bad dog…
Mrs. Cherie Blair gasta uma pipa de massa em cabeleireiros e afins… bad dog, bad dog!
Mr. and Mrs. Blair estão a fazer umas férias de marajá em Barbados, ou será que é na Toscânia? Bad dog, bad dog…
Mais uma generosa permuta entre financiamentos ao Labour Party e aquisição de títulos nobiliárquicos… bad dog, bad dog…
Este Tony é cá um castiço!

A província... credo, cruzes canhoto!

O fiscalista Saldanha Sanches, na sua cruzada muito particular, veio recentemente a lume afirmar que na província há representantes do Ministério Público, que pela proximidade local, ficaram reféns do poder político.
E como ficaram reféns do poder político local, campeia a corrupção pela província.
Coisa a que, naturalmente, Lisboa, quiçá Cascais, Oeiras e Sintra estão, certamente, imunes pois não integram o círculo eleitoral da Província.
Neste momento, já mil e uma declarações se fizeram, muita análise se teceu, o Conselho Superior do Ministério Público reuniu, advogados pediram ao Procurador-Geral da República que investigue e o próprio já veio esclarecer que, mantendo o que disse, não disse aquilo que outros pensaram que disse.
Pessoalmente estou-me nas tintas se o fiscalista disse ou não disse.
A mim o que me interessa é que, até ao momento presente e que eu saiba, ninguém discorreu sobre a utilização do termo província.
Eu não sei se vocês estão bem a ver a coisa…
Província, provincianos…
Fica só por esclarecer onde acaba Lisboa e começa a província para o fiscalista Saldanha Sanches, mas eu cá tenho para mim que a província começará sempre para lá das portagens de Alverca e das pontes Vasco da Gama e 25 de Abril. Só pode.
A única explicação para existirem ali portagens é para impedir que os perigosos provincianos pudessem entra sem mais, nem menos no impoluto reino dos 40 ladrões que é como se devia designar a cidade que tem a sede de tudo quanto é ministério!
Assim, com aquelas câmaras sempre podem filmar cada movimento dos provincianos.
Eu até parece que os estou a ouvir: "Ó Filó, avise aí o Engenheiro que o parolo do presidente da Câmara Municipal de Alguidares de Riba vem aí"... "Tá lá... óóóó Zefa, olhe querrriiiddaaaaa, diga ao Doutor que o Manuel Ribeiro, aquele doutorzico, coitado, que mora ali no deserto, está para chegar"...

O Charrua, a Margarida e a sacristia...

Fosse Portugal um país decente e o caso envolvendo o Charrua e a Margarida já teria sido objecto de uma intervenção sensata por parte de alguém com poder e voz de comando.
Por partes, por partes.
O Charrua e a Margarida são, respectivamente, conotados com o PSD e o PS.
Estão ambos ligados à Educação.
A certo momento, cruzaram-se na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN).
Ela era o chefe e ele estava lá nos Recursos Humanos.
Não me interessa como é que qualquer um deles lá foi parar, embora se possa desconfiar.
Consta que o Charrua (que também andou pelos Passos Perdidos, leia-se, Parlamento), nuns minutos vago (escrevo minutos porque não acredito que o homem desperdiçasse mais que uns minutos por dia) meteu-se a dizer umas graçolas sobre o Primeiro-Ministro.
Coisas insignificantes, assevera ele.
Que não, garante ela.
E a Comunicação Social reproduz uns e outros.
A questão andará entre saber-se se apenas se fez referência ao uso do fax para entregar provas escritas em doutoramentos ou, se para além disso, se recorreu ao epíteto de “filho da puta”.
Tirando o grave que sempre é meter-se a mãe de alguém ao barulho, aqui a coisa – a ser verdadeira – piará mais fino pois o aludido filho é Primeiro-Ministro.
E se andar por aí a chamar filho da sua mãe a alguém já é crime (como qualquer jurista de meia tigela sabe), a coisa ainda mais ampliada ficará quando o visado exerce funções públicas como aquelas. Não interessa se bem ou mal, exerce-as.
Quem falará verdade? O Charrua ou a Margarida?
Será que o denunciante (ou bufo, depende da perspectiva) enganou a Margarida e incorreu no crime de denúncia caluniosa?
Como vêem, isto é como as cerejas. Puxa-se uma e vêm umas quantas…
Depois, veio a lume que a Margarida, numa escola do Porto, também mandou umas “papaias” sobre a validade do curso do Engenheiro, Senhor Seu Chefe.
Eu, que costumo ter boa memória, vi isso referenciado em, pelo menos, duas publicações. O “Público” e a “Sábado”.
Esta semana a Presidente do Conselho Executivo escreveu uma carta à "Sábado", ou pela menos a mesma é publicada na edição desta semana, em que desmente o tal episódio das piadas contadas pela Margarida.
Veio já o Charrua dizer que foi num jantar, na escola do Cerco e que até tem testemunhas. Afinal, ficamos em quê?
A Margarida esteve ou não esteve na escola? Disse ou não piadas sobre a valia do curso do Engenheiro? E foi numa cerimónia pública sobre o programa “Novas Oportunidades” ou já num jantar? E se disse, para ela não houve consequências porquê se a versão do Charrua - a ser verdadeira - lhe valeu um processo?
Mais um monte de cerejas.
Agora, é o presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho que se queixou ao Presidente da República que a Margarida, numa reunião de trabalho, estava sempre a mandar-lhe umas piadas.
O homem, antes de ter sido eleito Presidente da Câmara, era sacerdote. de modos que a Margarida parece que terá passado a reunião a mandá-lo para a sacristia!
Que diabo, se o homem não está abrangido pela inelegibilidade geral passiva prevista legalmente e que impede que os sacerdotes sejam candidatos na própria paróquia (passe a expressão), se não anda por aí de sotaina, a sacristia é para aqui chamada a que propósito?
Neste mar encapelado temos que o Charrua foi recambiado para o Carolina Michaelis onde, pelos vistos, também já não punha os pés à largos anos (um dos mistérios da Nação esta história das requisições e comissões de serviço), está com um processo de natureza disciplinar às costas e uma participação crime.
À Margarida, a essa saiu-lhe a sorte grande.
Foi reconduzida no cargo, embora tal decorra meramente da aprovação da nova lei orgânica do Ministério da Educação e a decisão fosse prévia a todo este imbróglio.
Contudo, pede-se a sua cabeça.
Eu, cá por mim, aconselho prudência no pedido. Muita prudência.
É que ouvi dizer que a Margarida Moreira é educadora de infância.
Ora, a avaliar pelo aspecto visual da senhora (ela não tem culpa, foi assim que Deus ou a natureza a fizeram) era de temer que a petizada ficasse irremediavelmente traumatizada. Acham que não?
Olhem bem para aquela cara e depois venham cá dizer alguma coisa!

Reserve já um lugar na sopa dos pobres!!!!

Entre outras notícias retive a que refere, citando um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico), que o valor das pensões médias vai cair 40% em Portugal.
Note-se, estamos a falar de 40%.
Quem tinha uma expectativa de vir a receber uma reforma de 1.000,00€ terá, agora, de pensar em tirar dali uns 400,00€.
Isto ao mesmo tempo que a carga fiscal subiu, os salários reais se encontram em regressão, os preços de bens essenciais mantém a tendência para subir.
Claro está que há quem diga que em 2050 o salário vai ser de não sei quanto...
O problema é que em Portugal a política sempre foi a de os salários subirem pelas escadas, enquanto os preços e os impostos vão pelo elevador!
Estamos a construir alegremente um País de descamisados, é o que é.
Daqui a anos hão-de cá vir algumas equipas de televisão mostrar aquilo que para mostrarem hoje só encontram no dito Terceiro Mundo.
Não vale a pena lutar nesta choldra. Para os que puderam (e tiverem idade) resta emigrar. Para não mais voltar.